segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

AVATAR

Esse final de semana vi o filme Avatar. Os 170 minutos de reclusão só valem se forem usufruídos em 3D. Valeu tanto que vi duas vezes em dois dias. É óbvio que os telespectadores médios vão amar história de amor, que, diga-se de passagem já foi vista em centenas de outros filmes.

Um estranho que se infiltra em um determinado grupo para colher informações acaba se apaixonando por uma mulher que o faz mudar de opinião em relação às pessoas que antes eram inimigas. Ao ser desmascarado, ele se arrepende e tenta corrigir o erro para não perder os amigos e a mulher amada. Ponto.

Se Avatar fosse só isso não mereceria nem uma piscadela de olhos de atenção, mas o longa alimenta várias discussões e muito mais pontos positivos a serem analisados.

Ele é um marco na forma de se fazer, captar e projetar cinema, o que é característica de James Cameron. Ou alguém já se esqueceu que ele construiu uma réplica quase perfeita do navio Titanic nos estúdios da FOX para fazer as tomadas necessárias ao filme? Esse é o cara que gosta de coisas grandes.

Em Avatar, o primeiro chamariz é que se trata do filme mais caro de toda a história do cinema. Foram gastos, aproximadamente, U$$ 400 milhões de dólares. Juro que me perguntei como esse cara conseguiu gastar tanto dinheiro para fazer um filme. Só sei que é muito por que não tenho nem noção de quanta grana é. Fui pesquisar e vi que valeu cada centavo gasto, até porque deve render mais que o dobro em bilheteria. Se só eu já vi duas vezes...

Tudo fascina. O planeta Pandora, em que os humanos tentam extrair uma nova e cara fonte de energia, mais parece uma viagem de ácido. Toda a fauna e a flora são exuberantes, mas não existem além das telas. Com cara de floresta tropical, as plantas reluzem cores vivas, biofluorescentes e, o mais fascinante, é que você fica na dúvida se aquilo é real ou uma arte gráfica. À exceção dos atores e cenário humano, tudo em Avatar é desenho feito no computador. Mas não é uma arte aleatória. Biólogos e botânicos foram contratados para ajudar na criação e catalogação dos desenhos dessas plantas e animais. Se a atmosfera de Pandora existisse, provavelmente ela seria daquele jeito.

Essa cena da foto dá vertigem de ver quando é filmada de cima. Mas a sensação é proposital e controlada pelo diretor. Digo isso porque, antigamente, os filmes não conseguiam ter cenas muito longas em 3D, pois o tipo de lente usada nas câmeras causava tontura e dores de cabeça em algumas pessoas na hora da projeção. No entanto, para garantir que Avatar pudesse ser todo visto em 3D, a Sony financiou uma pesquisa para Cameron desenvolver novos tipos de câmeras que possibilitassem sua obra de ficção de 170 minutos ser toda projetada sem que ninguém saísse no meio passando mal. O melhor de tudo, e mais difícil, é que humanos estão nessas cenas em 3D.

Falamos em termos de cenário do filme. Mas e os personagens? O que mais vemos são animações em 3D que o desenho e a textura da pele são muito boas, mas a fisiologia do movimento não reproduz com fidelidade os traços humanos. Quem viu “Os fantasmas de Scrooge” sabe do que falo. Em Avatar parece que os personagens são humanos fantasiados, tamanha é a perfeição da variação de detalhes do que foi transposto para a tela. Pelo que entendi, 140 câmeras foram usadas simultaneamente para captar os movimentos de cada ator. É que esses movimentos corporais precisavam ser registrados com o máximo de precisão para que os animadores pudessem construir as imagens dos avatares.
No cinema convencional, o posicionamento e o movimento da câmera vão determinar tudo sobre a cena. Ângulo aberto, fechado, plano detalhe, mudança do foco, imagens aéreas, quantidade de luz que entra, por onde entra, o que ilumina. Em 3D existem todas as possibilidades de exploração da cena, o que mostra a competência do diretor de fotografia ao escolher os melhores planos para cada cena.

A linguagem dos nativos de Pandora, os humanóides gigantes (Na’vi), pasmem, foi criada. Se você quiser falar aquela língua basta procurar os fonoaudiólogos e lingüistas da USC - Universidade da Califórnia do Sul - e pedir o manual da gramática, sintaxe, morfologia deles. Isso foi criado e custou muita grana.

