segunda-feira, 23 de novembro de 2009
AZAR SORTUDO
Não sei se contei para vocês que sou traumatizada com viagens aéreas. Não, não tenho medo de voar, mas sou campeã em perda de vôos por motivos ridículos. A primeira vez foi retornando do Rio de Janeiro. Passei o dia batendo pernas para matar o tempo. Cheguei ao aeroporto uma hora antes do horário que eu acreditava que devia embarcar. O detalhe era que tinha comprado minha passagem para as 9 da manhã, mas só cheguei para o check in às 20h.
11hs de atraso. Até hoje não sei como troquei o horário com tanta convicção. Só desisti de matar a atendente quando o gerente do guichê me permitiu abrir meu e-mail e comprovar que foi maluquice dessa mente insana que vos escreve. Isso foi coisa boba perto do que me aconteceu a caminho de São Paulo.
Eu ia embarcar às 5h30 da manhã. Coloquei o celular para despertar às 3h30, para dar tempo tomar um banho e fazer tudo sem pressa, pois moro próximo ao aeroporto. Antes de dormir inventei de passar umas músicas, por e-mail, para minha amiga editar uma matéria no dia seguinte. Entre o tempo de anexar um arquivo e outro eu tirava aquele velho cochilo. Isso já era, mais ou menos, uma da manhã.
Anexa, cochila, acorda, envia, anexa, etc. Dormi com o computador na barriga e acordei na hora em que meu amiguinho ia caindo na cama. Quando olhei para o relógio surtei. Eram 5h15!!! “Cadê o celular???”, me perguntei furiosa enquanto procurava por ele. O bonitinho achou que era hora de travar e simplesmente parou de funcionar no meio da noite. Enfim... Consegui embarcar no vôo seguinte, mas não sem antes partir o celular em mil pedacinhos de tanto ódio que fiquei.
Quando me avisaram no trabalho que eu ia a Brasília para o Festival Nacional de Cinema já pensei em colocar dois celulares para despertar e conferi várias vezes o horário no e-mail. Não é que minha amiga que também foi escalada para a viagem me ligou para fechar o horário do taxi e eu já tinha mentalizado um horário completamente diferente? Só posso ser dodói. Ainda bem que foi à tempo, pensei.
Cheguei em casa cedo, arrumei a mala com toda calma, me deliciei assistindo à minissérie “Ó paí, ó” – odeio o filme mas gosto da série – e fui dormir. Para variar, esqueci das frustrações das experiências passadas e só coloquei meu celular para despertar. Nenhuma reserva caso meu aparelhinho resolvesse se vingar de mim pelo assassinato cruel e frio de um amigo de fábrica.
Depois de retornar de uma viagem a trabalho, passei uma semana super exaustiva. Deitei na cama e morri. Apaguei...
Depois da sensação de ter dormido uma eternidade, abri os olhos e não pude acreditar no que vi. O mundo estava em pleno funcionamento e era noite ainda. Como assim? Eu dormi o dia todo? Porque o celular não despertou de novo? Sem conseguir sair da cama, chamei meu irmão e perguntei que horas eram: “18h”, respondeu com uma risada de canto de boca. “Porque você não me acordou???”, me desesperei, mas fiquei mais puta da vida ainda com a resposta dele: “Veja só! Você perde seu horário e a culpa é minha, é?”. Ele estava coberto de razão, mas eu não conseguia entender como pude dormir o dia inteiro. E minha amiga? Porque ela não veio me buscar? Porque não me ligou? Existem coisas que, literalmente, só Froid explica.
Peguei o celular para ligar para minha amiga e entender o que aconteceu, mas estava muito nervosa para digitar o número dela. Só pensava que meu chefe ia me matar, ia me chamar de irresponsável e eu ia perder toda a confiança que ele tem em mim – se é que tem alguma. Depois de umas três tentativas infrutíferas de discagem - meus dedos só apertavam as teclas erradas – resolvi ligar logo para a companhia aérea e ver se conseguia embarcar no próximo vôo.
Virei para o lado, pois meu computador dorme ocupando a vaga do travesseiro que um dia pertenceu ao meu ex-marido, para acessar a Internet e encontrar o número do telefone. Quem disse que tinha conexão? Como eu não enlouqueci a ponto de quebrar meu computador, respirei fundo e contei até 1.000 até a conexão ser reestabelecida. Caindo de sono – será que me deram algum sonífero? – minha lente de contato ficou turva e eu não enxergava as teclas direito. Como pode algo dar tão errado assim?? Meu chefe vai me matar.
