quinta-feira, 24 de setembro de 2009
DEBAIXO DOS CARACÓIS...
Nada melhor que alguém te encontrar e dizer: Nossa... Sua voz continua a mesma, mas seus cabelos... Quaaaanta diferença!!!
Agora me diga aí: como posso achar meus cabelitchos lindos assistindo às novelas Globais?
É impossível!!! Tenho pena das meninas que crescem assistindo Malhação e tomam o cabelo das atrizes por padrão a ser esticado. Basta observar como mudaram os fios de Camila Pitanga, Cristiane Torloni, Angélica, Daniela Mercury, dentre outras mil. Não sei que tipo de ácido poderoso a Globo dá para esse povo beber que os cabelos brotam lisinhos lisinhos do cabeção.
Eu moro na Bahia, velho, e 80% das pessoas aqui têm cabelos crespos e cacheados. Mas ninguém mais quer ter cachos! Ditadura das escovas!!! Inventaram mil nomes: progressiva, inteligente, ionizada, japonesa, etc. e tals. Mas não adianta!!! Pau que nasce torto nunca se endireita.
O povo daqui inventa de escovar o cabelo e ir pular atrás do trio. Quando o suor começa a derramar – lógico, não há Xuxa que não derreta atrás do Asa de Águia, em Praia do Forte, num calor de 30 graus – a raiz do arame dá aquela repuxada e mostra todas as farpas. Ôu, mái!!! Se perder o prendedor de cabelo vai ser um pega pra capá - confusão em baianês!
Não ia nem citar as moçoilas que deixam a cabeleira escovada por uma semana. No quinto dia os fios já estão tão tão tão engordurados, do sol e suor, que fica aquele aspecto de macarrão unidos venceremos. Se cair um fio todos caem juntos em solidariedade. O que era para ter ficado belo vira sinônimo de imundície.
Estou na fase de valorizar os meus fios compridos e encaracolados. O negócio é que só lavo cabelo no salão. Não sou rica, longe disso. É que não levo o menor jeito para hidratar com um creme Mega Master Blaster Plus Advanced e dar o brilho que meus tão humilhados cachinhos merecem. Passo por todo um processo para ele cachear.
Fico meia hora apertando, apertando, apertando ele com as mãos até ficar tudo formadinho. Formou? Daí tenho que esperar secar com o pescoço duro – tipo com torcicolo - pois se um cacho cair para a frente ferrou. Uma vez caído o “molho” não fica mais a mesma coisa.
Tenho uma amiga que me disse que já se trancou no carro com o ar condicionado ligado para o cabelo secar mais rápido!!! Não dá, né? Além da grana da cabeleireira, do creme plus ainda tem a gasolina! É mais barato raspar a cabeça e adotar um visual punk!
Para mim, cabelo molhado só de dia, não dá para sair na night com as madeixas molhadas – não o meu que é volumoso e não seca. Ah! E tem as meninas que jogam 1Kg de creme na cabeça e depois fica tudo escorrendo na roupa ou nas costas. É uma meleca!
Vocês já observaram que, até nas propagandas de produtos hair, os cachos não são naturais, são todos feitos de babyliss?
Porra, velho!
Minha sobrinha-filha tem os cachinhos mais lindos do mundo e um dia desses pediu à minha mãe para passar chapinha no cabelo para ir para a escola. Pense numa criança de 4 anos batendo pé para passar a maldita “pranchinha”? Parecia aquele menino que só queria fazer "cocô" na casa do Pedrinho! Achei aquilo o cúmulo do absurdo e dediquei um dia de conversa a fim de lhe convencer, para todo o sempre, que seus cabelos são lindos e que seus cachos são maravilhosos.
Se aprendermos a valorizar, e gostar, do que temos, desde pequenas, com certeza, nos aceitaremos e teremos uma auto-estima mais concreta.
Mas como ela pode acreditar nisso vivendo em uma cultura onde o padrão de beleza capilar exige cabelos lisos, ralos, louros e brilhantes? Não dá... Respeitem os meus cachinhos!!!
domingo, 20 de setembro de 2009
CONFUSÃO ASTRAL
Entendo a astrologia como um efeito borboleta em nossas vidas. Quando você nasce, uma série de coisas está em andamento e, tudo que está acontecendo naquele exato momento, vai influenciar sobre quem você é e vai ser. Não vejo isso como determinismo, mas como uma predisposição para você ser de um jeito. Mas tudo pode mudar.
Sou a ariana mais típica que você pode imaginar. Impaciente, mandona, vingativa, colérica, superprotetora, zelosa, extremamente possessiva, não tolera infidelidade nem a perdoa facilmente, boa companheira, sonhadora, romântica, volúvel. Prazer. Esta sou eu. Os detalhes dos quais me envergonho omiti, afinal quem manda aqui sou eu.
Meu ex-marido, para fazer jus ao signo, me arrumou até um par de chifres enormes – sem ressentimentos – daqueles que dão voltas e voltas e voltas. Não ache que sofro com isso. Pelo contrário, também temos signo lunar, que é mais ou menos a posição da lua quando nascemos, que influencia em quem seremos. Também tem meu ascendente, que é virgem, o que me possibilitou ter características boas o suficiente para deixá-lo vivo e com menos ódio no meu coração. Áries é fogo, virgem é terra. A fogueira pode ser feita em cima da terra, mas jogada em cima do fogo a terra o apaga. Graças a isso meu ex está sorrindo em algum lugar.
Ser de Áries, o primeiro signo do zodíaco, do elemento fogo, que tem a cabeça como o centro do corpo, foi um orgulho! Amo ser ariana. Eu tinha uma amiga leonina que, quando eu cedia a uma crise histérica, daquelas de pular feito uma louca e espumar só porque alguém havia me contrariado, ela ria e dizia: “Olha que ariana! Calma ariana!”. Teve um dia que fiquei toda sorridente, pois uma pessoa altamente linda me disse que os arianos eram os melhores amantes. Daí pensei: “É meu! É meu! É meu!”. A verdade astrológica veio em seguida. “Mas amam num dia e desprezam no outro”. Pôxa, não dava para lembrar disso depois?
Cresci achando que sabia quem eu era, até uma astróloga me informar que, na hora em que eu nasci, o sol já regia o signo de touro. Ou seja: eu sou, segundo ela, uma taurina. O importante é não deixar de ter chifres – tenho que rir da situação para não morrer de ódio, né?!
Fiquei arrasada! Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? Hã? Quem é você? Eu te conheço? Crise existencial. O que importa onde estava o sol na hora em que nasci? E se tivesse chovendo? Mas, de fato, quem sou eu? Aquela que dizem que sou, aquela que me sinto ou a que me vejo? Queria que passassem uma borracha em mim e me reescrevessem de novo.
Passei dias e dias digerindo a situação, li muito sobre o assunto e relaxei. Eu sou essa que construí me misturando. Que sorri para chorar, odeia para amar, cai para levantar, sonha para viver, se contradiz para se afirmar, enxota para acariciar. Sou simples, não é?
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
HIPOCRISIA CIVILIZATÓRIA
É extremamente estranho como todos nascemos defecando, urinando, distribuindo flatos pela atmosfera. Isso é até um bom sinal quando chegamos ao mundo, pois significa que o bebê está bem e já pode ir descarregar as necessidades em casa. Ao crescer, essa noção de vida se inverte de tal forma, que todos perdemos o intestino à medida que tomamos conhecimento do que é o mundo esteticamente correto. Ninguém mija, nem caga nem peida. Tem gente aí do outro lado que deve estar me achando “umazinha” por falar publicamente sobre isso. Quem for flagrado portando – ou largando, o que é pior – alguma fisiologia por aí pode perder, para toda a eternidade, o ar de elegância, inteligência e sensualidade conquistado ao longo de uma vida.Essa aversão a “escatologias fisiológicas” está tão presente em nossa cultura que é sinônimo de imundície para quem os profere abertamente. A hipocrisia ridícula me dominava até hoje. Não mais.
Sabe aquele gato? Moreno, alto, voz sussurrando ao pé de ouvido, músculos bem distribuídos em todos os graus, mãos fortes. Maior pegação, suor - suar pouco, pode, né? Sudorese já entra para a lista de escatologias – e, de repente, um PRRROOOOCCCCC. O moço nem abre o olho enquanto você arregala os seus dois e congela a imagem até decidir se cai na risada, tampa o nariz ou sai correndo. Foi um pum, um peido, um flato, que vem do latim flatus, e que é uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus. Sim, o que conhecemos popularmente como “cu”. Na hora, leitores, o gato vira rato e eu evaporo.
