Pessoas... Desculpem por não ter respondido a todos os recados, mas estarei fazendo isso devagarzinho e estou com saudade do blog de todos vocês. Obrigada pelas mensagens de melhora, pois elas funcionaram. Fiquei boa rapidinho, mas prefiro afirmar que não estou pronta para outra visita de um amigo inconveniente.
Não sei se contei para vocês que sou traumatizada com viagens aéreas. Não, não tenho medo de voar, mas sou campeã em perda de vôos por motivos ridículos. A primeira vez foi retornando do Rio de Janeiro. Passei o dia batendo pernas para matar o tempo. Cheguei ao aeroporto uma hora antes do horário que eu acreditava que devia embarcar. O detalhe era que tinha comprado minha passagem para as 9 da manhã, mas só cheguei para o check in às 20h.
11hs de atraso. Até hoje não sei como troquei o horário com tanta convicção. Só desisti de matar a atendente quando o gerente do guichê me permitiu abrir meu e-mail e comprovar que foi maluquice dessa mente insana que vos escreve. Isso foi coisa boba perto do que me aconteceu a caminho de São Paulo.
Eu ia embarcar às 5h30 da manhã. Coloquei o celular para despertar às 3h30, para dar tempo tomar um banho e fazer tudo sem pressa, pois moro próximo ao aeroporto. Antes de dormir inventei de passar umas músicas, por e-mail, para minha amiga editar uma matéria no dia seguinte. Entre o tempo de anexar um arquivo e outro eu tirava aquele velho cochilo. Isso já era, mais ou menos, uma da manhã.
Anexa, cochila, acorda, envia, anexa, etc. Dormi com o computador na barriga e acordei na hora em que meu amiguinho ia caindo na cama. Quando olhei para o relógio surtei. Eram 5h15!!! “Cadê o celular???”, me perguntei furiosa enquanto procurava por ele. O bonitinho achou que era hora de travar e simplesmente parou de funcionar no meio da noite. Enfim... Consegui embarcar no vôo seguinte, mas não sem antes partir o celular em mil pedacinhos de tanto ódio que fiquei.
Quando me avisaram no trabalho que eu ia a Brasília para o Festival Nacional de Cinema já pensei em colocar dois celulares para despertar e conferi várias vezes o horário no e-mail. Não é que minha amiga que também foi escalada para a viagem me ligou para fechar o horário do taxi e eu já tinha mentalizado um horário completamente diferente? Só posso ser dodói. Ainda bem que foi à tempo, pensei.
Cheguei em casa cedo, arrumei a mala com toda calma, me deliciei assistindo à minissérie “Ó paí, ó” – odeio o filme mas gosto da série – e fui dormir. Para variar, esqueci das frustrações das experiências passadas e só coloquei meu celular para despertar. Nenhuma reserva caso meu aparelhinho resolvesse se vingar de mim pelo assassinato cruel e frio de um amigo de fábrica.
Depois de retornar de uma viagem a trabalho, passei uma semana super exaustiva. Deitei na cama e morri. Apaguei...
Depois da sensação de ter dormido uma eternidade, abri os olhos e não pude acreditar no que vi. O mundo estava em pleno funcionamento e era noite ainda. Como assim? Eu dormi o dia todo? Porque o celular não despertou de novo? Sem conseguir sair da cama, chamei meu irmão e perguntei que horas eram: “18h”, respondeu com uma risada de canto de boca. “Porque você não me acordou???”, me desesperei, mas fiquei mais puta da vida ainda com a resposta dele: “Veja só! Você perde seu horário e a culpa é minha, é?”. Ele estava coberto de razão, mas eu não conseguia entender como pude dormir o dia inteiro. E minha amiga? Porque ela não veio me buscar? Porque não me ligou? Existem coisas que, literalmente, só Froid explica.
Peguei o celular para ligar para minha amiga e entender o que aconteceu, mas estava muito nervosa para digitar o número dela. Só pensava que meu chefe ia me matar, ia me chamar de irresponsável e eu ia perder toda a confiança que ele tem em mim – se é que tem alguma. Depois de umas três tentativas infrutíferas de discagem - meus dedos só apertavam as teclas erradas – resolvi ligar logo para a companhia aérea e ver se conseguia embarcar no próximo vôo.
Virei para o lado, pois meu computador dorme ocupando a vaga do travesseiro que um dia pertenceu ao meu ex-marido, para acessar a Internet e encontrar o número do telefone. Quem disse que tinha conexão? Como eu não enlouqueci a ponto de quebrar meu computador, respirei fundo e contei até 1.000 até a conexão ser reestabelecida. Caindo de sono – será que me deram algum sonífero? – minha lente de contato ficou turva e eu não enxergava as teclas direito. Como pode algo dar tão errado assim?? Meu chefe vai me matar.
Sabe aquele nó na garganta que a gente não consegue falar? As lágrimas me vieram aos olhos e eu não as contive. A decepção comigo foi tão grande que elas escorreram parecendo conter um molhinho de pimenta. Os olhos arderam tanto, mas tanto, que eu abri as pálpebras de novo e já era dia. Como assim era dia??? Ainda há pouco era noitinha... Apalpei a cama em busca do celular para conferir a hora e respirei aliviada quando vi que inda faltavam 5 minutos para ele despertar.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
VELHO AMIGO INCONVENIENTE
Pessoas... Final de domingão, amanhã cedo volto a frequentar minha senzala legalizada pela CLT. Isto é, se meu amigo deixar. Não contei ainda, mas recebi uma visita inesperada ontem, no sábado. Logo ao acordar, senti sua presença. Foi incômodo senti-lo logo cedo, afinal, aquela não era hora de fazer uma assalariada levantar da cama. Passei a mão em sua cabeça e o mandei embora. Eu queria mesmo era ter me demorado em baixo dos lençóis. Depois de acordada não dá mais para dormir, né? Aproveitei o acontecido e fui ao salão de beleza fazer as unhas. Mas eu continuava sentindo aquela presença cada vez mais forte. Será que eu fiz certo ao mandar meu amigo embora? Será que ele vai ficar magoado com minha atitude? Enfim... Estava feito, mas não conseguia deixar de senti-lo. Levei minha sobrinha/filha a duas festas infantis na mesma noite e meu amado amigo estava lá. Ele me provou que veio para ficar e não ia mais embora. A cada momento sua presença era mais latente e eu não conseguia esconder minha insatisfação. O que eu fiz para merecer aquilo? Ao chegar em casa, tomei um banho, cuidei para que meu amigo estivesse limpinho e me deixasse dormir a noite toda. Algumas vezes foi incômodo, mas eu fingia que que ele não existia naquela cama e mantinha os olhos fechados. Voltava a dormir. Acordava sorrindo e, de repente, lembrava que ele estava ali, grudado em mim como um chiclete. Não teve outro jeito: liguei para minha prima e pedi que ela me acompanhasse num passeio, já que dirigir com ele estava se tornoando insuportável. Ela me levou para encontrar um homem que iria tirar meu amigo de perto de mim para sempre. A notícia não foi boa: "Você tem que esperar ele amadurecer. Não há o que fazer por agora". Voltei para casa angustiada. Acho que meu amigo percebeu que não era bem vindo e foi ficando cada vez mais irritado. Não consigo nem olhar no seu olho que me dá gastura. Mas não tem jeito. O negócio é sentar e esperar esse furúnculo ganhar cosistência para ser expulso de minha vida. Espero que a noite de vocês seja melhor que a minha.
sábado, 7 de novembro de 2009
PRIMEIRA PROVA DE BAIANÊS
Como disse, existem muitos “Brasis”. Estamos no mesmo país, mas podemos dialogar sem nos entender. Ri muito com as pessoas que se arriscaram nessa tradução. Desabafando, quem vai gostar de ter unha encravada? – KKKKKKKKKKKKKKKK. Vale ressaltar que vários desses termos podem ter seus significados alterados de acordo com a situação. Na próxima sexta, dia 13, estréia mais um seriado do "Ó paí ó" e, muito provavelmente, vocês vão ver alguns desses termos. Vão se familiarizando. Segue a primeira correção e na segunda – o blog é meu então mudo as datas como quiser rsrsrsrs – posto outro texto. Só Elisa e Desabafando deram a mão à palmatória. Vão me mandando o endereço para eu enviar o dicionário para vcs via sedex.
CORREÇÃO (estou me sentindo "A" professora hahahahahaha)
Ultimamente tô aluada (com a cabeça no mundo da lua). Acabo escrevendo umas paradas a culhão (de qualquer jeito), publico a facão (sem me preocupar com os detalhes – “O corpo dela é feito a facão”) e vocês comentam a migué (sem dar importância). É que nem sempre estou à toa (sem ter o que fazer), quero pegar minha arabaca (meu carro) e abrir o gás (outra forma de conjugar o ver ir) para algum reggae (qualquer festa). Por isso faço esses armengues (coisa feita de qualquer jeito para resolver provisoriamente um problema). Mas minha consciência agreste (grossa) quebra minha guia (minha força). Não estou broca (maluca). É que quando eu era piveta (criança) já peguei um baba (joguei futebol), brinquei de arraia (empinar pipa), pulei elástico (brincadeira que não dá para explicar aqui), piquei a porra (machuquei) num passarinho de badogue (estilingue), já bafei (afanei) bala no shopping, já ri do balaio grande (nádegas grandes) das mulé (mulher), tomei banca (reforço escolar) e nunca fui banda voou (pessoa que não se preocupa com nada). Como meu pai não era barão (rico), eu me ferrava (fazia muito alguma coisa) de estudar para minha mãe não bater a caçuleta (morrer) nem ficar pirada (com raiva). Algumas vezes era bequitranque (complicado), eu ficava boiada (cansada). Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” (vamos?) – sem nem botar pilha (insistir) - e eu dava o vazare (ir embora). Meu pai virava a porra (ficava com raiva) – principalmente porque ele inticava (implicava) com as meninas -, e eu morava numas bocadas (lugar perigoso), com uns cacêtes armados (butecos ou casas mal feitas) defronte a casa e rolava um bolodório (confusão) de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? (vomitava) - o povo chamava. Ele ficava cabreiro (com medo), mas nem era de dar caroara (tremer as pernas). Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido (igualzinho) o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando (observando, vem de curioso) os dedos da criatura (de alguém, no caso meu pai). Só pirava (ficava com raiva) porque ele queria que eu comesse cacetinho (pão francês) duas vezes por dia e não rolava (não dava). Se eu tivesse cabreirado (feito o que quisesse) pra ele, tinha ficado um canhão (uma mulher horrorosa), um cão chupando manga (pessoa muito feia), com uma bunda de caruru (mole), uma cabeça-de-arromba-navio (gorda), nenhuma calçola (calcinha) ia subir em mim e ia ser um chororô (choro exagerado).
CORREÇÃO (estou me sentindo "A" professora hahahahahaha)
Ultimamente tô aluada (com a cabeça no mundo da lua). Acabo escrevendo umas paradas a culhão (de qualquer jeito), publico a facão (sem me preocupar com os detalhes – “O corpo dela é feito a facão”) e vocês comentam a migué (sem dar importância). É que nem sempre estou à toa (sem ter o que fazer), quero pegar minha arabaca (meu carro) e abrir o gás (outra forma de conjugar o ver ir) para algum reggae (qualquer festa). Por isso faço esses armengues (coisa feita de qualquer jeito para resolver provisoriamente um problema). Mas minha consciência agreste (grossa) quebra minha guia (minha força). Não estou broca (maluca). É que quando eu era piveta (criança) já peguei um baba (joguei futebol), brinquei de arraia (empinar pipa), pulei elástico (brincadeira que não dá para explicar aqui), piquei a porra (machuquei) num passarinho de badogue (estilingue), já bafei (afanei) bala no shopping, já ri do balaio grande (nádegas grandes) das mulé (mulher), tomei banca (reforço escolar) e nunca fui banda voou (pessoa que não se preocupa com nada). Como meu pai não era barão (rico), eu me ferrava (fazia muito alguma coisa) de estudar para minha mãe não bater a caçuleta (morrer) nem ficar pirada (com raiva). Algumas vezes era bequitranque (complicado), eu ficava boiada (cansada). Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” (vamos?) – sem nem botar pilha (insistir) - e eu dava o vazare (ir embora). Meu pai virava a porra (ficava com raiva) – principalmente porque ele inticava (implicava) com as meninas -, e eu morava numas bocadas (lugar perigoso), com uns cacêtes armados (butecos ou casas mal feitas) defronte a casa e rolava um bolodório (confusão) de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? (vomitava) - o povo chamava. Ele ficava cabreiro (com medo), mas nem era de dar caroara (tremer as pernas). Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido (igualzinho) o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando (observando, vem de curioso) os dedos da criatura (de alguém, no caso meu pai). Só pirava (ficava com raiva) porque ele queria que eu comesse cacetinho (pão francês) duas vezes por dia e não rolava (não dava). Se eu tivesse cabreirado (feito o que quisesse) pra ele, tinha ficado um canhão (uma mulher horrorosa), um cão chupando manga (pessoa muito feia), com uma bunda de caruru (mole), uma cabeça-de-arromba-navio (gorda), nenhuma calçola (calcinha) ia subir em mim e ia ser um chororô (choro exagerado).
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
NÃO VALE PEDIR PRA MORRER!
Uma das coisas que aprendi com João Ubaldo Ribeiro, em diversas obras, é que não existe um Brasil, mas vários. Somos uma nação unida pela força política, mas culturalmente diversificados, devido a formas de exploração por diferentes povos. Quem conheçe o país do Oiapoque ao Chuí sabe do que estou falando. Isso não quer dizer que sejamos desunidos, mas que temos hábitos... Digamos... Diferentes. Um dos aspectos, dentre vários, em que podemos perceber essa diferença é no linguajar.
Há 18 anos foi lançado um dicionário de baianês com mais de 1.300 verbetes usados pelas bandas da Bahia. O livrinho, escrito por Nivaldo Lariú, está na 3ª edição e já passou da marca dos 140 mil exemplares vendidos. Comprei um para dar de presente e não resisti a fazer um mini-concurso com vocês. Quem quiser participar é só responder ao post.
Vou escrever algumas frases com esses verbetes e vocês vão tentar “traduzir”. Para quem é baiano minha sugestão é mudar as frases usando termos novos, que, acredito, devem ser incluídos numa próxima edição da cartilha. Serão dois posts até eu anunciar – e vocês conferirem – o vencedor. Na sexta-feira trago as “traduções” de hoje e coloco mais um texto. Na segunda digo quem chegou mais próximo, tá?
Como prêmio, prometo enviar um exemplar para o blogueiro mais aplicado... Divirtam-se.
TESTE DE BAIANÊS 01
Ultimamente tô aluada. Acabo escrevendo umas paradas a culhão, publico a facão e vocês comentam a migué. É que nem sempre estou à toa, quero pegar minha arabaca e abrir o gás para algum reggae. Por isso faço esses armengues. Mas minha consciência agreste quebra minha guia. Não estou broca. É que quando eu era piveta já peguei um baba, brinquei de arraia, pulei elástico, piquei a porra num passarinho de badogue, já bafei bala no shopping, já ri do balaio grande das mulé, tomei banca e nunca fui banda voou. Como meu pai não era barão, eu me ferrava de estudar para minha mãe não bater a caçuleta nem ficar pirada. Algumas vezes era bequitranque, eu ficava boiada. Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” – sem nem botar pilha - e eu dava o vazare. Meu pai virava a porra – principalmente porque ele inticava com das meninas -, e eu morava numas bocadas, com uns cacêtes armados defronte a casa e rolava um bolodório de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? - o povo chamava. Ele ficava cabreiro, mas nem era de dar caroara. Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando os dedos da criatura. Só pirava porque ele queria que eu comesse cacetinho duas vezes por dia e não rolava. Se eu tivesse cabreirado pra ele, tinha ficado um canhão, um cão chupando manga, com uma bunda de caruru, uma cabeça-de-arromba-navio, nenhuma calçola ia subir em mim e ia ser um chororô.
Há 18 anos foi lançado um dicionário de baianês com mais de 1.300 verbetes usados pelas bandas da Bahia. O livrinho, escrito por Nivaldo Lariú, está na 3ª edição e já passou da marca dos 140 mil exemplares vendidos. Comprei um para dar de presente e não resisti a fazer um mini-concurso com vocês. Quem quiser participar é só responder ao post.
Vou escrever algumas frases com esses verbetes e vocês vão tentar “traduzir”. Para quem é baiano minha sugestão é mudar as frases usando termos novos, que, acredito, devem ser incluídos numa próxima edição da cartilha. Serão dois posts até eu anunciar – e vocês conferirem – o vencedor. Na sexta-feira trago as “traduções” de hoje e coloco mais um texto. Na segunda digo quem chegou mais próximo, tá?
Como prêmio, prometo enviar um exemplar para o blogueiro mais aplicado... Divirtam-se.
