segunda-feira, 13 de julho de 2009
NOSSA SRA. DO BALACOBACO
Não vou nem gastar minhas palavras com esse vídeo, pois as imagens não precisam de complemento.
Semana passada fui ao show de Ivete aqui em Salvador. Tenho pavor a multidão, mas como ela cantar na terrinha é uma raridade, e eu ganhei as entradas do camarote, resolvi levar os amigos. Para garantir a diversão, convidei um mineiro que acabou de vir morar na cidade. A primeira festa é sempre uma grande surpresa. As micaretas pelo Brasil a fora são boas demais, só rola gente bonita, mas é que as festas de axé em Salvador têm algo que não tem em nenhum outro lugar do mundo: o calor humano e a pouca roupa das mulheres baianas. A temperatura da cidade é inversamente proporcional à quantidade de roupa das mulheres. É quase uma lei da física.
Quando cheguei na festa o mineiro estava pra lá de Bagdá. Ele já misturava o “oxente” baiano com o “nooooosssaaaaa” dos mineiros. Saía um “Noooooxente”. Ele nem conseguia falar nada, só acompanhava as moçoilas com os olhos. Primeiro que o rapaz nem acreditou que eu estava dando a entrada do camarote a ele. Tadinho. E depois de umas doses ele encarnou São Jorge e enfrentou uns dragões. Eu quase fui segurar o moço, pois os veteranos não podem permitir tais atrocidades aos calouros. Mas ele tava com cara de quem tava gostando tanto que eu fiz vista grossa. “Uma vez não morre não...”, hehehehehe.
Sempe fui rock and roll até a alma. Mas, depois que comecei a trabalhar em televisão, tomei umas doses cavalares de injeção de tolerância e passei a admirar, e me divertir, com o que os baianos fazem de melhor: festas. Nunca gostei muito de pagode, mas nesse dia liberei geral (leia-se, dancei dentro dos limites da normalidade). O importante é ser feliz. Meu trauma é que quando o povo começa a quebrar (dançar pagode) parece que estão tendo uma crise de epilepsia ou que entraram em algum transe religioso.
Não sei como eles agüentam mexer o quadril por tanto tempo. A base de tudo é o remelexo das ancas. Depois de uma hora dançando Psirico (aquele da música Toda Boa...) eu parecia que tinha sido atropelada por um trator. Fui sentar mancando, com uma dor filadamãe na bacia, mas gostei. Me diverti muito com meus amigos.
Hoje a história era completamente diferente. Eram umas 60 mil pessoas de camisas coloridas. As blusas tinham todo tipo de customização que vocês possam imaginar, desde as bem produzidas até as mais bregas. Foi o metro quadrado mais feio de todos os tempos. Se Bin Laden descobrisse que o povo daqui dança daquele jeito ele ia nomear os baianos como os inimigos número um de Alah. Gentem!!! Não acho que a dança do pagode é baixaria. O problema está em como as pessoas o fazem.
Começa uma esfregação geral de tal ordem, que todos parecem dançar num único frenesi. Os passos da dança começam a reproduzir os movimentos do ato sexual e os rapazes acham que podem apalpar tantas nádegas quanto for possível.
Para mostrar, de fato, como foi o evento, tive que ir gravar uma entrevista com populares e me arrisquei na pista, e sem seguranças. Ô arrependimento! A pessoa estuda 4 anos, se esforça para se manter no mestrado, tem o diploma jogado no lixo e ainda vai tomar dedada em uma festa de camisa colorida. Pelamor do balacobaco!!!!
Ainda não tenho vídeo da festa de hoje, mas em breve postarei alguma coisa. Esse vídeo aí em baixo é do DVD de uma banda chamada Parangolé. O som, para quem gosta, é bom, mas, repito, o problema está em como as pessoas encaram o que é diversão. O vocalista dessa banda é uma fofura de pessoa e merece todo meu apreço.
O gostoso é até em baixo?
E o Tchuco? É gostoso?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
ATUALIZAÇÃO DE SOFTWARE JÁ!
De início pensei que era impossível dar um toque de humor às 10 regras que Deus entregou esculpidas em uma pedra a Moisés [vocês lembravam disso? Eu não]. Mas, como manda o ofício, fui pesquisar os dizeres divinos para dar o primeiro passo. São eles:
1 - Não terás outros deuses diante de mim. [Quem nasceu em terras politeístas está com um grande problema, pois já veio ao mundo com o pé no inferno. Se negar os Deuses de seus povos também vai ser castigado. O que fazer nessa situação?]
2 - Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. [Todos os seguidores dos santos católicos e orixás vão pro inferno. Em resumo: a Bahia está ferrada.]
3 - Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. [Alguma vez você falou: “Deus lhe pague”? Está com um sério problema...]
4 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. [Todo o mundo capitalista vai para o inferno.]
5 - Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra. [Isso conta a partir de quantos anos?]
6 - Não matarás. [O quê? Formiga, barata e arrancar flor do pé conta?]
7 - Não adulterarás. [Xiiiiiiii... F... Não jeito, manda abrir outro inferno.]
8 - Não furtarás. [Conta quem chupou doce das Lojas Americanas? Qual será o lugar para banqueiro e político?]
9 - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. [Alguém NUNCA mentiu? Nunca disse: “Estou pronta em 5 minutos”, mesmo sabendo que ia levar meia hora? A mentira mais clássica dos vendedores: “Essa roupa está linda em você!". Perdeu...]
10 - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. [Não pode nem olhar para o ator casado da novela? E se sonhar com ele? Afffff!!! Meu ingresso tá garantido!]