Isso não aconteceu comigo. Garanto. O que mudou minha opinião conto nos parágrafos que seguem. Mas... Alguém faria diferente? Não se trata de um namorado de anos (se for recente vira ex rapidinho) nem de um marido. É um paquera recente com curriculum bem encaminhado no setor pessoal. Você contrataria esse serviço?
Eu tive uma amiga que foi casada uns 3 anos e o marido dela jurava que a esposa não tinha intestino. O caçador de puns me garantiu que quando ela saía do banho ele entrava correndo para ver se descobria algum gás nobre se dissipando pelo ambiente. Como ela conseguia fazer “isso” só na hora do banho? Ela não ligava para as flatulências, por cima e por baixo, dele, mas ficava vermelha só de ouvir falar nos gases próprios.
O que me aconteceu hoje foi o seguinte: estou eu na casa de uma pessoa que tem a família mais bem dotada de beleza da cidade. O irmão dessa pessoa é a coisa mais graciosa que existe. A lindeza estava tomando banho quando cheguei e já imaginei o corpinho esbelto passeando de toalha na minha frente no caminho do quarto. Antes de ouvir o “nhéééééc” da porta, senti o odor de um gás que parecia ter sido expelido dos confins da Terra, através de um vulcão em estado latente de erupção. Como uma coisinha tão linda pode carregar dentro de si uma granada daquele porte?
Mas daí me veio o questionamento: “O que tem de anormal nisso?”. As pessoas nascem, crescem e morrem. Tudo que entra sái. O cara tem um intestino que funciona bem, né? Pelo menos é saudável... É uma hipocrisia muito grande viver como minha amiga fingindo que não tem quase 9 metros de intestino transportando bosta dentro de si!
Nas aulas de antropologia, aprendi que, um dia, a sociedade passou por um processo civilizatório em que a nobreza distinguia-se da plebe pelos costumes. O hábito de comer de mão, odores do corpo, jeito de comer, de se comportar foi mudando a forma de ser visto por uma necessidade de o homem nobre ter atitude civilizada, que não lembrassem um animal, o que de fato ele era e continua sendo.
Temos tanto nojo dessas comprovações fisiologicamente humanas de vida que somos capazes de deixar de amar um homem que não faz a barba, não arranca os pêlos excedentes do nariz, não está devidamente “depilado”, etc. e tals. O mesmo pode ser dito das mulheres que, geralmente, são mais cobradas ainda que os rapazes no que diz respeito a “educação”.
Enfim... O tema do selo é sobre as palavras sinceras que interessam. Aí vão minhas palavras sinceras: um peido solto não mata, um arroto livre não prejudica o caráter de ninguém e as fezes vão para onde têm que ir. Pior é a hipocrisia que deixa preso dentro o que pode provocar infecção intestinal e colaborar para o apodrecimento de uma massa cinzenta já prejudica pela necessidade do esteticamente correto. Pronto, falei!
Mas, na moral, se puder evitar, vá peidar pra lá!!!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
IMAGINAÇÃO FÉRTIL
As benditas regras são:1 - Listar alguma coisa que, quando criança, achávamos que seria legal, mas que na realidade não era (ou não foi) tão legal assim.
2 - Repassar para pessoas de imaginação fértil.
Vou listar algumas coisas que achei que seriam legais. Mas eu só achei...
Quando eu era criança pequena – é que agora me acho criança grande – achava que poderia fazer experimentos científicos que iriam revolucionar a ciência moderna. Aqui no meu prédio tinha uma planta de folha impermeável, que quando a água batia escorria sem molhar. Eu achava aquela a planta mais diferente do mundo e tinha a convicção que se eu tirasse algum líquido dela e injetasse em outra poderia gerar um novo tipo de planta que me tornaria a criança mais inteligente do mundo. Motivada por uma amiga mais acéfala que eu, fizemos a experiência. Só descobri que caldo de planta fede pra k.r.l.o.
Eu já disse que sou normal. Mas um dia, eu e minhas amigas de infância – inclusive Sandra (entrego logo que não vou ser louca sozinha) – inventamos de construir uma cabana de papelão entre o nosso prédio e o vizinho. Nossos pais nos achavam um rebanho de retardadas, mas permitiam. Criança é criança, pô! Um dia levamos vela, óleo, uma lata de leite vazia e milho de pipoca. O que vocês acham nós tentamos fazer? Acender a vela para esquentar o óleo e fazer pipoca!!! Loucura, loucura, loucura. Pelo menos não pegou fogo e uns dois carocinhos estouraram. Quase saímos nos tapas para decidir quem seria a premiada que poderia comer a pipoca feita na cabaninha - o detalhe era que elas nadavam no óleo.
Quando chovia, tínhamos um trabalho do cão colocando lona para não derreter o papelão. Não adiantava muita coisa, pois a água escorria pelas paredes e nossa cabana virava uma espécie de piscina de lama. Faz uns dois anos que os filhos das minhas amigas de infância pediram à mãe para montar uma cabana para eles e meus sobrinhos (nossas gerações conseguiram reproduzir nossa amizade). Ri muito, pois a mãe deles montou uma barraca de camping em um lugar bem melhor que o da nossa casinha. É uma pena que eu tenha nadado com os ratos e eles não mataram nem uma baratinha para manter a cabana deles em ordem.
Não podia deixar de contar que a imaginação de Alê, uma vez, quase me aleijou de tanto apanhar. Minha mãe costurava e a máquina dela tinha uma cabine de madeira. Toda vez que meu pai queria dar uma coça na gente ele pegava uma tira da madeira e dava uma dúzia de bolos na mão de cada filho. Éramos 3 meninas e 1 menino. O que a irmã mais velha e inteligente faz? É óbvio! Escondeu “o pau da máquina”. O pai virado no cão fez o quê? Na hora da surra diária (todo dia alguém perturbava e todos apanhavam) painho pegou a colher de pau e deu na gente até o maldito do pau da máquina aparecer. Ô ódio!!!
Ahhh!!! Tem uma história que é a segunda melhor de todas! Como nossos pais não deixavam a gente ter nem um bichinho de estimação, sabe o que pegamos para “criar”? Um pneu!!! Não riam. É sério. Essa viagem aí eu nem sei como explicar, mas o borrachudo virou uma espécie de bichano e nós brigávamos para ficar um pouco com ele. No dia que nossa mãe obrigou a gente jogar “aquele lixo” fora choramos rios de lágrimas.
A melhor de todas, acreditem, era colecionar grilos. A gente ficava nos matos em torno do prédio se acotovelando para ver que conseguia pegar mais grilos. Os grandões nós até amarrávamos um cordãozinho para segurar como um cãozinho. Como, é óbvio, que os pais não deixavam a gente entrar em casa com eles, criávamos os monstrinhos em vidros de maionese até eles “morrerem de tristeza” e cederem lugar à próxima vítima.
Como eu tinha mania de querer ser cientista, um dia achei um grilão pretão e achei de abrir a bunda do bicho com uma seringa e enchê-la de graxa. Depois larguei o coitado no chão que nem conseguia pular de tanta graxa no fio-ó-fó.
Não fiz nada disso por maldade nem loucura, gente. Era apenas uma menina de apartamento cheia de imaginação nutrida por uma irmã mais velha com dons visivelmente assassinos – além da surra que me fez tomar (várias) ela quebrou meu queixo duas vezes. Hoje, juro, não tenho mais vontade de matar grilos... Grilos não tem graça... hehehehe...
Não tenho para quem repassar, pois todos os blogueiros que passam por aqui são os mesmos que passam no cantinho de Sandra. Mas quem teve a imaginação irrigada com estrume, assim como eu, sinta-se à vontade e me avise para eu ler.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
INTOLERÂNCIA À BURRICE
Mesmo não seguindo nenhuma prática, defendo todas elas. Não por acaso, uma pessoa especial começou a desfazer dos praticantes do candomblé em minha frente, o que me fez descer do salto, rodar a baiana e o resto vocês podem imaginar. Confusão total. O ser humano é evangélico e acredita que a religião afrobasileira é coisa do demo. Ela tem o direito de achar, cada um acha o que quer. Mas de onde vem essa autoridade para uma pessoa julgar sua crença superior a outra? Se cada um ganha autoridade à medida que pratica uma doutrina, então o mundo vai virar um inferno, pois todos vão tentar provar e impor sua prática aos outros. E quando alguém não aceitar? O pau come! Assim não dá!