TESTE DE BAIANÊS 01
Ultimamente tô aluada. Acabo escrevendo umas paradas a culhão, publico a facão e vocês comentam a migué. É que nem sempre estou à toa, quero pegar minha arabaca e abrir o gás para algum reggae. Por isso faço esses armengues. Mas minha consciência agreste quebra minha guia. Não estou broca. É que quando eu era piveta já peguei um baba, brinquei de arraia, pulei elástico, piquei a porra num passarinho de badogue, já bafei bala no shopping, já ri do balaio grande das mulé, tomei banca e nunca fui banda voou. Como meu pai não era barão, eu me ferrava de estudar para minha mãe não bater a caçuleta nem ficar pirada. Algumas vezes era bequitranque, eu ficava boiada. Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” – sem nem botar pilha - e eu dava o vazare. Meu pai virava a porra – principalmente porque ele inticava com das meninas -, e eu morava numas bocadas, com uns cacêtes armados defronte a casa e rolava um bolodório de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? - o povo chamava. Ele ficava cabreiro, mas nem era de dar caroara. Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando os dedos da criatura. Só pirava porque ele queria que eu comesse cacetinho duas vezes por dia e não rolava. Se eu tivesse cabreirado pra ele, tinha ficado um canhão, um cão chupando manga, com uma bunda de caruru, uma cabeça-de-arromba-navio, nenhuma calçola ia subir em mim e ia ser um chororô.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
PARADA GAY DA BAHIA
"Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei... Pra você correr macio...". Não vou falar mal do tempo de novo. É apenas uma forma de explicar para vocês porque deixei meu cantinho por alguns dias. Se me propus a estar aqui com vocês - e gostei - terei que arrumar um tempinho. Cá estou eu e todos os meus dedilhares, agora, são de vocês.
Domingo teve Parada Gay aqui em Salvador e eu fui gravar uma matéria lá. Desde a sexta anterior à Parada, a previsão do tempo era de um dilúvio e eu não tinha uma Arca de Noé. No sábado fui dormir mega tarde na festinha de aniversário de um grande amigo me confiando na chuva. Só me permiti dormir tarde porque acreditei nos meteorologistas. Quando eram umas 2 da madruga olhei e o vi céu cheio de estrelas. Pensei: "Óhh, ôu!!!! São Pedro, por favor, faça chover já!!!". Acho que falei baixo, pois ele não me escutou. Fui para casa correndo, mas sonhei o resto da noite com eu rezando para chover, pode? Isso já aconteceu com vocês? É muito estranho e ao mesmo tempo engraçado. Você não sabe se o sonho é sonho ou realidade e você acorda meio desesperada para saber o que está acontecendo.
Quando abri os olhos a primeira coisa que fiz foi correr para a janela com as outras pessoas da equipe me ligando desesperadas: "E aí, velho, derruba essa pauta aí, tá com cara de que vai chover!", alegou um. "É lógico que vai cair o maior pé d'água", previu outro. Nem uma gota caía do céu. Abriu um solzão e e fui trabalhar bem zumbi. Não podia dizer ao diretor do programa que a pauta caiu porque eu achei que ia chover. Ele ia me dizer que também "achava que eu ia ter emprego no outro dia". A TV tem que ir ao ar, com ou sem chuva.
É impossível ficar com uma gota de mal humor naquele lugar. É muita cor, muita irreverência, muito glamour e muita, mas muita,vontade de mostrar ao mundo que o amor é lindo.
Segundo os representantes do GGB, a Bahia é o estado em que mais se mata homossexuais no Brasil. Somente este ano, até outubro, foram 19 casos. Achei incrível a informação de que aproximadamente 80% das pessoas que foram à Parada não são gays, mas pessoas simpatizantes ao movimento.
Como entrava em tudo quanto era buraco e subia em todos os trios para fazer imagens, vi de tudo, e mais um pouco, que vocês possam imaginar. Vi homem e mulher se azarando como no carnaval. Eu estava vendo a fita depois da gravação - chama-se decupar - e no meio de uma entrevista vi, no segundo plano - atrás da cena principal - um rapaz segurando uma moça pelo braço. Ela olhou, gostou e beijou. A lambança demorou uns 50". Cada um foi para o se lado e tchau I have to go now. Vi várias cenas dessas ao longo da Parada, que, diga-se de passagem, acontece no trajeto do carnaval oficial, a Avenida Sete de Setembro.
Da mesma forma que vi coisas legais, vi muita coisa que julgo ser feia, como a pornografia a céu aberto. Entendo que a cirurgia de mudança de sexo seja um troféu para alguns homossexuais. "Eu tenho e vocês - os outros gays - não têm!". O problema é que ele ganha um orgão sexual feminino e quer mostrar para todos. Teve uma criatura em cima de um trio que o fio dental começava no umbigo e ia até as costas. Exatamente. Um fio dental na "perereca". Outros transsexuais, quando viam a câmera, tiravam o sutiã e balançavam tudo, como se eu quisesse ver. Fora alguns gays que pareciam me odiar por eu ser mulher, heterossexual, e estar ali.
Enfim... Muitos realmente estão ali para protestar contra o preconceito, a homofobia e a violência a que os homossexuais estão submetidos na vida machista em sociedade, mas também existem os que estão estão ali apenas pela gandaia. Esses últimos não estão preocupados com a imagem que se constrói no imaginário popular do que é uma Parada Gay e de sua importância. Mas, como em qualquer lugar, não devemos julgar um todo pelo caso particular de alguns. Os peitos delas eram lindos, mas eu preferia ficar olhando os gogoboys dançando...
Domingo teve Parada Gay aqui em Salvador e eu fui gravar uma matéria lá. Desde a sexta anterior à Parada, a previsão do tempo era de um dilúvio e eu não tinha uma Arca de Noé. No sábado fui dormir mega tarde na festinha de aniversário de um grande amigo me confiando na chuva. Só me permiti dormir tarde porque acreditei nos meteorologistas. Quando eram umas 2 da madruga olhei e o vi céu cheio de estrelas. Pensei: "Óhh, ôu!!!! São Pedro, por favor, faça chover já!!!". Acho que falei baixo, pois ele não me escutou. Fui para casa correndo, mas sonhei o resto da noite com eu rezando para chover, pode? Isso já aconteceu com vocês? É muito estranho e ao mesmo tempo engraçado. Você não sabe se o sonho é sonho ou realidade e você acorda meio desesperada para saber o que está acontecendo.
Quando abri os olhos a primeira coisa que fiz foi correr para a janela com as outras pessoas da equipe me ligando desesperadas: "E aí, velho, derruba essa pauta aí, tá com cara de que vai chover!", alegou um. "É lógico que vai cair o maior pé d'água", previu outro. Nem uma gota caía do céu. Abriu um solzão e e fui trabalhar bem zumbi. Não podia dizer ao diretor do programa que a pauta caiu porque eu achei que ia chover. Ele ia me dizer que também "achava que eu ia ter emprego no outro dia". A TV tem que ir ao ar, com ou sem chuva.
É impossível ficar com uma gota de mal humor naquele lugar. É muita cor, muita irreverência, muito glamour e muita, mas muita,vontade de mostrar ao mundo que o amor é lindo.
Segundo os representantes do GGB, a Bahia é o estado em que mais se mata homossexuais no Brasil. Somente este ano, até outubro, foram 19 casos. Achei incrível a informação de que aproximadamente 80% das pessoas que foram à Parada não são gays, mas pessoas simpatizantes ao movimento.
Como entrava em tudo quanto era buraco e subia em todos os trios para fazer imagens, vi de tudo, e mais um pouco, que vocês possam imaginar. Vi homem e mulher se azarando como no carnaval. Eu estava vendo a fita depois da gravação - chama-se decupar - e no meio de uma entrevista vi, no segundo plano - atrás da cena principal - um rapaz segurando uma moça pelo braço. Ela olhou, gostou e beijou. A lambança demorou uns 50". Cada um foi para o se lado e tchau I have to go now. Vi várias cenas dessas ao longo da Parada, que, diga-se de passagem, acontece no trajeto do carnaval oficial, a Avenida Sete de Setembro.
Da mesma forma que vi coisas legais, vi muita coisa que julgo ser feia, como a pornografia a céu aberto. Entendo que a cirurgia de mudança de sexo seja um troféu para alguns homossexuais. "Eu tenho e vocês - os outros gays - não têm!". O problema é que ele ganha um orgão sexual feminino e quer mostrar para todos. Teve uma criatura em cima de um trio que o fio dental começava no umbigo e ia até as costas. Exatamente. Um fio dental na "perereca". Outros transsexuais, quando viam a câmera, tiravam o sutiã e balançavam tudo, como se eu quisesse ver. Fora alguns gays que pareciam me odiar por eu ser mulher, heterossexual, e estar ali.
Enfim... Muitos realmente estão ali para protestar contra o preconceito, a homofobia e a violência a que os homossexuais estão submetidos na vida machista em sociedade, mas também existem os que estão estão ali apenas pela gandaia. Esses últimos não estão preocupados com a imagem que se constrói no imaginário popular do que é uma Parada Gay e de sua importância. Mas, como em qualquer lugar, não devemos julgar um todo pelo caso particular de alguns. Os peitos delas eram lindos, mas eu preferia ficar olhando os gogoboys dançando...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O BESOURO MANGANGÁ
Acho que já falei sobre o filme Besouro algumas vezes aqui no blog. É que sou apaixonada por cinema e o lançamento de bons filmes, principalmente os brasileiros, me deixa eufórica. Quando digo que sou cinéfila não é apenas porque gosto de me arrumar e ir comer pipoca no escurinho. Amo o fazer cinema. Observar como a cena foi filmada, os planos selecionados na edição, o tipo de lente que foi usado, a produção do cenário, a trilha sonora, o texto, a interpretação dos atores, a montagem, o roteiro. O cinema é arte não apenas pela história final, mas por um todo que compõe a obra.

Para os curiosos, posso adiantar que Besouro, no conjunto, é um filme bom e vale a pena ser visto. Vi a pré-estréia na última quarta-feira, dia 21/10. A estréia será dia 30/10, próxima sexta-feira. Em uma hora e meia, ele traz ao grande público a história de um personagem, de uma luta, a mitologia e um cenário tipicamente brasileiros. Isso, por si só, já é um mérito.
Para quem não conhece a história farei um brevíssimo resumo. Besouro foi um capoeirista que era um misto de vingador e desordeiro. Lutando pelos interesses dos negros, e seus, ele tocava o terror com os donos do poder econômico e político. Depois da libertação dos escravos, algumas vezes os coronéis se recusavam a pagar pelos trabalhos nas usinas de cana-de-açúcar. Certa feita, reza a lenda, ele segurou o coronel pela camisa e o obrigou a efetuar-lhe o pagamento. Era avesso a policiais, que não conseguiam pegá-lo, e lutava capoeira com a proteção dos orixás. Tinha o corpo fechado. Essas, e várias outras histórias, são contadas nas rodas de capoeira através dos cânticos.
Para mim, o primeiro problema do filme acontece devido à mistura de cenários. A história, real, de Besouro se passa em Santo Amaro da Purificação e o filme foi, em grande parte, filmado na Chapada Diamantina, região completamente diferente e densamente povoada por exploradores de ouro e diamante, e não escravos. Em busca de uma fotografia mais atraente, a locação real foi substituída. O filme é ruim por isso? Não. Continua sendo bom.

O diretor do filme optou por preparar um não-ator, que joga capoeira muito bem, para representar o Besouro. O menino é um excelente capoeirista, mas está longe de ser ator. Sua voz, ao que me pareceu, foi dublada, e algumas cenas ficaram sem a expressão corporal necessária para imprimir a emoção vivida pela lenda da capoeira. Em compensação, a expressão facial dele favoreceu às cenas mudas.
Estudamos, desde a escola, a mitologia grega, mas desconhecemos totalmente a história dos Deuses africanos que foram trazidos para o Brasil, os orixás. O problema, para muitos, é que tudo que é tipicamente afro-brasileiro (nossa origem) não presta e, o pior, é endemonizado. Enfim... Não estou aqui para falar de religião, mas um dos méritos do filme, para mim, seria esse. Digo seria porque não acredito que a obra conseguiu passar a importância do candomblé para os ex-escravos, que inclusive agradecem aos orixás pela sua libertação. Mas, não há como negar, as cenas em que Besouro recebe a proteção dos orixás são lindas. A fotografia é perfeita, a luz foi usada a favor das filmagens e o cenário (embora não represente o ambiente real) foi muito bem montado.
O que me incomodou muito em Besouro foi o roteiro sem amarração e o texto do filme. Esperei, com ansiedade, uma luta ápice e não achei. Busquei entender porque aquele capoeirista foi o escolhido e, no filme, não tive resposta. Tentou-se falar de muita coisa ao mesmo tempo – capoeira, candomblé e escravidão – e o produto final não foi denso o suficiente para validar a obra. Fora o texto dos atores que não representam o linguajar dos recém libertos escravos. Teve até escravo com sotaque carioca! Para equilibrar, o capataz, Noca, tem uma atuação exuberante e suga toda a atenção quando aparece. Você acredita no ódio que ele sente por Besouro, mas não coloca fé no sentimento dos escravos.

Depois disso vocês devem achar que eu não gostei do filme. Não creiam. Besouro é um longa bom e, creio, vai cair no gosto popular. Quem sabe em breve não poderemos conhecer outra lenda da história brasileira através da tela dos cinemas? Só espero que orçamento do filme seja menos gasto em efeitos visuais – a verba foi de leis de incentivo fiscal - e a atenção esteja mais voltada para o conteúdo da obra.
Esta é a minha opinião, que também não é unânime, mas é minha. Espero que vejam e depois voltem para comentar.

Para os curiosos, posso adiantar que Besouro, no conjunto, é um filme bom e vale a pena ser visto. Vi a pré-estréia na última quarta-feira, dia 21/10. A estréia será dia 30/10, próxima sexta-feira. Em uma hora e meia, ele traz ao grande público a história de um personagem, de uma luta, a mitologia e um cenário tipicamente brasileiros. Isso, por si só, já é um mérito.
Para quem não conhece a história farei um brevíssimo resumo. Besouro foi um capoeirista que era um misto de vingador e desordeiro. Lutando pelos interesses dos negros, e seus, ele tocava o terror com os donos do poder econômico e político. Depois da libertação dos escravos, algumas vezes os coronéis se recusavam a pagar pelos trabalhos nas usinas de cana-de-açúcar. Certa feita, reza a lenda, ele segurou o coronel pela camisa e o obrigou a efetuar-lhe o pagamento. Era avesso a policiais, que não conseguiam pegá-lo, e lutava capoeira com a proteção dos orixás. Tinha o corpo fechado. Essas, e várias outras histórias, são contadas nas rodas de capoeira através dos cânticos.
Para mim, o primeiro problema do filme acontece devido à mistura de cenários. A história, real, de Besouro se passa em Santo Amaro da Purificação e o filme foi, em grande parte, filmado na Chapada Diamantina, região completamente diferente e densamente povoada por exploradores de ouro e diamante, e não escravos. Em busca de uma fotografia mais atraente, a locação real foi substituída. O filme é ruim por isso? Não. Continua sendo bom.

O diretor do filme optou por preparar um não-ator, que joga capoeira muito bem, para representar o Besouro. O menino é um excelente capoeirista, mas está longe de ser ator. Sua voz, ao que me pareceu, foi dublada, e algumas cenas ficaram sem a expressão corporal necessária para imprimir a emoção vivida pela lenda da capoeira. Em compensação, a expressão facial dele favoreceu às cenas mudas.
Estudamos, desde a escola, a mitologia grega, mas desconhecemos totalmente a história dos Deuses africanos que foram trazidos para o Brasil, os orixás. O problema, para muitos, é que tudo que é tipicamente afro-brasileiro (nossa origem) não presta e, o pior, é endemonizado. Enfim... Não estou aqui para falar de religião, mas um dos méritos do filme, para mim, seria esse. Digo seria porque não acredito que a obra conseguiu passar a importância do candomblé para os ex-escravos, que inclusive agradecem aos orixás pela sua libertação. Mas, não há como negar, as cenas em que Besouro recebe a proteção dos orixás são lindas. A fotografia é perfeita, a luz foi usada a favor das filmagens e o cenário (embora não represente o ambiente real) foi muito bem montado.
O que me incomodou muito em Besouro foi o roteiro sem amarração e o texto do filme. Esperei, com ansiedade, uma luta ápice e não achei. Busquei entender porque aquele capoeirista foi o escolhido e, no filme, não tive resposta. Tentou-se falar de muita coisa ao mesmo tempo – capoeira, candomblé e escravidão – e o produto final não foi denso o suficiente para validar a obra. Fora o texto dos atores que não representam o linguajar dos recém libertos escravos. Teve até escravo com sotaque carioca! Para equilibrar, o capataz, Noca, tem uma atuação exuberante e suga toda a atenção quando aparece. Você acredita no ódio que ele sente por Besouro, mas não coloca fé no sentimento dos escravos.

Depois disso vocês devem achar que eu não gostei do filme. Não creiam. Besouro é um longa bom e, creio, vai cair no gosto popular. Quem sabe em breve não poderemos conhecer outra lenda da história brasileira através da tela dos cinemas? Só espero que orçamento do filme seja menos gasto em efeitos visuais – a verba foi de leis de incentivo fiscal - e a atenção esteja mais voltada para o conteúdo da obra.
Esta é a minha opinião, que também não é unânime, mas é minha. Espero que vejam e depois voltem para comentar.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
TODAS AS MULHERES PRECISAM LER...
Mais historinha de e-mail...
Belinha acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro, e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha.
Chegando ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado.
Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor.
Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a porra da pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte no escritório!
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os malditos papéis na empresa, mas a bosta continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um motoboy lhe trouxesse a porra dos documentos.
Tomou uma merda de banho, deu a droga do jantar para as crianças, fez a porcaria dos deveres com os dispersos e botou os monstros para dormir.
Artur chegou puto de uma reunião em São Paulo, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono. Artur a acordou com tesão, a fim de jogo. Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço de reportagem e transar.
Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e, quando estava quase pegando no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu traseiro com o seguinte comentário:
-Tá ficando com a bundinha mole, Belinha... deixa de preguiça e começa a se cuidar..