Gente. Parece brincadeira, mas tenho duas coisas sérias para administrar. A primeira, e mais urgente, é pensar num roteiro que misture dramaturgia e realidade sem ser agressivo a nenhuma crença (estou aceitando sugestões, mas gravo na quinta). Isso é primordial. Jamais levaria ao ar qualquer coisa que pudesse ofender uma pessoa, quanto mais uma crença. Acredito em Deus, Moisés, Abraão, Cristo, Maomé. Respeito tudo e, inclusive, meus projetos de mestrado envolvem religião. Quando a matéria estiver pronta vou postar aqui para vocês verem.
Mas... O que me preocupa nesse momento é: vai sobrar vaga no céu!!! Quando eu era criança tinha horror da idéia de que poderia ir para o inferno. Mas, analisando friamente essas regras, tem como não ir? Vão ter que criar áreas extras lá em baixo. Quem cometeu o pecado número X vai para tal lugar, quem não respeitou o mandamento Y e Z segue para a ala tal...
Será que é lícito alegar para o meu chefe que não posso trabalhar sábado para não ir pro inferno? Vivo numa sociedade que segue a Sagrada Bíblia, então tenho mais é que tentar me adequar às regras! Ai minha Santa Bárbara, será que ainda tenho jeito? Santa? E quem disse que podemos ter santos? Pega a senha... Ai meu Deus, como pode o Reinaldo Gianecchini ser tão lindo? Ops!!!! Violei dois mandamentos de uma vez só. Falei um nome em vão e cobicei o marido da outra. [Ele é solteiro agora, mas na época que o Brasil inteiro queria tirar uma lasquinha o homem era casadíssimo]. Será que temos jeito? Não rola uma atualização de software?
P.S.: Ainda não publiquei os selinhos nem me atualizei na leitura de blogs. Farei isso amanhã, tá? Bjins e bom dia!
sábado, 20 de junho de 2009
PAUSA PARA OS SANTOS JUNINOS
Mininus e mininais!A partir desse sábado, dia 20/06, até a próxima quinta-feira, dia 25/06, estarei completamente off line desse nosso mundo blogueiro. É por um motivo justo, arretado e de força maior. CURTIR O SÃO JOÃO NO INTERIOR DA BAHIAAAA!!! Olha que isso aqui tá muito bão!!!!
Terminei de arrumar as malas agora, às 1h44, e pego a estrada [360 km até Jequié] às 4h30. Fora o congestionamento [estou levando papel higiênico hehehehehehehe], espero chegar bem.
Não tive tempo de responder aos posts diuréticos, mas, na quinta à noite, respondo tudinho, vou fuçar os blogs alheios e volto com muuuiiiitaaassss hitórias [que somente uma viagem de 12 amigos pode render].
Anarriê!!!!!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
ORGASMO DIURÉTICO

Na hora do lanche, tomei refrigerante e voltei à senzala. Depois de quebrar algumas pedras [estou indignada com Gilmar Mendes, onde já se viu extinguir diploma de jornalista? Vou mostrar a ele onde vou enfiar o meu] desliguei o computador para enfrentar o trânsito e ir embora.
Quando liguei o carro, o pipi lembrou que queria passear. “Dá pra segurar”. Tomei uma das piores decisões de minha vida. São 20 km da TV até minha casa, mas pareceram uns 100 km. No início, a vontade é até gostosinha, aquela sensação que todos conhecemos... Mas o trânsito não colaborou.
Em média, passo por uns 20 semáforos. Hoje, todos fechados. Chegou um momento em que a vontade gostosa começou a virar sofrimento. Eu sentia cada carocinho do asfalto furando minha bexiga. Parecia que os pneus estavam arrastando direto lá... “Vou agüentar”, decidi com firmeza e aumentei o vozeirão de Amy Winehouse para distrair. Enquanto ela cantava “Ai ai ai, ai ai ai, abraçando o grande homem macaco”, eu fui cantando só a parte dos gemidos e o ai ai ai foi virando ui, oi, ai, hummm, ai ai, oi ui, ui ai...
Pense no gemido quando eu passava em um buraco!!! Nunca tinha percebido a força da Lei de Murphy. Ela é peso pesado. TODOS os carros passavam na minha frente, me ultrapassavam, não me deixavam seguir e a dor foi ficando tão forte que, quando dei por mim, estava me envergando, como uma interrogação.
Finalmente avistei a avenida que dá acesso à minha casa. São, exatamente, 9 quebra-molas até meu vaso sanitário. Só que, nessa altura do campeonato, eu já estava quase deitada em cima do joelho. Os carros na minha frente iam passando d – e – v – a – g – a – r – z – i – n –h – o por cada lombada. As lágrimas começaram a cair e um líquido foi chamando o outro e eu tentando conter a torneirinha de baixo. “Ô Jesus, Maomé, Abraão, Buda, Krishna, me ajuda, oi, oi, oi, oi...”.
Última lombada. Não agüentei chegar no meu prédio. Parei na casa de minha mãe, 200 m antes da minha, e entrei igual um foguete. Gente!!! Aquilo não foi uma mijada. Juro. Foi uma multigozada [xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, ouviu?]. Minha filhinha perguntou: “Ta sentindo o quê, mainha?”. Não dava para explicar a sensação de um orgasmo de uréia a uma criança. De olhos virando, esperei a última gotinha sair para explicar ao baby que mamãe tava “se mijando”.