É muito complicado falar sobre isso, mas temos um exemplo em casa. O que os europeus fizeram quando chegaram ao Brasil? Catequizaram os índios. E os negros? Foram proibidos de cultuar seus ancestrais. E se os árabes tivessem chegado antes ao Brasil? Seríamos todos muçulmanos e iríamos usar tanta roupa até desidratar nesse calor infernal.
O pior de tudo é que intolerância gera intolerância. Nunca pensei que pudesse discutir feio com alguém defendendo algo que nem me pertence. Mas no momento em que a discussão começou eu não queria impor nada, apenas que a pessoa percebesse que não poderia desfazer da religião alheia, já que aquilo magoaria alguém na mesma proproção em que ficaria magoado se alguém falasse o mesmo de sua crença. Mas o ar de superioridade do ser humano me tirou do sério. Fiquei com vergonha de minha atitude - calma, não bati em ninguém - mas ofendi bastante alguém que amo e jurei nunca discutir religião com ninguém, pricipalmente com as pessoas que não sabem relativizar. O que é bom para mim pode não ser para você e um texto nunca pode ser discutido fora do seu contexto.
Abaixo segue o fruto de algumas pesquisas, que resultaram em matérias para o programa que produzo e edito matérias.
Esse vídeo é sobre o Bembé de Santo Amaro, uma festa dos praticantes do candomblé para os orixás. Ela sempre acontece no dia 13 de maio como forma de agaredecer pela libertação dos escravos.
É um festejo muito bonito, só acho uma pena que o que era tradição religiosa está virando, cada vez mais, uma festa profana e o cunho religioso está ficando muito restrito ao espaço do terreiro.
O vídeo abaixo fiz para mostrar como é o casamento na umbanda, que, diga-se de passagem, é considerada a primeira religião verdadeiramente brasileira. Existem os que discordam, mas eu acredito que seja.
O vídeo abaixo não é bem religioso, mas mostra como a cultura indiana - incluindo a prática religiosa - se reproduz aqui na cidade.
O pessoal do programa já sabe que curto o tema religioso e sempre que temos cobertura de algo relacionado sou eu a escalada para fazer. Já mostramos a festa de Santa Bárbara (Iansã), de Nossa Senhora dos Navegantes (Iemanjá), de São Roque(Omolu), a famosa do Senhor do Bonfim (Oxalá). Enfim... É uma pena que nem todas estão no youtube e que também não possa fazer matéria sobre tudo. Fiz um documentário mostrando como vivem muçulmanos convertidos aqui em Salvador. Um dia mostro para vocês.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
MAS MÃE...
Depois de dois dias estudando “como filmar” uma cena de cinema, senti vontade de ir a uma sala ver algum besteirol. Quem poderia ser melhor companhia que a filha-sobrinha-adotiva-de-coração? Hoje foi a pré-estréia da animação da Disney-Pixar, "Up -Altas Aventuras”. Direto de um mega-congestionamento liguei para casa e avisei para a pequena não dormir, pois a sessão seria às 21hs.
Em casa, cansada, pensei em não ir, mas depois de ver um largo sorriso me esperando na porta desisti de desistir... Mas custava bem pouco tentar fazê-la renunciar ao passeio quase “madrugal”.
- Filha... Mamãe acha que no dia das crianças você vai ganhar roupas e sapatos. A bicicleta grande quem vai te dar é Papai Noel no natal. – Quem sabe ela não se chatearia e iria dormir zangada?
Dois segundos de silêncio se passaram até ela criar coragem de largar a pérola.
- Mas como ele vai trazer minha bicicleta sem quebrar?
- Como assim?
- Ele vai trazer a bicicleta inteira dentro do saco? Ele vai quebrar, mãe!
- Vai não, filha! O saco dele é bem grande e cabe a bicicleta inteira.
- Mas tem outro brinquedos, mãe. Minha bicicleta vai quebrar.
- Ele quebrou seu lap-top, quebrou?
- Então tá – sorriso tímido. Mas no dia das crianças eu quero uma bota. Agora “vumbora”, mãe?
As coisas são simples, né? Quem complica são os adultos... Sem sinal de desistência, tentei apelar para os olhinhos apertadinhos.
- Filha. Seu olho tá vermelhinho de sono. Você vai dormir no cinema. É melhor deixar´para outro dia.
- Não é sono não, mãe. É que eu estou com fome - desculpa esfarrapada para comer comida do meu prato.
Quem mandou prometer? Agora tem que cumprir!! Na metade do caminho ela já estava roncando. Ainda bem que não fui a única tia-mãe-louca que levou uma criança de 4 anos para a sessão das 21hs. Tinham mais uns 5 capetinhas correndo com ela ao redor da fila. Pensei:
- Quando minha baby crescer vai amar cinema. Quem sabe não pode ser uma cineasta?
Ao pisar na sala as pérolas começaram a desabrochar da concha.
- Mãe, tá muito escuro.
- É assim mesmo, filha. É para você ver o filme melhor.
- Mas não é filme, é desenho.
- Mas aí você vê melhor, olhe.
- Mas com luz também dá para ver.
- Chhhh! Já está começando.
Alguns segundos de boca fechada.
- Mãe? Tá muito alto esse cinema. Onde baixa o som?
- Não pode baixar filha. No cinema o som é alto mesmo.
- E quem liga essa televisão?
- Não é televisão, filha. É uma tela de projeção.
- É o quê????
Afff! Como explicar??? Era mais fácil descrever como nascem os bebês!
- Ta vendo ali em cima? – apontei para a sala de projeção – Tem um homem lá que liga o DVD para a gente ver o filme daqui.
- E o homem entrou por onde?
- Láááááá pelo outro lado.
Um olhar começou a buscar o que seria o outro lado.
- Essa televisão é muito grande e faz muito barulho.
- Agora o filme começou, olhe.
Atenção totalmente voltada para a telinha até um casal começar a gargalhar ao nosso lado.
- Manda esse homem calar a boca mãe!
- Olha o filme, filha. A casa está voando...
Muchochos seguidos de mais muchochos olhando de cara muito feia para o casal que estava gargalhando horrores.
- Mãe. Tô com frio.
Tirei meu casaco, enrolei nela como um cobertor e coloquei-a no colo para me esquentar também, caso contrário a ponta dos meus dedos já estariam em estado de putrefação. Um, dois, três, cinco minutos de silêncio. Fiquei preocupada. Alguma coisa estava errada.
- Filha?
Sem resposta. Já estava no quinto sono. Ela pode até não ser uma cinéfila, nem cineasta. Pode até odiar cinema. Não podemos criar uma projeção/expectativa para alguém que vai escolher que caminho seguir. Cada um trilha sua estrada. Somos como instrutores de auto-escola. Ensinamos a ligar o carro, mas quem vai dar a partida é o fututo motorista.
Dentre tantas possibilidades, tenho uma certeza. Minha baby já sabe questionar com inteligência, sem perder a ingenuidade da infância. Só não vou deixá-la aprender a chatice da mãe, o que é quase impossível. Esse, sim, é um caminho sem volta - rsrsrs.
P.S.: Vale conferir "Up -Altas Aventuras”. Caso levem algum pequeno, prefiram uma sessão mais cedo . Essa sexta estará nos cinemas. Boa diversão.
domingo, 30 de agosto de 2009
O CINEASTA SAMAMBAIA
Mas vou resumir minha história, caso contrário contarei tuuudo que ouvi e, para isso, precisaria de mil posts.
Como estávamos o dia inteiro em aula, além dos intervalos de duas horas para almoço, sempre tinha um coffee breake para os cabeções respirarem e forrarem um pouquinho a pança. Dentre os participantes, percebi a presença de uma criatura que se inscreveu no curso para lanchar, a palestra era um momento extra do seu dia. Como eu não era muito fã do que foi servido, fiquei mais no suquinho, conversando com amigos e observando.
O cara era uma figura. Tinha um cabelo de samambaia real – o que por si só já chamava atenção – guardava lanche no bolso, bebia a metade do copo com a garrafa na mão para encher de novo antes de passar a vez para o próximo e, no meio da palestra, ouvíamos o tilintar de colheres dele limpando a mesa de novo. Além da vergonha alheia que senti, ele virou nosso motivo de graça...
