domingo, 30 de agosto de 2009

O CINEASTA SAMAMBAIA

Passei este final de semana em uma sala de aula tomando um curso interessante sobre linguagem cinematográfica no Ciclo Salvador de Cinema. Com Philippe Barcinski – diretor do filme “Não por acaso” - aprendi muito sobre o pensar e fazer a sétima arte, conheci pessoas bem legais, outras bastante estranhas e algumas legalmente estranhas. Não se assustem. É que muitas pessoas envolvidas nestes processos são mega alternativas. Normal. Para fazer arte tem que ver o mundo de outra forma mesmo.

Mas vou resumir minha história, caso contrário contarei tuuudo que ouvi e, para isso, precisaria de mil posts.

Como estávamos o dia inteiro em aula, além dos intervalos de duas horas para almoço, sempre tinha um coffee breake para os cabeções respirarem e forrarem um pouquinho a pança. Dentre os participantes, percebi a presença de uma criatura que se inscreveu no curso para lanchar, a palestra era um momento extra do seu dia. Como eu não era muito fã do que foi servido, fiquei mais no suquinho, conversando com amigos e observando.

O cara era uma figura. Tinha um cabelo de samambaia real – o que por si só já chamava atenção – guardava lanche no bolso, bebia a metade do copo com a garrafa na mão para encher de novo antes de passar a vez para o próximo e, no meio da palestra, ouvíamos o tilintar de colheres dele limpando a mesa de novo. Além da vergonha alheia que senti, ele virou nosso motivo de graça...

Na verdade, só descobri a ação esfomeada do cineasta samambaia após o primeiro coffee break. Ele estava sentado ao meu lado e não tinha como não ouvi-lo chupando os dentes para engolir os restos alimentícios. Tenho asco ao barulhinho, mas tudo bem, a boca é do cara e ele faz o que quiser.

A história melhorou quando percebi que estava segurando algo, semelhante a um osso e mordendo. Pensei: “Porra, velho! Que cara fominha, guardou um mega salgado para comer durante a aula”. Antes fosse. Pasmem. O cara tava lambendo a dentadura!!! Quase caí mole no chão de tanto nojo. Pense na cena bonita!

Fiquei horrorizada!!! Uma coisa é a pessoa comer muito e deixar o bom senso de lado na hora de se servir em grupo. Até aí vai, ninguém sabe qual é a situação da vida dele. Mas daí a samambaia me obrigar a vê-lo limpar a dentadura é demais! Quase ofereci minha escova de dentes de presente. E é óbvio que depois eu ia jogar fora, né????

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ASSASSINA DO TEMPO

Toda sexta-feira, penso: não vou sair de casa, colocarei aqueles assuntos do mestrado e inglês em dia, vou arrumar meu quarto, separar roupas sem uso e tirar o sono atrasado. Certo? Errado. Por mais que não faça nada especial, nunca consigo fazer “issos” e sempre estou com a sensação de que minha vida está atrasada.

Não sei vocês, mas eu, quando chega no domingo à noite – momento esse em que, impacientemente, vos escrevo – me bate aquela ansiedade de executar tudo que deveria ter feito e, na verdade, não consigo adiantar muita coisa além de dormir com um humor de cão de quinta que foi exorcizado por Edir Macedo – ser um cão que é expulso por Edir Macedo deve ser mais frustrante ainda.

Recebi uma maldita notificação por ter atravessado o semáforo no sinal vermelho. É mentira!!! Aquele aparelho só podia estar bêbado por excesso de consumo de energia!!! O sinal estava amarelo e eu indo resolver os burocráticos processos funerários de uma tia. Com certeza, eu não estava no meu estado normal, que já é um dos meus argumentos de defesa. Tem um mês que estou com os malditos modelos de revisão e nunca consigo formatar meu pedido. Resultado: tenho apenas até esta sexta-feira para fazer o pedido e ir lá dar entrada, ou, então, desembolsar uma quantia razoavelmente suficiente para que eu ganhe potência de declarar a Terceira Grande Guerra Mundial.

Minha querida irmã, gentilmente, fez minha DIRPF. Mas, para variar, meu digníssimo CPF está com problemas na receita e pipocou o medo de minha bilhardária restituição ficar retida para uso desse governo, que eu odeio, por tempo eterno.

Para ficar a par da situação fiscal, sem ter que ir enfrentar a burocracia demoníaca da Receita, preciso do número das minhas restituições dos últimos 50 anos – vou a um centro espírita saber o que fiz nos 20 anos antes de nascer – para gerar um código de acesso. Achei o arquivo da entrega, mas quem disse que encontro o infeliz número do recibo? Minha irmã querida me mandou a declaração no e-mail, mas quem diabos disse que eu tenho o desgraçado do programa da declaração? Arrisquei abrir aqui, mas o formato gerado é de bloco de notas e fiquei meia hora copiando todos os números de 10 dígitos e colando para ver se engabelava o site Receita. Para alegria de todos e felicidade geral da nação, a Intenet paleozóica que dividimos para mil computadores caiu e eu resolvi escrever antes de pegar o computador, socar na parede e pular em cima do resto.

Ufa!!! Desabafei um pouco e, pelo menos, salvei meu computador!!!

Parece que tem um cão homossexual – nada contra - atentando este ser humano com varinha de condão. A Internet voltou, mas terei que esperar até amanhã para conseguir o número infeliz e adiantar o lado. E você deve se perguntar: “Já que a Internet está fora, porque você não vai preparar logo a defesa?”. Também me pergunto isso, mas a resposta eu ainda não achei. Prometo que assim que eu terminar com minha maníaca verborragia incessantemente desesperada e terapêutica, nesse post, vou fazer isso. Mas, aí, acabei de lembrar que terça-feira, cedinho, tenho prova de inglês e, pra variar, não estudei nada!

E agora? Estudo para a prova ou preparo a defesa? Não me pergunte o que fiz o final de semana inteiro porque a raiva de minha inutilidade aumenta e eu vou ter que começar a escrever tudo de novo. É domingo à noite – agora já madrugada da segunda – e, à medida que os minutos passam, me sinto mais impotente diante do tempo.

Preciso de férias. Mas, antes disso, tenho que resolver minha bilhardária restituição, dar entrada na minha defesa, estudar para a prova, arrumar meu quarto, reciclar roupas... Gente, preciso matar o tempo para ele não me matar!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EU TE CONHEÇO?

Um dos raros momentos em que posso me dedicar às atualidades é enquanto dirijo. Quando não estou emputecida xingando algum lerdo no trânsito consigo prestar atenção nas notícias do rádio. Às vezes ligo o maldito e não ouço uma palavra do que está sendo dito. Me encontro em lugares que nem eu sei onde é. Uma matéria que me chamou bastante atenção esses dias foi sobre a perda de memória. É incrível como pessoas da minha geração estão muito suscetíveis a este mal.

Desenvolvi mania de organização com minhas coisas. Tudo fica tão milimetricamente no mesmo lugar que se eu mudar algo de posição posso nunca mais achar. Segundo o especialista lá da entrevista, temos 3 tipos de memória: a imediata , a intermediária e a remota.
A imediata é a que mais me faz perceber o quão estou disponível à demência – que é a frequente perda de memória [quem me chamar de demente leva uma bifa, não vou esquecer]. São coisas que estão acontecendo e o velcro do cabeção não gruda.
Tem dias em que estou agendando uma pauta e no meio de uma chamada esqueço para quem estou ligando. Me bate um desespero tão grande quando a voz do outro insiste no “alô” e eu não sei quem é. Desligo nas carreiras e me volto para a tela do computador a fiscalizar as atividades. “O que estou fazendo nessa porra?!?”. Quando reconheço a voz respiro aliviada.
Quem nunca perdeu-se no meio de uma conversa e perguntou ao ouvinte: “Eu estava falando sobre o quê mesmo?”. Me sinto assinando um atestado de loucura com o polegar. Faz uns 3 meses que comprei 1kg de açaí no caminho do trabalho e deixei no freezer da empresa. Só dei por falta quando passei pelo mesmo lugar e me perguntei quando tomei aquele açaí. “Não tomei”. Deixei o embrulho derretendo na minha mesa pra não esquecer por mais um mês.
A memória intermediária é aquela que nos remete às semanas e meses ainda considerados recentes. Aquele papo com amigos numa mesa de bar, uma viagem, uma situação no trabalho, compras feitas (enquanto estamos pagando a fatura do cartão lembra), festinhas em que fomos, os micos que pagamos. Essa é minha melhor memória – ufa! Tenho uma!

Lembra aquela atividade de criança que você e seus amigos costumavam brincar? Eu lasquei minhas canelas pulando elástico, enfiei o ferro de segurar a planta na tomada e levei o maior choque, me esborrachei no chão “pulando a mula” (a pessoa mais lerda da galera ficava em posição de mula e os outros pulavam gritando “mão na mula”). Às vezes encontro um colega do primário e lembro dele. Essa é a memória remota, que as pessoas costumam ir perdendo à medida em que vão assoprando mais velinhas.