Passei uns 10 minutos sentada no sofá até a sensação ofegante melhorar. Nunca mais espero um minuto para ir ao banheiro. Quando for dirigir, então, vou forçar todos os algarismos cardinais, ordinais, romanos, etc. saírem de um corpo que não lhe pertencem mais. Salvei meu estofado, mas aprendi que se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
MUITO COMPLICADOS E NEM TÃO PERFEITINHOS
Hoje fui ao cinema assistir o filme “A mulher invisível” pela terceira vez. Nada de “piratex”. Não sou completamente contra, mas o filme merece ser visto nas telonas. Selton Mello está esplêndido no papel de Pedro. Caras e bocas m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s. Todas as 3 vezes gargalhei muito e, a cada sessão, percebo mais “erros de continuidade” no longa e muito, mas muuuuuuuito, mais motivos para ir rever na primeira oportunidade. Longe de ser o melhor filme que já vi, mas foi o que mais me fez rir nas últimas idas ao Multiplex.“A mulher invisível” mostra o momento da vida de Pedro em que surge a esquizofrenia, uma doença mental caracterizada por sintomas como alucinações, delírio e perda de contato com a realidade, levando-o a ser demitido e acreditar na existência de uma mulher do jeitinho que ele sempre sonhou. No filme, Cláudio Torres trata o tema com o humor necessário à trama. Não vou contar nada além do necessário, pois vocês vão ter que amassar suas nadegazinhas (ou “onas”) por 105 minutos na poltrona e conferir se vale o seu tempo.
É engraçado como depositamos a culpa dos problemas afetivos que temos na outra pessoa, sendo que, muitas vezes, o “X” da questão está dentro de cada um, não no próximo. Quantas, e quantos, de nós nos envolvemos com um príncipe encantado, ou princesa, que vai, a cada dia, se transformando num sapo, ou uma gia? A verdade é que ele, ou ela, nunca pertenceu à realeza, nossa cegueira branca é que não nos deixava perceber o anfíbio em questão.
Em busca de uma mulher ideal, Pedro “criou” Amanda, personagem de Luana Piovani. Amanda não era invisível. Ela, só, não existia. A mulher invisível, mesmo, para mim, era aquela que amava Pedro, Vitória, personagem de Maria Manoella, e que passou despercebida por ele durante muitos e muitos anos. Porque é tão difícil aceitarmos que a felicidade pode estar tão próxima e ser simples? Idealizamos tanto que esquecemos como realizar mais. Basta olhar para o lado ou estender a mão.
É lógico que existem pessoas que têm vidas e objetivos incompatíveis. Essa é UMA questão. Outra é passarmos a vida inteira sozinhos em busca de alguém que corresponda exatamente às nossas expectativas. Isso pode acontecer amanhã ou nunca. Cuidado. Podemos virar um Pedro a mais, com a diferença que, na vida real, existe uma grande probabilidade de jamais encontrar esta pessoa e passarmos o resto dos tempos se lamentando e colocando a culpa da nossa infelicidade nos outros. No final das contas, acho que Carlos é o cara do filme.
Se ele, ou ela, é gordinho, e daí? Quem disse que todas as pessoas têm que ser saradas? Tudo bem que músculos são perfeitos, etc. e tals, mas, e se a companhia dessa pessoa te agrada, que importa que ele não é tãããããão alto? Se o mais importante é ser feliz, porque não aproveitamos o que cada um tem de melhor? É claro que isso não quer dizer fechar os olhos para todos os defeitos, mas sim aprender a conviver com eles ou, se isso for tão insuportável, partir para outra. No entanto, se isso acontece com muita freqüência, avalie com calma, pois o problema pode não estar nos outros, mas em você.
Conclusão: se você não é lindo como o Carlos (Vladimir Brichta), nem romântico como
Pedro (Selton Mello), porque eu tenho que ser certinha como a Vitória (Maria Manoella), linda e gostosa como a Amanda (Luana Piovani)?
domingo, 14 de junho de 2009
É GUERRA?
Ai, ai... Dias dos namorados. Quem patenteou / decretou / divulgou essa data como o dia em que todos os casais devem sair às ruas e demonstrar seu amor? Não basta se amar escondido, em casa? Tem que esfregar na cara dos outros que ama? Não estou nervosa, nem chateada, muito menos revoltada. Juro, sem cruzar os dedos. Pesquisei e descobri um bocado de histórias sobre a origem do 12 de junho, mas estou com preguiça de resumir - se quiser saber também é só clicar o dedão googliano e pesquisar. Se vira. O negócio é o seguinte: fiz terapia durante um mês para aceitar que esse dia era apenas mais um em que os comerciantes precisam aquecer o mercado. É isso, não é? Errado. É o dia em que os solteiros se sentem mais solteiros.
Na noite anterior a essa data recebi uma visita que jogou fora um mês de terapia. A pessoa me perguntou o que eu iria fazer no dia seguinte. Respondi que nada, que aquela sexta-feira seria como outra qualquer... Etc. e tals. O ser humano discordou de mim e disse que era um dia comum, mas que ele representava alguma coisa para as pessoas que se gostavam. Enfim, dormi com aquilo na cabeça, acreditando na verdade que minha terapeuta me ajudou a aceitar.
Dia 12/06. Acordei - hã? O mundo não acabou???. – Era, de fato, uma sexta como as outras. Só para vocês terem idéia de como eu estava me planejando bem para o valentine’s day, aluguei váááários filmes porque queria, realmente, ficar só naquela noite, foi uma opção, mas... Uma amiga irmã me liga de Sampa fazendo o seguinte pedido: “Preciso que você compre o presente do meu maridão e entregue para ele”. Tremi na base. Não era qualquer amiga. É “A” amiga que acabou de reatar relacionamento e precisou viajar. Tinha como negar?