Na verdade, só descobri a ação esfomeada do cineasta samambaia após o primeiro coffee break. Ele estava sentado ao meu lado e não tinha como não ouvi-lo chupando os dentes para engolir os restos alimentícios. Tenho asco ao barulhinho, mas tudo bem, a boca é do cara e ele faz o que quiser.
A história melhorou quando percebi que estava segurando algo, semelhante a um osso e mordendo. Pensei: “Porra, velho! Que cara fominha, guardou um mega salgado para comer durante a aula”. Antes fosse. Pasmem. O cara tava lambendo a dentadura!!! Quase caí mole no chão de tanto nojo. Pense na cena bonita!
Fiquei horrorizada!!! Uma coisa é a pessoa comer muito e deixar o bom senso de lado na hora de se servir em grupo. Até aí vai, ninguém sabe qual é a situação da vida dele. Mas daí a samambaia me obrigar a vê-lo limpar a dentadura é demais! Quase ofereci minha escova de dentes de presente. E é óbvio que depois eu ia jogar fora, né????
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
ASSASSINA DO TEMPO
Não sei vocês, mas eu, quando chega no domingo à noite – momento esse em que, impacientemente, vos escrevo – me bate aquela ansiedade de executar tudo que deveria ter feito e, na verdade, não consigo adiantar muita coisa além de dormir com um humor de cão de quinta que foi exorcizado por Edir Macedo – ser um cão que é expulso por Edir Macedo deve ser mais frustrante ainda.
Recebi uma maldita notificação por ter atravessado o semáforo no sinal vermelho. É mentira!!! Aquele aparelho só podia estar bêbado por excesso de consumo de energia!!! O sinal estava amarelo e eu indo resolver os burocráticos processos funerários de uma tia. Com certeza, eu não estava no meu estado normal, que já é um dos meus argumentos de defesa. Tem um mês que estou com os malditos modelos de revisão e nunca consigo formatar meu pedido. Resultado: tenho apenas até esta sexta-feira para fazer o pedido e ir lá dar entrada, ou, então, desembolsar uma quantia razoavelmente suficiente para que eu ganhe potência de declarar a Terceira Grande Guerra Mundial.
Minha querida irmã, gentilmente, fez minha DIRPF. Mas, para variar, meu digníssimo CPF está com problemas na receita e pipocou o medo de minha bilhardária restituição ficar retida para uso desse governo, que eu odeio, por tempo eterno.
Para ficar a par da situação fiscal, sem ter que ir enfrentar a burocracia demoníaca da Receita, preciso do número das minhas restituições dos últimos 50 anos – vou a um centro espírita saber o que fiz nos 20 anos antes de nascer – para gerar um código de acesso. Achei o arquivo da entrega, mas quem disse que encontro o infeliz número do recibo? Minha irmã querida me mandou a declaração no e-mail, mas quem diabos disse que eu tenho o desgraçado do programa da declaração? Arrisquei abrir aqui, mas o formato gerado é de bloco de notas e fiquei meia hora copiando todos os números de 10 dígitos e colando para ver se engabelava o site Receita. Para alegria de todos e felicidade geral da nação, a Intenet paleozóica que dividimos para mil computadores caiu e eu resolvi escrever antes de pegar o computador, socar na parede e pular em cima do resto.
Ufa!!! Desabafei um pouco e, pelo menos, salvei meu computador!!!
Parece que tem um cão homossexual – nada contra - atentando este ser humano com varinha de condão. A Internet voltou, mas terei que esperar até amanhã para conseguir o número infeliz e adiantar o lado. E você deve se perguntar: “Já que a Internet está fora, porque você não vai preparar logo a defesa?”. Também me pergunto isso, mas a resposta eu ainda não achei. Prometo que assim que eu terminar com minha maníaca verborragia incessantemente desesperada e terapêutica, nesse post, vou fazer isso. Mas, aí, acabei de lembrar que terça-feira, cedinho, tenho prova de inglês e, pra variar, não estudei nada!
E agora? Estudo para a prova ou preparo a defesa? Não me pergunte o que fiz o final de semana inteiro porque a raiva de minha inutilidade aumenta e eu vou ter que começar a escrever tudo de novo. É domingo à noite – agora já madrugada da segunda – e, à medida que os minutos passam, me sinto mais impotente diante do tempo.
Preciso de férias. Mas, antes disso, tenho que resolver minha bilhardária restituição, dar entrada na minha defesa, estudar para a prova, arrumar meu quarto, reciclar roupas... Gente, preciso matar o tempo para ele não me matar!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
EU TE CONHEÇO?
Um dos raros momentos em que posso me dedicar às atualidades é enquanto dirijo. Quando não estou emputecida xingando algum lerdo no trânsito consigo prestar atenção nas notícias do rádio. Às vezes ligo o maldito e não ouço uma palavra do que está sendo dito. Me encontro em lugares que nem eu sei onde é. Uma matéria que me chamou bastante atenção esses dias foi sobre a perda de memória. É incrível como pessoas da minha geração estão muito suscetíveis a este mal.Lembra aquela atividade de criança que você e seus amigos costumavam brincar? Eu lasquei minhas canelas pulando elástico, enfiei o ferro de segurar a planta na tomada e levei o maior choque, me esborrachei no chão “pulando a mula” (a pessoa mais lerda da galera ficava em posição de mula e os outros pulavam gritando “mão na mula”). Às vezes encontro um colega do primário e lembro dele. Essa é a memória remota, que as pessoas costumam ir perdendo à medida em que vão assoprando mais velinhas.
Eu troco as senhas do cartão de crédito com o de débito e acaba bloqueando tudo, daí eu ligo e xingo a décima geração dos atendentes. Esqueço pequenas quantias nos bolsos e fico feliz da vida quando encontro – sempre acho que Deus fez sumir para aparecer na hora certa. Perco todas as canetas e fico bizoiando a mão de todo mundo para ver quem “achou”. Só lembro os números dos telefones se olhar para o teclado do aparelho.segunda-feira, 17 de agosto de 2009
MÃOS NO BOLSO!!!
Essa pessoa que vos fala até que tenta limpar o ranço de ser humano mais mal humorado da Terra. Gostaria muito de acordar sorridente, saudando a vida, dando bom dia ao mundo [bom dia flores, bom dia moscas, bom dia poluição, bom dia barulho de escola infantil perto de casa, bom dia???]. Tento, mas ainda não é possível. Nos primeiros 15 minutos seria capaz de socar um Tiranossauro Rex que ousasse falar comigo. Depois passa, ou melhor, ameniza.Agora, imagine: como pode ir bem o dia de alguém que leva o carro para uma revisão na concessionária logo cedo?
A idiota da atendente maquiada igual uma drag queen me apresentou ao mecânico responsável pelo meu serviço como “Ninja”. Entreguei a chave e fui para a sala de espera fazer as 500 páginas de exercício de inglês que estão atrasadas. Minutos depois ele vem ver se eu autorizo “o alinhamento e balanceamento, pois é indicado fazer a não sei cada quantos mil quilômetros rodados”. Soou um NÃO tão bem resolvido que ele deixou-me a sós com meus “titles and names”.
Em seguida o mecânico ninja retorna [iiiiiiiiiáááááááá]. Penso: “Que ótimo. Vou embora!”. Nada. Dessa vez ele trouxe um filtro para esfregar em meu nariz. “É o filtro ‘anti-poli’ do ar que precisa ser trocado a cada não sei quantos mil quilômetros”. Estava metade branco, metade cinza. Indaguei logo quanto custava. “R$ 80,00”. Não. Ainda tem uma partezinha branca que pode sujar. “Estou bem com minha rinite”. “Mas senhora...”. NÃO. “Obrigada”.
Liguei correndo para um amigo que nunca tinha ouvido falar do tal filtro “anti-poli”. Já
lembrando que preciso escolher, urgente, com qual seguro vou fechar – o que se subentende mais GRANA – o mau humor voltou “de com força”. A caminho do trabalho xinguei uns 10 caminhoneiros, uns 20 taxistas e uns 30 coroas que dirigem agarrados ao volante.
Assim que abri a Internet, corri para orçar o maldito filtro “anti-poli” que, na verdade, é um FILTRO ANTI-POLÉN. Pelo que entendi, este apetrecho evita que a poeira, monóxido de carbono, insetos e partículas entrem e bloqueiem a passagem do ar. Vou trocá-lo, mas não mediante esse assalto legalizado. Pasmem. Encontrei o mesmo filtro, igualzinho, por R$ 19,00 na Internet. E tem mais! Pelo que li, o meu ainda está “limpo”. Será que o dono da concessionária não tem medo de um dia acordar rico?