Sabe aquele nó na garganta que a gente não consegue falar? As lágrimas me vieram aos olhos e eu não as contive. A decepção comigo foi tão grande que elas escorreram parecendo conter um molhinho de pimenta. Os olhos arderam tanto, mas tanto, que eu abri as pálpebras de novo e já era dia. Como assim era dia??? Ainda há pouco era noitinha... Apalpei a cama em busca do celular para conferir a hora e respirei aliviada quando vi que inda faltavam 5 minutos para ele despertar.
domingo, 8 de novembro de 2009
VELHO AMIGO INCONVENIENTE
sábado, 7 de novembro de 2009
PRIMEIRA PROVA DE BAIANÊS
CORREÇÃO (estou me sentindo "A" professora hahahahahaha)
Ultimamente tô aluada (com a cabeça no mundo da lua). Acabo escrevendo umas paradas a culhão (de qualquer jeito), publico a facão (sem me preocupar com os detalhes – “O corpo dela é feito a facão”) e vocês comentam a migué (sem dar importância). É que nem sempre estou à toa (sem ter o que fazer), quero pegar minha arabaca (meu carro) e abrir o gás (outra forma de conjugar o ver ir) para algum reggae (qualquer festa). Por isso faço esses armengues (coisa feita de qualquer jeito para resolver provisoriamente um problema). Mas minha consciência agreste (grossa) quebra minha guia (minha força). Não estou broca (maluca). É que quando eu era piveta (criança) já peguei um baba (joguei futebol), brinquei de arraia (empinar pipa), pulei elástico (brincadeira que não dá para explicar aqui), piquei a porra (machuquei) num passarinho de badogue (estilingue), já bafei (afanei) bala no shopping, já ri do balaio grande (nádegas grandes) das mulé (mulher), tomei banca (reforço escolar) e nunca fui banda voou (pessoa que não se preocupa com nada). Como meu pai não era barão (rico), eu me ferrava (fazia muito alguma coisa) de estudar para minha mãe não bater a caçuleta (morrer) nem ficar pirada (com raiva). Algumas vezes era bequitranque (complicado), eu ficava boiada (cansada). Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” (vamos?) – sem nem botar pilha (insistir) - e eu dava o vazare (ir embora). Meu pai virava a porra (ficava com raiva) – principalmente porque ele inticava (implicava) com as meninas -, e eu morava numas bocadas (lugar perigoso), com uns cacêtes armados (butecos ou casas mal feitas) defronte a casa e rolava um bolodório (confusão) de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? (vomitava) - o povo chamava. Ele ficava cabreiro (com medo), mas nem era de dar caroara (tremer as pernas). Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido (igualzinho) o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando (observando, vem de curioso) os dedos da criatura (de alguém, no caso meu pai). Só pirava (ficava com raiva) porque ele queria que eu comesse cacetinho (pão francês) duas vezes por dia e não rolava (não dava). Se eu tivesse cabreirado (feito o que quisesse) pra ele, tinha ficado um canhão (uma mulher horrorosa), um cão chupando manga (pessoa muito feia), com uma bunda de caruru (mole), uma cabeça-de-arromba-navio (gorda), nenhuma calçola (calcinha) ia subir em mim e ia ser um chororô (choro exagerado).
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
NÃO VALE PEDIR PRA MORRER!
Há 18 anos foi lançado um dicionário de baianês com mais de 1.300 verbetes usados pelas bandas da Bahia. O livrinho, escrito por Nivaldo Lariú, está na 3ª edição e já passou da marca dos 140 mil exemplares vendidos. Comprei um para dar de presente e não resisti a fazer um mini-concurso com vocês. Quem quiser participar é só responder ao post.
Vou escrever algumas frases com esses verbetes e vocês vão tentar “traduzir”. Para quem é baiano minha sugestão é mudar as frases usando termos novos, que, acredito, devem ser incluídos numa próxima edição da cartilha. Serão dois posts até eu anunciar – e vocês conferirem – o vencedor. Na sexta-feira trago as “traduções” de hoje e coloco mais um texto. Na segunda digo quem chegou mais próximo, tá?
Como prêmio, prometo enviar um exemplar para o blogueiro mais aplicado... Divirtam-se.