Banho hidratado, vestido longo, escova nos cabelos, unhas vermelhas, make belíssimo para... Comprar o presente do maridão da amiga. Gente! Foi surreal brigar na fila de impressão das fotos com duas meninas que queriam imprimir mil momentos. “Calma, amor, hoje é dia de relaxar!”, ouvi. Quando a impressão saiu peguei-a correndo para ninguém ver que eu não estava na foto. Deu vontade de usar uma metralhadora de 100 tiros por segundo (existe?) e acabar logo com aquele dia. Visualizou a cena do meu dedo no gatilho, gritando como Rambo, disparando para todos os lados no meio do shopping? Esquece.
Entrei em uma loja, pedi ajuda à vendedora e foi um pouco – pouco uma porra foi muuuito - constrangedor explicar que estava comprando presente para o marido de uma amiga minha que estava fora e eu não podia deixar de fazer esse favor... E eu não sabia exatamente o que comprar...
Acreditem, tinha até casal em que os guris pareciam nem ter 15 anos. Nessa idade eu nem sabia beijar!!! Onde está a mãe dessas meninas?... Sentiu que meu humor foi mudando de sereno para assassino? Comprei um presente lindo para o Fê e corri pro carro. Ufa! Pensei: “Em casa tudo vai ficar bem de novo. Despachei meu irmão e minha cunhada (dei de presente ingressos para um show) e vou ficar só vendo meus filmes”. Passei, apenas, uma hora com o carro parado sem conseguir sair do estacionamento do shopping. Todos os motores ao meu redor roncavam por corações apaixonados. Ô ódio!!!! Por todos os lados via beijos, kisses e bacios, e em todas as línguas possíveis. Cada olhada no retrovisor via um chupão diferente.
Apesar do trauma, prefiro acreditar que é um dia como outro qualquer, mas, de fato, ele representa alguma coisa para os enamorados. Ainda bem que os casais declaram guerra aos solteiros só um dia por ano. Imagina se todo mundo resolve recorrer ao amor incondicional 365 dias? Tinham mil festas de solteiros rolando, mas eu decidi que não queria sair naquele dia. Queria ficar só, pensar algumas coisas, rever outras. Acabou que não revi nada, não assisti nem um filme, não briguei comigo nem com ninguém e não respondi à recorrente pergunta do msn: “Você está em casa HOJE?”. A mãe vai bem? Boa noite.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
MEU NOME É SEGREDO
Quem é Maria? Maria é a única pessoa do mundo – nesse momento - em quem confio entregar minhas roupas para lavar e passar, mas também é o nome da filha de minha amiga megachique que acabou de nascer. Aliás, convenhamos, Maria é um nome luxo. O negócio é que a gente inventou de achar que todas as pessoas humildes, que usam lenço na cabeça, têm cara de Maria, de dona-de-casa e, pior, passamos a ter preconceito com esse substantivo próprio. Se um dia eu puder mudar de nome, de novo, vou querer que me chamem de Maria. Talvez Maria Clara, porque só Maria acho não cabe em mim. O nome tem que ter o tamanho da pessoa.
Quando era pequena, tinha um vizinho que vivia lá em casa jogando baralho com meu pai. Eu achava ele muito bonito, grandão (não sei se eu que era muuuito pequena), uma barba tão cheia de fios bem pretos que nem parecia ter pele ali em baixo, fumava como uma chaminé e o nome dele era João. Pronto. Todo mundo que tem as características desse vizinho eu acho que tem cara de João. Ninguém me venha fazer acreditar que um homem magro, branquelinho, muito menos loirinho, daqueles com aparência de nerd pode se chamar João. Pra mim, esse aí só pode se chamar Rogério, ou Ricardo, que era o nome de uns gêmeos “sabetudo” que estudaram comigo na primeira série.
Acho que é por causa dessas associações, que minha mente sem ter o que pensar faz, que dificilmente associo os recém conhecidos aos nomes e suas respectivas fisionomias. É quase uma amnésia com os que acabaram de chegar. Para chamar alguém pelo nome certo – depois de cometer 527 gafes - preciso associar a pessoa a alguma situação na minha vida.
Estava numa festa e percebi que o conhecido de um amigo, do qual eu gostei da companhia quando conheci, estava ali. E agora? Como é o nome dele? A criatura acenou, eu respondi com um sorriso e um tchau. Ele veio em minha direção. Minha sobrancelha esquerda subiu de aflição, estimulando mais linhas de expressão. Se eu errasse o nome podia perder a oportunidade de “fazer um novo amigo”. Minha vontade era dizer: “Oi, eu sou a Ema” e enfiar a cara no primeiro buraco à vista. Como a festa não era numa fazenda, e não dava para cavar um, fui forçada a cumprimentá-lo. “E aí? Como você está?”, lancei minha primeira tentativa de a resposta trazer alguma situação lembrando seu nome. Nada. “Estou bem. E você?”, ele respondeu. “Xiiiiii... Ele também não gravou meu nome!”, me tranqüilizei e fomos levando o papo até que, graças a alguma entidade das nomenclaturas alheias, se aproximou um terceiro conhecido que o chamou pelo nome. Esse aí eu não posso revelar. Mas, pense num alívio!!!!! Ganhei a noite.
Hoje levei o cágado de meus sobrinhos para o trabalho. Não pense que gosto de andar com esses bichos defecando e urinando no tapete do meu carro (nunca imaginei que daquele casco pudesse sair tanta coisa). É que vamos gravar uma matéria sobre a teoria da evolução de Darwin. Depois posto o link. O engraçado é que o cágado é fêmea, mas minha irmã só descobriu isso depois que todo mundo já chamava a bichinha de “Bob”, pois acreditávamos que “Pink” (seu novo nome) era macho. O outro cágado que levei nem tinha nome. Graças a Deus, porque tive que explicar mil vezes porque Bob era Pink, mas que eu não conseguia chamá-la pelo nome certo por que minha irmã... etc. e tals.