Fiquei muito indignada! Vai mudar alguma coisa? Provavelmente não. Mas tive que descarregar meu humor potencialmente nitroglicerinado em alguém. Sobrou para a atendente da outra concessionária, a que fiz a revisão de carroceria na semana passada.
Paguei R$ 33 para eles me avisarem que não tem nenhum ponto de ferrugem no meu possante. R$ 8,00 mais caro que na concessionária ladrona que fui hoje. Já que é para ser roubada que seja um valor menor, né? A atendente me ligou, por azar, na hora da revisão para pedir uma nota do serviço. “Qual serviço? O de me roubarem direito?”. Conjuguei todos os verbos, em todos os tempos e modos, com a coitada até ela entender que o serviço deles de “olhar a carroceria” é o mais caro da cidade. Olhar por olhar eu passo o olho e aviso a eles que está tudo OK! O carro é meu mesmo...
Agora me diga, com toda sinceridade do mundo, como é que uma pessoa muda o estereótipo de mal humorada depois de ser legalmente roubada numa manhã de segunda-feira?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
LENÇOS UMEDECIDOS JÁ!
Não entendo bulhufas de veículos. Se faz um tic-tic qualquer fico logo neurótica e quero levar para ver o que é. Óbvio que a concessionária me adora, pois se não existissem pessoas como eu eles não enriqueceriam. Só faltam gritar “mãos ao alto!’.
Um dia, minha nave espacial aterrissou em um buraco maior que as crateras da lua e uma tal chapa de proteção do motor amassou. Parecia que tinha uma bateria de escola de samba me acompanhando e, desesperada que sou, achava que a placa poderia enganchar em alguma coisa e o carro capotar na descida de uma ladeira – não ria! Paguei R$ 16 para desamassar. Só descobri que era uma grande besteira porque meu amigo teve o mesmo problema e, na mesma concessionária, o mecânico levantou o carro, consertou na hora e nem cobrou. “Foi besteira brother!”. Como assim??? Eu devo ter cara de idiota mesmo!!! Porque mulher tem que pagar e homem não? É algum acordo entre seres do mesmo gênero? Genericamente ladrões...
Aproveito quando dou carona a algum ser bem dotado de testosterona para explorar. Peço logo para calibrar o pneu, coisa que só acontece a cada dois meses. A primeira vez que me arrisquei sozinha, deixei a tampa dos pitos caírem no chão e passei meia hora de bunda para o ar procurando as miseráveis. Teve um frentista que ficou com pena de mim [ou cansou de olhar minhas nádegas] e foi lá terminar o serviço – de botar ar no pneu! Depois desse episódio resolvi dar R$ 1 a alguém no posto para fazer isso.
Ontem me retei e encarei o desafio. Apertei os 30 de calibragem [que não sei o que significa], abri o pito e soquei a mangueirinha lá. No primeiro pneu o barulhinho me assustou e fiquei com medo da borracha explodir em minha cara. Se não estourou com quem estava lá antes porque vai estourar comigo?
Ainda bem que deu tudo certo e não precisei da ajuda de ninguém, mas... Não contive em passar na caixinha de sugestões e anotar bem grande: DEIXEM LENÇOS UMEDECIDOS PARA LIMPAR AS MÃOS DAS CLIENTES DEPOIS DA CALIBRAGEM. A mangueira é podre de suja e meus dedinhos magrelos ficaram pretos. Ninguém merece, né? Fui dirigindo o resto do caminho sem tocar direito no volante. Não guardo uma flanela no carro e tenho horror àquele cheirinho que elas incrustam no estofado.
Acho que a primeira vez que vou acionar o seguro vai ser quando tiver que trocar pneu. Não achem que sou perua. Quem me conhece sabe que não faço esse tipo. Sempre fui moleque macho em excesso, mas tem certas coisas que não dá para fazer.
Cansada de andar de buzão, coloquei no cabeção que tinha que ter um carro. Também odiava depender das pessoas para voltar para casa depois das festas. Conseguido meu “besourinho”, tenho outro sonho de consumo. Gosto de dirigir e o congestionamento me deixa menos louca que certos condutores. Alguns ficam segurando o trânsito como lesmas, mas falo sobre isso outro dia. Acho que preciso adquirir um acessório útil, que vai evitar estresse no trânsito. Moreno alto, bonito e sensual para ser motorista. O salário? A gente negocia...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
SOTEROPAULISTANA
Na espécie de Torre de Babel em que vivo, tem mineiros, paulistas, cariocas, pernambucanos e, é claro, baianos. Nosso sotaque malemolente carrega uma imagem de que andamos nos arrastando, de preguiçosos, de quem não está nem aí para a vida. Porra nenhuma! Se isso for verdade então eu tomei energético no lugar do leite materno.
Uma amiga arrisca dizer que eu sou a baiana mais paulista que já existiu. Discordo. Não imagino a vida sem a onipresença marítima.
Nos primeiros 5 dias que passei em Sampa quase surtei na Av. Paulista. Me chamaram para um happy hour. Gente! A cada 200 metros tem um cruzamento e uma maldita sinaleira. Toda hora o carro parava ao lado de um ônibus e eu era obrigada a fechar a janela para não morrer intoxicada. Para sorte do meu humor, pegamos o caminho errado umas duas vezes e tivemos que fazer o contorno lá na casa da porra e pegar todo congestionamento de novo. O bom é que para estacionar lá é mil vezes mais fácil que aqui. O hapy hour se transformou numa alugação com a baiana que chegou atrasada – pra variar!
Nos primeiros dias que passei na cidade, tive uma crise aguda de mau humor. Não conseguia ver o azul do céu, nada de lua, estrelas só nos sonhos, um frio dos infernos e a sensação de ter um fumante ao meu lado o tempo todo. Os amigos de meus amigos riam horrores da “baiana estressada”.
Ainda bem que passei mais 10 dias na cidade para mudar totalmente a imagem que fiz nos primeiros momentos. Quando descobri que poderia comprar vááááárias roupas e perfumes infinitamente mais baratos que aqui quase surtei. Sapatos? Trouxe 19 pares. Virei centopéia. Só para vocês terem noção, levei uma mala e voltei com 3. Minha amiga já tinha medo quando me via escalando o cartão de crédito. “Segura a Luciana”. No meio da viagem tive que aumentar meu limite.
Depois me levaram para conhecer alguns museus. Enlouqueci no Ipiranga, pois o museu é gigantemente maravilhoso e tinha umas crianças correndo. Minha vontade era torcer a orelha de cada uma delas e arrancar um pedaço da língua para não gritarem. O Museu da Língua Portuguesa é meu sonho de consumo de visitação semanal. Quando descobri que quem pode andar de metrô não precisa de carro fiquei feliz da vida. Em compensação, não dá para andar de taxi, pois fica muito caro. Lá, o perto ainda é longe.
Para me conquistar de vez, me levaram num barzinho onde uma banda árabe toca ao vivo e as mulheres podem dançar sem todos ficarem olhando. Não queria nunca mais sair dali. Amo dança do ventre e aqui praticamente inexistem barzinhos temáticos. Amei São Paulo de grátis e descobri que, se desse para ver o céu azul, eu moraria lá tranquilamente. Sem céu não dá!
A única coisa que me tirou do sério nos dias finais dessa viagem foi uma mulherzinha ridícula e fedida. Estávamos indo para não sei onde e um infeliz abriu a janela e cuspiu na rua. Que eca! Porco em qualquer lugar do mundo. A fedidinha teceu o seguinte comentário: “Nossa, meu, que baiano!”. Tadinha. Fiquei calada, mas alguém lembrou que ela estava no carro com mais duas baianas e não deveria falar aquilo. Ela se desculpou e explicou – e eu entendi, de coração - que era uma força do hábito, não uma ofensa pessoal, etc. Para piorar, acrescentou que, “no Rio, por exemplo, quando as pessoas querem ofender alguém basta chamar de Paraíba’. Sem ter noção do perigo, ela perguntou: “Você entende, né? Lá na Bahia vocês não chamam ninguém assim não?”. Com toda malemolência de meu sotaque, respondi: “Claro que entendo, amor. Não é culpa sua, é toda uma cultura. Mas, na minha terra, quando achamos que alguém fez alguma coisa errada, chamamos a pessoa de retardada mesmo. Agora, por exemplo, eu te chamaria de idiota e tapada”. Silêncio geral. “Mas não é nada pessoal, você entende, né?”