TESTE DE BAIANÊS 01
Ultimamente tô aluada. Acabo escrevendo umas paradas a culhão, publico a facão e vocês comentam a migué. É que nem sempre estou à toa, quero pegar minha arabaca e abrir o gás para algum reggae. Por isso faço esses armengues. Mas minha consciência agreste quebra minha guia. Não estou broca. É que quando eu era piveta já peguei um baba, brinquei de arraia, pulei elástico, piquei a porra num passarinho de badogue, já bafei bala no shopping, já ri do balaio grande das mulé, tomei banca e nunca fui banda voou. Como meu pai não era barão, eu me ferrava de estudar para minha mãe não bater a caçuleta nem ficar pirada. Algumas vezes era bequitranque, eu ficava boiada. Mas bastava uma amiga dizer: “Bó?” – sem nem botar pilha - e eu dava o vazare. Meu pai virava a porra – principalmente porque ele inticava com das meninas -, e eu morava numas bocadas, com uns cacêtes armados defronte a casa e rolava um bolodório de vez em quando. Até Raul – e porque não Hugo? - o povo chamava. Ele ficava cabreiro, mas nem era de dar caroara. Aliás, queria contar um segredo: meu pé é cagado e cuspido o de meu pai. Eu amo isso. Sempre fiquei curiando os dedos da criatura. Só pirava porque ele queria que eu comesse cacetinho duas vezes por dia e não rolava. Se eu tivesse cabreirado pra ele, tinha ficado um canhão, um cão chupando manga, com uma bunda de caruru, uma cabeça-de-arromba-navio, nenhuma calçola ia subir em mim e ia ser um chororô.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
PARADA GAY DA BAHIA
Domingo teve Parada Gay aqui em Salvador e eu fui gravar uma matéria lá. Desde a sexta anterior à Parada, a previsão do tempo era de um dilúvio e eu não tinha uma Arca de Noé. No sábado fui dormir mega tarde na festinha de aniversário de um grande amigo me confiando na chuva. Só me permiti dormir tarde porque acreditei nos meteorologistas. Quando eram umas 2 da madruga olhei e o vi céu cheio de estrelas. Pensei: "Óhh, ôu!!!! São Pedro, por favor, faça chover já!!!". Acho que falei baixo, pois ele não me escutou. Fui para casa correndo, mas sonhei o resto da noite com eu rezando para chover, pode? Isso já aconteceu com vocês? É muito estranho e ao mesmo tempo engraçado. Você não sabe se o sonho é sonho ou realidade e você acorda meio desesperada para saber o que está acontecendo.
Quando abri os olhos a primeira coisa que fiz foi correr para a janela com as outras pessoas da equipe me ligando desesperadas: "E aí, velho, derruba essa pauta aí, tá com cara de que vai chover!", alegou um. "É lógico que vai cair o maior pé d'água", previu outro. Nem uma gota caía do céu. Abriu um solzão e e fui trabalhar bem zumbi. Não podia dizer ao diretor do programa que a pauta caiu porque eu achei que ia chover. Ele ia me dizer que também "achava que eu ia ter emprego no outro dia". A TV tem que ir ao ar, com ou sem chuva.
É impossível ficar com uma gota de mal humor naquele lugar. É muita cor, muita irreverência, muito glamour e muita, mas muita,vontade de mostrar ao mundo que o amor é lindo.
Segundo os representantes do GGB, a Bahia é o estado em que mais se mata homossexuais no Brasil. Somente este ano, até outubro, foram 19 casos. Achei incrível a informação de que aproximadamente 80% das pessoas que foram à Parada não são gays, mas pessoas simpatizantes ao movimento.
Como entrava em tudo quanto era buraco e subia em todos os trios para fazer imagens, vi de tudo, e mais um pouco, que vocês possam imaginar. Vi homem e mulher se azarando como no carnaval. Eu estava vendo a fita depois da gravação - chama-se decupar - e no meio de uma entrevista vi, no segundo plano - atrás da cena principal - um rapaz segurando uma moça pelo braço. Ela olhou, gostou e beijou. A lambança demorou uns 50". Cada um foi para o se lado e tchau I have to go now. Vi várias cenas dessas ao longo da Parada, que, diga-se de passagem, acontece no trajeto do carnaval oficial, a Avenida Sete de Setembro.
Da mesma forma que vi coisas legais, vi muita coisa que julgo ser feia, como a pornografia a céu aberto. Entendo que a cirurgia de mudança de sexo seja um troféu para alguns homossexuais. "Eu tenho e vocês - os outros gays - não têm!". O problema é que ele ganha um orgão sexual feminino e quer mostrar para todos. Teve uma criatura em cima de um trio que o fio dental começava no umbigo e ia até as costas. Exatamente. Um fio dental na "perereca". Outros transsexuais, quando viam a câmera, tiravam o sutiã e balançavam tudo, como se eu quisesse ver. Fora alguns gays que pareciam me odiar por eu ser mulher, heterossexual, e estar ali.
Enfim... Muitos realmente estão ali para protestar contra o preconceito, a homofobia e a violência a que os homossexuais estão submetidos na vida machista em sociedade, mas também existem os que estão estão ali apenas pela gandaia. Esses últimos não estão preocupados com a imagem que se constrói no imaginário popular do que é uma Parada Gay e de sua importância. Mas, como em qualquer lugar, não devemos julgar um todo pelo caso particular de alguns. Os peitos delas eram lindos, mas eu preferia ficar olhando os gogoboys dançando...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O BESOURO MANGANGÁ

Para os curiosos, posso adiantar que Besouro, no conjunto, é um filme bom e vale a pena ser visto. Vi a pré-estréia na última quarta-feira, dia 21/10. A estréia será dia 30/10, próxima sexta-feira. Em uma hora e meia, ele traz ao grande público a história de um personagem, de uma luta, a mitologia e um cenário tipicamente brasileiros. Isso, por si só, já é um mérito.