Belinha olhou para o abajur de metal e se imaginou martelando a cabeça de Artur até ver seus miolos espalhados pelo travesseiro!
Depois se viu pulando sobre o tórax dele até quebrar todas as costelas! Com um alicate de unha arrancou um a um todos os seus dentes depois deu-lhe um chute tão brutal no saco, que voou espermatozóide para todos os lados!
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas.
Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou.
Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual...
Resolveu agir com sabedoria.
No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada.
Foi para uma academia e malhou duas horas..
De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e as unhas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele.
E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num spa, ouviu o marido desesperado tentar localiza-lá pelo celular e descobrir por que ela havia sumido.
Pacientemente não atendeu.
E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico para a caixa postal dele.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura.
Um beijo da preguiçosa...
(Extraído do livro: Este sexo é feminino /Patrícia Travassos)
Belinha acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro, e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha.
Chegando ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado.
Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor.
Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a porra da pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte no escritório!
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os malditos papéis na empresa, mas a bosta continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um motoboy lhe trouxesse a porra dos documentos.
Tomou uma merda de banho, deu a droga do jantar para as crianças, fez a porcaria dos deveres com os dispersos e botou os monstros para dormir.
Artur chegou puto de uma reunião em São Paulo, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono. Artur a acordou com tesão, a fim de jogo. Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço de reportagem e transar.
Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e, quando estava quase pegando no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu traseiro com o seguinte comentário:
-Tá ficando com a bundinha mole, Belinha... deixa de preguiça e começa a se cuidar..
Belinha olhou para o abajur de metal e se imaginou martelando a cabeça de Artur até ver seus miolos espalhados pelo travesseiro!
Depois se viu pulando sobre o tórax dele até quebrar todas as costelas! Com um alicate de unha arrancou um a um todos os seus dentes depois deu-lhe um chute tão brutal no saco, que voou espermatozóide para todos os lados!
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas.
Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou.
Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual...
Resolveu agir com sabedoria.
No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada.
Foi para uma academia e malhou duas horas..
De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e as unhas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele.
E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num spa, ouviu o marido desesperado tentar localiza-lá pelo celular e descobrir por que ela havia sumido.
Pacientemente não atendeu.
E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico para a caixa postal dele.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura.
Um beijo da preguiçosa...
(Extraído do livro: Este sexo é feminino /Patrícia Travassos)
A PORRA BAIANA
Gente... Não sou fã de publicar textos alheios. Mas recebi esse e-mail e achei minha cara. Quem me lê com alguma periodicidade já me viu escrever mil PORRAS. Agora achei uma explicação gramatical no dicionário baianês da Internet. Não se assuste, tá? Isso é real...
PORRA - A palavra mais rica do dicionário baiano. Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um curinga da língua portuguesa, principalmente, em Salvador/BA.
Veja os exemplos a seguir:
1)PORRA pode ser utilizada para várias situações cotidianas:
- Se você toma um susto: POOORRA!
- Se você vê um amigo: legal te ver, PORRA ou Você sumiu PORRA!
- Se você adimira algo: POOOORRA!
- Se você está indignado: Que PORRA!
- Como adjetivo: Você é uma PORRA!
- Pra mandar alguém se acalmar: Queta PORRA!
- No diminutivo, pode ser elogio: Gosto muito de você, seu PORRINHA!
2) Como indicação geográfica:
- Onde fica essa PORRA?
- Vá pra PORRA!
- 18:00h - vou embora dessa PORRA!
3)Sentido de quantidade:
- Trabalho pra caramba e não ganho PORRA nenhuma!
- Isso é caro pra PORRA!
- Ela mora longe pra PORRA!
- Ela é bonita pra PORRA!
4)Substitui qualquer objeto:
- Não se enxerga PORRA nenhuma!
- Não ganhei PORRA nenhuma de presente!
- Vou "picar" a PORRA!(sinônimo de jogar)
- Deixa essa PORRA aí!
5)Para qualificar determinada ação:
- O Bahia e o Vitória não estão jogando PORRA nenhuma!!!
- O governo Lula está uma PORRA!
- Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo PORRA nenhuma...
Não me mande ir para a PORRA, tá? Pois ainda não descobri onde fica.
PORRA - A palavra mais rica do dicionário baiano. Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um curinga da língua portuguesa, principalmente, em Salvador/BA.
Veja os exemplos a seguir:
1)PORRA pode ser utilizada para várias situações cotidianas:
- Se você toma um susto: POOORRA!
- Se você vê um amigo: legal te ver, PORRA ou Você sumiu PORRA!
- Se você adimira algo: POOOORRA!
- Se você está indignado: Que PORRA!
- Como adjetivo: Você é uma PORRA!
- Pra mandar alguém se acalmar: Queta PORRA!
- No diminutivo, pode ser elogio: Gosto muito de você, seu PORRINHA!
2) Como indicação geográfica:
- Onde fica essa PORRA?
- Vá pra PORRA!
- 18:00h - vou embora dessa PORRA!
3)Sentido de quantidade:
- Trabalho pra caramba e não ganho PORRA nenhuma!
- Isso é caro pra PORRA!
- Ela mora longe pra PORRA!
- Ela é bonita pra PORRA!
4)Substitui qualquer objeto:
- Não se enxerga PORRA nenhuma!
- Não ganhei PORRA nenhuma de presente!
- Vou "picar" a PORRA!(sinônimo de jogar)
- Deixa essa PORRA aí!
5)Para qualificar determinada ação:
- O Bahia e o Vitória não estão jogando PORRA nenhuma!!!
- O governo Lula está uma PORRA!
- Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo PORRA nenhuma...
Não me mande ir para a PORRA, tá? Pois ainda não descobri onde fica.
sábado, 17 de outubro de 2009
MEUS TRÊS ESTADOS
Semana passada, avisei que estaria pegando a estrada e retornando com algumas fotinhas. Eis aí o motivo de minha euforia.

Estava super ansiosa para conhecer esse lugar. Acreditem: sentir o peso da água batendo na cabeça, numa cachoeira, recarrega todas as energias.
Eram 6h da manhã do sábado. Minha amiga que estava indo se encontrar comigo sofreu um acidente na estrada. O carro capotou e ela teve duas fraturas na coluna. Desesperei. Comecei a ligar para o plano de saúde para ver hospitais na região, ambulância, etc. Primeira dica: se puder, evite viajar à noite. O dia facilita muita coisa numa hora dessas. Não haviam hospitais capacitados para atendê-la na região e um amigo conseguiu sua remoção até a capital. Fez uma cirurgia na coluna e está bem. Graças a Deus.
Não consegui dormir mais e tinha que estar pronta para começar a trilha às 8h. Sem fome, fui para o desejum. Como tinha uma caminhada longa, e mastigar logo cedo não é fácil para mim, optei por comer frutas, iogurte e leite. Tinha uma fruta meio verde meio madura. Provei e gostei. Comi muito e com gosto. Pensei: “Geração saúde. Êaaaaa!!!”. Segunda dica: não mude radicalmente seus hábitos alimentares, pois o corpo sente e, o pior, reage.
Pegamos o asfalto. 44 km de estrada de barro, até chegarmos em uma fazenda, e mais 3,5 km caminhando até chegar à Cachoeira do Mosquito. A casa seria nosso ponto de apoio no retorno para banho e almoço. Chegando lá, uma senhorinha muito fofa tinha preparado um suco de maracujá do mato. Achei a cor verde extrato de folha linda e tomei, pelo menos, meio litro. Era bom demais!
Câmera a postos, demos início à caminhada. Paramos algumas vezes para fazer algumas imagens, pegar algumas entrevistas com o guia e, nesse meio tempo, meu estômago começou a revirar. Eram gases. Ao ar livre não tem problemas, pensei. Seguimos com meu estado gasoso.
No meio do mato descobrimos uma prainha de água cor avermelhada. Paramos para outra gravação. O guia explicou que a areia era branca porque um dia ali já tinha sido mar e a água era daquela cor devido a uma substância da raiz das plantas que tinha efeito laxante. Nem passei perto da água. Vai que ela entranha na minha pele e provoca uma situação. Mas só de ouvir a palavra L A X A N T E, meu intestino deu um nó de marinheiro.
Percebi que a fase gaseificada da brincadeira tinha acabado e que a qualquer momento o estado das coisas poderiam se tornar mais sólidos. Comentei que estava com dor de barriga e me mandaram fazer uma parada rapidinha no mato. Me recusei. “Uma lady não vai ao mato. Posso esperar”. A galera ainda me abusou dizendo que eu tinha bebido água da prainha econdido. Dica número 3: ouça os mais experientes.
Ainda faltava pouco mais de 1km para chegar ao destino. Para minha sorte, era uma descida. Para baixo, todo santo ajuda. O caminho foi ficando apertadinho e mais íngreme. Chegou uma hora que só conseguíamos descer segurando nas árvores. Com equipamento o trabalho dobra, mas já estávamos ouvindo o barulho da queda d’água. O eco dos nossos gritos mais pareciam alguém respondendo. Alguém, dentro de mim, também queria gritar.
Minha fase empolgação já tinha mudado para preocupação. A fisionomia estava visivelmente alterada. A vontade estava virando dor e... Chegamos! Esqueci tudo, gravei a parte final da matéria e passei uns 15 minutos tomando banho de cachoeira. Como disse, é revigorante. Nos faz até esquecer os problemas, alivia as dores, viver vale mais a pena. O mundo é lindo. A Chapada Diamantina é linda. Hora de voltar.
Se para baixo todo santo ajuda, para cima o diabo cutuca. Quando comecei o caminho de volta meus metrinhos de intestino me lembraram que eles existiam e tinham vontade própria. Sozinhos, eles deram mais um nó e eu me agachei de dor. Ficar agachada não dava, era muito propenso a um resultado óbvio. Levantei com a mesma rapidez e comecei a gritar. “Ai, ai, ai, ai”. O pessoal ficou super preocupado e insistiu para eu usar o mato. “Não, não, não, vamos nessa, eu agüento”. Franzi a testa – ninguém contesta alguém com cara carrancuda –, liguei um motorzinho nas pernas e fui.
Na volta, o sol tinha esquentado e eu suava um suor frio, pegajoso. Sentia cólicas abdominais que iam e viam como contrações de um parto. Quase foi. Eu concentrei na dor, fiz respirações contadas, me distanciei do grupo e andei com uma vontade que nunca tinha tido na vida. Vez ou outra as contrações vinham e eu tinha que parar, meus olhos enchiam de lágrimas, eu respirava e continuava.
Quando cheguei à fazenda, o guia – que tinha chegado antes de mim – veio cheio de dentes brincar, perguntar como eu estava, se tinha gostado da caminhada. Meu olhar foi tão, mais tão, fulminante que ele apenas segurou minha mão e me guiou até a porta do banheiro. Ele devia ter mandado a galera evacuar a área. Era meu estado sólido se concretizando.
Fiquei, pelo menos, dois quilos mais leve. Agora eu já não transpirava, meu suor saia dos poros como se eu fosse um chuveiro ambulante. Era minha fase líquida. Eu estava me tremendo. Liguei o chuveiro e fiquei uns 5 minutos me recuperando. A água batia na cabeça e eu lembrava da cachoeira. Aquela vozinha aqui dentro perguntava: se o homem inventou a fotografia e eu já tinha visto a cachoeira, que inferno eu fui fazer lá?
Refeita, me arrumei e agora meu dilema era outro: o pessoal almoçava lá fora enquanto eu derrubava o muro de Berlim ali dentro. A poeira, com certeza tinha subido. E a vergonha? Como havia dito, nenhum ser humano normal será capaz de dizer nada a alguém com cara carrancuda. Saí do banheiro com fisionomia de monstro e fui tomar um ar.
Dica número 4: nem sempre vale a pena ser uma lady. Leve papel higiênco para o mato e seja muito mais feliz. Ninguém comentou nada, mas eu ri horrores quando descobri que a fruta meio esverdeada do café-da-manhã era mamão.
Mais algumas fotos da viagem. Pela fisionomia, sem dores de barriga.
Morro do Pai Inácio. Subi, sem guia, às 17h. Não teve sol no dia, então não perdi o espetáculo. Em baixo as crinaças do grupo de capoeira de Ailton Carmo, o ator do filme Besouro.
Depois da entrevista tirei uma fotinha com o rapaz. Descobri que ele nunca tinha sonhado em ser ator e que joga capoeira desde criancinha, quando também aprendeu a guiar os turistas pelos pontos turísticos da região para ajudar na renda da família. Quando digo guiar não é levar até ali. É entrar no mato e caminhar horas ou dias sem que a pessoa se perca ou entre em frias. Foi morar na Bélgica e, quando voltou, empurraram ele para o teste. Passou e agora será a lenda da capoeira brasileira, o Besouro. Vê-lo jogar é de arrepiar e me contou que espera que, com o filme, seus alunos - que são quase 300 na região - se interessem mais pela capoeira.
Abaixo é a prova, para mim, de que seres de outros planetas já visitaram nossa Terra. Este é um paredão que foi recetemente descoberto na Serra da Paridas, em Lençóis, Bahia. É uma pintura rupestre verdadeira comprovada pela Faculdade de Arquelogia da UFBa. Os testes de referência de data ainda não saíram, mas mostra (pelo círculo acima da cabeça do ser e formas do corpo) que os nômades dos tempos das cavernas tiveram experiências ufológicas.
Estava super ansiosa para conhecer esse lugar. Acreditem: sentir o peso da água batendo na cabeça, numa cachoeira, recarrega todas as energias.
Eram 6h da manhã do sábado. Minha amiga que estava indo se encontrar comigo sofreu um acidente na estrada. O carro capotou e ela teve duas fraturas na coluna. Desesperei. Comecei a ligar para o plano de saúde para ver hospitais na região, ambulância, etc. Primeira dica: se puder, evite viajar à noite. O dia facilita muita coisa numa hora dessas. Não haviam hospitais capacitados para atendê-la na região e um amigo conseguiu sua remoção até a capital. Fez uma cirurgia na coluna e está bem. Graças a Deus.
Não consegui dormir mais e tinha que estar pronta para começar a trilha às 8h. Sem fome, fui para o desejum. Como tinha uma caminhada longa, e mastigar logo cedo não é fácil para mim, optei por comer frutas, iogurte e leite. Tinha uma fruta meio verde meio madura. Provei e gostei. Comi muito e com gosto. Pensei: “Geração saúde. Êaaaaa!!!”. Segunda dica: não mude radicalmente seus hábitos alimentares, pois o corpo sente e, o pior, reage.
Pegamos o asfalto. 44 km de estrada de barro, até chegarmos em uma fazenda, e mais 3,5 km caminhando até chegar à Cachoeira do Mosquito. A casa seria nosso ponto de apoio no retorno para banho e almoço. Chegando lá, uma senhorinha muito fofa tinha preparado um suco de maracujá do mato. Achei a cor verde extrato de folha linda e tomei, pelo menos, meio litro. Era bom demais!
Câmera a postos, demos início à caminhada. Paramos algumas vezes para fazer algumas imagens, pegar algumas entrevistas com o guia e, nesse meio tempo, meu estômago começou a revirar. Eram gases. Ao ar livre não tem problemas, pensei. Seguimos com meu estado gasoso.
No meio do mato descobrimos uma prainha de água cor avermelhada. Paramos para outra gravação. O guia explicou que a areia era branca porque um dia ali já tinha sido mar e a água era daquela cor devido a uma substância da raiz das plantas que tinha efeito laxante. Nem passei perto da água. Vai que ela entranha na minha pele e provoca uma situação. Mas só de ouvir a palavra L A X A N T E, meu intestino deu um nó de marinheiro.
Percebi que a fase gaseificada da brincadeira tinha acabado e que a qualquer momento o estado das coisas poderiam se tornar mais sólidos. Comentei que estava com dor de barriga e me mandaram fazer uma parada rapidinha no mato. Me recusei. “Uma lady não vai ao mato. Posso esperar”. A galera ainda me abusou dizendo que eu tinha bebido água da prainha econdido. Dica número 3: ouça os mais experientes.
Ainda faltava pouco mais de 1km para chegar ao destino. Para minha sorte, era uma descida. Para baixo, todo santo ajuda. O caminho foi ficando apertadinho e mais íngreme. Chegou uma hora que só conseguíamos descer segurando nas árvores. Com equipamento o trabalho dobra, mas já estávamos ouvindo o barulho da queda d’água. O eco dos nossos gritos mais pareciam alguém respondendo. Alguém, dentro de mim, também queria gritar.
Minha fase empolgação já tinha mudado para preocupação. A fisionomia estava visivelmente alterada. A vontade estava virando dor e... Chegamos! Esqueci tudo, gravei a parte final da matéria e passei uns 15 minutos tomando banho de cachoeira. Como disse, é revigorante. Nos faz até esquecer os problemas, alivia as dores, viver vale mais a pena. O mundo é lindo. A Chapada Diamantina é linda. Hora de voltar.
Se para baixo todo santo ajuda, para cima o diabo cutuca. Quando comecei o caminho de volta meus metrinhos de intestino me lembraram que eles existiam e tinham vontade própria. Sozinhos, eles deram mais um nó e eu me agachei de dor. Ficar agachada não dava, era muito propenso a um resultado óbvio. Levantei com a mesma rapidez e comecei a gritar. “Ai, ai, ai, ai”. O pessoal ficou super preocupado e insistiu para eu usar o mato. “Não, não, não, vamos nessa, eu agüento”. Franzi a testa – ninguém contesta alguém com cara carrancuda –, liguei um motorzinho nas pernas e fui.