Acho que ela entendeu, pois mal me olhou o resto da tarde. Para criticar o erro de alguém é necessário “ofender” o outro? Amei São Paulo e estou voltando. Fui baiana o suficiente para não deixar que uma gordinha fedida virasse estereótipo de um lugar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
INVASÃO ALIENÍGENA INTRA-TERRESTRE
Amiguinha acordou coçando os zóio e foi até a área de serviços. Se esguelou de tanto gritar quando percebeu o intruso mais ousado de todos os tempos. Seu Barata – letra maiúscula, sim, pois aqui ele é personagem – estava a bebericar água com as anteninhas balançando ao vento na lavanderia alheia. Coitado, não tinha noção do perigo. Ou seria uma afronta?Pelo tamanho da barata, e do desfecho do ocorrido, que ela me contou, presumi que só podia se tratar de um baratão pai de família a carregar água para matar a sede da famigerada baratada. Prossigo.
É óbvio que ela puxou a arma mais tradicional para exterminar o invasor, que, ao perceber o perigo, saiu correndo e se escondeu com as antenas entre as pernas cabeludas. Entrou por uma pequena fresta entre o piso e lavanderia. Nem a Velox achava sinal daquela antena. “Ah, é? Peraí sua dirgraçada!”, pensou a futura infeliz amiguinha. Pegou um daqueles sprays mata-tudo e mandou ver na área. Ô ideinha infeliz.
Não passou nem cinco minutos e um exército de baratas invadiu não só a área de serviço, mas a cozinha, o banheiro, os quartos e a sala de amiguinha. O chão e as paredes ficaram pretas, marrons. As maiores ameaçavam subir nas pernas, as médias se espalhavam para confundir e inibir uma possível ação de represália e as pequenas corriam no salve-se quem puder.
Boa estrategista, amiga convocou – leia-se BERROU – seu pelotão composto de dois soldados encuecados [os bichinhos tinham acabado de acordar], mas munidos da arma mais poderosa contra este tipo de invasor: chinelos havaianas – quero minha ponta do merchan! Na verdade, eles estavam duplamente munidos. Armados nos pés, para pisar, estraçalhar as marditas, e nas mãos para a luta corporal.
Amiguinha instalou-se aos gritos no sofá e o mérito do combate foi dos amiguinhos, que estavam se sentindo um tanque de fuzilamento de insetos. Pisa, bate, corre, pula, bate de novo que a dirgraçada tá se arrastando, na parede não que mancha, não deixa entrar no guarda-roupa, não deixa ela fugir. Teve uma que até ensaiou levantar a asa para voar – pense na pretensão de uma barata metida a passarinho!!! Tadinhos!!! Ainda bem que eu não estava lá.
Agora vislumbrem o campo de batalha ao final do combate. Corpos espalhados por toda casa e o cheiro de sangue no ar – é só para vocês ficarem com menos nojo, pois barata não tem sangue. Os soldados recolheram-se ao lavabo, para colocarem a farda de gala e a amiguinha encarregou-se de limpar a área.
Litros de água sanitária e mais spray no QG inimigo - corajosa, viu?. Não haviam mais invasores intra-terrestres dispostos a lutar, mas eram muitos corpos espalados. Luvas e pano de chão serviram de rabecão. Campo limpo, só faltava arrastar os móveis e conferir se havia algum sobrevivente esperando o golpe de misericórdia. Mas se algo está ruim, com certeza, pode piorar.
Amiguinha arrastou o fogão, lugar onde reside um quelônio cagão. Pensou na merda? Pois é. No pé do
fogão tinha uma granada que foi acionada e deixou um rastro não menos cheiroso que o sangue dos combatentes recém destruídos.Não achem que minha amiguinha é porquinha. A casa dela é super limpinha, mas a coitada mora no térreo e as baratas alienígenas turbinadas intra-terrestres cavaram um túnel até sua lavanderia para beber água. Pode? Minha sugestão, amiguinha, é que você pare de fornecer suprimento ao inimigo, dessa forma, elas vão procurar outra fonte. Sugestão: se mude para o Saara.
domingo, 9 de agosto de 2009
Sr. e Sra. Balofos
O dono do mega hotel não deu a menor bola para a gente e disse que infelizmente não iríamos ficar lá. Já sentiu vontade de matar alguém? Não me arrependo disso. Ele chegou a dizer que sabia que gente "como nós" estava acostumada a ficar em qualquer lugar e que entederíamos a situação. Apelidamos essa figura ímpar de Sr. Balofo e sua esposa, que nem nos olhou, de Sra. Balofinha. Decidimos que iríamos embora no dia seguinte assim que acordássemos. Depois descobriram, ou se deram conta, que nós éramos a equipe de tal programa, de tal emissora. Achamos quarto somente em uma pousada e fomos dormir.
Eles devem ter se arrependido muito, pois reuniram uma procissão com 9 pessoas, incluindo o prefeito e Sra. Balofinha, e foram pedir desculpas quase à meia-noite. Como o apelido játinha pegado, o casal balofudo foi nosso alvo de piadas o fim de semana inteiro. Ah! O melhor é que alugaram uma mega casa para a gente, mas o ruim é que eu só tinha Internet quando ia no hotel de Sr. Balofo. Daí já viu, né? Gargalhadas mil e o homem lá com cara de besta sem saber porque.
Apesar de cemitérios serem lugares pesados, com ar de tristeza e sofrimento, esse aí não é. Também, repousar ao lado do paraíso é r e p o u s a r. Logo depois do cemitério pegamos uma estradinha que estava bloqueada e tivemos que volar e pegar um desvio para chegar em Guiné. Gravamos umas entrevistas lá e voltamos correndo - foi correndo mesmo - para não ter que pegar a estrada de barro, mão única, à noite e apenas com luz do farol.
Cheguei em casa hoje e estamos fazendo uam festinha dos "sem pai". Amanhã trago mais novis.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Cidade de pedras
Mas como nem tudo são flores, pegamos uma estrada de chão bem punk entre a cidade de Itaberaba e Andaraí. Tentamos fugir dos caminhões e acabamos vendo poeira virar nevoeiro.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
TORNEI-ME UM CORREIO

Vamos ao primeiro selo: “As 5 coisas”. Como no deseinho tem escrito as 5 coisas, podem ser quaisquer 5 coisas que eu queira falar. Lá vai...
1 – Você não tem o que fazer além de estar aqui espiando?
2 – Tem horas que quero cometer um homicídio com esse blog, só para não me sentir obrigada a escrever quando tenho uma semana sem postar.
3 – Tenho vontade de dar uma surra em todos os guardadores de carro que não ajudam em nada e ainda se sentem donos da rua.
4 – Minha cunhada prenha está ao meu lado achando que está dançando uma dança indiana, mas está parecendo filme de terror trash (ela não me lê hehehehe).
5 – Acho Casseta e Planeta o dinheiro mais mal gasto da vida de uma televisão.
Mudei completamente as regras do selo e quem quiser pode pegar e falar 5 coisas que queira, mas me avisa para eu ler. rsrsrsrsrs
Tem outro selo que ganhei num momento oportuno e vou explicar.

Esse foi presente do Aninha Leme - não sei criar hiperlink [eu sou lerda] - então tenho que seguir as regras [nem todas tá? Sofro de desobediência aguda]. Olha as indicações da moça que não gosta de receber opiniões sem pedir, não gosta de cantadas baratas, detesta o cara da padaria que se sente especial para ela e que vem passear na Bahia em breve.
REGRAS
1º Exibir a imagem do selo (já fiz)
2º Postar o nome do blog que te indicou (obedeci)
3º Indicar 10 blogs e avisá-los (morro de preguiça, mas vou para o céu)
4º Publicar as regras (leiam!)