Para quem não conhece a história farei um brevíssimo resumo. Besouro foi um capoeirista que era um misto de vingador e desordeiro. Lutando pelos interesses dos negros, e seus, ele tocava o terror com os donos do poder econômico e político. Depois da libertação dos escravos, algumas vezes os coronéis se recusavam a pagar pelos trabalhos nas usinas de cana-de-açúcar. Certa feita, reza a lenda, ele segurou o coronel pela camisa e o obrigou a efetuar-lhe o pagamento. Era avesso a policiais, que não conseguiam pegá-lo, e lutava capoeira com a proteção dos orixás. Tinha o corpo fechado. Essas, e várias outras histórias, são contadas nas rodas de capoeira através dos cânticos.
Para mim, o primeiro problema do filme acontece devido à mistura de cenários. A história, real, de Besouro se passa em Santo Amaro da Purificação e o filme foi, em grande parte, filmado na Chapada Diamantina, região completamente diferente e densamente povoada por exploradores de ouro e diamante, e não escravos. Em busca de uma fotografia mais atraente, a locação real foi substituída. O filme é ruim por isso? Não. Continua sendo bom.

O diretor do filme optou por preparar um não-ator, que joga capoeira muito bem, para representar o Besouro. O menino é um excelente capoeirista, mas está longe de ser ator. Sua voz, ao que me pareceu, foi dublada, e algumas cenas ficaram sem a expressão corporal necessária para imprimir a emoção vivida pela lenda da capoeira. Em compensação, a expressão facial dele favoreceu às cenas mudas.
Estudamos, desde a escola, a mitologia grega, mas desconhecemos totalmente a história dos Deuses africanos que foram trazidos para o Brasil, os orixás. O problema, para muitos, é que tudo que é tipicamente afro-brasileiro (nossa origem) não presta e, o pior, é endemonizado. Enfim... Não estou aqui para falar de religião, mas um dos méritos do filme, para mim, seria esse. Digo seria porque não acredito que a obra conseguiu passar a importância do candomblé para os ex-escravos, que inclusive agradecem aos orixás pela sua libertação. Mas, não há como negar, as cenas em que Besouro recebe a proteção dos orixás são lindas. A fotografia é perfeita, a luz foi usada a favor das filmagens e o cenário (embora não represente o ambiente real) foi muito bem montado.
O que me incomodou muito em Besouro foi o roteiro sem amarração e o texto do filme. Esperei, com ansiedade, uma luta ápice e não achei. Busquei entender porque aquele capoeirista foi o escolhido e, no filme, não tive resposta. Tentou-se falar de muita coisa ao mesmo tempo – capoeira, candomblé e escravidão – e o produto final não foi denso o suficiente para validar a obra. Fora o texto dos atores que não representam o linguajar dos recém libertos escravos. Teve até escravo com sotaque carioca! Para equilibrar, o capataz, Noca, tem uma atuação exuberante e suga toda a atenção quando aparece. Você acredita no ódio que ele sente por Besouro, mas não coloca fé no sentimento dos escravos.

Depois disso vocês devem achar que eu não gostei do filme. Não creiam. Besouro é um longa bom e, creio, vai cair no gosto popular. Quem sabe em breve não poderemos conhecer outra lenda da história brasileira através da tela dos cinemas? Só espero que orçamento do filme seja menos gasto em efeitos visuais – a verba foi de leis de incentivo fiscal - e a atenção esteja mais voltada para o conteúdo da obra.
Esta é a minha opinião, que também não é unânime, mas é minha. Espero que vejam e depois voltem para comentar.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
TODAS AS MULHERES PRECISAM LER...
Belinha acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro, e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha.
Chegando ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dor de ouvido e febre.
Tentou em vão achar o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado.
Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor.
Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a porra da pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte no escritório!
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os malditos papéis na empresa, mas a bosta continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um motoboy lhe trouxesse a porra dos documentos.
Tomou uma merda de banho, deu a droga do jantar para as crianças, fez a porcaria dos deveres com os dispersos e botou os monstros para dormir.
Artur chegou puto de uma reunião em São Paulo, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono. Artur a acordou com tesão, a fim de jogo. Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço de reportagem e transar.
Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e, quando estava quase pegando no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu traseiro com o seguinte comentário:
-Tá ficando com a bundinha mole, Belinha... deixa de preguiça e começa a se cuidar..
Belinha olhou para o abajur de metal e se imaginou martelando a cabeça de Artur até ver seus miolos espalhados pelo travesseiro!