Na volta, o sol tinha esquentado e eu suava um suor frio, pegajoso. Sentia cólicas abdominais que iam e viam como contrações de um parto. Quase foi. Eu concentrei na dor, fiz respirações contadas, me distanciei do grupo e andei com uma vontade que nunca tinha tido na vida. Vez ou outra as contrações vinham e eu tinha que parar, meus olhos enchiam de lágrimas, eu respirava e continuava.
Quando cheguei à fazenda, o guia – que tinha chegado antes de mim – veio cheio de dentes brincar, perguntar como eu estava, se tinha gostado da caminhada. Meu olhar foi tão, mais tão, fulminante que ele apenas segurou minha mão e me guiou até a porta do banheiro. Ele devia ter mandado a galera evacuar a área. Era meu estado sólido se concretizando.
Fiquei, pelo menos, dois quilos mais leve. Agora eu já não transpirava, meu suor saia dos poros como se eu fosse um chuveiro ambulante. Era minha fase líquida. Eu estava me tremendo. Liguei o chuveiro e fiquei uns 5 minutos me recuperando. A água batia na cabeça e eu lembrava da cachoeira. Aquela vozinha aqui dentro perguntava: se o homem inventou a fotografia e eu já tinha visto a cachoeira, que inferno eu fui fazer lá?
Refeita, me arrumei e agora meu dilema era outro: o pessoal almoçava lá fora enquanto eu derrubava o muro de Berlim ali dentro. A poeira, com certeza tinha subido. E a vergonha? Como havia dito, nenhum ser humano normal será capaz de dizer nada a alguém com cara carrancuda. Saí do banheiro com fisionomia de monstro e fui tomar um ar.
Dica número 4: nem sempre vale a pena ser uma lady. Leve papel higiênco para o mato e seja muito mais feliz. Ninguém comentou nada, mas eu ri horrores quando descobri que a fruta meio esverdeada do café-da-manhã era mamão.
Mais algumas fotos da viagem. Pela fisionomia, sem dores de barriga.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
Que eu sou uma pessoa extremamente mal humorada todos já sabem. Não há novidades em reafirmar isso. Mas hoje não estou assim. Meus sentimentos vão além. Bem além. Logo escreverei sobre as novidades de uma viagem muito legal, mas, neste momento, um sentimento estranho paira sobre mim. É que alguém próximo, mas ao mesmo tempo distante, se foi.
Não tenho referência de heróis, pois não acredito nas peripécias deles. Mas algumas pessoas se destacam na vida e estas merecem ser lembradas.
Quando era criança, tinha um menino da mesma idade que eu que “apareceu” aqui na rua. Ele era tão criança quanto eu, mas não brincava muito. Trabalhava enquanto eu me divertia. Era muito negro, muito jovem e apaixonado por bicicletas. Para ganhar a vida, lavava carros. Domingo à tarde, quando todos voltavam da praia com os carros sujos e cheios de areia seu sorriso ficava largo. Ao contrário de muitos, sua cor e sua procedência não o incomodavam, era motivo de orgulho.
Cresci vendo aquele menino lavar carros. Nunca foi uma pessoa com quem eu tive uma relação de proximidade, mas sempre foi alguém que me serviu de referência de obstinação, de boa conduta. Se eu tivesse nascido na mesma condição que ele não sei se teria trilhado o mesmo caminho que o seu.
A família morava no “lixão” da cidade. Em busca de uma vida diferente, abandonou a família e se dedicou a outra atividade. O que teria sido mais fácil? Entrar para a vida do crime ou trabalhar em busca de uma melhoria de vida? Ele optou por trabalhar... Cresceu lavando carros, começou a fazer faxina nos prédios da rua, comprou uma pequena casa e teve uma vida digna. Foi uma das poucas pessoas para quem confiei entregar a chave do meu carro sem medo de perder qualquer coisa que havia ali dentro. Não que meu carro tenha muito valor. Longe disso. A confiança que tinha nele tinha sido conquistada ao longo de anos.
Ele era um rapaz honesto. Digo ERA por que ele se foi hoje. Foi atropelado sabe-se Deus por quem. O motorista da van fugiu e o deixou com várias fraturas expostas ao chão.
De família pobre, foi levado a um hospital público. Sem condições, o hospital não tinha vaga em uma UTI, o que também não lhe garantiria recuperação. Ele não resistiu aos ferimentos e se foi.
Estou infinitamente triste. Um dia, quando eu ainda era estudante, uma professora pediu que escrevêssemos o perfil de uma pessoa com história de vida e resolvi entrevistá-lo, para conhecer mais aquela pessoa que sempre vi, mas nunca soube a real procedência. Daí descobri muitas coisas sobre aquele rapaz, que na verdade era bem mais velho que eu e já tinha conquistado muito mais coisas do que eu teria sido capaz...
Descobri que tinha muitos planos, um brilho nos olhos que eu não era capaz de ter. Ele se sentia um vencedor. Não por ter ficado rico – até porque não ficou - mas porque sobreviveu a um mundo cruel sem caminhar pelo caminho mais fácil: o da criminalidade.
Hoje olho para mim e pergunto: porque lutamos tanto por coisas que não nos levarão a lugar algum? Temos tanto orgulho de quê? Para que queremos ser os melhores? Para que perdemos tanto tempo tentando impressionar pessoas que não nos merecem? Porque dedicamos tão pouco tempo a coisas e pessoas que nos farão mais felizes de verdade? Para quem esse rapaz vai fazer falta?
Estou derramando lágrimas pela sua vida. Não são lágrimas de tristeza. Uma pessoa me mostrou que é possível mudar do quase nada para algum lugar. Um lugar que nunca esperou chegar.
Não tenho respostas para meus questionamentos. Apenas estou muito triste. Muito triste... Não tenho heróis, mas posso dizer que conheci pessoas que venceram na vida.
Não tenho referência de heróis, pois não acredito nas peripécias deles. Mas algumas pessoas se destacam na vida e estas merecem ser lembradas.
Quando era criança, tinha um menino da mesma idade que eu que “apareceu” aqui na rua. Ele era tão criança quanto eu, mas não brincava muito. Trabalhava enquanto eu me divertia. Era muito negro, muito jovem e apaixonado por bicicletas. Para ganhar a vida, lavava carros. Domingo à tarde, quando todos voltavam da praia com os carros sujos e cheios de areia seu sorriso ficava largo. Ao contrário de muitos, sua cor e sua procedência não o incomodavam, era motivo de orgulho.
Cresci vendo aquele menino lavar carros. Nunca foi uma pessoa com quem eu tive uma relação de proximidade, mas sempre foi alguém que me serviu de referência de obstinação, de boa conduta. Se eu tivesse nascido na mesma condição que ele não sei se teria trilhado o mesmo caminho que o seu.
A família morava no “lixão” da cidade. Em busca de uma vida diferente, abandonou a família e se dedicou a outra atividade. O que teria sido mais fácil? Entrar para a vida do crime ou trabalhar em busca de uma melhoria de vida? Ele optou por trabalhar... Cresceu lavando carros, começou a fazer faxina nos prédios da rua, comprou uma pequena casa e teve uma vida digna. Foi uma das poucas pessoas para quem confiei entregar a chave do meu carro sem medo de perder qualquer coisa que havia ali dentro. Não que meu carro tenha muito valor. Longe disso. A confiança que tinha nele tinha sido conquistada ao longo de anos.
Ele era um rapaz honesto. Digo ERA por que ele se foi hoje. Foi atropelado sabe-se Deus por quem. O motorista da van fugiu e o deixou com várias fraturas expostas ao chão.
De família pobre, foi levado a um hospital público. Sem condições, o hospital não tinha vaga em uma UTI, o que também não lhe garantiria recuperação. Ele não resistiu aos ferimentos e se foi.
Estou infinitamente triste. Um dia, quando eu ainda era estudante, uma professora pediu que escrevêssemos o perfil de uma pessoa com história de vida e resolvi entrevistá-lo, para conhecer mais aquela pessoa que sempre vi, mas nunca soube a real procedência. Daí descobri muitas coisas sobre aquele rapaz, que na verdade era bem mais velho que eu e já tinha conquistado muito mais coisas do que eu teria sido capaz...
Descobri que tinha muitos planos, um brilho nos olhos que eu não era capaz de ter. Ele se sentia um vencedor. Não por ter ficado rico – até porque não ficou - mas porque sobreviveu a um mundo cruel sem caminhar pelo caminho mais fácil: o da criminalidade.
Hoje olho para mim e pergunto: porque lutamos tanto por coisas que não nos levarão a lugar algum? Temos tanto orgulho de quê? Para que queremos ser os melhores? Para que perdemos tanto tempo tentando impressionar pessoas que não nos merecem? Porque dedicamos tão pouco tempo a coisas e pessoas que nos farão mais felizes de verdade? Para quem esse rapaz vai fazer falta?
Estou derramando lágrimas pela sua vida. Não são lágrimas de tristeza. Uma pessoa me mostrou que é possível mudar do quase nada para algum lugar. Um lugar que nunca esperou chegar.
Não tenho respostas para meus questionamentos. Apenas estou muito triste. Muito triste... Não tenho heróis, mas posso dizer que conheci pessoas que venceram na vida.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
VIDA DE NÊGO É DIFÍCIL
Feriadão na porta, quinta-feira de tarde nem dá mais vontade de trabalhar. O real desejo é quebrar as correntes e sair correndo em busca da carta de alforria que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos concedeu. Ao contrário de muitos de vocês, vou trabalhar o final de semana inteiro. Mas... Não fiquem tristes por mim. Quando a gente ama o que faz – mesmo ganhando pouco – o trabalho vira diversão e a vida fica mais bela.
Eu não ia contar, pois acho que vocês vão dizer que essa vida de trabalhar em televisão é mamata. Mas não é. Acreditem. Estou de malas prontas para a cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina. É o 11º Festival de Lençóis. Não tem nenhuma mega atração musical, mas o lugar, por si só, já é a atração.
Mas, como disse, vida de produtora de televisão não á fácil. Você ficaria com a TV ligada para ver a mesma coisa que viu há um ano no mesmo canal? Agora, imagine que outras equipes de televisão já foram lá centenas de vezes! O que eu posso mostrar sem ser repetitiva? É a arte de reinventar o já inventado e ainda conseguir segurar a audiência. Como sabiamente percebeu o francês Antoine Lavoisier, na natureza – e em televisão - nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Somos um tipo de comunicação em eterna mutação.
Mas, como disse, vida de produtora de televisão não á fácil. Você ficaria com a TV ligada para ver a mesma coisa que viu há um ano no mesmo canal? Agora, imagine que outras equipes de televisão já foram lá centenas de vezes! O que eu posso mostrar sem ser repetitiva? É a arte de reinventar o já inventado e ainda conseguir segurar a audiência. Como sabiamente percebeu o francês Antoine Lavoisier, na natureza – e em televisão - nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Somos um tipo de comunicação em eterna mutação. Passei a semana pesquisando pautas, conversando com pessoas – via telefone - no interior para descobrir novas coisas, novos olhares e como mostrar essas coisas que outras pessoas já olharam. Mas, quem conhece a Chapada nunca vai se cansar de ver novamente e quem nunca foi lá morre de curiosidade ver tudo.
Assim que pisar meus pezinhos naquele paraíso, minha primeira parada prevista será em um dos lugares mais belos que já visitei. Chama-se Morro do Pai Inácio. São 1.120 metros de altitude e 250 metros de altura. É de lá que se tem a visão mais completa e bonita da Chapada.
O Morro leva esse nome em homenagem a Inácio, que, segundo conta a lenda, era um escravo que namorava a filha do seu senhor. Perseguido pelos capangas do coronel Horácio de Matos, Inácio teria subido o morro e, sem ter para onde fugir, teria pulado com um guarda-chuvas aberto. Segundo a tradição popular, o escravo conseguiu sobreviver e escapou pelo vale.Lá no Morro, vamos entrevistar o ator de um filme brasileiro que vai estrear no próximo dia 30 de outubro. Besouro. Um dos filmes brasileiros que estará concorrendo à vaga para concorrer ao próximo Oscar de melhor filme estrangeiro. Vocês já devem ter visto o trailer e é lógico que não vi o filme ainda, mas, confiram abaixo, acredito que é um forte candidato a estatueta.
Bem... Não vou contar, agora, minha previsão para a viagem toda. Assim perde a graça. Mas vou fazer o possível para postar de lá. Na pousada já me avisaram que a Internet só funciona na área da piscina e eu acredito que, nesse lugar, não vou ficar tomando sol de cloro, né?
domingo, 4 de outubro de 2009
BAGUNÇA ORGANIZADA
Tem certas coisas que precisamos passar na vida para adquirirmos experiência e não passarmos pela mesma situação uma segunda vez. Como, por exemplo, estacionar o carro em um lugar, espertamente olhar para conferir a localização e, quando voltar, descobrir que existem mais cinco lugares igualzinhos. Explico.
Domingo à noite, a caminho de um restaurante, resolvi fazer uma parada emergencial num shopping para matar a saudade de um amigo. Ao travar a porta, olhei para a coluna ao lado: G1-D. Não demorei nem 20 minutos. Foi só o tempo de contar duas fofocas, dar dois beijos e tchau, pois tinha um casal de amigos esperando para uma comidinha mexicana. Desço eu cantarolando “vou passear na floresta, enquanto seu lobo não vem...” e começo a procurar o bendito do carro.
De início fui passando o olho despretensiosamente, meio que caminhando com a certeza de que já já chegaria, pois tinha marcado o lugar. Quando olhei atenciosamente ao redor me dei conta da merda em que estava metida.
O estacionamento foi organizado em alas marcadas por cores e letras. Eram 5 cores: azul, verde, amarelo lilás e vermelho. Cada cor vinha acompanhada por uma letra: A, B, C, D, E e F. Ou seja: meu carro tinha 5 possibilidades de lugar para estar, pois eu tinha certeza que estava no G1-D. Mas que cor???
Falando assim até parece simples. Era só caminhar e procurar. Não era. A distância de uma letra para a outra era monstruosa, ainda tinha que mudar de cor até começar tudo de novo e eu já estava passando mal de calor.
Revoltada, comecei a me perguntar por que infernos o demente que projetou aquilo tinha 23 letras para explorar e resolveu complicar a vida de meio mundo de gente usando apenas 6.
Caminhei de um lado para o outro feito uma barata correndo de pizão, olhei o G1-E e no G1-C, que eram os mais próximos do D. Quem sabe eu podia ter me confundido de letra, né? Não custava tentar. Mas nada. Eu andava, andava, andava e quando via já estava na letra A e B. Eram mais de mil carros. Só no G1 e eu vi uns 10 irmãos do meu. Nisso já tinha se passado uns 20 minutos de peregrinação e meus amigos me esperando no restaurante.
Quando meu olho encheu de água, senti vontade de sentar no chão e chorar. Não era só chorar. Eu queria bater o pé, jogar a bolsa no chão, xingar o retardado que pensou que aquela idéia pudesse ser boa e também o acéfalo que aprovou aquela putaria organizada. E se tivessem roubado meu carro? Resolvi pedir ajuda.
Procurei um segurança e, antes de eu abrir a boca, notei que tinham mais 2 pessoas na mesma situação que eu. Passei a placa do carro, cor e provável localização para os rapazes de moto darem uma olhada. Nisso já tinha se passado meia hora e eu morrendo de vergonha de ligar para o casal e avisar: “Olha, me atrasei porque perdi meu carro no estacionamento do shopping!”. Atestado de insuficiência mental. Não dava. Segurei mais um pouco.
Tinham uns 3 motociclistas por “G” para ajudar os clientes. Eles rodaram, rodaram e nada de meu carrinho. Como eu não ia conseguir ficar parada olhando, fui procurando também. Mais 15 minutos e nada do carro brotar. Daí um dos rapazes da moto veio falar comigo. “Ô moça... A senhora tem certeza que estacionou no G1?”. Juro que fiquei receosa de dizer que tinha. Mas eu tinha!!! E se eu tivesse me confundido??? “Moço... Eu não certeza mais de nada. Só sei que entrei nesse inferno desse shopping”.
Via rádio, pediram reforços aos seguranças e motociclistas do G2. Eu já estava morrendo de vergonha, imaginando que iam achar meu carro no outro estacionamento e que ririam horrores da cara da “mulher retardada que nem sabia onde havia largado o carro”. Nada do veículo no G2. Ferrou. “Meus Deus! O que eu fiz com esse carro?”.
Já com cara de impaciente, um deles, que parecia o exterminador do futuro feito de metal líquido (lembram?), me perguntou por onde eu tinha entrado. Disse que, desde o início, já havia explicado para o segurança que tinha entrado pelo acesso 3. “A senhora lembra qual loja viu primeiro quando entrou no shopping?”. Me senti mais anta ainda. “Não moço, eu olhei e gravei a identificação da localização. Achei que fosse suficiente, mas não é.”. Expliquei, mais ou menos, meu percurso até achar uma vaga no que ele exclamou um ar de sabe-tudo da estrela: “Ahhh... Seu carro deve estar lá no setor lilás... Se a senhora tivesse me falado antes... Espera aqui que eu vou lá ver”.
Depois de uma hora, o dito estava certo. Meu humilde possante estava no setor lilás, na área D, como eu havia observado. O motociclista me passou uma olhada de maníaco do parque nas pernas e sugeriu: “Da próxima vez, moça, procure a pessoa certa pra lhe ajudar, pode ser tudo mais prático, viu?”. Só faltou piscar o olho.