5º E ver se os indicados estão seguindo tudo direitinho (quem pegar avisa rs)
Agora explico. Amanhã, quinta-feira, dia 06/08, vou para a Chapada Diamantina gravar uma série de matérias. Já marquei várias entrevistas que serão muito legais. Vou visitar Igatu, uma cidade com ruínas cinematográficas, o cemitério bizantino de Mucugê, o visual no caminho da Vila de Guiné, uma manifestação cultural que se intitula os "cãos" que vieram atazanar e, é claroooo, tomar banho de cachoeira, além de purificar a alma. O legal é que no hotel tem conexão sem fio e vou poder postar todos os dias as atualizações de minha viagem, com direito a foto e tudo. Por isso vale a pena ficar de olho nesse blog. Até amanhã à noite.
domingo, 2 de agosto de 2009
COMUNICAÇÃO EFICAZ
Bem... Ódio à parte, assim que não li meu nome na listinha dos escolhidos para serem inteligentes [tenho jeito?], corri e me matriculei num curso de inglês. Se não voltar a estudar, now, vou pirar de verdade. Inglês, dança árabe, trabalho, família e amigos. Acho que dá para o cabeção parar de se sentir inútil. Já aprendi tanta coisa nessa primeira semana de aula! Esquiuse-me, plis! Não expliquei que na época indicada para aprender outro idioma só tinha grana para o inglês ou faculdade. Sorry a vontade, prioridade é prioridade. Agora posso me dar ao luxo de aprender essa língua super sexy. Sim. Acho a pronuncia do inglês megasexy.
Êi, bí, cí, dí, í, éf, djí, êitch ái, djêi, kêi, él, êm, ên, ôu, pí, quíu, ar, éss, ti, iú, vi, dâbliu, écs, uái, zí. Embora soubesse o alfabeto in english, não lembrava mais a pronúncia, nem a musiquinha que meu irmão odeia de tanto me ouvir cantar ao banho [tadinho, ele já está cantarolando por osmose]. Voltemos à parte sexy. O que me chamou mais atenção foi a pronúncia do él, êm, ên.
O nosso “éle” vira a letra mais sensual de falar. Comece articular igual ao português e termine sem o último “e”, com a pontinha da língua tocando o céu da boca. Experimente, pode te trazer boas recordações... O “eme" é difícil explicar. Mas é mais ou menos assim: you abre a boca como se fosse falar o “eme”, mas pára no “em” e toca suavemente os lábios, como se fosse pegar algo com a boca. Na aula, fiquei vermelha ao fazer tal analogia. O “ene” é bem semelhante, mas a ponta da língua termina a pronúncia entre os dentes. Eu achei super séquisse [olha eu anta em ação!].
Em português, sempre achei o “x” a letra mais sensual de articular. “XIS” para a foto! Biquinho e sorriso na sequência. Pra quê mais? No bendito inglês, ele perdeu a graça. Vira um “équis”. O nosso “dê” exige que seja pronunciado como o nordestino do interior fala. É “dí” com a ponta da língua e pronto. Se falar “de”, eles podem entender o “djí”, que já é o nosso “gê". Aff!!! Me sinto uma equina [tá explicado por que não me aceitaram no mestrado, síndrome de jumenta] sendo alfabetizada de novo. E literalmente é. Tenho que aprender outro idioma do ziro.
Sei que cada lugar do mundo tem um sotaque e jeito diferente de pronúncia [não precisa você me lembrar isso, oquêi?], mas tenho que fazer o que professora manda, no? Ou então nem na prova oral vou passar, daí fico crazy de verdade.
Achei muito curiosa a pronúncia do “th”. Vira algo semelhante a um “efe” com a língua [olha a bendita língua erótica entrando em ação!]. Meu medo é de cuspir todo mundo falando “athletic”. Inclusive, acho o francês mais sensual ainda, com todos aqueles biquinhos de me beije, me bitoque, me rebeije. Tem gente que não acha, mas amo assistir Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain e ouvir Carla Bruni só para ver as boquinhas. Quem duvida pode conferir.
Não vou tentar o espanhol, pois já estudei um tempo e me viro bem. O italiano é bom, mas poder dizer vaffanculo já me basta. Prefiro dedicar meus desejos ao alemão ou russo e cuspir o mundo, pois ô povinho de fala difícil!!! Não era mais fácil todo mundo falar uma língua só? Se bem que, em aspectos humanóides, uma língua não precisa de pronúncias para se fazer entendida...
domingo, 26 de julho de 2009
CURTINDO UM SÁBADO À NOITE
Quando a baba (es)corria solta acordei para tirar a lente de contato. Com todos dormindo, tentei desligar a TV. Só fiz a menção de pegar o controle, pois minha cunha acordou com os olhos do além garantindo que estava assistindo o filme. Ok. Beleza então. Fui para o quarto e fechei a porta. Deitada, no processo de concentração para pegar no sono, me senti em pleno campo de batalha – com uma armadura pesada da porra. Ouvia até as espadas dos atores coadjuvantes. O filme parecia que só tinha trilha sonora de tensão com um grave estourando meu ouvido e mandando meu sono para a putaquepariu. A TV estava alta pra caralhooooooo.
Levantei e quando eu cheguei na sala o filme estava rodando, acreditem, há pelo menos 30 minutos, o menu. Quando ensaiei desligar a TV os zóião do além acordou novamente garantindo que estava vendo o filme de novo. Ok. Então vou diminuir o volume pois não estou conseguindo dormir. Dito isto, voltei para minha caminha diliçosa para aproveitar meu soninho de sábado a noite. Porra nenhuma. Quando o cão tá ocupado ele manda os capetas.
Bastou eu deitar a cabeça no travesseiro para ouvir o caminhão de lixo na entrada da rua. Porque infernos o caminhão de lixo tem que vir justamente uma hora da manhã? Num silêncio tão grande até o peido de uma muriçoca incomoda. Gente, eu moro na ladeira e o fidumaégua do motorista ficou fazendo meia embreagem em frente ao meu prédio até catarem tudoooo! E ainda deixou a merda dele morrer duas vezes! Porra, velho, eu estava com sono e agora estou megamalhumorada!!!
O boteco da esquina fechou e todos os bêbados passaram conversando na frente do prédio. Moro no final da rua e um carro, com um som de trio elétrico, resolveu vir até aqui fazer não sei que porra. Para não voltar de ré ele teve que manobrar, em frente à janela de quem? Gente, a descarga dessa lata velha estava solta e a rua tem carro estacionado dos dois lados. Eu não sei o que me irritou mais, se foi o barulho de motor de carro velho, o trio fora de época (e horário) ou a manobra que não acabava nunca.
Nessa altura da madrugada - as coisas estão acontecendo em tempo real - eu já me estressei o suficiente para mandar o sono para a casa da porra. Olha, baiano fala “porra” demais, não se assustem comigo. Só nesse post já foram umas 5 porrinhas, mas isso não é palavrão feio aqui em Salvador. É como um advérbio de exclamação e você concorda que, diante da situação, eu tenho o direito de exclamar porra pra porra, né?
Moro próximo do aeroporto e, às 2h25 da manhã, o motor de um teco-teco de quinta ganha potência do Airbus A 380, um colosso com capacidade para 800 pessoas, sobrevoando minha cabeça a cada 15 minutos. Como minha casa é rota certa de aviões comerciais, eles passam a cada 15 minutos, cro-no-me-tra-da-men-te.
Olha povo, antes eu tivesse ido curtir minha night, pois agora estou sem sono, sentada na cama, escrevendo enquanto o filhodaputa do segurança está apitando aqui na rua. Pensei que ele só devesse apitar quando acontecesse algo. "Piiiiiiiiiiii, me acudam que eu não tenho arma". Mas nãããããão, ele assopra essa merda para todo mundo acordar e saber que está tudo bem.
Ok. Eu já estou acordada mesmo, então deixa pra lá.
Só que agora também é a hora que algumas pessoas estão chegando das baladinhas então tem abre e fecha portão (nhééééééééc, pooowwwww), conversas de bêbado (vamos tomar mais uma? eu lavo os pratos...), o rádio do taxista (creiam que estou ouvindo), o freio de mão de quem pára (tratratratratatratra), poodle latindo na casa do vizinho (auauauauuuuuuuu) quando o povo sobe as escadas de salto alto (toc-toc-toc-toc-toc), mais carro manobrando (esse sei que é mais novo porque a descarga fez menos barulho), a vizinha de cima parece que caiu da cama (buuummmm), gente que passa na rua discutindo a conta do bar (eu falei que ele tava duro e não ia pagar, eu avisei...). Sonoplastia e tudo...
Eu juro, por todas as porras que falei aqui (afff... agora foi uma moto, passando na outra rua, com aquela descarga que acorda até o capeta), que quando eu sair à noite vou fazer tanto barulho quanto for possível – mentira, não consigo ser assim (burra!). Será que minha audição aguçou por conta da evolução de uma gripe para tuberculose? Eu esperava constatação melhor em um sábado à noite...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
FRED X JASON
Presenteada com uma pele mais oleosa que panela de moqueca e neurótica que sou, tenho empenhado meus todos meus esforços em acabar com isso. A dermatologista me indicou um tratamento a base de tretinoína a 0,5%, um ácido fortinho. Agora, por exemplo, deveria estar dormindo, mas quando penso no ritual vou demorando, enrolando...