Depois se viu pulando sobre o tórax dele até quebrar todas as costelas! Com um alicate de unha arrancou um a um todos os seus dentes depois deu-lhe um chute tão brutal no saco, que voou espermatozóide para todos os lados!
Em seguida usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas.
Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou.
Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual...
Resolveu agir com sabedoria.
No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada.
Foi para uma academia e malhou duas horas..
De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e as unhas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele.
E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num spa, ouviu o marido desesperado tentar localiza-lá pelo celular e descobrir por que ela havia sumido.
Pacientemente não atendeu.
E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico para a caixa postal dele.
- A bunda ainda está mole. Só volto quando estiver dura.
Um beijo da preguiçosa...
(Extraído do livro: Este sexo é feminino /Patrícia Travassos)
A PORRA BAIANA
PORRA - A palavra mais rica do dicionário baiano. Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um curinga da língua portuguesa, principalmente, em Salvador/BA.
Veja os exemplos a seguir:
1)PORRA pode ser utilizada para várias situações cotidianas:
- Se você toma um susto: POOORRA!
- Se você vê um amigo: legal te ver, PORRA ou Você sumiu PORRA!
- Se você adimira algo: POOOORRA!
- Se você está indignado: Que PORRA!
- Como adjetivo: Você é uma PORRA!
- Pra mandar alguém se acalmar: Queta PORRA!
- No diminutivo, pode ser elogio: Gosto muito de você, seu PORRINHA!
2) Como indicação geográfica:
- Onde fica essa PORRA?
- Vá pra PORRA!
- 18:00h - vou embora dessa PORRA!
3)Sentido de quantidade:
- Trabalho pra caramba e não ganho PORRA nenhuma!
- Isso é caro pra PORRA!
- Ela mora longe pra PORRA!
- Ela é bonita pra PORRA!
4)Substitui qualquer objeto:
- Não se enxerga PORRA nenhuma!
- Não ganhei PORRA nenhuma de presente!
- Vou "picar" a PORRA!(sinônimo de jogar)
- Deixa essa PORRA aí!
5)Para qualificar determinada ação:
- O Bahia e o Vitória não estão jogando PORRA nenhuma!!!
- O governo Lula está uma PORRA!
- Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo PORRA nenhuma...
Não me mande ir para a PORRA, tá? Pois ainda não descobri onde fica.
sábado, 17 de outubro de 2009
MEUS TRÊS ESTADOS
Estava super ansiosa para conhecer esse lugar. Acreditem: sentir o peso da água batendo na cabeça, numa cachoeira, recarrega todas as energias.
Eram 6h da manhã do sábado. Minha amiga que estava indo se encontrar comigo sofreu um acidente na estrada. O carro capotou e ela teve duas fraturas na coluna. Desesperei. Comecei a ligar para o plano de saúde para ver hospitais na região, ambulância, etc. Primeira dica: se puder, evite viajar à noite. O dia facilita muita coisa numa hora dessas. Não haviam hospitais capacitados para atendê-la na região e um amigo conseguiu sua remoção até a capital. Fez uma cirurgia na coluna e está bem. Graças a Deus.
Não consegui dormir mais e tinha que estar pronta para começar a trilha às 8h. Sem fome, fui para o desejum. Como tinha uma caminhada longa, e mastigar logo cedo não é fácil para mim, optei por comer frutas, iogurte e leite. Tinha uma fruta meio verde meio madura. Provei e gostei. Comi muito e com gosto. Pensei: “Geração saúde. Êaaaaa!!!”. Segunda dica: não mude radicalmente seus hábitos alimentares, pois o corpo sente e, o pior, reage.
Pegamos o asfalto. 44 km de estrada de barro, até chegarmos em uma fazenda, e mais 3,5 km caminhando até chegar à Cachoeira do Mosquito. A casa seria nosso ponto de apoio no retorno para banho e almoço. Chegando lá, uma senhorinha muito fofa tinha preparado um suco de maracujá do mato. Achei a cor verde extrato de folha linda e tomei, pelo menos, meio litro. Era bom demais!
Câmera a postos, demos início à caminhada. Paramos algumas vezes para fazer algumas imagens, pegar algumas entrevistas com o guia e, nesse meio tempo, meu estômago começou a revirar. Eram gases. Ao ar livre não tem problemas, pensei. Seguimos com meu estado gasoso.
No meio do mato descobrimos uma prainha de água cor avermelhada. Paramos para outra gravação. O guia explicou que a areia era branca porque um dia ali já tinha sido mar e a água era daquela cor devido a uma substância da raiz das plantas que tinha efeito laxante. Nem passei perto da água. Vai que ela entranha na minha pele e provoca uma situação. Mas só de ouvir a palavra L A X A N T E, meu intestino deu um nó de marinheiro.