Eu mereço?
Resumo da missa: o casal me ligou no meio do bafafá, eu estava mega estressada, contei o que estava acontecendo e eles me chamaram de lerda, disseram para eu parar de beber e, quando cheguei lá, tive que aturar eles me olharem com cara de “admita que você é lerda, vá”.
Não sei o que me deu mais ódio: a putaria organizada do estacionamento, a olhada do homem da moto ou a cara de idiota de meus amigos.
Domingo à noite, a caminho de um restaurante, resolvi fazer uma parada emergencial num shopping para matar a saudade de um amigo. Ao travar a porta, olhei para a coluna ao lado: G1-D. Não demorei nem 20 minutos. Foi só o tempo de contar duas fofocas, dar dois beijos e tchau, pois tinha um casal de amigos esperando para uma comidinha mexicana. Desço eu cantarolando “vou passear na floresta, enquanto seu lobo não vem...” e começo a procurar o bendito do carro.
De início fui passando o olho despretensiosamente, meio que caminhando com a certeza de que já já chegaria, pois tinha marcado o lugar. Quando olhei atenciosamente ao redor me dei conta da merda em que estava metida.
O estacionamento foi organizado em alas marcadas por cores e letras. Eram 5 cores: azul, verde, amarelo lilás e vermelho. Cada cor vinha acompanhada por uma letra: A, B, C, D, E e F. Ou seja: meu carro tinha 5 possibilidades de lugar para estar, pois eu tinha certeza que estava no G1-D. Mas que cor???
Falando assim até parece simples. Era só caminhar e procurar. Não era. A distância de uma letra para a outra era monstruosa, ainda tinha que mudar de cor até começar tudo de novo e eu já estava passando mal de calor.
Revoltada, comecei a me perguntar por que infernos o demente que projetou aquilo tinha 23 letras para explorar e resolveu complicar a vida de meio mundo de gente usando apenas 6.
Caminhei de um lado para o outro feito uma barata correndo de pizão, olhei o G1-E e no G1-C, que eram os mais próximos do D. Quem sabe eu podia ter me confundido de letra, né? Não custava tentar. Mas nada. Eu andava, andava, andava e quando via já estava na letra A e B. Eram mais de mil carros. Só no G1 e eu vi uns 10 irmãos do meu. Nisso já tinha se passado uns 20 minutos de peregrinação e meus amigos me esperando no restaurante.
Quando meu olho encheu de água, senti vontade de sentar no chão e chorar. Não era só chorar. Eu queria bater o pé, jogar a bolsa no chão, xingar o retardado que pensou que aquela idéia pudesse ser boa e também o acéfalo que aprovou aquela putaria organizada. E se tivessem roubado meu carro? Resolvi pedir ajuda.
Procurei um segurança e, antes de eu abrir a boca, notei que tinham mais 2 pessoas na mesma situação que eu. Passei a placa do carro, cor e provável localização para os rapazes de moto darem uma olhada. Nisso já tinha se passado meia hora e eu morrendo de vergonha de ligar para o casal e avisar: “Olha, me atrasei porque perdi meu carro no estacionamento do shopping!”. Atestado de insuficiência mental. Não dava. Segurei mais um pouco.
Tinham uns 3 motociclistas por “G” para ajudar os clientes. Eles rodaram, rodaram e nada de meu carrinho. Como eu não ia conseguir ficar parada olhando, fui procurando também. Mais 15 minutos e nada do carro brotar. Daí um dos rapazes da moto veio falar comigo. “Ô moça... A senhora tem certeza que estacionou no G1?”. Juro que fiquei receosa de dizer que tinha. Mas eu tinha!!! E se eu tivesse me confundido??? “Moço... Eu não certeza mais de nada. Só sei que entrei nesse inferno desse shopping”.
Via rádio, pediram reforços aos seguranças e motociclistas do G2. Eu já estava morrendo de vergonha, imaginando que iam achar meu carro no outro estacionamento e que ririam horrores da cara da “mulher retardada que nem sabia onde havia largado o carro”. Nada do veículo no G2. Ferrou. “Meus Deus! O que eu fiz com esse carro?”.
Já com cara de impaciente, um deles, que parecia o exterminador do futuro feito de metal líquido (lembram?), me perguntou por onde eu tinha entrado. Disse que, desde o início, já havia explicado para o segurança que tinha entrado pelo acesso 3. “A senhora lembra qual loja viu primeiro quando entrou no shopping?”. Me senti mais anta ainda. “Não moço, eu olhei e gravei a identificação da localização. Achei que fosse suficiente, mas não é.”. Expliquei, mais ou menos, meu percurso até achar uma vaga no que ele exclamou um ar de sabe-tudo da estrela: “Ahhh... Seu carro deve estar lá no setor lilás... Se a senhora tivesse me falado antes... Espera aqui que eu vou lá ver”.
Depois de uma hora, o dito estava certo. Meu humilde possante estava no setor lilás, na área D, como eu havia observado. O motociclista me passou uma olhada de maníaco do parque nas pernas e sugeriu: “Da próxima vez, moça, procure a pessoa certa pra lhe ajudar, pode ser tudo mais prático, viu?”. Só faltou piscar o olho.
Eu mereço?
Resumo da missa: o casal me ligou no meio do bafafá, eu estava mega estressada, contei o que estava acontecendo e eles me chamaram de lerda, disseram para eu parar de beber e, quando cheguei lá, tive que aturar eles me olharem com cara de “admita que você é lerda, vá”.
Não sei o que me deu mais ódio: a putaria organizada do estacionamento, a olhada do homem da moto ou a cara de idiota de meus amigos.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
É DIFÍCIL SER HONESTA
Não reparem na minha velocidade esses dias. Estou no início de uma TPM daquelas e todos os sentimentos ficam vorazmente mais à flor da pele. A verborragia está correndo solta e se eu não botar pra fora o que está no cabeção sou capaz de pirar.
Se num dia comum eu esbravejaria com alguém que coloca coisa alheia em cima de minha mesa, nesses dias eu entro em erupção. O bom é que, no trabalho, ninguém mais me dá atenção nesses dias e tudo passa. O que fica depois dessa ebulição de progesterona é um silêncio envergonhado de 15 dias até a próxima TPM chegar e transbordar toda lava que há em mim.
Já fui pior. Creiam. Faz alguns meses que optei por descarregar parte dessa tensão em sessões semanais de terapia. Ajudou bastante e me fez aprender a calar em momentos oportunos, compreender a incomunicação alheia, sorrir mais... Mas ainda não resolveu.
Assim como tenho aversão a pessoas lentas, tenho horror, não acredito em pessoas boazinhas. Sabe a Rutinha da novela Mulheres de areia? Sim... Ela mesma. A irmã de Raquel. Não acredito que exista alguém assim e detesto todas as pessoas que tentam se passar pelo anjo bom da humanidade.
Acredito em pessoas boas, que querem fazer o bem, que têm a caridade nas atitudes, o amor no coração. Mas não acredito em bondade gratuita. Ninguém tem água correndo nas veias a ponto de outro lhe sacanear o tempo todo e você sorrir e dar o outro lado da face. Isso, para mim, pode ser sinal de inteligência emocional controladíssima ou insuficiência cerebral mesmo. Vamos aos exemplos práticos.
Durante a faculdade fiz muitos amigos, mas também fiz com que muitas pessoas passassem a me detestar. Estou cagando para elas. Sou assim. Provoco sensações, instigo sentimentos antagônicos. Me ama ou me odeia. Ou os dois.
Tive uma professora de Políticas da Comunicação que tem um gênio muito parecido com o meu e, no início, nos bicamos muito. Mas, com o passar do tempo, conseguimos conversar a mesma língua. Um dia larguei uma pérola na sala. “Eu não acredito no sucesso desses movimentos dos ‘sem-tudo’. Sou de família muito pobre e tive que ralar muito pra conseguir alguma coisa na vida. Essas pessoas lutam por coisas que, depois de conseguidas, vão se desfazer em troca de uma grana e continuar no movimento brigando para ganhar de novo. Vão morrer lutando’. Ela, óbvio, discordou de mim, explicou seus motivos e disse para o resto da turma que, em grande parte, protestou veemente à minha argumentação: “Sabe qual a diferença entre Luciana e vocês? Ela diz o que pensa e não é hipócrita para assumir um discurso politicamente correto só para ser bem vista...”.
Acho que foi a sinceridade da minha declaração que conquistou seu nobre coração, pois, a partir daí, desenvolvemos uma amizade grande, sentimento de admiração e respeito mútuo.
Falta sinceridade no coração das pessoas. Não falo de sair por aí ofendendo todos e dizendo verdades desnecessárias só para ser a porreta. Me refiro a uma honestidade com a vida, com o ser humano. Se eu detesto que mexam nos papéis da minha mesa de trabalho, porque vou sorrir e dizer “não tem nada não” quando algum filho da p#!@ bagunça tudo sem minha autorização? Para fazer a média de boa moça? Não. Essa aí não sou, não serei assim para agradar ninguém e detesto esse tipo de gente. É claro que não preciso matar a pessoa, mas é lógico que preciso lhe dizer que, por favor, quando quiser algo meu me peça emprestado e não bagunce a minha mesa. Mordi?
Mostrei um trecho deste post a um amigo. Sabe o que ele me disse? “Você precisa arrumar um namorado” – estou amenizando as palavras dele. Respondi: “Amigo... ‘brinquei’, nos últimos dias, uma quantidade de vezes o suficientemente eficaz para concluir que minha vida hormonal está operando normalmente. O que anda em baixa é o intelecto das pessoas capacitadas para ‘brincar’ direito. Os homens inteligentes não sabem 'brincar', os que 'bricam' muuito bem não prestam e quando prestam são burros”. Resposta: “Você está muito afiada hoje, amanhã a gente se fala, tá?”. Até.
Se num dia comum eu esbravejaria com alguém que coloca coisa alheia em cima de minha mesa, nesses dias eu entro em erupção. O bom é que, no trabalho, ninguém mais me dá atenção nesses dias e tudo passa. O que fica depois dessa ebulição de progesterona é um silêncio envergonhado de 15 dias até a próxima TPM chegar e transbordar toda lava que há em mim.
Já fui pior. Creiam. Faz alguns meses que optei por descarregar parte dessa tensão em sessões semanais de terapia. Ajudou bastante e me fez aprender a calar em momentos oportunos, compreender a incomunicação alheia, sorrir mais... Mas ainda não resolveu.
Assim como tenho aversão a pessoas lentas, tenho horror, não acredito em pessoas boazinhas. Sabe a Rutinha da novela Mulheres de areia? Sim... Ela mesma. A irmã de Raquel. Não acredito que exista alguém assim e detesto todas as pessoas que tentam se passar pelo anjo bom da humanidade.
Acredito em pessoas boas, que querem fazer o bem, que têm a caridade nas atitudes, o amor no coração. Mas não acredito em bondade gratuita. Ninguém tem água correndo nas veias a ponto de outro lhe sacanear o tempo todo e você sorrir e dar o outro lado da face. Isso, para mim, pode ser sinal de inteligência emocional controladíssima ou insuficiência cerebral mesmo. Vamos aos exemplos práticos.
Durante a faculdade fiz muitos amigos, mas também fiz com que muitas pessoas passassem a me detestar. Estou cagando para elas. Sou assim. Provoco sensações, instigo sentimentos antagônicos. Me ama ou me odeia. Ou os dois.
Tive uma professora de Políticas da Comunicação que tem um gênio muito parecido com o meu e, no início, nos bicamos muito. Mas, com o passar do tempo, conseguimos conversar a mesma língua. Um dia larguei uma pérola na sala. “Eu não acredito no sucesso desses movimentos dos ‘sem-tudo’. Sou de família muito pobre e tive que ralar muito pra conseguir alguma coisa na vida. Essas pessoas lutam por coisas que, depois de conseguidas, vão se desfazer em troca de uma grana e continuar no movimento brigando para ganhar de novo. Vão morrer lutando’. Ela, óbvio, discordou de mim, explicou seus motivos e disse para o resto da turma que, em grande parte, protestou veemente à minha argumentação: “Sabe qual a diferença entre Luciana e vocês? Ela diz o que pensa e não é hipócrita para assumir um discurso politicamente correto só para ser bem vista...”.
Acho que foi a sinceridade da minha declaração que conquistou seu nobre coração, pois, a partir daí, desenvolvemos uma amizade grande, sentimento de admiração e respeito mútuo.
Falta sinceridade no coração das pessoas. Não falo de sair por aí ofendendo todos e dizendo verdades desnecessárias só para ser a porreta. Me refiro a uma honestidade com a vida, com o ser humano. Se eu detesto que mexam nos papéis da minha mesa de trabalho, porque vou sorrir e dizer “não tem nada não” quando algum filho da p#!@ bagunça tudo sem minha autorização? Para fazer a média de boa moça? Não. Essa aí não sou, não serei assim para agradar ninguém e detesto esse tipo de gente. É claro que não preciso matar a pessoa, mas é lógico que preciso lhe dizer que, por favor, quando quiser algo meu me peça emprestado e não bagunce a minha mesa. Mordi?
Mostrei um trecho deste post a um amigo. Sabe o que ele me disse? “Você precisa arrumar um namorado” – estou amenizando as palavras dele. Respondi: “Amigo... ‘brinquei’, nos últimos dias, uma quantidade de vezes o suficientemente eficaz para concluir que minha vida hormonal está operando normalmente. O que anda em baixa é o intelecto das pessoas capacitadas para ‘brincar’ direito. Os homens inteligentes não sabem 'brincar', os que 'bricam' muuito bem não prestam e quando prestam são burros”. Resposta: “Você está muito afiada hoje, amanhã a gente se fala, tá?”. Até.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
MEU DESCOMPASSO RELÓGIO
Sou hiperativa. Não daquelas de conversar com alguém pulando ou dando cambalhotas, mas dessas de estar dirigindo balançando a perna, falando ao telefone e conversando com outra pessoa ao lado e digitando um documento ao mesmo tempo. É estranho, pois quando estou fazendo uma coisa só, me sinto uma desocupada. É como se meu subconsciente dissesse: “Ei, você tem 2 braços, 2 pernas, 2 ouvidos e 2 olhos. Vamos gastar isso?”. O negócio é que a cabeça é só uma – pelo menos nas mulheres - e, às vezes, ela cansa de enviar tantos comandos ao mesmo tempo.
Apesar de os baianos carregarem o apelido de preguiçosos, eu queria conseguir dar vazão a essa preguiça “congênita” que me puxa para o primeiro encosto que avisto. Mas só de pensar em gente assim me dá nos nervos. A vontade que tenho, ao me deparar com alguma lesma disfarçada em forma humana, é puxar pelos braços, sacolejar, dar duas bifas na cara e empurrar ladeira a baixo. Ufa!!! Só de falar me sinto aliviada!!!
Trabalho de 10h a 12h por dia, faço aula de dança, curso de língua estrangeira e tenho algumas
sessões médicas semanais (inadiáveis). Vou ao cinema, pelo menos, duas vezes por semana, saio com os amigos, dou atenção a minha filha-sobrinha e ainda encontro tempo para brigar com meus irmãos!!! Nessa rotina, ainda vou incluir uma pós-graduação.
Acho que sou viciada em usar o tempo da forma mais proveitosa possível, só que esse aproveitamento traz conseqüências não muito positivas.
Uma delas é que dirijo com pressa. Muita pressa. Tem horas que sinto vontade de andar com uma mega “pá” acoplada à frente do meu carrinho para levantar todos aqueles veículos, conduzidos por pessoas com síndrome irreversível da lerdeza, e jogá-los para muito, muito, longe – esse desejo é tão latente que estou encomendando um carro de corrida em formato de trator. Eu não consigo entender para que infernos uma pessoa compra um possante 2.0, tracionado, ainda coloca uma porra de um aerofólio e anda a 60km na pista de velocidade, onde o limite é 80. A tremedeira de raiva bate mais “de com força” porque esses seres acham que podem ficar desfilando na pista de velocidade e não dão passagem a quem quer adiantar.
Nessas horas eu queria que meu humilde 1.0 se transformasse no Megatron para eu sair gritando e pisando tudo quanto é gente lerda que eu encontrasse pela frente, lados, costas.
Acho essa pressa péssima, mas faz parte de mim. Como citou a Isa, “tenho síndrome de Gabriela”. Eu nasci assim, vou ser sempre assim...
A outro ponto ruim é que, na hora de dormir, tenho a sensação de que poderia aproveitar aquele momento para fazer outras coisas, como escrever no blog, por exemplo. Enquanto estou acordada o desejo de consumir o tempo manda em mim, me consome. Mas, depois que consigo abstrair o relógio e dormir, uma entidade poderosa toma conta dessa pessoa que vos escreve e não mais me governo. É um santo chamado “sono”. Quando estou de olhos fechados quem manda em mim é ele. Ao acordar, a primeira coisa que penso é derrubar todas as pautas que não sejam o trabalho e voltar para minha cama. É lógico que depois do banho essa sensação passa, a correria começa e minha corrida contra o tempo vira prioridade.
Eis aí o que me consome: correr contra o tempo. A sensação que fica, ao mensurar tudo isso, é que não estou usando o tic-tac dos minutos ao meu favor, pois é o tempo quem me consome, fazendo-me crer que o estou usando da melhor forma. E outra: cada pessoa tem seu tempo para fazer as coisas, o importante é cumprir as obrigações. Não dá para impor minha velocidade aos outros. Tenho essa consciência.