Eu troco as senhas do cartão de crédito com o de débito e acaba bloqueando tudo, daí eu ligo e xingo a décima geração dos atendentes. Esqueço pequenas quantias nos bolsos e fico feliz da vida quando encontro – sempre acho que Deus fez sumir para aparecer na hora certa. Perco todas as canetas e fico bizoiando a mão de todo mundo para ver quem “achou”. Só lembro os números dos telefones se olhar para o teclado do aparelho.
Como inexistem medicamentos que segurem a memória no lugar, o indicado é evitar situações estressantes [hã? Vou morrer!], vida sedentária [engordei 4kg], passar noites em claro [adeus festinhas], estimular a memória através da leitura [escrevam mais para eu ter o que ler] e, óbvio, não queimar neurônios – se beber vai afogar os coitados.
O especialista da entrevista sugeriu ainda, ao indivíduo com tendência a demência – fez até rima -, guardar as coisas sempre no mesmo lugar, anotar compromissos e fazer uso da agenda. Ele frisou que, o "stress", a ansiedade e a depressão também podem ajudar a memória falhar. Enfim... Como pertenço a esse "grupo de risco", se algum dia eu parar de postar acreditem: esqueci a senha.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

MÃOS NO BOLSO!!!

Essa pessoa que vos fala até que tenta limpar o ranço de ser humano mais mal humorado da Terra. Gostaria muito de acordar sorridente, saudando a vida, dando bom dia ao mundo [bom dia flores, bom dia moscas, bom dia poluição, bom dia barulho de escola infantil perto de casa, bom dia???]. Tento, mas ainda não é possível. Nos primeiros 15 minutos seria capaz de socar um Tiranossauro Rex que ousasse falar comigo. Depois passa, ou melhor, ameniza.


Agora, imagine: como pode ir bem o dia de alguém que leva o carro para uma revisão na concessionária logo cedo?

A idiota da atendente maquiada igual uma drag queen me apresentou ao mecânico responsável pelo meu serviço como “Ninja”. Entreguei a chave e fui para a sala de espera fazer as 500 páginas de exercício de inglês que estão atrasadas. Minutos depois ele vem ver se eu autorizo “o alinhamento e balanceamento, pois é indicado fazer a não sei cada quantos mil quilômetros rodados”. Soou um NÃO tão bem resolvido que ele deixou-me a sós com meus “titles and names”.

Em seguida o mecânico ninja retorna [iiiiiiiiiáááááááá]. Penso: “Que ótimo. Vou embora!”. Nada. Dessa vez ele trouxe um filtro para esfregar em meu nariz. “É o filtro ‘anti-poli’ do ar que precisa ser trocado a cada não sei quantos mil quilômetros”. Estava metade branco, metade cinza. Indaguei logo quanto custava. “R$ 80,00”. Não. Ainda tem uma partezinha branca que pode sujar. “Estou bem com minha rinite”. “Mas senhora...”. NÃO. “Obrigada”.

Liguei correndo para um amigo que nunca tinha ouvido falar do tal filtro “anti-poli”. Já
lembrando que preciso escolher, urgente, com qual seguro vou fechar – o que se subentende mais GRANA – o mau humor voltou “de com força”. A caminho do trabalho xinguei uns 10 caminhoneiros, uns 20 taxistas e uns 30 coroas que dirigem agarrados ao volante.

Assim que abri a Internet, corri para orçar o maldito filtro “anti-poli” que, na verdade, é um FILTRO ANTI-POLÉN. Pelo que entendi, este apetrecho evita que a poeira, monóxido de carbono, insetos e partículas entrem e bloqueiem a passagem do ar. Vou trocá-lo, mas não mediante esse assalto legalizado. Pasmem. Encontrei o mesmo filtro, igualzinho, por R$ 19,00 na Internet. E tem mais! Pelo que li, o meu ainda está “limpo”. Será que o dono da concessionária não tem medo de um dia acordar rico?

Fiquei muito indignada! Vai mudar alguma coisa? Provavelmente não. Mas tive que descarregar meu humor potencialmente nitroglicerinado em alguém. Sobrou para a atendente da outra concessionária, a que fiz a revisão de carroceria na semana passada.

Paguei R$ 33 para eles me avisarem que não tem nenhum ponto de ferrugem no meu possante. R$ 8,00 mais caro que na concessionária ladrona que fui hoje. Já que é para ser roubada que seja um valor menor, né? A atendente me ligou, por azar, na hora da revisão para pedir uma nota do serviço. “Qual serviço? O de me roubarem direito?”. Conjuguei todos os verbos, em todos os tempos e modos, com a coitada até ela entender que o serviço deles de “olhar a carroceria” é o mais caro da cidade. Olhar por olhar eu passo o olho e aviso a eles que está tudo OK! O carro é meu mesmo...

Agora me diga, com toda sinceridade do mundo, como é que uma pessoa muda o estereótipo de mal humorada depois de ser legalmente roubada numa manhã de segunda-feira?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

LENÇOS UMEDECIDOS JÁ!

Um ano depois de ter comprado carro, essa semana foi a primeira vez em que fui, sozinha, calibrar os pneus do possante. Não é que seja desleixada, ao contrário, sou super cuidadosa, mas existem certas atividades às quais desenvolvo resistência com muita facilidade.

Não entendo bulhufas de veículos. Se faz um tic-tic qualquer fico logo neurótica e quero levar para ver o que é. Óbvio que a concessionária me adora, pois se não existissem pessoas como eu eles não enriqueceriam. Só faltam gritar “mãos ao alto!’.

Um dia, minha nave espacial aterrissou em um buraco maior que as crateras da lua e uma tal chapa de proteção do motor amassou. Parecia que tinha uma bateria de escola de samba me acompanhando e, desesperada que sou, achava que a placa poderia enganchar em alguma coisa e o carro capotar na descida de uma ladeira – não ria! Paguei R$ 16 para desamassar. Só descobri que era uma grande besteira porque meu amigo teve o mesmo problema e, na mesma concessionária, o mecânico levantou o carro, consertou na hora e nem cobrou. “Foi besteira brother!”. Como assim??? Eu devo ter cara de idiota mesmo!!! Porque mulher tem que pagar e homem não? É algum acordo entre seres do mesmo gênero? Genericamente ladrões...

Aproveito quando dou carona a algum ser bem dotado de testosterona para explorar. Peço logo para calibrar o pneu, coisa que só acontece a cada dois meses. A primeira vez que me arrisquei sozinha, deixei a tampa dos pitos caírem no chão e passei meia hora de bunda para o ar procurando as miseráveis. Teve um frentista que ficou com pena de mim [ou cansou de olhar minhas nádegas] e foi lá terminar o serviço – de botar ar no pneu! Depois desse episódio resolvi dar R$ 1 a alguém no posto para fazer isso.

Ontem me retei e encarei o desafio. Apertei os 30 de calibragem [que não sei o que significa], abri o pito e soquei a mangueirinha lá. No primeiro pneu o barulhinho me assustou e fiquei com medo da borracha explodir em minha cara. Se não estourou com quem estava lá antes porque vai estourar comigo?

Ainda bem que deu tudo certo e não precisei da ajuda de ninguém, mas... Não contive em passar na caixinha de sugestões e anotar bem grande: DEIXEM LENÇOS UMEDECIDOS PARA LIMPAR AS MÃOS DAS CLIENTES DEPOIS DA CALIBRAGEM. A mangueira é podre de suja e meus dedinhos magrelos ficaram pretos. Ninguém merece, né? Fui dirigindo o resto do caminho sem tocar direito no volante. Não guardo uma flanela no carro e tenho horror àquele cheirinho que elas incrustam no estofado.

Acho que a primeira vez que vou acionar o seguro vai ser quando tiver que trocar pneu. Não achem que sou perua. Quem me conhece sabe que não faço esse tipo. Sempre fui moleque macho em excesso, mas tem certas coisas que não dá para fazer.

Cansada de andar de buzão, coloquei no cabeção que tinha que ter um carro. Também odiava depender das pessoas para voltar para casa depois das festas. Conseguido meu “besourinho”, tenho outro sonho de consumo. Gosto de dirigir e o congestionamento me deixa menos louca que certos condutores. Alguns ficam segurando o trânsito como lesmas, mas falo sobre isso outro dia. Acho que preciso adquirir um acessório útil, que vai evitar estresse no trânsito. Moreno alto, bonito e sensual para ser motorista. O salário? A gente negocia...

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SOTEROPAULISTANA

Hoje, toda preguiça do mundo repousa em mim. Estou devagar, quase parando. Mas quero botar o cabeção pra divagar. Alguns físdumaséguas acreditam que a preguiça é algo inerente ao baiano. Otários. Meus amigos que adotaram a Bahia desistiram dessa idéia de que baiano é calmo, paciente e preguiçoso. Basta me conhecer para mudar de idéia.

Na espécie de Torre de Babel em que vivo, tem mineiros, paulistas, cariocas, pernambucanos e, é claro, baianos. Nosso sotaque malemolente carrega uma imagem de que andamos nos arrastando, de preguiçosos, de quem não está nem aí para a vida. Porra nenhuma! Se isso for verdade então eu tomei energético no lugar do leite materno.

Uma amiga arrisca dizer que eu sou a baiana mais paulista que já existiu. Discordo. Não imagino a vida sem a onipresença marítima.