Percebi que a fase gaseificada da brincadeira tinha acabado e que a qualquer momento o estado das coisas poderiam se tornar mais sólidos. Comentei que estava com dor de barriga e me mandaram fazer uma parada rapidinha no mato. Me recusei. “Uma lady não vai ao mato. Posso esperar”. A galera ainda me abusou dizendo que eu tinha bebido água da prainha econdido. Dica número 3: ouça os mais experientes.
Ainda faltava pouco mais de 1km para chegar ao destino. Para minha sorte, era uma descida. Para baixo, todo santo ajuda. O caminho foi ficando apertadinho e mais íngreme. Chegou uma hora que só conseguíamos descer segurando nas árvores. Com equipamento o trabalho dobra, mas já estávamos ouvindo o barulho da queda d’água. O eco dos nossos gritos mais pareciam alguém respondendo. Alguém, dentro de mim, também queria gritar.
Minha fase empolgação já tinha mudado para preocupação. A fisionomia estava visivelmente alterada. A vontade estava virando dor e... Chegamos! Esqueci tudo, gravei a parte final da matéria e passei uns 15 minutos tomando banho de cachoeira. Como disse, é revigorante. Nos faz até esquecer os problemas, alivia as dores, viver vale mais a pena. O mundo é lindo. A Chapada Diamantina é linda. Hora de voltar.
Se para baixo todo santo ajuda, para cima o diabo cutuca. Quando comecei o caminho de volta meus metrinhos de intestino me lembraram que eles existiam e tinham vontade própria. Sozinhos, eles deram mais um nó e eu me agachei de dor. Ficar agachada não dava, era muito propenso a um resultado óbvio. Levantei com a mesma rapidez e comecei a gritar. “Ai, ai, ai, ai”. O pessoal ficou super preocupado e insistiu para eu usar o mato. “Não, não, não, vamos nessa, eu agüento”. Franzi a testa – ninguém contesta alguém com cara carrancuda –, liguei um motorzinho nas pernas e fui.
Na volta, o sol tinha esquentado e eu suava um suor frio, pegajoso. Sentia cólicas abdominais que iam e viam como contrações de um parto. Quase foi. Eu concentrei na dor, fiz respirações contadas, me distanciei do grupo e andei com uma vontade que nunca tinha tido na vida. Vez ou outra as contrações vinham e eu tinha que parar, meus olhos enchiam de lágrimas, eu respirava e continuava.
Quando cheguei à fazenda, o guia – que tinha chegado antes de mim – veio cheio de dentes brincar, perguntar como eu estava, se tinha gostado da caminhada. Meu olhar foi tão, mais tão, fulminante que ele apenas segurou minha mão e me guiou até a porta do banheiro. Ele devia ter mandado a galera evacuar a área. Era meu estado sólido se concretizando.
Fiquei, pelo menos, dois quilos mais leve. Agora eu já não transpirava, meu suor saia dos poros como se eu fosse um chuveiro ambulante. Era minha fase líquida. Eu estava me tremendo. Liguei o chuveiro e fiquei uns 5 minutos me recuperando. A água batia na cabeça e eu lembrava da cachoeira. Aquela vozinha aqui dentro perguntava: se o homem inventou a fotografia e eu já tinha visto a cachoeira, que inferno eu fui fazer lá?
Refeita, me arrumei e agora meu dilema era outro: o pessoal almoçava lá fora enquanto eu derrubava o muro de Berlim ali dentro. A poeira, com certeza tinha subido. E a vergonha? Como havia dito, nenhum ser humano normal será capaz de dizer nada a alguém com cara carrancuda. Saí do banheiro com fisionomia de monstro e fui tomar um ar.
Dica número 4: nem sempre vale a pena ser uma lady. Leve papel higiênco para o mato e seja muito mais feliz. Ninguém comentou nada, mas eu ri horrores quando descobri que a fruta meio esverdeada do café-da-manhã era mamão.
Mais algumas fotos da viagem. Pela fisionomia, sem dores de barriga.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
Não tenho referência de heróis, pois não acredito nas peripécias deles. Mas algumas pessoas se destacam na vida e estas merecem ser lembradas.
Quando era criança, tinha um menino da mesma idade que eu que “apareceu” aqui na rua. Ele era tão criança quanto eu, mas não brincava muito. Trabalhava enquanto eu me divertia. Era muito negro, muito jovem e apaixonado por bicicletas. Para ganhar a vida, lavava carros. Domingo à tarde, quando todos voltavam da praia com os carros sujos e cheios de areia seu sorriso ficava largo. Ao contrário de muitos, sua cor e sua procedência não o incomodavam, era motivo de orgulho.