Mas se o mundo não vai andar na minha velocidade, porque não me deixam voar no limite que consigo? Estou matando o tempo para ele não me matar.
Apesar de os baianos carregarem o apelido de preguiçosos, eu queria conseguir dar vazão a essa preguiça “congênita” que me puxa para o primeiro encosto que avisto. Mas só de pensar em gente assim me dá nos nervos. A vontade que tenho, ao me deparar com alguma lesma disfarçada em forma humana, é puxar pelos braços, sacolejar, dar duas bifas na cara e empurrar ladeira a baixo. Ufa!!! Só de falar me sinto aliviada!!!
Trabalho de 10h a 12h por dia, faço aula de dança, curso de língua estrangeira e tenho algumas
sessões médicas semanais (inadiáveis). Vou ao cinema, pelo menos, duas vezes por semana, saio com os amigos, dou atenção a minha filha-sobrinha e ainda encontro tempo para brigar com meus irmãos!!! Nessa rotina, ainda vou incluir uma pós-graduação.Acho que sou viciada em usar o tempo da forma mais proveitosa possível, só que esse aproveitamento traz conseqüências não muito positivas.
Uma delas é que dirijo com pressa. Muita pressa. Tem horas que sinto vontade de andar com uma mega “pá” acoplada à frente do meu carrinho para levantar todos aqueles veículos, conduzidos por pessoas com síndrome irreversível da lerdeza, e jogá-los para muito, muito, longe – esse desejo é tão latente que estou encomendando um carro de corrida em formato de trator. Eu não consigo entender para que infernos uma pessoa compra um possante 2.0, tracionado, ainda coloca uma porra de um aerofólio e anda a 60km na pista de velocidade, onde o limite é 80. A tremedeira de raiva bate mais “de com força” porque esses seres acham que podem ficar desfilando na pista de velocidade e não dão passagem a quem quer adiantar.
Nessas horas eu queria que meu humilde 1.0 se transformasse no Megatron para eu sair gritando e pisando tudo quanto é gente lerda que eu encontrasse pela frente, lados, costas.
Acho essa pressa péssima, mas faz parte de mim. Como citou a Isa, “tenho síndrome de Gabriela”. Eu nasci assim, vou ser sempre assim...
A outro ponto ruim é que, na hora de dormir, tenho a sensação de que poderia aproveitar aquele momento para fazer outras coisas, como escrever no blog, por exemplo. Enquanto estou acordada o desejo de consumir o tempo manda em mim, me consome. Mas, depois que consigo abstrair o relógio e dormir, uma entidade poderosa toma conta dessa pessoa que vos escreve e não mais me governo. É um santo chamado “sono”. Quando estou de olhos fechados quem manda em mim é ele. Ao acordar, a primeira coisa que penso é derrubar todas as pautas que não sejam o trabalho e voltar para minha cama. É lógico que depois do banho essa sensação passa, a correria começa e minha corrida contra o tempo vira prioridade.
Eis aí o que me consome: correr contra o tempo. A sensação que fica, ao mensurar tudo isso, é que não estou usando o tic-tac dos minutos ao meu favor, pois é o tempo quem me consome, fazendo-me crer que o estou usando da melhor forma. E outra: cada pessoa tem seu tempo para fazer as coisas, o importante é cumprir as obrigações. Não dá para impor minha velocidade aos outros. Tenho essa consciência.
Mas se o mundo não vai andar na minha velocidade, porque não me deixam voar no limite que consigo? Estou matando o tempo para ele não me matar.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
DEBAIXO DOS CARACÓIS...
Analisando minhas fotinhas, senti-me um camaleão de peruca. Cabelo curto, comprido, cacheado, escovado, fio reto, repicado, em “V”, castanho, preto, vermelho sangue. Brancos ainda não – pelo menos!!! A verdade é que as madeixas mudam a cara, o astral e a auto-estima de qualquer mulher. Se os cabelos estão belos 50% de chance de o humor piscar no verde limão.
Nada melhor que alguém te encontrar e dizer: Nossa... Sua voz continua a mesma, mas seus cabelos... Quaaaanta diferença!!!
Agora me diga aí: como posso achar meus cabelitchos lindos assistindo às novelas Globais?
É impossível!!! Tenho pena das meninas que crescem assistindo Malhação e tomam o cabelo das atrizes por padrão a ser esticado. Basta observar como mudaram os fios de Camila Pitanga, Cristiane Torloni, Angélica, Daniela Mercury, dentre outras mil. Não sei que tipo de ácido poderoso a Globo dá para esse povo beber que os cabelos brotam lisinhos lisinhos do cabeção.
Eu moro na Bahia, velho, e 80% das pessoas aqui têm cabelos crespos e cacheados. Mas ninguém mais quer ter cachos! Ditadura das escovas!!! Inventaram mil nomes: progressiva, inteligente, ionizada, japonesa, etc. e tals. Mas não adianta!!! Pau que nasce torto nunca se endireita.
O povo daqui inventa de escovar o cabelo e ir pular atrás do trio. Quando o suor começa a derramar – lógico, não há Xuxa que não derreta atrás do Asa de Águia, em Praia do Forte, num calor de 30 graus – a raiz do arame dá aquela repuxada e mostra todas as farpas. Ôu, mái!!! Se perder o prendedor de cabelo vai ser um pega pra capá - confusão em baianês!
Não ia nem citar as moçoilas que deixam a cabeleira escovada por uma semana. No quinto dia os fios já estão tão tão tão engordurados, do sol e suor, que fica aquele aspecto de macarrão unidos venceremos. Se cair um fio todos caem juntos em solidariedade. O que era para ter ficado belo vira sinônimo de imundície.
Estou na fase de valorizar os meus fios compridos e encaracolados. O negócio é que só lavo cabelo no salão. Não sou rica, longe disso. É que não levo o menor jeito para hidratar com um creme Mega Master Blaster Plus Advanced e dar o brilho que meus tão humilhados cachinhos merecem. Passo por todo um processo para ele cachear.
Fico meia hora apertando, apertando, apertando ele com as mãos até ficar tudo formadinho. Formou? Daí tenho que esperar secar com o pescoço duro – tipo com torcicolo - pois se um cacho cair para a frente ferrou. Uma vez caído o “molho” não fica mais a mesma coisa.
Tenho uma amiga que me disse que já se trancou no carro com o ar condicionado ligado para o cabelo secar mais rápido!!! Não dá, né? Além da grana da cabeleireira, do creme plus ainda tem a gasolina! É mais barato raspar a cabeça e adotar um visual punk!
Para mim, cabelo molhado só de dia, não dá para sair na night com as madeixas molhadas – não o meu que é volumoso e não seca. Ah! E tem as meninas que jogam 1Kg de creme na cabeça e depois fica tudo escorrendo na roupa ou nas costas. É uma meleca!
Vocês já observaram que, até nas propagandas de produtos hair, os cachos não são naturais, são todos feitos de babyliss?
Porra, velho!
Minha sobrinha-filha tem os cachinhos mais lindos do mundo e um dia desses pediu à minha mãe para passar chapinha no cabelo para ir para a escola. Pense numa criança de 4 anos batendo pé para passar a maldita “pranchinha”? Parecia aquele menino que só queria fazer "cocô" na casa do Pedrinho! Achei aquilo o cúmulo do absurdo e dediquei um dia de conversa a fim de lhe convencer, para todo o sempre, que seus cabelos são lindos e que seus cachos são maravilhosos.
Se aprendermos a valorizar, e gostar, do que temos, desde pequenas, com certeza, nos aceitaremos e teremos uma auto-estima mais concreta.
Mas como ela pode acreditar nisso vivendo em uma cultura onde o padrão de beleza capilar exige cabelos lisos, ralos, louros e brilhantes? Não dá... Respeitem os meus cachinhos!!!
Nada melhor que alguém te encontrar e dizer: Nossa... Sua voz continua a mesma, mas seus cabelos... Quaaaanta diferença!!!
Agora me diga aí: como posso achar meus cabelitchos lindos assistindo às novelas Globais?
É impossível!!! Tenho pena das meninas que crescem assistindo Malhação e tomam o cabelo das atrizes por padrão a ser esticado. Basta observar como mudaram os fios de Camila Pitanga, Cristiane Torloni, Angélica, Daniela Mercury, dentre outras mil. Não sei que tipo de ácido poderoso a Globo dá para esse povo beber que os cabelos brotam lisinhos lisinhos do cabeção.
Eu moro na Bahia, velho, e 80% das pessoas aqui têm cabelos crespos e cacheados. Mas ninguém mais quer ter cachos! Ditadura das escovas!!! Inventaram mil nomes: progressiva, inteligente, ionizada, japonesa, etc. e tals. Mas não adianta!!! Pau que nasce torto nunca se endireita.
O povo daqui inventa de escovar o cabelo e ir pular atrás do trio. Quando o suor começa a derramar – lógico, não há Xuxa que não derreta atrás do Asa de Águia, em Praia do Forte, num calor de 30 graus – a raiz do arame dá aquela repuxada e mostra todas as farpas. Ôu, mái!!! Se perder o prendedor de cabelo vai ser um pega pra capá - confusão em baianês!
Não ia nem citar as moçoilas que deixam a cabeleira escovada por uma semana. No quinto dia os fios já estão tão tão tão engordurados, do sol e suor, que fica aquele aspecto de macarrão unidos venceremos. Se cair um fio todos caem juntos em solidariedade. O que era para ter ficado belo vira sinônimo de imundície.
Estou na fase de valorizar os meus fios compridos e encaracolados. O negócio é que só lavo cabelo no salão. Não sou rica, longe disso. É que não levo o menor jeito para hidratar com um creme Mega Master Blaster Plus Advanced e dar o brilho que meus tão humilhados cachinhos merecem. Passo por todo um processo para ele cachear.
Fico meia hora apertando, apertando, apertando ele com as mãos até ficar tudo formadinho. Formou? Daí tenho que esperar secar com o pescoço duro – tipo com torcicolo - pois se um cacho cair para a frente ferrou. Uma vez caído o “molho” não fica mais a mesma coisa.
Tenho uma amiga que me disse que já se trancou no carro com o ar condicionado ligado para o cabelo secar mais rápido!!! Não dá, né? Além da grana da cabeleireira, do creme plus ainda tem a gasolina! É mais barato raspar a cabeça e adotar um visual punk!
Para mim, cabelo molhado só de dia, não dá para sair na night com as madeixas molhadas – não o meu que é volumoso e não seca. Ah! E tem as meninas que jogam 1Kg de creme na cabeça e depois fica tudo escorrendo na roupa ou nas costas. É uma meleca!
Vocês já observaram que, até nas propagandas de produtos hair, os cachos não são naturais, são todos feitos de babyliss?
Porra, velho!
Minha sobrinha-filha tem os cachinhos mais lindos do mundo e um dia desses pediu à minha mãe para passar chapinha no cabelo para ir para a escola. Pense numa criança de 4 anos batendo pé para passar a maldita “pranchinha”? Parecia aquele menino que só queria fazer "cocô" na casa do Pedrinho! Achei aquilo o cúmulo do absurdo e dediquei um dia de conversa a fim de lhe convencer, para todo o sempre, que seus cabelos são lindos e que seus cachos são maravilhosos.
Se aprendermos a valorizar, e gostar, do que temos, desde pequenas, com certeza, nos aceitaremos e teremos uma auto-estima mais concreta.
Mas como ela pode acreditar nisso vivendo em uma cultura onde o padrão de beleza capilar exige cabelos lisos, ralos, louros e brilhantes? Não dá... Respeitem os meus cachinhos!!!
domingo, 20 de setembro de 2009
CONFUSÃO ASTRAL
Sempre acreditei em astrologia, a ciência dos astros. Creio porque sinto a resposta em mim, ou, pelo menos, sentia. Não se trata daquele signo que sai no jornal todo dia e que te diz para usar uma roupa vermelha, um batom rosa, um sapato roxo e que seu número de sorte é 696969.
Entendo a astrologia como um efeito borboleta em nossas vidas. Quando você nasce, uma série de coisas está em andamento e, tudo que está acontecendo naquele exato momento, vai influenciar sobre quem você é e vai ser. Não vejo isso como determinismo, mas como uma predisposição para você ser de um jeito. Mas tudo pode mudar.
Sou a ariana mais típica que você pode imaginar. Impaciente, mandona, vingativa, colérica, superprotetora, zelosa, extremamente possessiva, não tolera infidelidade nem a perdoa facilmente, boa companheira, sonhadora, romântica, volúvel. Prazer. Esta sou eu. Os detalhes dos quais me envergonho omiti, afinal quem manda aqui sou eu.
Meu ex-marido, para fazer jus ao signo, me arrumou até um par de chifres enormes – sem ressentimentos – daqueles que dão voltas e voltas e voltas. Não ache que sofro com isso. Pelo contrário, também temos signo lunar, que é mais ou menos a posição da lua quando nascemos, que influencia em quem seremos. Também tem meu ascendente, que é virgem, o que me possibilitou ter características boas o suficiente para deixá-lo vivo e com menos ódio no meu coração. Áries é fogo, virgem é terra. A fogueira pode ser feita em cima da terra, mas jogada em cima do fogo a terra o apaga. Graças a isso meu ex está sorrindo em algum lugar.
Ser de Áries, o primeiro signo do zodíaco, do elemento fogo, que tem a cabeça como o centro do corpo, foi um orgulho! Amo ser ariana. Eu tinha uma amiga leonina que, quando eu cedia a uma crise histérica, daquelas de pular feito uma louca e espumar só porque alguém havia me contrariado, ela ria e dizia: “Olha que ariana! Calma ariana!”. Teve um dia que fiquei toda sorridente, pois uma pessoa altamente linda me disse que os arianos eram os melhores amantes. Daí pensei: “É meu! É meu! É meu!”. A verdade astrológica veio em seguida. “Mas amam num dia e desprezam no outro”. Pôxa, não dava para lembrar disso depois?
Cresci achando que sabia quem eu era, até uma astróloga me informar que, na hora em que eu nasci, o sol já regia o signo de touro. Ou seja: eu sou, segundo ela, uma taurina. O importante é não deixar de ter chifres – tenho que rir da situação para não morrer de ódio, né?!
Fiquei arrasada! Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? Hã? Quem é você? Eu te conheço? Crise existencial. O que importa onde estava o sol na hora em que nasci? E se tivesse chovendo? Mas, de fato, quem sou eu? Aquela que dizem que sou, aquela que me sinto ou a que me vejo? Queria que passassem uma borracha em mim e me reescrevessem de novo.
Passei dias e dias digerindo a situação, li muito sobre o assunto e relaxei. Eu sou essa que construí me misturando. Que sorri para chorar, odeia para amar, cai para levantar, sonha para viver, se contradiz para se afirmar, enxota para acariciar. Sou simples, não é?
Entendo a astrologia como um efeito borboleta em nossas vidas. Quando você nasce, uma série de coisas está em andamento e, tudo que está acontecendo naquele exato momento, vai influenciar sobre quem você é e vai ser. Não vejo isso como determinismo, mas como uma predisposição para você ser de um jeito. Mas tudo pode mudar.
Sou a ariana mais típica que você pode imaginar. Impaciente, mandona, vingativa, colérica, superprotetora, zelosa, extremamente possessiva, não tolera infidelidade nem a perdoa facilmente, boa companheira, sonhadora, romântica, volúvel. Prazer. Esta sou eu. Os detalhes dos quais me envergonho omiti, afinal quem manda aqui sou eu.
Meu ex-marido, para fazer jus ao signo, me arrumou até um par de chifres enormes – sem ressentimentos – daqueles que dão voltas e voltas e voltas. Não ache que sofro com isso. Pelo contrário, também temos signo lunar, que é mais ou menos a posição da lua quando nascemos, que influencia em quem seremos. Também tem meu ascendente, que é virgem, o que me possibilitou ter características boas o suficiente para deixá-lo vivo e com menos ódio no meu coração. Áries é fogo, virgem é terra. A fogueira pode ser feita em cima da terra, mas jogada em cima do fogo a terra o apaga. Graças a isso meu ex está sorrindo em algum lugar.
Ser de Áries, o primeiro signo do zodíaco, do elemento fogo, que tem a cabeça como o centro do corpo, foi um orgulho! Amo ser ariana. Eu tinha uma amiga leonina que, quando eu cedia a uma crise histérica, daquelas de pular feito uma louca e espumar só porque alguém havia me contrariado, ela ria e dizia: “Olha que ariana! Calma ariana!”. Teve um dia que fiquei toda sorridente, pois uma pessoa altamente linda me disse que os arianos eram os melhores amantes. Daí pensei: “É meu! É meu! É meu!”. A verdade astrológica veio em seguida. “Mas amam num dia e desprezam no outro”. Pôxa, não dava para lembrar disso depois?
Cresci achando que sabia quem eu era, até uma astróloga me informar que, na hora em que eu nasci, o sol já regia o signo de touro. Ou seja: eu sou, segundo ela, uma taurina. O importante é não deixar de ter chifres – tenho que rir da situação para não morrer de ódio, né?!
Fiquei arrasada! Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? Hã? Quem é você? Eu te conheço? Crise existencial. O que importa onde estava o sol na hora em que nasci? E se tivesse chovendo? Mas, de fato, quem sou eu? Aquela que dizem que sou, aquela que me sinto ou a que me vejo? Queria que passassem uma borracha em mim e me reescrevessem de novo.
Passei dias e dias digerindo a situação, li muito sobre o assunto e relaxei. Eu sou essa que construí me misturando. Que sorri para chorar, odeia para amar, cai para levantar, sonha para viver, se contradiz para se afirmar, enxota para acariciar. Sou simples, não é?