Nos primeiros 5 dias que passei em Sampa quase surtei na Av. Paulista. Me chamaram para um happy hour. Gente! A cada 200 metros tem um cruzamento e uma maldita sinaleira. Toda hora o carro parava ao lado de um ônibus e eu era obrigada a fechar a janela para não morrer intoxicada. Para sorte do meu humor, pegamos o caminho errado umas duas vezes e tivemos que fazer o contorno lá na casa da porra e pegar todo congestionamento de novo. O bom é que para estacionar lá é mil vezes mais fácil que aqui. O hapy hour se transformou numa alugação com a baiana que chegou atrasada – pra variar!

Nos primeiros dias que passei na cidade, tive uma crise aguda de mau humor. Não conseguia ver o azul do céu, nada de lua, estrelas só nos sonhos, um frio dos infernos e a sensação de ter um fumante ao meu lado o tempo todo. Os amigos de meus amigos riam horrores da “baiana estressada”.

Ainda bem que passei mais 10 dias na cidade para mudar totalmente a imagem que fiz nos primeiros momentos. Quando descobri que poderia comprar vááááárias roupas e perfumes infinitamente mais baratos que aqui quase surtei. Sapatos? Trouxe 19 pares. Virei centopéia. Só para vocês terem noção, levei uma mala e voltei com 3. Minha amiga já tinha medo quando me via escalando o cartão de crédito. “Segura a Luciana”. No meio da viagem tive que aumentar meu limite.

Depois me levaram para conhecer alguns museus. Enlouqueci no Ipiranga, pois o museu é gigantemente maravilhoso e tinha umas crianças correndo. Minha vontade era torcer a orelha de cada uma delas e arrancar um pedaço da língua para não gritarem. O Museu da Língua Portuguesa é meu sonho de consumo de visitação semanal. Quando descobri que quem pode andar de metrô não precisa de carro fiquei feliz da vida. Em compensação, não dá para andar de taxi, pois fica muito caro. Lá, o perto ainda é longe.

Para me conquistar de vez, me levaram num barzinho onde uma banda árabe toca ao vivo e as mulheres podem dançar sem todos ficarem olhando. Não queria nunca mais sair dali. Amo dança do ventre e aqui praticamente inexistem barzinhos temáticos. Amei São Paulo de grátis e descobri que, se desse para ver o céu azul, eu moraria lá tranquilamente. Sem céu não dá!

A única coisa que me tirou do sério nos dias finais dessa viagem foi uma mulherzinha ridícula e fedida. Estávamos indo para não sei onde e um infeliz abriu a janela e cuspiu na rua. Que eca! Porco em qualquer lugar do mundo. A fedidinha teceu o seguinte comentário: “Nossa, meu, que baiano!”. Tadinha. Fiquei calada, mas alguém lembrou que ela estava no carro com mais duas baianas e não deveria falar aquilo. Ela se desculpou e explicou – e eu entendi, de coração - que era uma força do hábito, não uma ofensa pessoal, etc. Para piorar, acrescentou que, “no Rio, por exemplo, quando as pessoas querem ofender alguém basta chamar de Paraíba’. Sem ter noção do perigo, ela perguntou: “Você entende, né? Lá na Bahia vocês não chamam ninguém assim não?”. Com toda malemolência de meu sotaque, respondi: “Claro que entendo, amor. Não é culpa sua, é toda uma cultura. Mas, na minha terra, quando achamos que alguém fez alguma coisa errada, chamamos a pessoa de retardada mesmo. Agora, por exemplo, eu te chamaria de idiota e tapada”. Silêncio geral. “Mas não é nada pessoal, você entende, né?”

Acho que ela entendeu, pois mal me olhou o resto da tarde. Para criticar o erro de alguém é necessário “ofender” o outro? Amei São Paulo e estou voltando. Fui baiana o suficiente para não deixar que uma gordinha fedida virasse estereótipo de um lugar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

INVASÃO ALIENÍGENA INTRA-TERRESTRE

Inspirada pelo post escatológico de minha querida Aninha, não posso deixar de relatar uma história que se passou, este domingo, com um ser muito querido. Ela prefere não ser identificada. Respeito. Mas uma invasão domiciliar como a que ela sofreu precisa ser contada para todos se prevenirem. Ops! Como já soltei sem querer, completo: a casa de uma amiga foi invadida no dia dos pais. Conto.

Amiguinha acordou coçando os zóio e foi até a área de serviços. Se esguelou de tanto gritar quando percebeu o intruso mais ousado de todos os tempos. Seu Barata – letra maiúscula, sim, pois aqui ele é personagem – estava a bebericar água com as anteninhas balançando ao vento na lavanderia alheia. Coitado, não tinha noção do perigo. Ou seria uma afronta?

Pelo tamanho da barata, e do desfecho do ocorrido, que ela me contou, presumi que só podia se tratar de um baratão pai de família a carregar água para matar a sede da famigerada baratada. Prossigo.

É óbvio que ela puxou a arma mais tradicional para exterminar o invasor, que, ao perceber o perigo, saiu correndo e se escondeu com as antenas entre as pernas cabeludas. Entrou por uma pequena fresta entre o piso e lavanderia. Nem a Velox achava sinal daquela antena. “Ah, é? Peraí sua dirgraçada!”, pensou a futura infeliz amiguinha. Pegou um daqueles sprays mata-tudo e mandou ver na área. Ô ideinha infeliz.

Não passou nem cinco minutos e um exército de baratas invadiu não só a área de serviço, mas a cozinha, o banheiro, os quartos e a sala de amiguinha. O chão e as paredes ficaram pretas, marrons. As maiores ameaçavam subir nas pernas, as médias se espalhavam para confundir e inibir uma possível ação de represália e as pequenas corriam no salve-se quem puder.

Boa estrategista, amiga convocou – leia-se BERROU – seu pelotão composto de dois soldados encuecados [os bichinhos tinham acabado de acordar], mas munidos da arma mais poderosa contra este tipo de invasor: chinelos havaianas – quero minha ponta do merchan! Na verdade, eles estavam duplamente munidos. Armados nos pés, para pisar, estraçalhar as marditas, e nas mãos para a luta corporal.

Amiguinha instalou-se aos gritos no sofá e o mérito do combate foi dos amiguinhos, que estavam se sentindo um tanque de fuzilamento de insetos. Pisa, bate, corre, pula, bate de novo que a dirgraçada tá se arrastando, na parede não que mancha, não deixa entrar no guarda-roupa, não deixa ela fugir. Teve uma que até ensaiou levantar a asa para voar – pense na pretensão de uma barata metida a passarinho!!! Tadinhos!!! Ainda bem que eu não estava lá.

Agora vislumbrem o campo de batalha ao final do combate. Corpos espalhados por toda casa e o cheiro de sangue no ar – é só para vocês ficarem com menos nojo, pois barata não tem sangue. Os soldados recolheram-se ao lavabo, para colocarem a farda de gala e a amiguinha encarregou-se de limpar a área.

Litros de água sanitária e mais spray no QG inimigo - corajosa, viu?. Não haviam mais invasores intra-terrestres dispostos a lutar, mas eram muitos corpos espalados. Luvas e pano de chão serviram de rabecão. Campo limpo, só faltava arrastar os móveis e conferir se havia algum sobrevivente esperando o golpe de misericórdia. Mas se algo está ruim, com certeza, pode piorar.
Amiguinha arrastou o fogão, lugar onde reside um quelônio cagão. Pensou na merda? Pois é. No pé do fogão tinha uma granada que foi acionada e deixou um rastro não menos cheiroso que o sangue dos combatentes recém destruídos.

Não achem que minha amiguinha é porquinha. A casa dela é super limpinha, mas a coitada mora no térreo e as baratas alienígenas turbinadas intra-terrestres cavaram um túnel até sua lavanderia para beber água. Pode? Minha sugestão, amiguinha, é que você pare de fornecer suprimento ao inimigo, dessa forma, elas vão procurar outra fonte. Sugestão: se mude para o Saara.

domingo, 9 de agosto de 2009

Sr. e Sra. Balofos

Ai que saudade de casa! Minha cama, minha Internet, meu chuveiro, meu blog. Enfim, civilização. Mas foi bem legal ser bicho grilo por alguns dias. Deixa eu contar fofoca para vocês. Depois de ter gravado lá na cidade de pedras, em Andaraí, seguimos para Mucugê para a dormida e, no dia seguinte, gravar mais duas matérias. Quando chegamos no mega hotel que tinham feito reserva para a gente simplesmente não havia mais vagas em nenhum hotel da cidade. Ficamos até às 21hs sem saber onde íamos dormir, cansados, com fome e fedidos - saímos de Salvador às 8h!

O dono do mega hotel não deu a menor bola para a gente e disse que infelizmente não iríamos ficar lá. Já sentiu vontade de matar alguém? Não me arrependo disso. Ele chegou a dizer que sabia que gente "como nós" estava acostumada a ficar em qualquer lugar e que entederíamos a situação. Apelidamos essa figura ímpar de Sr. Balofo e sua esposa, que nem nos olhou, de Sra. Balofinha. Decidimos que iríamos embora no dia seguinte assim que acordássemos. Depois descobriram, ou se deram conta, que nós éramos a equipe de tal programa, de tal emissora. Achamos quarto somente em uma pousada e fomos dormir.