Talvez eu tenha a explicação para essa confusão que faço. É que, quando eu nasci, todos da família me chamavam de Adriana. Quando completei um mês, que eu já devia sorrir quando chamavam “Adriiiiii” (bebê de um mês dá risada?), meu pai foi sozinho me registrar e daí vocês já perceberam o resultado, né? Voltou com o registro de Luciana para casa. Minha mãe ficou “P” da vida. Na família, todos têm o nome começando com a letra “A”. Gosto do meu nome, pois ele é um segredo que meu pai levou para o túmulo. Só que até hoje não descobri se foi uma Luciana que meu velhinho reencontrou no caminho do cartório e, para não esquecer, colocou o nome dela em mim. Traumatizei.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
EU SOU FOFAAAAAA

domingo, 7 de junho de 2009
DÁDIVAS DO ACASO
Nunca tinha pensado sobre a importância de reconhecermos nossas dádivas até que, um belo dia, alguém muito especial largou uma pérola: “Poxa! Todo mundo tem um dom. Tem gente que saber escrever, dançar, desenhar... Eu não sei fazer nada! Será que eu tenho algum um dom?”. De início, rimos muito da sua confessa falta de habilidade generalizada, mas, ampliando os horizontes, será que cada um tem UM dom mesmo?
Faz muito tempo que queria aprender dança árabe. Procurei uma professora e comecei as aulas. Quanto mais meu corpo não obedecia quando eu mandava ele se movimentar eu ia encarando aquilo como um desafio. Fiquei neurótica. Comprei vídeo-aula e ficava em frente ao espelho treinando até que, um dia, meu irmão chegou em casa e me flagrou ensaiando. Ele riu horrores de mim. No início eu fiquei com muuuuuita vergonha. Quantas vezes riram de nossos sonhos e nós os abandonamos por uma certeza de derrota que não era certa? Não desisti de aprender e já sei fazer muita coisa.
Vocês já pensaram na cena de um jequitibá rei vestido de bailarina em cima de um palco? Não dá... O jequitibá não ficaria bem de ponta de pé, mas ele tem grande valor econômico comprovado, produção de madeira valiosa e é indicado para programas de regeneração artificial. Por isso, acho que devemos levar em consideração nosso dom na hora de escolher nossos caminhos, de decidir em que porta vamos entrar, mas não devemos esquecer que temos vontades – e também não podemos deslembrar que de um grande desejo pode aflorar um belíssimo dom. Minha aptidão maior é escrever, mas sei fazer outras coisas e... Quem disse que não posso aprender a dançar? Posso escrever dançando. Quem disse que, nesse momento, meus dedos não bailam ao teclado? É apenas uma atitude de vencer a vergonha e deixar seus sonhos mais inconfessáveis mostrarem que eles podem se tornar realidade.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
BELA FEIÚRA




Também não podemos deixar de levar em consideração a pressão que os meios de comunicação, e todo um sistema capitalista, exercem sobre nosso frágil aparelho psicológico manipulável. Porque, quase invariavelmente, as mulheres que achamos mais bonitas são as de maior poder aquisitivo? Ficar bela é caro. Caríssimo. Alguém precisa vender a beleza e "eles" necessitam de pessoas ávidas por comprar. Recebi um e-mail com fotos montagens de como seriam algumas famosas, caso não tivessem grana. O que reafirma minhas teorias de que BELEZA=DINHEIRO e que não existe mulher feia, mas sim mal produzida.
P.S.: Não sei a autoria dessas montagens. Apenas recebi e postei.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O MELHOR DIA AZARADO DA MINHA VIDA
Primeiro ato: acordei atrasada porque não sabia onde tinha deixado o celular no dia anterior (meu fone é meu despertador). Mesmo quando ouvi a hora no rádio, sorri e me desejei um bom dia. “Mais tarde eu tento ligar no meu número para ver se alguma alma caridosa me devolve aquele aparelho de quinta”, confortei-me. Quando abri a porta para sair de casa, cadê minha chave? Bobagem... Minha cunhada levou junto com a dela... Que mal há em bater na porta do vizinho, às 8 da manhã, para ele abrir o portão do prédio? Sorria. O dia está apenas começando.
No trabalho, liguei umas cem mil vezes para o bar que tinha ido na noite anterior até uma voz do outro lado atender. A alma que encontrou meu celular “encosto de porta” não era caridosa. Não houve registro no livro de achados e perdidos. Eu nem gostava daquele modelo mesmo e os contatos eu devo conseguir recuperar nos próximos anos. No stress. Final do dia, a caminho de casa, convenci uma amiga a ir ver um filme no cinema. Quando vi um espaço vazio no estacionamento fiquei até com medo de ser uma área com goteira ou risco de desabamento. Sei lá... Implicância minha, né? O dia tinha tudo para terminar bem.
No guichê, pedi a próxima sessão do filme “Killshot” – tinha certeza que ver a cara esticada de Mickey Rourke ia me fazer sentir melhor ao olhar o espelho. A atendente prontamente destacou e me entregou os ingressos. Despretensiosamente, olhei o ticket para conferir a sessão. Faltavam 20 min. para... “Donkey xote”?????. Sorri um sorriso amarelo (me f...!), voltei e expliquei que ela tinha entendido o nome do filme errado. A coitada me olhou com cara de raiva, pois tinha que esperar o gerente descer para digitar uma senha etc. Resolvi ir lanchar para não perder o horário do filme. Qual o lanche mais rápido? Mc Donald’s!!!