Se eu for ficar aqui falando em como o cara gastou os milhões de dólares que captou vou precisar de muito mais pesquisa e texto. Mas, além da exuberância visual, a história tem algumas sutilezas que me fizeram refletir.

Assim como no nosso mundo, em Pandora existe uma ligação física e espiritual entre a população e natureza. Eles fazem parte de um ecossistema, têm consciência de seus papéis e mantém uma forma de comunicação com os espíritos através das árvores. Pandora é a riqueza que os Na’vi têm e, assim como no mundo real, os humanos destroem tudo que tocam. O comportamento do exército é igualzinho ao que fizeram durante a colonização portuguesa e espanhola nas Américas. A ação humana é devastadora.

Uma das formas de saudação carinhosa entre os Na’vi é a frase “Eu vejo você”. Não é no sentido real da frase, mas figurado. Quando alguém diz que te vê é porque ela sabe que tipo de sentimento você carrega dentro de si, é porque te entende, está com você. Sabendo que sentimento alguém têm é que você sabe quem é aquela pessoa. Baseado nessa frase, o diretor encomendou um trilha sonora especialmente para o filme, “I See You”.

Agora dá para ter uma noção de como James Cameron gastou tanto dinheiro. Foi a melhor obra de ficção que já vi. Não em termos do que é contado, mas em como foi contado. Com certeza não é a melhor história que você já viu, mas certamente você nunca viu tanta tecnologia e inovação nas telas do cinema. Ele, mais uma vez, está à frente do seus, isso sem levar em consideração que Avatar foi concebido em 1995 e não foi rodado por falta de aparatos tecnológicos. Vou ficar aguardando um novo recorde de estatuetas, mas você só vai ter idéia do que estou falando depois que ver Avatar em 3D. E volte aqui para me contar.

9 comentários:

Aninha Leme disse...

UIAAA
eu não ia ver esse filme, mas depois de tudo o que vc falou, acho que vou repensar a possibilidade!
kkk

besoss

Desabafando disse...

Sabe que nunca assisti a um filme em 3D? Deve ser bacana e a história parece bem interessante...fiquei com uma vontade louca de ir ao cinema...rsrsrs...mas acho que esses dias deve estar complicado de fazer isso...muita gente de férias, muita fila e shoppings lotados..rsrsrs...mas vou colocar na minha lista de filmes a assistir.

Adoro seus posts de cinema, suas críticas são muito inteligentes.

Ronaldo disse...

Tem um monte de gente me falando para ver esse filme, mas não tenho a minima curiosidade....

depois do que li aqui não cosnegui me definir ainda, eheheheh

E que bom que mudou seu sentimento pelo Natal, o meu sempre foi igual ao seu, mas utlimamente estou sentindo diferete tambem.

bjsss

Ana disse...

nossa, vc falou tão bem do filme que agora eu to com vontade de ver, rs
beijos,

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Luciana, depois de ler essa tão rica explanação, não dá para não ver o filme. O mais importante é que vamos ver com uma maior capacidade de observação, em função desse detalhado "trailer". Muito bom Luciana. Vou assistir e depois volto aquí. Beijos em 3D. Manoel.

Elisa no blog disse...

Luciana,
Achei ótimo o seu texto. Demorei para escrever por causa da correria de fim de ano. Eu já estava com vontade de ver. Depois de ler fica imperdível como bem disse o Manoel. Vc não falou nada do ator? Dizem que ele tem cara e jeito de homem de verdade, coisa escassa hoje em dia. O que vc achou?
beijos,
Elisa

Geovana disse...

Uau! Uma aula de cinema... e eu não fui ver... snif! Mas vou na próxima semana.

Bjo!

Alexsandra Moreira disse...

Eu vi sem e com 3D, Até agora me pergunto, será que éxiste 3D mesmo? rsrsrsrsr

Eu não vi nadica de 3D, será mesmo que é pq sou caolha?

rsrsrsrsr

Silvia Freitas disse...

Avatar é sensacional, o filme do ano. Em 3D então, é de perder o fôlego com todas aquelas flores e plantas coloridas. Visite meu blog: namanhadogato.blogspot.com, lá eu fiz a crítica sobre o filme tbm. Bjs!