Eles devem ter se arrependido muito, pois reuniram uma procissão com 9 pessoas, incluindo o prefeito e Sra. Balofinha, e foram pedir desculpas quase à meia-noite. Como o apelido játinha pegado, o casal balofudo foi nosso alvo de piadas o fim de semana inteiro. Ah! O melhor é que alugaram uma mega casa para a gente, mas o ruim é que eu só tinha Internet quando ia no hotel de Sr. Balofo. Daí já viu, né? Gargalhadas mil e o homem lá com cara de besta sem saber porque.

Esse visual é de uma estrada que sái de Mucugê em direção ao Vale do Capão. A estrada é de barro, mas, além de fugir do trânsito, o aventureiro vai curtir um dos visuais mais lindos que já vi. No meio do caminho encontramos a Vila de Guiné, uma vila super bonitinha que serve como ponto de partida para uma das trilhas mais pesadas, e lindas, da Chapada: a trilha do Vale do Paty. Mas ficamos pela estrada mesmo e fomos filmando o visual mais que maravilhoso em que já passei.

Mas, como nem tudo são flores, e tudo é lindo, tomanos muita poeira pela cara para poder fazer imagens pela janela do carro. Fizemos os 45 km até Guiné em 3 hs, pois parávamos demais.
Gente! Eu já tinha esquecido que tinha alergia a picada de inseto, mas, toda vez que parávamos para entrevistar os moradores da beira da estrada, ou fazer alguma imagem, - que foram muitas vezes - eu pulava igual canguru tentando afastar os malditos voadores.Era para eu ter ido de calça jeans e bota para não sujar meu pé nem ficar com as pernas parecendo um maxixe. E nem pergunte porque eu não usei repelente, pois aqueles insetos pareciam ignorar a ciência.
Foi uma beleza. Enfiava meu pé no barro, o vestido ficava preso no mato (eu estava de short por baixo), tinha que bater nas mutucas (os insetos coleguinhas), pedir o enquadramento do imagem, esperar fazer, desmontar equipamento e voltar para o carro. Aí em baixo é um cemitério que encontramos no meio do caminho.


Apesar de cemitérios serem lugares pesados, com ar de tristeza e sofrimento, esse aí não é. Também, repousar ao lado do paraíso é r e p o u s a r. Logo depois do cemitério pegamos uma estradinha que estava bloqueada e tivemos que volar e pegar um desvio para chegar em Guiné. Gravamos umas entrevistas lá e voltamos correndo - foi correndo mesmo - para não ter que pegar a estrada de barro, mão única, à noite e apenas com luz do farol.

Cheguei em casa hoje e estamos fazendo uam festinha dos "sem pai". Amanhã trago mais novis.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cidade de pedras

Pessoal, fiz o possível para postar antes, mas Internet aqui é como carroça de burro. Mas a viagem está sendo bem produtiva e o visual da Chapada é simplesmente maravilhoso.



Mas como nem tudo são flores, pegamos uma estrada de chão bem punk entre a cidade de Itaberaba e Andaraí. Tentamos fugir dos caminhões e acabamos vendo poeira virar nevoeiro.



Esta é a entrada da Vila de Igatu, distrito do município de Andaraí. Essa estrada que vcs estão vendo tem exatamente 6km de extensão e foi construída, à mão, pelos garimpeiros que foram buscar diamantes na região. Para abrir caminho e aproveitar a matéria prima in loco, eles iam construindo a estrada. O visual é de uma cidade medieval que é isenta de qualquer partícula de som. O silêncio chega a doer na alma.


Igatu chegou a ter 9 mil moradores na época do seu auge, mas agora vivem lá pouco menos de 400 pessoas. As casas com janelas e portas fechadas, coloridas e todos muitos desconfiados. Conseguir reunir uma meia dúzia de entrevistados foi o maior sufoco.


O historiador Marcos Zacaríades, que entrevistei lá, me explicou que um dia a Chapada já foi mer, por isso as rochas formam muitas imagens. O mar foi erodindo mais a parte de baixo à medida que foi secando. Aí em cima eu vi duas coisas: um sapo e um navio. O que vc vai ver depende muito da fonte que bebeste água hoje. rsrsrsrsrs


Com a construção de uma rodovia que ligava a Bahia ao Rio de Janeiro, quase todos os garimpeiros saíram de Igatu em busca de uma nova fonte de renda as casas foram sendo abandonadas. Todas eram construídas de pedras e as janelas, que outrora servia de fonte de ventilação e luz, hoje servem de moldura para plantas.









Bem, agora o almoço foi servido e eu preciso urgente repor as energias. Assim que puder volto para postar novas fotos e liberar o comentário de vocês. Bjs




quarta-feira, 5 de agosto de 2009

TORNEI-ME UM CORREIO

Essa semana, transformei-me uma franquia dos Correios e estou publicando, de uma só vez, dois selos! Inédito. Mas tenho motivos. O primeiro, e mais óbvio, é a falta de tempo – e vontade – de gastar o cabeção tentando extrair graça do meu mal humor incurável, mesmo sabendo que vou fazer uma viagenzinha - isto está me consumindo o tempo da alma.



Vamos ao primeiro selo: “As 5 coisas”. Como no deseinho tem escrito as 5 coisas, podem ser quaisquer 5 coisas que eu queira falar. Lá vai...

1 – Você não tem o que fazer além de estar aqui espiando?
2 – Tem horas que quero cometer um homicídio com esse blog, só para não me sentir obrigada a escrever quando tenho uma semana sem postar.
3 – Tenho vontade de dar uma surra em todos os guardadores de carro que não ajudam em nada e ainda se sentem donos da rua.
4 – Minha cunhada prenha está ao meu lado achando que está dançando uma dança indiana, mas está parecendo filme de terror trash (ela não me lê hehehehe).
5 – Acho Casseta e Planeta o dinheiro mais mal gasto da vida de uma televisão.

Mudei completamente as regras do selo e quem quiser pode pegar e falar 5 coisas que queira, mas me avisa para eu ler. rsrsrsrsrs

Tem outro selo que ganhei num momento oportuno e vou explicar.

Esse foi presente do Aninha Leme - não sei criar hiperlink [eu sou lerda] - então tenho que seguir as regras [nem todas tá? Sofro de desobediência aguda]. Olha as indicações da moça que não gosta de receber opiniões sem pedir, não gosta de cantadas baratas, detesta o cara da padaria que se sente especial para ela e que vem passear na Bahia em breve.

REGRAS
1º Exibir a imagem do selo (já fiz)
2º Postar o nome do blog que te indicou (obedeci)
3º Indicar 10 blogs e avisá-los (morro de preguiça, mas vou para o céu)
4º Publicar as regras (leiam!)
5º E ver se os indicados estão seguindo tudo direitinho (quem pegar avisa rs)

Agora explico. Amanhã, quinta-feira, dia 06/08, vou para a Chapada Diamantina gravar uma série de matérias. Já marquei várias entrevistas que serão muito legais. Vou visitar Igatu, uma cidade com ruínas cinematográficas, o cemitério bizantino de Mucugê, o visual no caminho da Vila de Guiné, uma manifestação cultural que se intitula os "cãos" que vieram atazanar e, é claroooo, tomar banho de cachoeira, além de purificar a alma. O legal é que no hotel tem conexão sem fio e vou poder postar todos os dias as atualizações de minha viagem, com direito a foto e tudo. Por isso vale a pena ficar de olho nesse blog. Até amanhã à noite.

domingo, 2 de agosto de 2009

COMUNICAÇÃO EFICAZ

Depois daquele sábado em que não consegui dormir direito [vide post anterior] minha insônia deu-me trégua e quando deito apago, morro. Os professores do mestrado não me aceitaram [como?]. Enlouqueci, fiquei puta da vida, surtei, tô doida, tô doida, tô doida! Até mandei o endereço deles para alguns grupos extremistas, daqueles homens barbudos vestidos com toneladas de explosivos e sedentos por justiça [hehehehehe]. Que vá aos ares, em pedacinhos, essa racinha que se sente intelectual, o extrato da nata do que existe de mais tradicional, que se julga no direito de ditar as normas do que é ser inteligente. Na verdade, são quase nazistas.

Bem... Ódio à parte, assim que não li meu nome na listinha dos escolhidos para serem inteligentes [tenho jeito?], corri e me matriculei num curso de inglês. Se não voltar a estudar, now, vou pirar de verdade. Inglês, dança árabe, trabalho, família e amigos. Acho que dá para o cabeção parar de se sentir inútil. Já aprendi tanta coisa nessa primeira semana de aula! Esquiuse-me, plis! Não expliquei que na época indicada para aprender outro idioma só tinha grana para o inglês ou faculdade. Sorry a vontade, prioridade é prioridade. Agora posso me dar ao luxo de aprender essa língua super sexy. Sim. Acho a pronuncia do inglês megasexy.

Êi, bí, cí, dí, í, éf, djí, êitch ái, djêi, kêi, él, êm, ên, ôu, pí, quíu, ar, éss, ti, iú, vi, dâbliu, écs, uái, zí. Embora soubesse o alfabeto in english, não lembrava mais a pronúncia, nem a musiquinha que meu irmão odeia de tanto me ouvir cantar ao banho [tadinho, ele já está cantarolando por osmose]. Voltemos à parte sexy. O que me chamou mais atenção foi a pronúncia do él, êm, ên.