O primeiro passo é prender a juba para não grudar no creme. É para derreter a cara e não o cabelo. A segunda etapa é lavar o rosto com aquele sabonete ultra-limpante que deixa a pele esticada igual a de Ana Maria Braga. Em seguida tenho que esperar secar total, pois se eu passar a toalha de qualquer jeito minha cara vai junto. Depois ainda tenho que deixar a pele respirar um pouco, afinal, ela vai ter o que merece por ser tão retada. E, por fim, posso espalhar, com delicadeza, o gel siliconado [se passar forte pode irritar a cara e piora tudo]. Acabou? Nada, dou um tempo para secar direitinho e depois [ufa!] posso deitar.
Para estragar um dos únicos prazeres gratuitos que tenho, dormir, ainda fico com medo do creme sair todo no travesseiro ou de minha cabeleira dar um grito de liberdade e acabo dormindo com o pescoço meio duro. Amostra grátis do tratamento? Sim, uma torcicolo a cada semana.
Acabei de prender o cabelo. Agora esperem um minuto que vou lavar o rosto... 1...2..3..4..5...10.987.765. Tenham paciência leitores! Lavar a fuça não é como esfregar calça jeans. Se eu pudesse passar o escovão bem que facilitaria, né? Mas não, tem que limpar as mãos para aproveitar melhor a espuma do sabonete caríssimo. Espumou? Agora massageia a face por um minuto e trinta segundos [conselho de Alê] para limpar os poros direitinho.
Agora que voltei pro computer vou secando devagazinho. Enquanto isso você vai me aturando por aqui. Me faz essa companhia, por favor, pois ainda falta um bocado de etapas. De dia, para não lavar o rosto mil vezes, estou usando uns lencinhos que chupam o azeite de dendê além de um bloqueador solar. Mas peraí que agora a cara respirou e chegou a hora mais delicada: espalhar o gel sem deixar nem um tiquinho cair no canto do nariz, da boca nem nos zóio, se não, em vez de limpar a pele, eu ganho um bocado de creca na cara. Volto já... [Sugestão: vcs podem ficar cantando boi da cara preta para meu sono ir chegando :) ...]
Uuuuuuiiiiiiiieeeeeee! Gente. Começa pinicando a cara, a pinica
ção vira um ardor leve, que se transforma numa coceirinha chata à qual eu tento resistir. Não pode coçar, né? Se eu ceder a essa deliciosa tentação vou virar Fred Krueguer de tanta ferida e ainda vou ter que usar a máscara de Jason Voorhees, do filme “Sexta-feira 13”. Definitivamente, o bom senso me obriga a amarrar as mãos.Agora, que já fiz tudo que a médica mandou, o sono foi pro espaço. Isso é justo? Não adianta contar carneirinhos, olhar para o teto, ouvir música, nada. Só me resta ficar alugando vocês aqui até a vista cansar e meu lado urso polar hibernar. Boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta, ou será da cara de frigideira? Música macabra. Troca. Nana nenê, que a cuca vai pegar... Afff! Pára. Desse jeito vou ter é pesadelo. Como o olho começou a arder de sono, posso colocar um filme para ensaiar um sonho bom... Me manda uma sugestão? Tô esperando, creia.
Z
ZZ
ZZZZ
ZZZZZZ
ZZZZZZZ
ZZZZZZZZ
ZZZZZZZZZ
P.S.: Pode ir que agora eu já estou no nível da baba...
terça-feira, 21 de julho de 2009
LAXANTE GRIPAL
Dói as costas, as pernas, o pescoço, os braços e as articulações dos dedos, por isso demorei de postar. Ainda tem a maldita corise, a febre, a moleza além da natural baiana, os espirros, a tosse que arranca pedaços vultosos dos meus pulmões e o maldito preconceito contra a gripe suína. Pois é. As pessoas que foram contaminadas com o H1N1 têm razão em reclamar de preconceito. Agora entendo o quanto é verdade. Não precisa fechar a página, pois esse vírus não se pega pela Internet, e eu não contraí a gripe dos 3 porquinhos, mas tenta fazer acreditar nisso os velhinhos que me viram na fila do banco botando os bofes pra fora de tanto tossir! Além de bizarro, foi hilário.Todas as pessoas que conheço, que viajaram para o exterior, juram de pés juntos, e sem tossir, que lá fora não está esse estardalhaço todo em torno dessa variação da gripe. Não sei. Por enquanto, no Brasil, a dengue, a meningite e o trânsito me preocupam mais. Mas vamos às minhas malditas tosses.
Na segunda à tarde, fui pagar a taxa de inscrição no mestrado. Prefiro ir ao banco no horário perto de encerrar, pois os caixas agilizam tudo para irem embora logo. Eram 4 guichês. Um quebrou, um fechou, outro ficou atendendo normal e o outro preferencial – leia-se, gestantes e idosos.
Minha tosse é, e sempre foi, daquelas que começam fracas, vão
emendando uma na outra até culminar numa tossona putaquepariu que parece que vou vomitar. Se não beber água fico nessa aí até voar um pedaço do pulmão na cara de algum zoiudo. Que ecaaaaa!!! Nesta tarde, tinham bem uns 15 idosos na fila de atendimento.Nas primeiras vezes, eu tossia e respirava fundo, tentando controlar a situação, mas o cara da frente ficava me olhando por cima dos óculos de enxergar longe. Eu tossia e ele olhava de novo. Por mais que eu tenha sido educada e colocado a mão na boca, ele me olhou de cima a baixo umas 10 vezes, pelo menos. Aquilo começou a me incomodar e fui tentando segurar [respira, respira, respira, respiraaaaa porraaaaaaa], mas aí chegou uma hora que o cof cof cof saiu involuntário, foi piorando, piorando e quando comecei a botar os respirantes pra fora os velhinhos começaram a se afastar. Daí é que comecei a entender que todos estavam com medo de minha gripe.
Eu já tinha uns 50 minutos na fila quando meu celular tocou. Me deu uma vontade mais que louca de simular uma conversa dizendo que tinha acabado de desembarcar da Argentina, etc. e tals. Pagava pra ver se todos não iam dar uma carreira e eu seria atendida num minuto. Se todo mundo viu que eu estava passando mal de tanto tossir, e esboçavam uma cara de pânico, porque infernos ninguém pediu para eu ser atendida logo ou me ofereceu um copo com água? Tossi, tossi, tossi e deixei todos os velhinhos com a pulga, de porco, atrás da orelha. “Será que eu peguei a gripe daquela moça?”. Na primeira tosse eles vão ao hospital, se já não foram.
Assim que entreguei a documentação na faculdade fui ao médico. Esperei mais 2 horas para ser atendida. Que ódio. Você acha que a tosse passou? Nada... Mas dessa vez as pessoas que estavam do meu lado nem deram uma disfarçada. Se mandaram mesmo. Pelo menos ganhei lugar para colocar a bolsa. Vocês acreditam que tinha gente em pé, mas não sentava do meu lado? Minha tosse deve estar muito feia mesmo...
Hoje tomei vergonha na cara e comprei umas vitaminas e pastilhas para tosse. Até às 16h eu
tinha chupado 20 para enrolar a tosse, mas minhas amigas me alertaram que essas balinhas são péssimas para o estômago. Já devo estar de úlcera... Minha barriga já está doendo de tanto tossir, mas nada é mais traumatizante que as pessoas se afastarem de você com tanto medo. Sempre que o clima muda um pouco fico gripada e dessa vez não foi diferente. Agora, quando for tossir, só de sacanagem, vou imitar um porquinho tossindo: coinc, coinc, coinc. Pesquisando figuras para ilustrar aqui ainda achei uma piadinha que pode ser a solução para os meus problemas:
O farmacêutico entra na sua farmácia e nota um homem petrificado, com os olhos esbugalhados, mão na boca, encostado em uma das paredes. Ele pergunta para o auxiliar:
- Que significa isto. Quem é a pessoa que está encostado naquela parede?
- Ah! É um cliente. Ele queria comprar remédio para tosse. Como está caro e ele não tem dinheiro, vendi para ele um laxante.
- Ficou maluco! Desde quando laxante é bom para tosse?!
- É excelente. Veja o medo que ele tem de tossir!
