sábado, 7 de novembro de 2009

PRIMEIRA PROVA DE BAIANÊS

Como disse, existem muitos “Brasis”. Estamos no mesmo país, mas podemos dialogar sem nos entender. Ri muito com as pessoas que se arriscaram nessa tradução. Desabafando, quem vai gostar de ter unha encravada? – KKKKKKKKKKKKKKKK. Vale ressaltar que vários desses termos podem ter seus significados alterados de acordo com a situação. Na próxima sexta, dia 13, estréia mais um seriado do "Ó paí ó" e, muito provavelmente, vocês vão ver alguns desses termos. Vão se familiarizando. Segue a primeira correção e na segunda – o blog é meu então mudo as datas como quiser rsrsrsrs – posto outro texto. Só Elisa e Desabafando deram a mão à palmatória. Vão me mandando o endereço para eu enviar o dicionário para vcs via sedex.

CORREÇÃO (estou me sentindo "A" professora hahahahahaha)
Ultimamente tô aluada (com a cabeça no mundo da lua). Acabo escrevendo umas paradas a culhão (de qualquer jeito), publico a facão (sem me preocupar com os detalhes – “O corpo dela é feito a facão”) e vocês comentam a migué (sem dar importância). É que nem sempre estou à toa (sem ter o que fazer), quero pegar minha arabaca (meu carro) e abrir o gás (outra forma de conjugar o ver ir) para algum reggae (qualquer festa). Por isso faço esses armengues (coisa feita de qualquer jeito para resolver provisoriamente um problema). Mas minha consciência agreste (grossa) quebra minha guia (minha força). Não estou broca (maluca). É que quando eu era piveta (criança) já peguei um baba (joguei futebol), brinquei de arraia (empinar pipa), pulei elástico (brincadeira que não dá para explicar aqui), piquei a porra (machuquei) num passarinho de badogue (estilingue), já bafei (afanei) bala no shopping, já ri do balaio grande (nádegas grandes) das mulé (mulher), tomei banca (reforço escolar) e nunca fui banda voou (pessoa que não se preocupa com nada). Como meu pai não era barão (rico), eu me ferrava (fazia muito alguma coisa) de estudar para minha mãe não bater a caçuleta (morrer) nem ficar pirada (com raiva). Algumas vezes era bequitranque (complicado), eu ficava boiada (cansada). Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” (vamos?) – sem nem botar pilha (insistir) - e eu dava o vazare (ir embora). Meu pai virava a porra (ficava com raiva) – principalmente porque ele inticava (implicava) com as meninas -, e eu morava numas bocadas (lugar perigoso), com uns cacêtes armados (butecos ou casas mal feitas) defronte a casa e rolava um bolodório (confusão) de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? (vomitava) - o povo chamava. Ele ficava cabreiro (com medo), mas nem era de dar caroara (tremer as pernas). Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido (igualzinho) o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando (observando, vem de curioso) os dedos da criatura (de alguém, no caso meu pai). Só pirava (ficava com raiva) porque ele queria que eu comesse cacetinho (pão francês) duas vezes por dia e não rolava (não dava). Se eu tivesse cabreirado (feito o que quisesse) pra ele, tinha ficado um canhão (uma mulher horrorosa), um cão chupando manga (pessoa muito feia), com uma bunda de caruru (mole), uma cabeça-de-arromba-navio (gorda), nenhuma calçola (calcinha) ia subir em mim e ia ser um chororô (choro exagerado).

7 comentários:

Aninha Leme disse...

Jesus, eu pensei que sabia falar português!
mas... vivendo e aprendendo!

besossssss

Lud disse...

Adorei o texto! Ri muito! Uma parte da minha família é baiana e eu pude relembrar muitos dos termos usados por eles... O seu blog é muito legal!

Elisa no blog disse...

Vou ganhar mesmo um dicionário? Tem certeza, moro tão longe? Ouvi que o pessoal torce para não ganhar gente que mora fora do Brasil em sorteio porque o sedex é caro!! rsrs
De qualquer forma estou muito contente.
bj

Alexsandra Moreira disse...

Eu tb quero o tal dicionário... estive na sua casa li e gostei.

Desabafando disse...

kkkkkkkk.....e eu que pensei que tinha ido bem no negócio....rsrsrsrs....me dei mal!

Geovana disse...

Vixe! Velho, na boa... tem umas palavras aí que nem conheço. Mas tá mara, ficou o bicho!

Bjo!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

hahaha. Ainda bem que o texto tem "tradução".
As vezes fico com mais dificuldade de entender o que um amigo brasileiro de região diferente que a minha fala do que um japonês mesmo rs.
Fantástico balaio cultural brasileiro. Adoro.