O nosso “éle” vira a letra mais sensual de falar. Comece articular igual ao português e termine sem o último “e”, com a pontinha da língua tocando o céu da boca. Experimente, pode te trazer boas recordações... O “eme" é difícil explicar. Mas é mais ou menos assim: you abre a boca como se fosse falar o “eme”, mas pára no “em” e toca suavemente os lábios, como se fosse pegar algo com a boca. Na aula, fiquei vermelha ao fazer tal analogia. O “ene” é bem semelhante, mas a ponta da língua termina a pronúncia entre os dentes. Eu achei super séquisse [olha eu anta em ação!].

Em português, sempre achei o “x” a letra mais sensual de articular. “XIS” para a foto! Biquinho e sorriso na sequência. Pra quê mais? No bendito inglês, ele perdeu a graça. Vira um “équis”. O nosso “dê” exige que seja pronunciado como o nordestino do interior fala. É “dí” com a ponta da língua e pronto. Se falar “de”, eles podem entender o “djí”, que já é o nosso “gê". Aff!!! Me sinto uma equina [tá explicado por que não me aceitaram no mestrado, síndrome de jumenta] sendo alfabetizada de novo. E literalmente é. Tenho que aprender outro idioma do ziro.

Sei que cada lugar do mundo tem um sotaque e jeito diferente de pronúncia [não precisa você me lembrar isso, oquêi?], mas tenho que fazer o que professora manda, no? Ou então nem na prova oral vou passar, daí fico crazy de verdade.

Achei muito curiosa a pronúncia do “th”. Vira algo semelhante a um “efe” com a língua [olha a bendita língua erótica entrando em ação!]. Meu medo é de cuspir todo mundo falando “athletic”. Inclusive, acho o francês mais sensual ainda, com todos aqueles biquinhos de me beije, me bitoque, me rebeije. Tem gente que não acha, mas amo assistir Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain e ouvir Carla Bruni só para ver as boquinhas. Quem duvida pode conferir.




Não vou tentar o espanhol, pois já estudei um tempo e me viro bem. O italiano é bom, mas poder dizer vaffanculo já me basta. Prefiro dedicar meus desejos ao alemão ou russo e cuspir o mundo, pois ô povinho de fala difícil!!! Não era mais fácil todo mundo falar uma língua só? Se bem que, em aspectos humanóides, uma língua não precisa de pronúncias para se fazer entendida...



domingo, 26 de julho de 2009

CURTINDO UM SÁBADO À NOITE

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, foi o que proferiu a banda Cidade Negra em uma de suas canções. Quase recuperada de uma gripe pior que a suína, e com muitos convites promissores para a night, optei por ficar em casa vendo um filminho debaixo do cobertor. Estiquei-me no sofá para conferir o piratex adquirido em primeira mão pelo meu irmão: Efeito Borboleta 3. Angustiante. O pior da série. Em seguida, colocamos um filme medieval e eu peguei no sono antes de descobrir quem eram o mocinho e o bandido. A parte boa acaba aqui. Se não quer dividir essa raiva comigo é hora do beijomeliga.

Quando a baba (es)corria solta acordei para tirar a lente de contato. Com todos dormindo, tentei desligar a TV. Só fiz a menção de pegar o controle, pois minha cunha acordou com os olhos do além garantindo que estava assistindo o filme. Ok. Beleza então. Fui para o quarto e fechei a porta. Deitada, no processo de concentração para pegar no sono, me senti em pleno campo de batalha – com uma armadura pesada da porra. Ouvia até as espadas dos atores coadjuvantes. O filme parecia que só tinha trilha sonora de tensão com um grave estourando meu ouvido e mandando meu sono para a putaquepariu. A TV estava alta pra caralhooooooo.

Levantei e quando eu cheguei na sala o filme estava rodando, acreditem, há pelo menos 30 minutos, o menu. Quando ensaiei desligar a TV os zóião do além acordou novamente garantindo que estava vendo o filme de novo. Ok. Então vou diminuir o volume pois não estou conseguindo dormir. Dito isto, voltei para minha caminha diliçosa para aproveitar meu soninho de sábado a noite. Porra nenhuma. Quando o cão tá ocupado ele manda os capetas.

Bastou eu deitar a cabeça no travesseiro para ouvir o caminhão de lixo na entrada da rua. Porque infernos o caminhão de lixo tem que vir justamente uma hora da manhã? Num silêncio tão grande até o peido de uma muriçoca incomoda. Gente, eu moro na ladeira e o fidumaégua do motorista ficou fazendo meia embreagem em frente ao meu prédio até catarem tudoooo! E ainda deixou a merda dele morrer duas vezes! Porra, velho, eu estava com sono e agora estou megamalhumorada!!!

O boteco da esquina fechou e todos os bêbados passaram conversando na frente do prédio. Moro no final da rua e um carro, com um som de trio elétrico, resolveu vir até aqui fazer não sei que porra. Para não voltar de ré ele teve que manobrar, em frente à janela de quem? Gente, a descarga dessa lata velha estava solta e a rua tem carro estacionado dos dois lados. Eu não sei o que me irritou mais, se foi o barulho de motor de carro velho, o trio fora de época (e horário) ou a manobra que não acabava nunca.

Nessa altura da madrugada - as coisas estão acontecendo em tempo real - eu já me estressei o suficiente para mandar o sono para a casa da porra. Olha, baiano fala “porra” demais, não se assustem comigo. Só nesse post já foram umas 5 porrinhas, mas isso não é palavrão feio aqui em Salvador. É como um advérbio de exclamação e você concorda que, diante da situação, eu tenho o direito de exclamar porra pra porra, né?

Moro próximo do aeroporto e, às 2h25 da manhã, o motor de um teco-teco de quinta ganha potência do Airbus A 380, um colosso com capacidade para 800 pessoas, sobrevoando minha cabeça a cada 15 minutos. Como minha casa é rota certa de aviões comerciais, eles passam a cada 15 minutos, cro-no-me-tra-da-men-te.

Olha povo, antes eu tivesse ido curtir minha night, pois agora estou sem sono, sentada na cama, escrevendo enquanto o filhodaputa do segurança está apitando aqui na rua. Pensei que ele só devesse apitar quando acontecesse algo. "Piiiiiiiiiiii, me acudam que eu não tenho arma". Mas nãããããão, ele assopra essa merda para todo mundo acordar e saber que está tudo bem.
Ok. Eu já estou acordada mesmo, então deixa pra lá.

Só que agora também é a hora que algumas pessoas estão chegando das baladinhas então tem abre e fecha portão (nhééééééééc, pooowwwww), conversas de bêbado (vamos tomar mais uma? eu lavo os pratos...), o rádio do taxista (creiam que estou ouvindo), o freio de mão de quem pára (tratratratratatratra), poodle latindo na casa do vizinho (auauauauuuuuuuu) quando o povo sobe as escadas de salto alto (toc-toc-toc-toc-toc), mais carro manobrando (esse sei que é mais novo porque a descarga fez menos barulho), a vizinha de cima parece que caiu da cama (buuummmm), gente que passa na rua discutindo a conta do bar (eu falei que ele tava duro e não ia pagar, eu avisei...). Sonoplastia e tudo...

Eu juro, por todas as porras que falei aqui (afff... agora foi uma moto, passando na outra rua, com aquela descarga que acorda até o capeta), que quando eu sair à noite vou fazer tanto barulho quanto for possível – mentira, não consigo ser assim (burra!). Será que minha audição aguçou por conta da evolução de uma gripe para tuberculose? Eu esperava constatação melhor em um sábado à noite...


sexta-feira, 24 de julho de 2009

FRED X JASON

Eu amo dormir. Adoro acordar com a cara inchada, cheia de marca de lençol, amo babar meu travesseiro [babar na cama dos outros dá uma vergonha feladaputa, na frente do namorado então...], gosto de ficar o dia todo deitada na cama e é muito bom tirar remelinha de manhã em frente ao espelho. Dormir é a terceira coisa que mais gosto de fazer [a primeira é comer e a segunda é meio óbvia]. Tenho vontade de fuzilar quem me acorda. Mas hibernar está virando um ritual na minha vida. Explico.

Presenteada com uma pele mais oleosa que panela de moqueca e neurótica que sou, tenho empenhado meus todos meus esforços em acabar com isso. A dermatologista me indicou um tratamento a base de tretinoína a 0,5%, um ácido fortinho. Agora, por exemplo, deveria estar dormindo, mas quando penso no ritual vou demorando, enrolando...


O primeiro passo é prender a juba para não grudar no creme. É para derreter a cara e não o cabelo. A segunda etapa é lavar o rosto com aquele sabonete ultra-limpante que deixa a pele esticada igual a de Ana Maria Braga. Em seguida tenho que esperar secar total, pois se eu passar a toalha de qualquer jeito minha cara vai junto. Depois ainda tenho que deixar a pele respirar um pouco, afinal, ela vai ter o que merece por ser tão retada. E, por fim, posso espalhar, com delicadeza, o gel siliconado [se passar forte pode irritar a cara e piora tudo]. Acabou? Nada, dou um tempo para secar direitinho e depois [ufa!] posso deitar.

Para estragar um dos únicos prazeres gratuitos que tenho, dormir, ainda fico com medo do creme sair todo no travesseiro ou de minha cabeleira dar um grito de liberdade e acabo dormindo com o pescoço meio duro. Amostra grátis do tratamento? Sim, uma torcicolo a cada semana.