Posso não ter tido sorte ao longo do dia, brinque com tudo, xingue minha mãe, mas não “bula” com minha comida não, na moral!!!! Estava em uma fila que deu problema no pedido da pessoa da frente. Passei para o caixa ao lado e o que aconteceu? Não precisa falar. Quando, enfim, fui atendida, fiz meu pedido: “Promoção do Big Mac, com kuat zero SEM GELO”. O que vem para mim? Coca-cola normal COM GELO! Refiz o pedido. A batata frita veio pela metade. Pedi outra. Quando o refrigerante chegou estava COM GELO. Implorei o certo DE NOVO e, entre mortos de feridos, chegou tudo ok.
Comi soltando fogo pelas ventas!!! Comi não, engoli. Já era a hora do filme e eu ainda tinha que ir buscar o ingresso no caixa. O gerente chegou, não viu a cliente (eu) e não liberou a troca do ticket. Ainda bem que minha amiga explodiu antes de mim. Se eu começasse a falar alto nessa altura do campeonato... O pior é que sempre fico com uma sensação de culpa depois, mas, dessa vez, me contive. Fiquei orgulhosa de mim.
No escurinho do cinema, haja trailer. Dublado de “O Exterminador do futuro” (odeio filme dublado, pior ainda trailer), “A mulher invisível”, “Duplicity'”, “Minhas adoráveis ex-namoradas”, e mais uns 2 ou 3. Quando o filme começou vi uma imagem que parecia familiar... Era “Wolverine”. “Será que entrei na sala errada?”, imaginei. Todo mundo pensou igual a mim e fomos, simultaneamente, reclamar. Estávamos na sala certa e o problema foi na projeção. Pensa que pude analisar logo as cirurgias de Mickey Rourke? Nada... Fui obrigada a ver todos os trailers de novo antes do longa interminável começar.
Apesar de o dia não ter sido dos melhores, joguei o jogo do contente, contei até 10, ri de meu momento infeliz, dei 3 pulinhos e fiz tudo para não deixar a paciência sair correndo. Resisti. Acho que venci minha TPM. Ou será que me rendi a ela? Enfim... A caminho de casa, tive todo cuidado no trânsito, afinal, rir da própria desgraça poderia começar a perder a graça. Nesta noite de sexta-feira, com chuva intensa - em que irei trabalhar no sábado bem cedo - com medo do teto desabar, me pergunto o que mais pode acontecer. Antes de descobrir a resposta, achei mais prudente fechar o computador e dormir.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
FÊMEA BRUTALIDADE
Há coisa melhor que fazer xixi em pé? Nada de sentar em vaso respingado, basta mirar num canto, levantar o rosto, assoviar, dar uma esticadinha no bichano e... Ô alívio!!! Nem vem com essa história de não ter onde lavar a mão, pois isso é coisa de mulher. E o que me diz de coçar o saco? Concordo que é muito feio - e provoca asco - ver, mas, observando a cara de satisfação que eles fazem, duvido que seja ruim. Sentar de pernas abertas sem ter vergonha de alguém estar te olhando não tem preço. Manter um diálogo saudável com uma pessoa do sexo oposto sem ela encarar seus peitos, e achar normal, deve ser confortante. Não se importar com pintar as unhas, fazer sobrancelhas, depilar as pernas, axilas, buço, decote, passar chapinha no cabelo, retocar maquiagem, acordar mais cedo e ir correndo ao banheiro se arrumar para fingir que acordou igual a atriz da Globo. Ufa! Ainda bem que não me lembro de todas as desvantagens, pois, se essa lista crescer mais, vou morrer logo para ver se volto menino. Ahhhh!!! Já ia me esquecendo da melhor parte: não ser taxado de inútil por se recusar a fazer serviços domésticos.
Ser homem deve ser muuuuuuito bom. O que me irrita é a suposta superioridade masculina que impera intrínseca em nossa sociedade. É como se essa verdade fosse tão absoluta que ninguém ousasse contestar. Nem quero entrar no mérito dos séculos que foram perdidos cuidando apenas do lar. Em poucos anos de emancipação feminina, já estamos bem colocadas em setores que antes nos eram proibidos. Daí vem minha revolta, pois os benditos, nem de longe, são superiores. Na verdade, sinto que ser eles supera, em vantagens, ser elas. Se existisse uma balança em que pudéssemos pesar...
Quando, nós mulheres, ganhamos os primeiros brinquedos estes reproduzem como a sociedade espera que nós sejamos. Nos dão miniaturas (cada vez maiores para garantir melhores resultados) de utensílios domésticos, bonecas (que agora tomam mingau e defecam), maquiagem (que depois vão ficando mais caras), sapatos altos (que ajudam a provocar varizes) e nos adestram para sermos dóceis, limpinhas, delicadas e difíceis. Os meninos (esses, sim, aprendem a se divertir), em contrapartida, são estimulados a, quando cair, levantar e continuar correndo, não chegar em casa apanhado, beijar a coleguinha da escola quando ela estiver distraída, quebrar e consertar o carrinho novo e, nunca, por hipótese alguma, usar qualquer coisa rosa. A eles a liberdade. A nós a castração total.