Cresci vendo aquele menino lavar carros. Nunca foi uma pessoa com quem eu tive uma relação de proximidade, mas sempre foi alguém que me serviu de referência de obstinação, de boa conduta. Se eu tivesse nascido na mesma condição que ele não sei se teria trilhado o mesmo caminho que o seu.
A família morava no “lixão” da cidade. Em busca de uma vida diferente, abandonou a família e se dedicou a outra atividade. O que teria sido mais fácil? Entrar para a vida do crime ou trabalhar em busca de uma melhoria de vida? Ele optou por trabalhar... Cresceu lavando carros, começou a fazer faxina nos prédios da rua, comprou uma pequena casa e teve uma vida digna. Foi uma das poucas pessoas para quem confiei entregar a chave do meu carro sem medo de perder qualquer coisa que havia ali dentro. Não que meu carro tenha muito valor. Longe disso. A confiança que tinha nele tinha sido conquistada ao longo de anos.
Ele era um rapaz honesto. Digo ERA por que ele se foi hoje. Foi atropelado sabe-se Deus por quem. O motorista da van fugiu e o deixou com várias fraturas expostas ao chão.
De família pobre, foi levado a um hospital público. Sem condições, o hospital não tinha vaga em uma UTI, o que também não lhe garantiria recuperação. Ele não resistiu aos ferimentos e se foi.
Estou infinitamente triste. Um dia, quando eu ainda era estudante, uma professora pediu que escrevêssemos o perfil de uma pessoa com história de vida e resolvi entrevistá-lo, para conhecer mais aquela pessoa que sempre vi, mas nunca soube a real procedência. Daí descobri muitas coisas sobre aquele rapaz, que na verdade era bem mais velho que eu e já tinha conquistado muito mais coisas do que eu teria sido capaz...
Descobri que tinha muitos planos, um brilho nos olhos que eu não era capaz de ter. Ele se sentia um vencedor. Não por ter ficado rico – até porque não ficou - mas porque sobreviveu a um mundo cruel sem caminhar pelo caminho mais fácil: o da criminalidade.
Hoje olho para mim e pergunto: porque lutamos tanto por coisas que não nos levarão a lugar algum? Temos tanto orgulho de quê? Para que queremos ser os melhores? Para que perdemos tanto tempo tentando impressionar pessoas que não nos merecem? Porque dedicamos tão pouco tempo a coisas e pessoas que nos farão mais felizes de verdade? Para quem esse rapaz vai fazer falta?
Estou derramando lágrimas pela sua vida. Não são lágrimas de tristeza. Uma pessoa me mostrou que é possível mudar do quase nada para algum lugar. Um lugar que nunca esperou chegar.
Não tenho respostas para meus questionamentos. Apenas estou muito triste. Muito triste... Não tenho heróis, mas posso dizer que conheci pessoas que venceram na vida.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
VIDA DE NÊGO É DIFÍCIL
Mas, como disse, vida de produtora de televisão não á fácil. Você ficaria com a TV ligada para ver a mesma coisa que viu há um ano no mesmo canal? Agora, imagine que outras equipes de televisão já foram lá centenas de vezes! O que eu posso mostrar sem ser repetitiva? É a arte de reinventar o já inventado e ainda conseguir segurar a audiência. Como sabiamente percebeu o francês Antoine Lavoisier, na natureza – e em televisão - nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Somos um tipo de comunicação em eterna mutação. Assim que pisar meus pezinhos naquele paraíso, minha primeira parada prevista será em um dos lugares mais belos que já visitei. Chama-se Morro do Pai Inácio. São 1.120 metros de altitude e 250 metros de altura. É de lá que se tem a visão mais completa e bonita da Chapada.
O Morro leva esse nome em homenagem a Inácio, que, segundo conta a lenda, era um escravo que namorava a filha do seu senhor. Perseguido pelos capangas do coronel Horácio de Matos, Inácio teria subido o morro e, sem ter para onde fugir, teria pulado com um guarda-chuvas aberto. Segundo a tradição popular, o escravo conseguiu sobreviver e escapou pelo vale.Lá no Morro, vamos entrevistar o ator de um filme brasileiro que vai estrear no próximo dia 30 de outubro. Besouro. Um dos filmes brasileiros que estará concorrendo à vaga para concorrer ao próximo Oscar de melhor filme estrangeiro. Vocês já devem ter visto o trailer e é lógico que não vi o filme ainda, mas, confiram abaixo, acredito que é um forte candidato a estatueta.