Acabei de prender o cabelo. Agora esperem um minuto que vou lavar o rosto... 1...2..3..4..5...10.987.765. Tenham paciência leitores! Lavar a fuça não é como esfregar calça jeans. Se eu pudesse passar o escovão bem que facilitaria, né? Mas não, tem que limpar as mãos para aproveitar melhor a espuma do sabonete caríssimo. Espumou? Agora massageia a face por um minuto e trinta segundos [conselho de Alê] para limpar os poros direitinho.

Agora que voltei pro computer vou secando devagazinho. Enquanto isso você vai me aturando por aqui. Me faz essa companhia, por favor, pois ainda falta um bocado de etapas. De dia, para não lavar o rosto mil vezes, estou usando uns lencinhos que chupam o azeite de dendê além de um bloqueador solar. Mas peraí que agora a cara respirou e chegou a hora mais delicada: espalhar o gel sem deixar nem um tiquinho cair no canto do nariz, da boca nem nos zóio, se não, em vez de limpar a pele, eu ganho um bocado de creca na cara. Volto já... [Sugestão: vcs podem ficar cantando boi da cara preta para meu sono ir chegando :) ...]

Uuuuuuiiiiiiiieeeeeee! Gente. Começa pinicando a cara, a pinicação vira um ardor leve, que se transforma numa coceirinha chata à qual eu tento resistir. Não pode coçar, né? Se eu ceder a essa deliciosa tentação vou virar Fred Krueguer de tanta ferida e ainda vou ter que usar a máscara de
Jason Voorhees, do filme “Sexta-feira 13”. Definitivamente, o bom senso me obriga a amarrar as mãos.

Agora, que já fiz tudo que a médica mandou, o sono foi pro espaço. Isso é justo? Não adianta contar carneirinhos, olhar para o teto, ouvir música, nada. Só me resta ficar alugando vocês aqui até a vista cansar e meu lado urso polar hibernar. Boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta, ou será da cara de frigideira? Música macabra. Troca. Nana nenê, que a cuca vai pegar... Afff! Pára. Desse jeito vou ter é pesadelo. Como o olho começou a arder de sono, posso colocar um filme para ensaiar um sonho bom... Me manda uma sugestão? Tô esperando, creia.


Z
ZZ
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ZZZZZZ
ZZZZZZZ
ZZZZZZZZ
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P.S.: Pode ir que agora eu já estou no nível da baba...

terça-feira, 21 de julho de 2009

LAXANTE GRIPAL

Dói as costas, as pernas, o pescoço, os braços e as articulações dos dedos, por isso demorei de postar. Ainda tem a maldita corise, a febre, a moleza além da natural baiana, os espirros, a tosse que arranca pedaços vultosos dos meus pulmões e o maldito preconceito contra a gripe suína. Pois é. As pessoas que foram contaminadas com o H1N1 têm razão em reclamar de preconceito. Agora entendo o quanto é verdade. Não precisa fechar a página, pois esse vírus não se pega pela Internet, e eu não contraí a gripe dos 3 porquinhos, mas tenta fazer acreditar nisso os velhinhos que me viram na fila do banco botando os bofes pra fora de tanto tossir! Além de bizarro, foi hilário.

Todas as pessoas que conheço, que viajaram para o exterior, juram de pés juntos, e sem tossir, que lá fora não está esse estardalhaço todo em torno dessa variação da gripe. Não sei. Por enquanto, no Brasil, a dengue, a meningite e o trânsito me preocupam mais. Mas vamos às minhas malditas tosses.

Na segunda à tarde, fui pagar a taxa de inscrição no mestrado. Prefiro ir ao banco no horário perto de encerrar, pois os caixas agilizam tudo para irem embora logo. Eram 4 guichês. Um quebrou, um fechou, outro ficou atendendo normal e o outro preferencial – leia-se, gestantes e idosos.

Minha tosse é, e sempre foi, daquelas que começam fracas, vão emendando uma na outra até culminar numa tossona putaquepariu que parece que vou vomitar. Se não beber água fico nessa aí até voar um pedaço do pulmão na cara de algum zoiudo. Que ecaaaaa!!! Nesta tarde, tinham bem uns 15 idosos na fila de atendimento.

Nas primeiras vezes, eu tossia e respirava fundo, tentando controlar a situação, mas o cara da frente ficava me olhando por cima dos óculos de enxergar longe. Eu tossia e ele olhava de novo. Por mais que eu tenha sido educada e colocado a mão na boca, ele me olhou de cima a baixo umas 10 vezes, pelo menos. Aquilo começou a me incomodar e fui tentando segurar [respira, respira, respira, respiraaaaa porraaaaaaa], mas aí chegou uma hora que o cof cof cof saiu involuntário, foi piorando, piorando e quando comecei a botar os respirantes pra fora os velhinhos começaram a se afastar. Daí é que comecei a entender que todos estavam com medo de minha gripe.

Eu já tinha uns 50 minutos na fila quando meu celular tocou. Me deu uma vontade mais que louca de simular uma conversa dizendo que tinha acabado de desembarcar da Argentina, etc. e tals. Pagava pra ver se todos não iam dar uma carreira e eu seria atendida num minuto. Se todo mundo viu que eu estava passando mal de tanto tossir, e esboçavam uma cara de pânico, porque infernos ninguém pediu para eu ser atendida logo ou me ofereceu um copo com água? Tossi, tossi, tossi e deixei todos os velhinhos com a pulga, de porco, atrás da orelha. “Será que eu peguei a gripe daquela moça?”. Na primeira tosse eles vão ao hospital, se já não foram.

Assim que entreguei a documentação na faculdade fui ao médico. Esperei mais 2 horas para ser atendida. Que ódio. Você acha que a tosse passou? Nada... Mas dessa vez as pessoas que estavam do meu lado nem deram uma disfarçada. Se mandaram mesmo. Pelo menos ganhei lugar para colocar a bolsa. Vocês acreditam que tinha gente em pé, mas não sentava do meu lado? Minha tosse deve estar muito feia mesmo...

Hoje tomei vergonha na cara e comprei umas vitaminas e pastilhas para tosse. Até às 16h eu tinha chupado 20 para enrolar a tosse, mas minhas amigas me alertaram que essas balinhas são péssimas para o estômago. Já devo estar de úlcera... Minha barriga já está doendo de tanto tossir, mas nada é mais traumatizante que as pessoas se afastarem de você com tanto medo. Sempre que o clima muda um pouco fico gripada e dessa vez não foi diferente. Agora, quando for tossir, só de sacanagem, vou imitar um porquinho tossindo: coinc, coinc, coinc.


Pesquisando figuras para ilustrar aqui ainda achei uma piadinha que pode ser a solução para os meus problemas:

O farmacêutico entra na sua farmácia e nota um homem petrificado, com os olhos esbugalhados, mão na boca, encostado em uma das paredes. Ele pergunta para o auxiliar:
- Que significa isto. Quem é a pessoa que está encostado naquela parede?
- Ah! É um cliente. Ele queria comprar remédio para tosse. Como está caro e ele não tem dinheiro, vendi para ele um laxante.
- Ficou maluco! Desde quando laxante é bom para tosse?!
- É excelente. Veja o medo que ele tem de tossir!

terça-feira, 14 de julho de 2009

BEBÊ A VISTA!

Hoje confirmamos que vou ser titia de novo. É a quarta vez, sendo 2 meninos e 2 meninas. Como uma outra menina adotei como filha nem contabilizo aí. Minha cunha está com 4 semanas. Meu irmão já está fazendo bolão com o sexo – eu mereço! Lembrei de quando minha irmã mais velha estava grávida. Foram meses de pânico para mim.

Sempre fui apaixonada por crianças. Acho até que tenho cara de demente, pois todas que me olham interagem, sorriem, me dão a mão. Eu amo, desde que possa devolver assim que começarem a berrar – tem coisa mais estridente que choro de criança? Quando soube que a primogênita estava grávida pulei de alegria. “Vai ter um bebê aqui em casaaaaaa”. Como sempre fui uma pessoa calma e pacífica, eu e a chatinha estávamos brigadas (nem fui no casamento dela) e não troquei uma palavra com a futura mamãe durante os 9 meses que sofri de coceira na mão. Era uma tormenta chegar em casa, vê-la com o barrigão e não poder apertar. É uma delícia apalpar barriga de grávida e tentar adivinhar que parte do bebê é aquela (eu não sou má).

Um belíssimo dia, cheguei em casa e painho me deu a notícia: “O bebê nasceu!”. Pronto. Minha gastrite atacou, passei a noite sem dormir e fiquei mais histérica que nunca. O motivo era perceptível: eu não ia poder carregar o baby. Como não tinha quem ir buscar a criança na maternidade, ele me arrastou. Cara de pau total. Quando entrei no quarto nem olhei pra cara dela, voei em cima da criança parecendo uma louca e ninguém conseguia arrancar ele de mim. Nazaré Tedesco encarnou.

Ele era horrível (toda criança recém nascida tem cara de joelho). Grandão, magrão, pescoção e morto de fome. Chupava até meu nariz quando eu ia cheirá-lo. Alê não teve leite, então demos logo daqueles de lata. O guri tomava uma megamaster mamadeira a cada duas horas e fazia cáca – leia-se cocô - nos intervalos. Era uma fábrica de pumpum. Nesse meio tempo eu e ela já éramos melhor amigas de novo e tudo que ia fazer precisava de minha ajuda. Até na hora da mamada noturna era eu quem levantava. Aliás, o nenê dormia no meu quarto – eu me apossei dele totalmente hahaha.