O que fazemos com nossas crianças? Eu tenho uma menininha e nunca tive coragem de dar um carrinho de presente, mas o fogãozinho não fui eu quem dei... O que fazer para sair dessas amarras? Parece que está estabelecido que mulher tem que ser de um jeito – caso contrário não serve pra casar e, neste caso, não prestará para nada aos olhos da maioria – e homem de um determinado modo – senão vira gay e vai ser deserdado. Admiro tanto o desapego masculino em relação a algumas coisas que quase todos os meus amigos são rapazes. Poucas moças conseguem desfrutar de meus sinceros sentimentos.
Apesar de toda admiração pelo universo dos brutos, cá entre nós, ser mulher tem um gostinho especial que só sendo para saber. Basta aproveitar... Qual rapariga não gosta de fazer um docinho quando está morrendo de vontade? Qual mocinha nunca fez um drama com um machucado que nem estava doendo? Ter TPM é muito, ultra, hiper, megamaster ruim, mas, ser mãe é divino. A verdade é que acho que as melhores mulheres que conheço tem uma postura masculina – longe de conotações sexuais. Elas conseguem reunir qualidades de uma feminilidade exuberante e abraçar as coisas boas da masculinidade para se impor e vencer na vida. Grandes homens também precisam da sensibilidade feminina. E olhe que este não é um discurso feminista, tampouco machista, apenas equilibrista.
terça-feira, 19 de maio de 2009
UM DIA DE MIM
UM DIA DE MIM
Posso virar-me ao avesso e ainda te sentir aqui de dentro
Quero esgueirar-me pelo muro e ver-te passar correndo
Vou olhar-te escondido sempre que estiver distraído
Sinto teu cheiro suado toda vez que respiro intenso
Ando com o sono virado por não estar ao meu lado
Abraço quem não existe
Beijo meu pesadelo
Durmo como um anjo
Acordo delirando
Você está aqui
Onde só eu posso sentir
Um dia ainda descubro porque te escondi de mim...
domingo, 17 de maio de 2009
HOLOFOTE PARA A DOR
sexta-feira, 15 de maio de 2009
TEMPESTADE NASAL
segunda-feira, 11 de maio de 2009
THUNDERCATS DO ASFALTO
Cheguei a duvidar que tivesse capacidade de aprender a dirigir. Só de pensar em um carro me fechando em um congestionamento na ladeira da Federação (bairro mais alto de Salvador) eu tinha calafrios. Acreditava que fosse fechar os olhos com as mãos, como faço quando vejo filmes de terror. Tirei a carteira em 3 meses – iam ser 2 e meio, mas uma pessoa mais anta que eu derrubou o protótipo de carro atrás de mim e eu fiz tudo errado. Na segunda vez, suei mais que cuscuz, mas passei. Êêêita orgulho!!! Aposentei o RG e passei a apresentar a CNH. No início, era uma forma indireta de mostrar a todos que eu era habilitada, mas... Na verdade, só andava de buzão e nem tinha perspectiva de poder comprar um carro. Toda vez que saía com meus amigos não bebia só para voltar dirigindo, porque, sem álcool no juízo, eles não me davam o volante e, quando o faziam, eu não podia mudar de faixa, ultrapassar nenhuma lesma, passar de 60Km, olhar para o lado e tinha que frear assim que visse o sinal vermelho. Mesmo assim, tinha prazer em dirigir. No fundo, acho que queria ganhar prática, confiança, experiência de rua, que, só o dia a dia permite. Era medrosa, mas ousada. Com todo senso crítico, me acho uma boa motorista, mas, hoje, ambiciono o teletransporte. Será a perfeição. No stress. Quando comprei meu carro, descobri o primeiro arranhão ainda na concessionária, mas a vontade de entrar no meu possante, com cheirinho de novo, era tanta que eu nem me importei. Um arranhão bobo... Infelizmente, confirmei isso quando outros começaram a aparecer. Apesar de ser ultra, hiper, megadesastrada, desde que tirei a carteira não cometi nenhuma infração de trânsito, não bati e nunca encostei no carro de ninguém. Mas, o primeiro arranhão não se esquece. Você vê o carro a 10m de distância e só consegue enxergar o maldito arranhão de 1cm embaixo do retrovisor. Na minha cabeça, ele atravessava o carro. Pura ilusão de neurótica. Fui colocar placa e, na entrada do DETRAN, creiam, um caminhão (isso mesmo, um CAMINHÃO!!!) quase passou por cima de mim. Pelo menos foi essa sensação que tive quando ouvi o barulho daquela caçamba enorme encostando ao meu fundo. Saí do carro parecendo uma louca: “M-e-u c-a-r-r-o n-o-v-o P-O-R-R-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A!!!!!!!!”. Quando vi o arranhão, fiquei puta da vida. Esse, sim, tinha uns 30cm. Um engraçado passou gritando: “Já batizou, foi?”. Só dei o dedo como resposta. Enfim, o caminhoneiro disse que entrei na frente dele e eu disse que ele queria me atropelar e ficou por isso mesmo. Já sabe como é... Mulher dirigindo carro sem placa não tem credibilidade – e olhe que ninguém sabia que minha carteira ainda era permissão. Entrei para colocar a placa e agradeci a Deus por não ter sido algo pior. O arranhão da concessionária começou a ficar pequeno. Aos poucos, fui entendendo que o veículo é um bem material – de grande valor – mas, não dá para ter apego, pois ele vai acabar se rodar ou se ficar parado. Só para vocês terem ideia de como sou cuidadosa, ainda tenho bonecas, em bom estado, de quando eu era bebê. Ou seja, as bonequinhas também estão balzaquianas. No início, desapegar desses arranhões foi difícil. Mas estou conseguindo. O segundo grande risco aconteceu por excesso de prudência. Fui ao teatro e, para não estacionar na rua, deixei num local pago, porém, com um manobrista que tratou de esculpir uma mancha branca nele. Dessa vez arrancou até a tinta (foi escultura mesmo!). Estou processando a rede de estacionamento, pois - creiam - eles alegam que o arranhão não foi lá e que eu devia ter preenchido uma ficha de check list do veículo. Alguma vez alguém te ofereceu essa ficha quando você estacionou? A mim, não... Hoje de manhã, para começar o dia e a semana bem, ao sair do prédio vi uma obra de arte amarela no meu para-choque dianteiro. Ô ódio!!!! Graças a Deus ele não durou 5 min. Mesmo tendo carteira há pouco tempo e com mínima experiência de trânsito, aprendi que não posso manobrar além de onde enxergo. Mas, devido à visão além do alcance de muitos condutores thundercats, meu carrinho parece mais um alvo de dardos. Dia desses, uma vaca louca abriu a porta com tanta força e... Mais um arranhão!!! O que eu posso fazer? Matar? Morrer? Me estressar? Nada. Meu único trauma, juro, é não estar “destruindo” meu bem. É saber que os outros o estão fazendo por mim. Com essa chuva que caiu em Salvador, tem uns 20 dias que não consigo lavar o carro. Ou seja, não vejo os arranhões. TPM vai ser quando a sujeira sair e eu perceber minha pintura metálica virando porta de banheiro público.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
COROA, CARA?