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
HIPOCRISIA CIVILIZATÓRIA
Existem certas coisas que são comuns a todos, como as necessidades fisiológicas, que tomo como exemplo, hoje, para postar o selinho que ganhei de Aninha Leme. Minhas palavras sinceras tem tudo a ver com o balão do selinho abaixo.
É extremamente estranho como todos nascemos defecando, urinando, distribuindo flatos pela atmosfera. Isso é até um bom sinal quando chegamos ao mundo, pois significa que o bebê está bem e já pode ir descarregar as necessidades em casa. Ao crescer, essa noção de vida se inverte de tal forma, que todos perdemos o intestino à medida que tomamos conhecimento do que é o mundo esteticamente correto. Ninguém mija, nem caga nem peida. Tem gente aí do outro lado que deve estar me achando “umazinha” por falar publicamente sobre isso. Quem for flagrado portando – ou largando, o que é pior – alguma fisiologia por aí pode perder, para toda a eternidade, o ar de elegância, inteligência e sensualidade conquistado ao longo de uma vida.
Essa aversão a “escatologias fisiológicas” está tão presente em nossa cultura que é sinônimo de imundície para quem os profere abertamente. A hipocrisia ridícula me dominava até hoje. Não mais.
Sabe aquele gato? Moreno, alto, voz sussurrando ao pé de ouvido, músculos bem distribuídos em todos os graus, mãos fortes. Maior pegação, suor - suar pouco, pode, né? Sudorese já entra para a lista de escatologias – e, de repente, um PRRROOOOCCCCC. O moço nem abre o olho enquanto você arregala os seus dois e congela a imagem até decidir se cai na risada, tampa o nariz ou sai correndo. Foi um pum, um peido, um flato, que vem do latim flatus, e que é uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus. Sim, o que conhecemos popularmente como “cu”. Na hora, leitores, o gato vira rato e eu evaporo.
Isso não aconteceu comigo. Garanto. O que mudou minha opinião conto nos parágrafos que seguem. Mas... Alguém faria diferente? Não se trata de um namorado de anos (se for recente vira ex rapidinho) nem de um marido. É um paquera recente com curriculum bem encaminhado no setor pessoal. Você contrataria esse serviço?
Eu tive uma amiga que foi casada uns 3 anos e o marido dela jurava que a esposa não tinha intestino. O caçador de puns me garantiu que quando ela saía do banho ele entrava correndo para ver se descobria algum gás nobre se dissipando pelo ambiente. Como ela conseguia fazer “isso” só na hora do banho? Ela não ligava para as flatulências, por cima e por baixo, dele, mas ficava vermelha só de ouvir falar nos gases próprios.
O que me aconteceu hoje foi o seguinte: estou eu na casa de uma pessoa que tem a família mais bem dotada de beleza da cidade. O irmão dessa pessoa é a coisa mais graciosa que existe. A lindeza estava tomando banho quando cheguei e já imaginei o corpinho esbelto passeando de toalha na minha frente no caminho do quarto. Antes de ouvir o “nhéééééc” da porta, senti o odor de um gás que parecia ter sido expelido dos confins da Terra, através de um vulcão em estado latente de erupção. Como uma coisinha tão linda pode carregar dentro de si uma granada daquele porte?
Mas daí me veio o questionamento: “O que tem de anormal nisso?”. As pessoas nascem, crescem e morrem. Tudo que entra sái. O cara tem um intestino que funciona bem, né? Pelo menos é saudável... É uma hipocrisia muito grande viver como minha amiga fingindo que não tem quase 9 metros de intestino transportando bosta dentro de si!
Nas aulas de antropologia, aprendi que, um dia, a sociedade passou por um processo civilizatório em que a nobreza distinguia-se da plebe pelos costumes. O hábito de comer de mão, odores do corpo, jeito de comer, de se comportar foi mudando a forma de ser visto por uma necessidade de o homem nobre ter atitude civilizada, que não lembrassem um animal, o que de fato ele era e continua sendo.
Temos tanto nojo dessas comprovações fisiologicamente humanas de vida que somos capazes de deixar de amar um homem que não faz a barba, não arranca os pêlos excedentes do nariz, não está devidamente “depilado”, etc. e tals. O mesmo pode ser dito das mulheres que, geralmente, são mais cobradas ainda que os rapazes no que diz respeito a “educação”.
Enfim... O tema do selo é sobre as palavras sinceras que interessam. Aí vão minhas palavras sinceras: um peido solto não mata, um arroto livre não prejudica o caráter de ninguém e as fezes vão para onde têm que ir. Pior é a hipocrisia que deixa preso dentro o que pode provocar infecção intestinal e colaborar para o apodrecimento de uma massa cinzenta já prejudica pela necessidade do esteticamente correto. Pronto, falei!
Mas, na moral, se puder evitar, vá peidar pra lá!!!
É extremamente estranho como todos nascemos defecando, urinando, distribuindo flatos pela atmosfera. Isso é até um bom sinal quando chegamos ao mundo, pois significa que o bebê está bem e já pode ir descarregar as necessidades em casa. Ao crescer, essa noção de vida se inverte de tal forma, que todos perdemos o intestino à medida que tomamos conhecimento do que é o mundo esteticamente correto. Ninguém mija, nem caga nem peida. Tem gente aí do outro lado que deve estar me achando “umazinha” por falar publicamente sobre isso. Quem for flagrado portando – ou largando, o que é pior – alguma fisiologia por aí pode perder, para toda a eternidade, o ar de elegância, inteligência e sensualidade conquistado ao longo de uma vida.Essa aversão a “escatologias fisiológicas” está tão presente em nossa cultura que é sinônimo de imundície para quem os profere abertamente. A hipocrisia ridícula me dominava até hoje. Não mais.
Sabe aquele gato? Moreno, alto, voz sussurrando ao pé de ouvido, músculos bem distribuídos em todos os graus, mãos fortes. Maior pegação, suor - suar pouco, pode, né? Sudorese já entra para a lista de escatologias – e, de repente, um PRRROOOOCCCCC. O moço nem abre o olho enquanto você arregala os seus dois e congela a imagem até decidir se cai na risada, tampa o nariz ou sai correndo. Foi um pum, um peido, um flato, que vem do latim flatus, e que é uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus. Sim, o que conhecemos popularmente como “cu”. Na hora, leitores, o gato vira rato e eu evaporo.
Isso não aconteceu comigo. Garanto. O que mudou minha opinião conto nos parágrafos que seguem. Mas... Alguém faria diferente? Não se trata de um namorado de anos (se for recente vira ex rapidinho) nem de um marido. É um paquera recente com curriculum bem encaminhado no setor pessoal. Você contrataria esse serviço?
Eu tive uma amiga que foi casada uns 3 anos e o marido dela jurava que a esposa não tinha intestino. O caçador de puns me garantiu que quando ela saía do banho ele entrava correndo para ver se descobria algum gás nobre se dissipando pelo ambiente. Como ela conseguia fazer “isso” só na hora do banho? Ela não ligava para as flatulências, por cima e por baixo, dele, mas ficava vermelha só de ouvir falar nos gases próprios.
O que me aconteceu hoje foi o seguinte: estou eu na casa de uma pessoa que tem a família mais bem dotada de beleza da cidade. O irmão dessa pessoa é a coisa mais graciosa que existe. A lindeza estava tomando banho quando cheguei e já imaginei o corpinho esbelto passeando de toalha na minha frente no caminho do quarto. Antes de ouvir o “nhéééééc” da porta, senti o odor de um gás que parecia ter sido expelido dos confins da Terra, através de um vulcão em estado latente de erupção. Como uma coisinha tão linda pode carregar dentro de si uma granada daquele porte?
Mas daí me veio o questionamento: “O que tem de anormal nisso?”. As pessoas nascem, crescem e morrem. Tudo que entra sái. O cara tem um intestino que funciona bem, né? Pelo menos é saudável... É uma hipocrisia muito grande viver como minha amiga fingindo que não tem quase 9 metros de intestino transportando bosta dentro de si!
Nas aulas de antropologia, aprendi que, um dia, a sociedade passou por um processo civilizatório em que a nobreza distinguia-se da plebe pelos costumes. O hábito de comer de mão, odores do corpo, jeito de comer, de se comportar foi mudando a forma de ser visto por uma necessidade de o homem nobre ter atitude civilizada, que não lembrassem um animal, o que de fato ele era e continua sendo.
Temos tanto nojo dessas comprovações fisiologicamente humanas de vida que somos capazes de deixar de amar um homem que não faz a barba, não arranca os pêlos excedentes do nariz, não está devidamente “depilado”, etc. e tals. O mesmo pode ser dito das mulheres que, geralmente, são mais cobradas ainda que os rapazes no que diz respeito a “educação”.
Enfim... O tema do selo é sobre as palavras sinceras que interessam. Aí vão minhas palavras sinceras: um peido solto não mata, um arroto livre não prejudica o caráter de ninguém e as fezes vão para onde têm que ir. Pior é a hipocrisia que deixa preso dentro o que pode provocar infecção intestinal e colaborar para o apodrecimento de uma massa cinzenta já prejudica pela necessidade do esteticamente correto. Pronto, falei!
Mas, na moral, se puder evitar, vá peidar pra lá!!!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
IMAGINAÇÃO FÉRTIL
Fui intimada a postar um selo, mas gostei. O título me trouxe lembranças engraçadas, que me fizeram gargalhar muito e sentir imensa saudade de um tempo que não volta. Ainda bem que os tive um dia. Quem me indicou foi minha digníssima irmã Sandrinha que vocês insistem chamar de Alê. Dá no mesmo.
As benditas regras são:
1 - Listar alguma coisa que, quando criança, achávamos que seria legal, mas que na realidade não era (ou não foi) tão legal assim.
2 - Repassar para pessoas de imaginação fértil.
Vou listar algumas coisas que achei que seriam legais. Mas eu só achei...
Quando eu era criança pequena – é que agora me acho criança grande – achava que poderia fazer experimentos científicos que iriam revolucionar a ciência moderna. Aqui no meu prédio tinha uma planta de folha impermeável, que quando a água batia escorria sem molhar. Eu achava aquela a planta mais diferente do mundo e tinha a convicção que se eu tirasse algum líquido dela e injetasse em outra poderia gerar um novo tipo de planta que me tornaria a criança mais inteligente do mundo. Motivada por uma amiga mais acéfala que eu, fizemos a experiência. Só descobri que caldo de planta fede pra k.r.l.o.
Eu já disse que sou normal. Mas um dia, eu e minhas amigas de infância – inclusive Sandra (entrego logo que não vou ser louca sozinha) – inventamos de construir uma cabana de papelão entre o nosso prédio e o vizinho. Nossos pais nos achavam um rebanho de retardadas, mas permitiam. Criança é criança, pô! Um dia levamos vela, óleo, uma lata de leite vazia e milho de pipoca. O que vocês acham nós tentamos fazer? Acender a vela para esquentar o óleo e fazer pipoca!!! Loucura, loucura, loucura. Pelo menos não pegou fogo e uns dois carocinhos estouraram. Quase saímos nos tapas para decidir quem seria a premiada que poderia comer a pipoca feita na cabaninha - o detalhe era que elas nadavam no óleo.
Quando chovia, tínhamos um trabalho do cão colocando lona para não derreter o papelão. Não adiantava muita coisa, pois a água escorria pelas paredes e nossa cabana virava uma espécie de piscina de lama. Faz uns dois anos que os filhos das minhas amigas de infância pediram à mãe para montar uma cabana para eles e meus sobrinhos (nossas gerações conseguiram reproduzir nossa amizade). Ri muito, pois a mãe deles montou uma barraca de camping em um lugar bem melhor que o da nossa casinha. É uma pena que eu tenha nadado com os ratos e eles não mataram nem uma baratinha para manter a cabana deles em ordem.
Não podia deixar de contar que a imaginação de Alê, uma vez, quase me aleijou de tanto apanhar. Minha mãe costurava e a máquina dela tinha uma cabine de madeira. Toda vez que meu pai queria dar uma coça na gente ele pegava uma tira da madeira e dava uma dúzia de bolos na mão de cada filho. Éramos 3 meninas e 1 menino. O que a irmã mais velha e inteligente faz? É óbvio! Escondeu “o pau da máquina”. O pai virado no cão fez o quê? Na hora da surra diária (todo dia alguém perturbava e todos apanhavam) painho pegou a colher de pau e deu na gente até o maldito do pau da máquina aparecer. Ô ódio!!!
Ahhh!!! Tem uma história que é a segunda melhor de todas! Como nossos pais não deixavam a gente ter nem um bichinho de estimação, sabe o que pegamos para “criar”? Um pneu!!! Não riam. É sério. Essa viagem aí eu nem sei como explicar, mas o borrachudo virou uma espécie de bichano e nós brigávamos para ficar um pouco com ele. No dia que nossa mãe obrigou a gente jogar “aquele lixo” fora choramos rios de lágrimas.
A melhor de todas, acreditem, era colecionar grilos. A gente ficava nos matos em torno do prédio se acotovelando para ver que conseguia pegar mais grilos. Os grandões nós até amarrávamos um cordãozinho para segurar como um cãozinho. Como, é óbvio, que os pais não deixavam a gente entrar em casa com eles, criávamos os monstrinhos em vidros de maionese até eles “morrerem de tristeza” e cederem lugar à próxima vítima.
Como eu tinha mania de querer ser cientista, um dia achei um grilão pretão e achei de abrir a bunda do bicho com uma seringa e enchê-la de graxa. Depois larguei o coitado no chão que nem conseguia pular de tanta graxa no fio-ó-fó.
Não fiz nada disso por maldade nem loucura, gente. Era apenas uma menina de apartamento cheia de imaginação nutrida por uma irmã mais velha com dons visivelmente assassinos – além da surra que me fez tomar (várias) ela quebrou meu queixo duas vezes. Hoje, juro, não tenho mais vontade de matar grilos... Grilos não tem graça... hehehehe...
Não tenho para quem repassar, pois todos os blogueiros que passam por aqui são os mesmos que passam no cantinho de Sandra. Mas quem teve a imaginação irrigada com estrume, assim como eu, sinta-se à vontade e me avise para eu ler.
As benditas regras são:1 - Listar alguma coisa que, quando criança, achávamos que seria legal, mas que na realidade não era (ou não foi) tão legal assim.
2 - Repassar para pessoas de imaginação fértil.
Vou listar algumas coisas que achei que seriam legais. Mas eu só achei...
Quando eu era criança pequena – é que agora me acho criança grande – achava que poderia fazer experimentos científicos que iriam revolucionar a ciência moderna. Aqui no meu prédio tinha uma planta de folha impermeável, que quando a água batia escorria sem molhar. Eu achava aquela a planta mais diferente do mundo e tinha a convicção que se eu tirasse algum líquido dela e injetasse em outra poderia gerar um novo tipo de planta que me tornaria a criança mais inteligente do mundo. Motivada por uma amiga mais acéfala que eu, fizemos a experiência. Só descobri que caldo de planta fede pra k.r.l.o.
Eu já disse que sou normal. Mas um dia, eu e minhas amigas de infância – inclusive Sandra (entrego logo que não vou ser louca sozinha) – inventamos de construir uma cabana de papelão entre o nosso prédio e o vizinho. Nossos pais nos achavam um rebanho de retardadas, mas permitiam. Criança é criança, pô! Um dia levamos vela, óleo, uma lata de leite vazia e milho de pipoca. O que vocês acham nós tentamos fazer? Acender a vela para esquentar o óleo e fazer pipoca!!! Loucura, loucura, loucura. Pelo menos não pegou fogo e uns dois carocinhos estouraram. Quase saímos nos tapas para decidir quem seria a premiada que poderia comer a pipoca feita na cabaninha - o detalhe era que elas nadavam no óleo.
Quando chovia, tínhamos um trabalho do cão colocando lona para não derreter o papelão. Não adiantava muita coisa, pois a água escorria pelas paredes e nossa cabana virava uma espécie de piscina de lama. Faz uns dois anos que os filhos das minhas amigas de infância pediram à mãe para montar uma cabana para eles e meus sobrinhos (nossas gerações conseguiram reproduzir nossa amizade). Ri muito, pois a mãe deles montou uma barraca de camping em um lugar bem melhor que o da nossa casinha. É uma pena que eu tenha nadado com os ratos e eles não mataram nem uma baratinha para manter a cabana deles em ordem.
Não podia deixar de contar que a imaginação de Alê, uma vez, quase me aleijou de tanto apanhar. Minha mãe costurava e a máquina dela tinha uma cabine de madeira. Toda vez que meu pai queria dar uma coça na gente ele pegava uma tira da madeira e dava uma dúzia de bolos na mão de cada filho. Éramos 3 meninas e 1 menino. O que a irmã mais velha e inteligente faz? É óbvio! Escondeu “o pau da máquina”. O pai virado no cão fez o quê? Na hora da surra diária (todo dia alguém perturbava e todos apanhavam) painho pegou a colher de pau e deu na gente até o maldito do pau da máquina aparecer. Ô ódio!!!
Ahhh!!! Tem uma história que é a segunda melhor de todas! Como nossos pais não deixavam a gente ter nem um bichinho de estimação, sabe o que pegamos para “criar”? Um pneu!!! Não riam. É sério. Essa viagem aí eu nem sei como explicar, mas o borrachudo virou uma espécie de bichano e nós brigávamos para ficar um pouco com ele. No dia que nossa mãe obrigou a gente jogar “aquele lixo” fora choramos rios de lágrimas.