Quando Dílan – esse é nome do meu baby lindo que já tem 12 anos – completou 3 meses, o pai resolveu levar para a outra parte da família do interior conhecer. É lógico que a tia intrometida e tirada a mãezona colou, pra sorte da criança. Neurótica que sou, dei uma mamada na saída de casa, levei outra pronta e mais uma garrafa térmica com água quente. Resultado: saímos de casa umas 19h, pegamos a estrada errada, entramos na contra-mão na frente de uma carreta e faltou gasolina no meio do nada. Se não fosse a tia neurastênica aqui a criança teria morrido de fome.

Quando o segundo sobrinho nasceu eu morava longe e só via o guri de tempos em tempos. Ele era fein fein. Parecia o E.T. de Varginha. Quando tinha uns 2 anos eu voltei a morar com meus pais, mas não me conformava de a criança só falar ham-hum-hamham- humhum. A gente entendia tudo, mas ele só se comunicava assim. Faltava eu pra desenrolar aquela língua. Comecei a levar ele para a minha casa e ficar ensaiando um diálogo, mas ele era diferente. Nasceu com cara de terrorista. Hoje, aos 10 anos, não mudou. O sorriso dele é lindo, mas já denuncia um terremoto.

Um dia, peguei no sono e ele ficou brincando na sala, bem frente ao sofá. Quando acordei, Erick – o sobrinho endiabrado – tinha retirado todas as louças e colocado no chão para se esconder dentro da estante. Meu terror tão grande e ele com os dentinhos cerrados, olhinhos apertados, dando uma risada de capetinha – hihihihihihihihihi. Uma vez o salva vidas do clube teve que chamar a atenção de minha irmã, pois ele chegava na parte mais funda da piscina e gritava: “Madeiraaaaaaa”, e, em sequência, pulava. Ele não tinha nem 5 anos!

As duas sobrinhas moram longe e eu pouco tenho contato, mas guardo lembrança de como são choronas. Eu era assim também. E agora fico pensando que vou passar por tudo de novo. Criança chorando de noite, fraldas descartáveis por todos os lados, coloca pra arrotar, tem que esperar o umbigo cair, todo mundo em cima, etc e tals. É mais um para eu levar no shopping, dar presente de aniversário, natal, ovo de páscoa, dia das crianças. Céus!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

NOSSA SRA. DO BALACOBACO

Trabalho, trabalho e trabalho. Hoje, domingão à tarde, fui gravar uma matéria em uma festa de pagode. Não pessoas. Não pensem: “Que legaaaaaalllll!!!” Não se trata do pagodinho carioca ou paulista, aquele romântico para casais. É o pagodão da Bahia mesmooooo. Lembra do segura o tchan de Carla Peres? Virou elite perto do que temos hoje por aqui. O vídeo que vocês verão a seguir não é uma regra dos pagodes, ele extrapolou as “normalidades” e o fato – bizarro - provocou a demissão da escola em que essa moça dava aula.


Não vou nem gastar minhas palavras com esse vídeo, pois as imagens não precisam de complemento.

Semana passada fui ao show de Ivete aqui em Salvador. Tenho pavor a multidão, mas como ela cantar na terrinha é uma raridade, e eu ganhei as entradas do camarote, resolvi levar os amigos. Para garantir a diversão, convidei um mineiro que acabou de vir morar na cidade. A primeira festa é sempre uma grande surpresa. As micaretas pelo Brasil a fora são boas demais, só rola gente bonita, mas é que as festas de axé em Salvador têm algo que não tem em nenhum outro lugar do mundo: o calor humano e a pouca roupa das mulheres baianas. A temperatura da cidade é inversamente proporcional à quantidade de roupa das mulheres. É quase uma lei da física.

Quando cheguei na festa o mineiro estava pra lá de Bagdá. Ele já misturava o “oxente” baiano com o “nooooosssaaaaa” dos mineiros. Saía um “Noooooxente”. Ele nem conseguia falar nada, só acompanhava as moçoilas com os olhos. Primeiro que o rapaz nem acreditou que eu estava dando a entrada do camarote a ele. Tadinho. E depois de umas doses ele encarnou São Jorge e enfrentou uns dragões. Eu quase fui segurar o moço, pois os veteranos não podem permitir tais atrocidades aos calouros. Mas ele tava com cara de quem tava gostando tanto que eu fiz vista grossa. “Uma vez não morre não...”, hehehehehe.

Sempe fui rock and roll até a alma. Mas, depois que comecei a trabalhar em televisão, tomei umas doses cavalares de injeção de tolerância e passei a admirar, e me divertir, com o que os baianos fazem de melhor: festas. Nunca gostei muito de pagode, mas nesse dia liberei geral (leia-se, dancei dentro dos limites da normalidade). O importante é ser feliz. Meu trauma é que quando o povo começa a quebrar (dançar pagode) parece que estão tendo uma crise de epilepsia ou que entraram em algum transe religioso.

Não sei como eles agüentam mexer o quadril por tanto tempo. A base de tudo é o remelexo das ancas. Depois de uma hora dançando Psirico (aquele da música Toda Boa...) eu parecia que tinha sido atropelada por um trator. Fui sentar mancando, com uma dor filadamãe na bacia, mas gostei. Me diverti muito com meus amigos.

Hoje a história era completamente diferente. Eram umas 60 mil pessoas de camisas coloridas. As blusas tinham todo tipo de customização que vocês possam imaginar, desde as bem produzidas até as mais bregas. Foi o metro quadrado mais feio de todos os tempos. Se Bin Laden descobrisse que o povo daqui dança daquele jeito ele ia nomear os baianos como os inimigos número um de Alah. Gentem!!! Não acho que a dança do pagode é baixaria. O problema está em como as pessoas o fazem.

Começa uma esfregação geral de tal ordem, que todos parecem dançar num único frenesi. Os passos da dança começam a reproduzir os movimentos do ato sexual e os rapazes acham que podem apalpar tantas nádegas quanto for possível.

Para mostrar, de fato, como foi o evento, tive que ir gravar uma entrevista com populares e me arrisquei na pista, e sem seguranças. Ô arrependimento! A pessoa estuda 4 anos, se esforça para se manter no mestrado, tem o diploma jogado no lixo e ainda vai tomar dedada em uma festa de camisa colorida. Pelamor do balacobaco!!!!

Ainda não tenho vídeo da festa de hoje, mas em breve postarei alguma coisa. Esse vídeo aí em baixo é do DVD de uma banda chamada Parangolé. O som, para quem gosta, é bom, mas, repito, o problema está em como as pessoas encaram o que é diversão. O vocalista dessa banda é uma fofura de pessoa e merece todo meu apreço.



O gostoso é até em baixo?




E o Tchuco? É gostoso?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

ATUALIZAÇÃO DE SOFTWARE JÁ!

Voltar às atividades obrigatórias depois de um megaferiadão de São João não é fácil, imagina só às tarefas voluntárias, como o blog? Pois é. Mas escrever é um vício, uma compulsão e se eu não o fizer logo começo a ficar tan-tan mesmo. A tremedeira nos dedos voltou hoje, pois tenho que fechar um roteiro para gravar uma matéria interessante e com um certo toque de humor. Recebi a seguinte missão: falar sobre os 10 mandamentos.

De início pensei que era impossível dar um toque de humor às 10 regras que Deus entregou esculpidas em uma pedra a Moisés [vocês lembravam disso? Eu não]. Mas, como manda o ofício, fui pesquisar os dizeres divinos para dar o primeiro passo. São eles:

1 - Não terás outros deuses diante de mim. [Quem nasceu em terras politeístas está com um grande problema, pois já veio ao mundo com o pé no inferno. Se negar os Deuses de seus povos também vai ser castigado. O que fazer nessa situação?]

2 - Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. [Todos os seguidores dos santos católicos e orixás vão pro inferno. Em resumo: a Bahia está ferrada.]

3 - Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. [Alguma vez você falou: “Deus lhe pague”? Está com um sério problema...]

4 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. [Todo o mundo capitalista vai para o inferno.]

5 - Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra. [Isso conta a partir de quantos anos?]

6 - Não matarás. [O quê? Formiga, barata e arrancar flor do pé conta?]

7 - Não adulterarás. [Xiiiiiiii... F... Não jeito, manda abrir outro inferno.]

8 - Não furtarás. [Conta quem chupou doce das Lojas Americanas? Qual será o lugar para banqueiro e político?]

9 - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. [Alguém NUNCA mentiu? Nunca disse: “Estou pronta em 5 minutos”, mesmo sabendo que ia levar meia hora? A mentira mais clássica dos vendedores: “Essa roupa está linda em você!". Perdeu...]

10 - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. [Não pode nem olhar para o ator casado da novela? E se sonhar com ele? Afffff!!! Meu ingresso tá garantido!]

Gente. Parece brincadeira, mas tenho duas coisas sérias para administrar. A primeira, e mais urgente, é pensar num roteiro que misture dramaturgia e realidade sem ser agressivo a nenhuma crença (estou aceitando sugestões, mas gravo na quinta). Isso é primordial. Jamais levaria ao ar qualquer coisa que pudesse ofender uma pessoa, quanto mais uma crença. Acredito em Deus, Moisés, Abraão, Cristo, Maomé. Respeito tudo e, inclusive, meus projetos de mestrado envolvem religião. Quando a matéria estiver pronta vou postar aqui para vocês verem.