quinta-feira, 7 de maio de 2009
DEMÊNCIA DE DOER
terça-feira, 5 de maio de 2009
CONTABILIZANDO MONOSSÍLABOS
Apesar de passar o dia inteiro falando no trabalho – acho até que já tenho calo nas cordas vocais –, quando chego em casa ainda tenho necessidade de falar. Se não conversar, enlouqueço! Quando não tem ninguém em casa, entro no MSN só para tornar verbo o que não diz respeito ao meio profissional, divagar, gastar minha cota de palavras do dia. Li num livro que uma mulher pode falar até 20 mil palavras por dia, enquanto um homem consegue, com muito sacrifício, falar umas 7 mil. Como se não bastasse falar mais, fazemos isso duas vezes mais rápido. Vivo isso no meu dia a dia e descobri a importância desse conhecimento para um bom relacionamento com os produtores da testosterona. Único homem da família, meu irmão chega em casa cansado justamente por ser obrigado a falar em serviço. Ele precisa se comunicar. Minha cunhada passa o dia vendendo carros e fala tanto, ou mais, que eu. Em época de crise, vender carro 0Km exige uma certa persuasão e, por conseqüência, muita conversa. Depois de chegar com uma cara de surdo-mudo, de tanto ouvir a esposa tagarelar no caminho e não retribuir nem com um reles monossílabo, o diálogo da noite ao abrir a porta:
- Cunhaaaaa! Você não tem noção da cliente chata que eu atendi hoje... etc. etc. etc. – começa ela.
- Rapaz, você viu que o Governo da Bahia vai abrir os documentos da ditadura militar no estado? – pergunto, sem resposta, ao meu irmão.
- Cunha, por que a mãe de Maya (da novela “Caminho das Índias”) levou o bebê dela? – indagou, já vendo novela enquanto prepara um lanche.
- Aff!!! Amanhã tenho que produzir uma matéria sobre o bairro dos Barris, etc. etc. etc. – lembrei, durante o comercial.
Nesse meio tempo, eu e ela já falamos do carro batido da vizinha, do vestido novo que comprei... Enfim, nos empenhamos em gastar nossa cota não utilizada. Meu irmão, ao contrário de nós, precisa apenas do barulho do click do mouse. Ele não responde a nossas interpelações nem com um leve aceno de cabeça. Ignora nossa presença. É homem. Só consigo ser assim quando estou no auge de minha TPM, mas aí o mal é infinitamente pior, pois acumulo uma quantidade elevada de palavras para usar nos dias posteriores e ninguém suporta ficar ao meu lado. Até meu consciente pede aos neurônios, por favor, para darem um tempo. O que acontece em minha casa é reflexo de muitos lares, homens calados e mulheres tagarelas. Fui casada, confesso. Experiência que não indico nem ao pior dos inimigos. Agora, sou capaz de compreender boa parte das brigas que perdi. Em vez de minha cunhada, meu ex era quem morava conosco. Dois homens e uma mulher dividindo o mesmo teto. Eu chegava em casa e nem as paredes me ouviam, isso quando não tinha uma tropa de peludos, fedendo a suor e muita cerveja, que me ignorava até eu começar a gritar e expulsá-los. Aviso às meninas: quando os homens se reúnem, parecem entrar numa aposta de quem é mais nojento, detonando flatulências tão explosivas quanto fétidas; arrotam, um tentando fazê-lo mais alto do que o outro; zoam, um da performance sexual do outro colega e, quando lembram, falam de mulheres, geralmente das que nunca vão conseguir ter. Palavra de quem ouve o papo deles há anos. Sim... Quando não eram os ogros reunidos, era algum filme com explosões, pouco diálogo e muito sangue. Eu consigo ver um filme e conversar tranquilamente, sem deixar nenhuma das duas atividades a desejar. Se duvidar, ainda escrevo um post ao mesmo tempo. Os rapazes – sem ofensas, é apenas uma constatação – têm dificuldades em fazer várias coisas ao mesmo tempo. No livro que li, explica que esse comportamento é fruto da evolução deles, de falar pouco e se concentrar para não afastar a caça. Meu irmão acabou de acordar. Se eu não conversar logo sobre as contas da casa e aproveitar sua cota de palavras no início, vou me ferrar. É melhor eu procurar uma calculadora, daquelas que conte palavras.