A melhor de todas, acreditem, era colecionar grilos. A gente ficava nos matos em torno do prédio se acotovelando para ver que conseguia pegar mais grilos. Os grandões nós até amarrávamos um cordãozinho para segurar como um cãozinho. Como, é óbvio, que os pais não deixavam a gente entrar em casa com eles, criávamos os monstrinhos em vidros de maionese até eles “morrerem de tristeza” e cederem lugar à próxima vítima.
Como eu tinha mania de querer ser cientista, um dia achei um grilão pretão e achei de abrir a bunda do bicho com uma seringa e enchê-la de graxa. Depois larguei o coitado no chão que nem conseguia pular de tanta graxa no fio-ó-fó.
Não fiz nada disso por maldade nem loucura, gente. Era apenas uma menina de apartamento cheia de imaginação nutrida por uma irmã mais velha com dons visivelmente assassinos – além da surra que me fez tomar (várias) ela quebrou meu queixo duas vezes. Hoje, juro, não tenho mais vontade de matar grilos... Grilos não tem graça... hehehehe...
Não tenho para quem repassar, pois todos os blogueiros que passam por aqui são os mesmos que passam no cantinho de Sandra. Mas quem teve a imaginação irrigada com estrume, assim como eu, sinta-se à vontade e me avise para eu ler.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
INTOLERÂNCIA À BURRICE
Acredito que um grande mal que tem gerado muito conflito no mundo, hoje, é a intolerância religiosa. Essa semana tive uma briga muito feia com alguém que amo muito por causa disso. Não tenho religião, mas sou apaixonada por livros, filmes, palestras, cursos e qualquer coisa que possa me proporcionar conhecimento sobre todas as religiões. Consequentemente, tenho horror a quem descrimina qualquer prática religiosa. Cada um tem a sua e a amizade continua.
Mesmo não seguindo nenhuma prática, defendo todas elas. Não por acaso, uma pessoa especial começou a desfazer dos praticantes do candomblé em minha frente, o que me fez descer do salto, rodar a baiana e o resto vocês podem imaginar. Confusão total. O ser humano é evangélico e acredita que a religião afrobasileira é coisa do demo. Ela tem o direito de achar, cada um acha o que quer. Mas de onde vem essa autoridade para uma pessoa julgar sua crença superior a outra? Se cada um ganha autoridade à medida que pratica uma doutrina, então o mundo vai virar um inferno, pois todos vão tentar provar e impor sua prática aos outros. E quando alguém não aceitar? O pau come! Assim não dá!
É muito complicado falar sobre isso, mas temos um exemplo em casa. O que os europeus fizeram quando chegaram ao Brasil? Catequizaram os índios. E os negros? Foram proibidos de cultuar seus ancestrais. E se os árabes tivessem chegado antes ao Brasil? Seríamos todos muçulmanos e iríamos usar tanta roupa até desidratar nesse calor infernal.
O pior de tudo é que intolerância gera intolerância. Nunca pensei que pudesse discutir feio com alguém defendendo algo que nem me pertence. Mas no momento em que a discussão começou eu não queria impor nada, apenas que a pessoa percebesse que não poderia desfazer da religião alheia, já que aquilo magoaria alguém na mesma proproção em que ficaria magoado se alguém falasse o mesmo de sua crença. Mas o ar de superioridade do ser humano me tirou do sério. Fiquei com vergonha de minha atitude - calma, não bati em ninguém - mas ofendi bastante alguém que amo e jurei nunca discutir religião com ninguém, pricipalmente com as pessoas que não sabem relativizar. O que é bom para mim pode não ser para você e um texto nunca pode ser discutido fora do seu contexto.
Abaixo segue o fruto de algumas pesquisas, que resultaram em matérias para o programa que produzo e edito matérias.
Esse vídeo é sobre o Bembé de Santo Amaro, uma festa dos praticantes do candomblé para os orixás. Ela sempre acontece no dia 13 de maio como forma de agaredecer pela libertação dos escravos.
É um festejo muito bonito, só acho uma pena que o que era tradição religiosa está virando, cada vez mais, uma festa profana e o cunho religioso está ficando muito restrito ao espaço do terreiro.
O vídeo abaixo fiz para mostrar como é o casamento na umbanda, que, diga-se de passagem, é considerada a primeira religião verdadeiramente brasileira. Existem os que discordam, mas eu acredito que seja.
O vídeo abaixo não é bem religioso, mas mostra como a cultura indiana - incluindo a prática religiosa - se reproduz aqui na cidade.
O pessoal do programa já sabe que curto o tema religioso e sempre que temos cobertura de algo relacionado sou eu a escalada para fazer. Já mostramos a festa de Santa Bárbara (Iansã), de Nossa Senhora dos Navegantes (Iemanjá), de São Roque(Omolu), a famosa do Senhor do Bonfim (Oxalá). Enfim... É uma pena que nem todas estão no youtube e que também não possa fazer matéria sobre tudo. Fiz um documentário mostrando como vivem muçulmanos convertidos aqui em Salvador. Um dia mostro para vocês.
Mesmo não seguindo nenhuma prática, defendo todas elas. Não por acaso, uma pessoa especial começou a desfazer dos praticantes do candomblé em minha frente, o que me fez descer do salto, rodar a baiana e o resto vocês podem imaginar. Confusão total. O ser humano é evangélico e acredita que a religião afrobasileira é coisa do demo. Ela tem o direito de achar, cada um acha o que quer. Mas de onde vem essa autoridade para uma pessoa julgar sua crença superior a outra? Se cada um ganha autoridade à medida que pratica uma doutrina, então o mundo vai virar um inferno, pois todos vão tentar provar e impor sua prática aos outros. E quando alguém não aceitar? O pau come! Assim não dá!
É muito complicado falar sobre isso, mas temos um exemplo em casa. O que os europeus fizeram quando chegaram ao Brasil? Catequizaram os índios. E os negros? Foram proibidos de cultuar seus ancestrais. E se os árabes tivessem chegado antes ao Brasil? Seríamos todos muçulmanos e iríamos usar tanta roupa até desidratar nesse calor infernal.
O pior de tudo é que intolerância gera intolerância. Nunca pensei que pudesse discutir feio com alguém defendendo algo que nem me pertence. Mas no momento em que a discussão começou eu não queria impor nada, apenas que a pessoa percebesse que não poderia desfazer da religião alheia, já que aquilo magoaria alguém na mesma proproção em que ficaria magoado se alguém falasse o mesmo de sua crença. Mas o ar de superioridade do ser humano me tirou do sério. Fiquei com vergonha de minha atitude - calma, não bati em ninguém - mas ofendi bastante alguém que amo e jurei nunca discutir religião com ninguém, pricipalmente com as pessoas que não sabem relativizar. O que é bom para mim pode não ser para você e um texto nunca pode ser discutido fora do seu contexto.
Abaixo segue o fruto de algumas pesquisas, que resultaram em matérias para o programa que produzo e edito matérias.
Esse vídeo é sobre o Bembé de Santo Amaro, uma festa dos praticantes do candomblé para os orixás. Ela sempre acontece no dia 13 de maio como forma de agaredecer pela libertação dos escravos.
É um festejo muito bonito, só acho uma pena que o que era tradição religiosa está virando, cada vez mais, uma festa profana e o cunho religioso está ficando muito restrito ao espaço do terreiro.
O vídeo abaixo fiz para mostrar como é o casamento na umbanda, que, diga-se de passagem, é considerada a primeira religião verdadeiramente brasileira. Existem os que discordam, mas eu acredito que seja.
O vídeo abaixo não é bem religioso, mas mostra como a cultura indiana - incluindo a prática religiosa - se reproduz aqui na cidade.
O pessoal do programa já sabe que curto o tema religioso e sempre que temos cobertura de algo relacionado sou eu a escalada para fazer. Já mostramos a festa de Santa Bárbara (Iansã), de Nossa Senhora dos Navegantes (Iemanjá), de São Roque(Omolu), a famosa do Senhor do Bonfim (Oxalá). Enfim... É uma pena que nem todas estão no youtube e que também não possa fazer matéria sobre tudo. Fiz um documentário mostrando como vivem muçulmanos convertidos aqui em Salvador. Um dia mostro para vocês.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
MAS MÃE...
Tenho compartilhado com vocês bons momentos em que extraio graça da desgraça – como presenciar alguém chupando a dentadura – então não posso deixar de contar os bons.
Depois de dois dias estudando “como filmar” uma cena de cinema, senti vontade de ir a uma sala ver algum besteirol. Quem poderia ser melhor companhia que a filha-sobrinha-adotiva-de-coração? Hoje foi a pré-estréia da animação da Disney-Pixar, "Up -Altas Aventuras”. Direto de um mega-congestionamento liguei para casa e avisei para a pequena não dormir, pois a sessão seria às 21hs.
Em casa, cansada, pensei em não ir, mas depois de ver um largo sorriso me esperando na porta desisti de desistir... Mas custava bem pouco tentar fazê-la renunciar ao passeio quase “madrugal”.
- Filha... Mamãe acha que no dia das crianças você vai ganhar roupas e sapatos. A bicicleta grande quem vai te dar é Papai Noel no natal. – Quem sabe ela não se chatearia e iria dormir zangada?
Dois segundos de silêncio se passaram até ela criar coragem de largar a pérola.
- Mas como ele vai trazer minha bicicleta sem quebrar?
- Como assim?
- Ele vai trazer a bicicleta inteira dentro do saco? Ele vai quebrar, mãe!
- Vai não, filha! O saco dele é bem grande e cabe a bicicleta inteira.
- Mas tem outro brinquedos, mãe. Minha bicicleta vai quebrar.
- Ele quebrou seu lap-top, quebrou?
- Então tá – sorriso tímido. Mas no dia das crianças eu quero uma bota. Agora “vumbora”, mãe?
As coisas são simples, né? Quem complica são os adultos... Sem sinal de desistência, tentei apelar para os olhinhos apertadinhos.
- Filha. Seu olho tá vermelhinho de sono. Você vai dormir no cinema. É melhor deixar´para outro dia.
- Não é sono não, mãe. É que eu estou com fome - desculpa esfarrapada para comer comida do meu prato.
Quem mandou prometer? Agora tem que cumprir!! Na metade do caminho ela já estava roncando. Ainda bem que não fui a única tia-mãe-louca que levou uma criança de 4 anos para a sessão das 21hs. Tinham mais uns 5 capetinhas correndo com ela ao redor da fila. Pensei:
- Quando minha baby crescer vai amar cinema. Quem sabe não pode ser uma cineasta?
Ao pisar na sala as pérolas começaram a desabrochar da concha.
- Mãe, tá muito escuro.
- É assim mesmo, filha. É para você ver o filme melhor.
- Mas não é filme, é desenho.
- Mas aí você vê melhor, olhe.
- Mas com luz também dá para ver.
- Chhhh! Já está começando.
Alguns segundos de boca fechada.
- Mãe? Tá muito alto esse cinema. Onde baixa o som?
- Não pode baixar filha. No cinema o som é alto mesmo.
- E quem liga essa televisão?
- Não é televisão, filha. É uma tela de projeção.
- É o quê????
Afff! Como explicar??? Era mais fácil descrever como nascem os bebês!
- Ta vendo ali em cima? – apontei para a sala de projeção – Tem um homem lá que liga o DVD para a gente ver o filme daqui.
- E o homem entrou por onde?
- Láááááá pelo outro lado.
Um olhar começou a buscar o que seria o outro lado.
- Essa televisão é muito grande e faz muito barulho.
- Agora o filme começou, olhe.
Atenção totalmente voltada para a telinha até um casal começar a gargalhar ao nosso lado.
- Manda esse homem calar a boca mãe!
- Olha o filme, filha. A casa está voando...
Muchochos seguidos de mais muchochos olhando de cara muito feia para o casal que estava gargalhando horrores.
- Mãe. Tô com frio.
Tirei meu casaco, enrolei nela como um cobertor e coloquei-a no colo para me esquentar também, caso contrário a ponta dos meus dedos já estariam em estado de putrefação. Um, dois, três, cinco minutos de silêncio. Fiquei preocupada. Alguma coisa estava errada.
- Filha?
Sem resposta. Já estava no quinto sono. Ela pode até não ser uma cinéfila, nem cineasta. Pode até odiar cinema. Não podemos criar uma projeção/expectativa para alguém que vai escolher que caminho seguir. Cada um trilha sua estrada. Somos como instrutores de auto-escola. Ensinamos a ligar o carro, mas quem vai dar a partida é o fututo motorista.
Dentre tantas possibilidades, tenho uma certeza. Minha baby já sabe questionar com inteligência, sem perder a ingenuidade da infância. Só não vou deixá-la aprender a chatice da mãe, o que é quase impossível. Esse, sim, é um caminho sem volta - rsrsrs.
P.S.: Vale conferir "Up -Altas Aventuras”. Caso levem algum pequeno, prefiram uma sessão mais cedo . Essa sexta estará nos cinemas. Boa diversão.
Depois de dois dias estudando “como filmar” uma cena de cinema, senti vontade de ir a uma sala ver algum besteirol. Quem poderia ser melhor companhia que a filha-sobrinha-adotiva-de-coração? Hoje foi a pré-estréia da animação da Disney-Pixar, "Up -Altas Aventuras”. Direto de um mega-congestionamento liguei para casa e avisei para a pequena não dormir, pois a sessão seria às 21hs.
Em casa, cansada, pensei em não ir, mas depois de ver um largo sorriso me esperando na porta desisti de desistir... Mas custava bem pouco tentar fazê-la renunciar ao passeio quase “madrugal”.
- Filha... Mamãe acha que no dia das crianças você vai ganhar roupas e sapatos. A bicicleta grande quem vai te dar é Papai Noel no natal. – Quem sabe ela não se chatearia e iria dormir zangada?
Dois segundos de silêncio se passaram até ela criar coragem de largar a pérola.
- Mas como ele vai trazer minha bicicleta sem quebrar?
- Como assim?
- Ele vai trazer a bicicleta inteira dentro do saco? Ele vai quebrar, mãe!
- Vai não, filha! O saco dele é bem grande e cabe a bicicleta inteira.
- Mas tem outro brinquedos, mãe. Minha bicicleta vai quebrar.
- Ele quebrou seu lap-top, quebrou?
- Então tá – sorriso tímido. Mas no dia das crianças eu quero uma bota. Agora “vumbora”, mãe?
As coisas são simples, né? Quem complica são os adultos... Sem sinal de desistência, tentei apelar para os olhinhos apertadinhos.
- Filha. Seu olho tá vermelhinho de sono. Você vai dormir no cinema. É melhor deixar´para outro dia.
- Não é sono não, mãe. É que eu estou com fome - desculpa esfarrapada para comer comida do meu prato.
Quem mandou prometer? Agora tem que cumprir!! Na metade do caminho ela já estava roncando. Ainda bem que não fui a única tia-mãe-louca que levou uma criança de 4 anos para a sessão das 21hs. Tinham mais uns 5 capetinhas correndo com ela ao redor da fila. Pensei:
- Quando minha baby crescer vai amar cinema. Quem sabe não pode ser uma cineasta?
Ao pisar na sala as pérolas começaram a desabrochar da concha.
- Mãe, tá muito escuro.
- É assim mesmo, filha. É para você ver o filme melhor.
- Mas não é filme, é desenho.
- Mas aí você vê melhor, olhe.
- Mas com luz também dá para ver.
- Chhhh! Já está começando.
Alguns segundos de boca fechada.
- Mãe? Tá muito alto esse cinema. Onde baixa o som?
- Não pode baixar filha. No cinema o som é alto mesmo.
- E quem liga essa televisão?
- Não é televisão, filha. É uma tela de projeção.
- É o quê????
Afff! Como explicar??? Era mais fácil descrever como nascem os bebês!
- Ta vendo ali em cima? – apontei para a sala de projeção – Tem um homem lá que liga o DVD para a gente ver o filme daqui.
- E o homem entrou por onde?
- Láááááá pelo outro lado.
Um olhar começou a buscar o que seria o outro lado.
- Essa televisão é muito grande e faz muito barulho.
- Agora o filme começou, olhe.
Atenção totalmente voltada para a telinha até um casal começar a gargalhar ao nosso lado.
- Manda esse homem calar a boca mãe!
- Olha o filme, filha. A casa está voando...
Muchochos seguidos de mais muchochos olhando de cara muito feia para o casal que estava gargalhando horrores.
- Mãe. Tô com frio.
Tirei meu casaco, enrolei nela como um cobertor e coloquei-a no colo para me esquentar também, caso contrário a ponta dos meus dedos já estariam em estado de putrefação. Um, dois, três, cinco minutos de silêncio. Fiquei preocupada. Alguma coisa estava errada.
- Filha?
Sem resposta. Já estava no quinto sono. Ela pode até não ser uma cinéfila, nem cineasta. Pode até odiar cinema. Não podemos criar uma projeção/expectativa para alguém que vai escolher que caminho seguir. Cada um trilha sua estrada. Somos como instrutores de auto-escola. Ensinamos a ligar o carro, mas quem vai dar a partida é o fututo motorista.
Dentre tantas possibilidades, tenho uma certeza. Minha baby já sabe questionar com inteligência, sem perder a ingenuidade da infância. Só não vou deixá-la aprender a chatice da mãe, o que é quase impossível. Esse, sim, é um caminho sem volta - rsrsrs.
P.S.: Vale conferir "Up -Altas Aventuras”. Caso levem algum pequeno, prefiram uma sessão mais cedo . Essa sexta estará nos cinemas. Boa diversão.
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