Mas... O que me preocupa nesse momento é: vai sobrar vaga no céu!!! Quando eu era criança tinha horror da idéia de que poderia ir para o inferno. Mas, analisando friamente essas regras, tem como não ir? Vão ter que criar áreas extras lá em baixo. Quem cometeu o pecado número X vai para tal lugar, quem não respeitou o mandamento Y e Z segue para a ala tal...

Será que é lícito alegar para o meu chefe que não posso trabalhar sábado para não ir pro inferno? Vivo numa sociedade que segue a Sagrada Bíblia, então tenho mais é que tentar me adequar às regras! Ai minha Santa Bárbara, será que ainda tenho jeito? Santa? E quem disse que podemos ter santos? Pega a senha... Ai meu Deus, como pode o Reinaldo Gianecchini ser tão lindo? Ops!!!! Violei dois mandamentos de uma vez só. Falei um nome em vão e cobicei o marido da outra. [Ele é solteiro agora, mas na época que o Brasil inteiro queria tirar uma lasquinha o homem era casadíssimo]. Será que temos jeito? Não rola uma atualização de software?



P.S.: Ainda não publiquei os selinhos nem me atualizei na leitura de blogs. Farei isso amanhã, tá? Bjins e bom dia!

sábado, 20 de junho de 2009

PAUSA PARA OS SANTOS JUNINOS

Mininus e mininais!

A partir desse sábado, dia 20/06, até a próxima quinta-feira, dia 25/06, estarei completamente off line desse nosso mundo blogueiro. É por um motivo justo, arretado e de força maior. CURTIR O SÃO JOÃO NO INTERIOR DA BAHIAAAA!!! Olha que isso aqui tá muito bão!!!!
Terminei de arrumar as malas agora, às 1h44, e pego a estrada [360 km até Jequié] às 4h30. Fora o congestionamento [estou levando papel higiênico hehehehehehehe], espero chegar bem.
Não tive tempo de responder aos posts diuréticos, mas, na quinta à noite, respondo tudinho, vou fuçar os blogs alheios e volto com muuuiiiitaaassss hitórias [que somente uma viagem de 12 amigos pode render].

Anarriê!!!!!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

ORGASMO DIURÉTICO


Hoje passei por um dos momentos mais apertados de minha vida. Quando digo apertado é porque foi quase a vácuo. Deixo uma garrafinha com água em cima da minha mesa de trabalho, daí já viu, né? Vou ao banheiro umas 2674 vezes ao dia. Quando vem a vontade tenho que largar tudo e sair correndo, caso contrário minha mente entra em parafuso, pois o anseio é tanto, mas tanto, que não consigo prestar atenção em mais nada.

Na hora do lanche, tomei refrigerante e voltei à senzala. Depois de quebrar algumas pedras [estou indignada com Gilmar Mendes, onde já se viu extinguir diploma de jornalista? Vou mostrar a ele onde vou enfiar o meu] desliguei o computador para enfrentar o trânsito e ir embora.

Quando liguei o carro, o pipi lembrou que queria passear. “Dá pra segurar”. Tomei uma das piores decisões de minha vida. São 20 km da TV até minha casa, mas pareceram uns 100 km. No início, a vontade é até gostosinha, aquela sensação que todos conhecemos... Mas o trânsito não colaborou.

Em média, passo por uns 20 semáforos. Hoje, todos fechados. Chegou um momento em que a vontade gostosa começou a virar sofrimento. Eu sentia cada carocinho do asfalto furando minha bexiga. Parecia que os pneus estavam arrastando direto lá... “Vou agüentar”, decidi com firmeza e aumentei o vozeirão de Amy Winehouse para distrair. Enquanto ela cantava “Ai ai ai, ai ai ai, abraçando o grande homem macaco”, eu fui cantando só a parte dos gemidos e o ai ai ai foi virando ui, oi, ai, hummm, ai ai, oi ui, ui ai...

Pense no gemido quando eu passava em um buraco!!! Nunca tinha percebido a força da Lei de Murphy. Ela é peso pesado. TODOS os carros passavam na minha frente, me ultrapassavam, não me deixavam seguir e a dor foi ficando tão forte que, quando dei por mim, estava me envergando, como uma interrogação.

Finalmente avistei a avenida que dá acesso à minha casa. São, exatamente, 9 quebra-molas até meu vaso sanitário. Só que, nessa altura do campeonato, eu já estava quase deitada em cima do joelho. Os carros na minha frente iam passando d – e – v – a – g – a – r – z – i – n –h – o por cada lombada. As lágrimas começaram a cair e um líquido foi chamando o outro e eu tentando conter a torneirinha de baixo. “Ô Jesus, Maomé, Abraão, Buda, Krishna, me ajuda, oi, oi, oi, oi...”.

Última lombada. Não agüentei chegar no meu prédio. Parei na casa de minha mãe, 200 m antes da minha, e entrei igual um foguete. Gente!!! Aquilo não foi uma mijada. Juro. Foi uma multigozada [xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, ouviu?]. Minha filhinha perguntou: “Ta sentindo o quê, mainha?”. Não dava para explicar a sensação de um orgasmo de uréia a uma criança. De olhos virando, esperei a última gotinha sair para explicar ao baby que mamãe tava “se mijando”.

Passei uns 10 minutos sentada no sofá até a sensação ofegante melhorar. Nunca mais espero um minuto para ir ao banheiro. Quando for dirigir, então, vou forçar todos os algarismos cardinais, ordinais, romanos, etc. saírem de um corpo que não lhe pertencem mais. Salvei meu estofado, mas aprendi que se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

MUITO COMPLICADOS E NEM TÃO PERFEITINHOS

Hoje fui ao cinema assistir o filme “A mulher invisível” pela terceira vez. Nada de “piratex”. Não sou completamente contra, mas o filme merece ser visto nas telonas. Selton Mello está esplêndido no papel de Pedro. Caras e bocas m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s. Todas as 3 vezes gargalhei muito e, a cada sessão, percebo mais “erros de continuidade” no longa e muito, mas muuuuuuuito, mais motivos para ir rever na primeira oportunidade. Longe de ser o melhor filme que já vi, mas foi o que mais me fez rir nas últimas idas ao Multiplex.

“A mulher invisível” mostra o momento da vida de Pedro em que surge a esquizofrenia, uma doença mental caracterizada por sintomas como alucinações, delírio e perda de contato com a realidade, levando-o a ser demitido e acreditar na existência de uma mulher do jeitinho que ele sempre sonhou. No filme, Cláudio Torres trata o tema com o humor necessário à trama. Não vou contar nada além do necessário, pois vocês vão ter que amassar suas nadegazinhas (ou “onas”) por 105 minutos na poltrona e conferir se vale o seu tempo.



É engraçado como depositamos a culpa dos problemas afetivos que temos na outra pessoa, sendo que, muitas vezes, o “X” da questão está dentro de cada um, não no próximo. Quantas, e quantos, de nós nos envolvemos com um príncipe encantado, ou princesa, que vai, a cada dia, se transformando num sapo, ou uma gia? A verdade é que ele, ou ela, nunca pertenceu à realeza, nossa cegueira branca é que não nos deixava perceber o anfíbio em questão.

Em busca de uma mulher ideal, Pedro “criou” Amanda, personagem de Luana Piovani. Amanda não era invisível. Ela, só, não existia. A mulher invisível, mesmo, para mim, era aquela que amava Pedro, Vitória, personagem de Maria Manoella, e que passou despercebida por ele durante muitos e muitos anos. Porque é tão difícil aceitarmos que a felicidade pode estar tão próxima e ser simples? Idealizamos tanto que esquecemos como realizar mais. Basta olhar para o lado ou estender a mão.

É lógico que existem pessoas que têm vidas e objetivos incompatíveis. Essa é UMA questão. Outra é passarmos a vida inteira sozinhos em busca de alguém que corresponda exatamente às nossas expectativas. Isso pode acontecer amanhã ou nunca. Cuidado. Podemos virar um Pedro a mais, com a diferença que, na vida real, existe uma grande probabilidade de jamais encontrar esta pessoa e passarmos o resto dos tempos se lamentando e colocando a culpa da nossa infelicidade nos outros. No final das contas, acho que Carlos é o cara do filme.

Se ele, ou ela, é gordinho, e daí? Quem disse que todas as pessoas têm que ser saradas? Tudo bem que músculos são perfeitos, etc. e tals, mas, e se a companhia dessa pessoa te agrada, que importa que ele não é tãããããão alto? Se o mais importante é ser feliz, porque não aproveitamos o que cada um tem de melhor? É claro que isso não quer dizer fechar os olhos para todos os defeitos, mas sim aprender a conviver com eles ou, se isso for tão insuportável, partir para outra. No entanto, se isso acontece com muita freqüência, avalie com calma, pois o problema pode não estar nos outros, mas em você.

Conclusão: se você não é lindo como o Carlos (Vladimir Brichta), nem romântico como Pedro (Selton Mello), porque eu tenho que ser certinha como a Vitória (Maria Manoella), linda e gostosa como a Amanda (Luana Piovani)?