Bem... Não vou contar, agora, minha previsão para a viagem toda. Assim perde a graça. Mas vou fazer o possível para postar de lá. Na pousada já me avisaram que a Internet só funciona na área da piscina e eu acredito que, nesse lugar, não vou ficar tomando sol de cloro, né?
domingo, 4 de outubro de 2009
BAGUNÇA ORGANIZADA
Domingo à noite, a caminho de um restaurante, resolvi fazer uma parada emergencial num shopping para matar a saudade de um amigo. Ao travar a porta, olhei para a coluna ao lado: G1-D. Não demorei nem 20 minutos. Foi só o tempo de contar duas fofocas, dar dois beijos e tchau, pois tinha um casal de amigos esperando para uma comidinha mexicana. Desço eu cantarolando “vou passear na floresta, enquanto seu lobo não vem...” e começo a procurar o bendito do carro.
De início fui passando o olho despretensiosamente, meio que caminhando com a certeza de que já já chegaria, pois tinha marcado o lugar. Quando olhei atenciosamente ao redor me dei conta da merda em que estava metida.
O estacionamento foi organizado em alas marcadas por cores e letras. Eram 5 cores: azul, verde, amarelo lilás e vermelho. Cada cor vinha acompanhada por uma letra: A, B, C, D, E e F. Ou seja: meu carro tinha 5 possibilidades de lugar para estar, pois eu tinha certeza que estava no G1-D. Mas que cor???
Falando assim até parece simples. Era só caminhar e procurar. Não era. A distância de uma letra para a outra era monstruosa, ainda tinha que mudar de cor até começar tudo de novo e eu já estava passando mal de calor.
Revoltada, comecei a me perguntar por que infernos o demente que projetou aquilo tinha 23 letras para explorar e resolveu complicar a vida de meio mundo de gente usando apenas 6.
Caminhei de um lado para o outro feito uma barata correndo de pizão, olhei o G1-E e no G1-C, que eram os mais próximos do D. Quem sabe eu podia ter me confundido de letra, né? Não custava tentar. Mas nada. Eu andava, andava, andava e quando via já estava na letra A e B. Eram mais de mil carros. Só no G1 e eu vi uns 10 irmãos do meu. Nisso já tinha se passado uns 20 minutos de peregrinação e meus amigos me esperando no restaurante.
Quando meu olho encheu de água, senti vontade de sentar no chão e chorar. Não era só chorar. Eu queria bater o pé, jogar a bolsa no chão, xingar o retardado que pensou que aquela idéia pudesse ser boa e também o acéfalo que aprovou aquela putaria organizada. E se tivessem roubado meu carro? Resolvi pedir ajuda.
Procurei um segurança e, antes de eu abrir a boca, notei que tinham mais 2 pessoas na mesma situação que eu. Passei a placa do carro, cor e provável localização para os rapazes de moto darem uma olhada. Nisso já tinha se passado meia hora e eu morrendo de vergonha de ligar para o casal e avisar: “Olha, me atrasei porque perdi meu carro no estacionamento do shopping!”. Atestado de insuficiência mental. Não dava. Segurei mais um pouco.
Tinham uns 3 motociclistas por “G” para ajudar os clientes. Eles rodaram, rodaram e nada de meu carrinho. Como eu não ia conseguir ficar parada olhando, fui procurando também. Mais 15 minutos e nada do carro brotar. Daí um dos rapazes da moto veio falar comigo. “Ô moça... A senhora tem certeza que estacionou no G1?”. Juro que fiquei receosa de dizer que tinha. Mas eu tinha!!! E se eu tivesse me confundido??? “Moço... Eu não certeza mais de nada. Só sei que entrei nesse inferno desse shopping”.
Via rádio, pediram reforços aos seguranças e motociclistas do G2. Eu já estava morrendo de vergonha, imaginando que iam achar meu carro no outro estacionamento e que ririam horrores da cara da “mulher retardada que nem sabia onde havia largado o carro”. Nada do veículo no G2. Ferrou. “Meus Deus! O que eu fiz com esse carro?”.
Já com cara de impaciente, um deles, que parecia o exterminador do futuro feito de metal líquido (lembram?), me perguntou por onde eu tinha entrado. Disse que, desde o início, já havia explicado para o segurança que tinha entrado pelo acesso 3. “A senhora lembra qual loja viu primeiro quando entrou no shopping?”. Me senti mais anta ainda. “Não moço, eu olhei e gravei a identificação da localização. Achei que fosse suficiente, mas não é.”. Expliquei, mais ou menos, meu percurso até achar uma vaga no que ele exclamou um ar de sabe-tudo da estrela: “Ahhh... Seu carro deve estar lá no setor lilás... Se a senhora tivesse me falado antes... Espera aqui que eu vou lá ver”.
Depois de uma hora, o dito estava certo. Meu humilde possante estava no setor lilás, na área D, como eu havia observado. O motociclista me passou uma olhada de maníaco do parque nas pernas e sugeriu: “Da próxima vez, moça, procure a pessoa certa pra lhe ajudar, pode ser tudo mais prático, viu?”. Só faltou piscar o olho.
Eu mereço?
Resumo da missa: o casal me ligou no meio do bafafá, eu estava mega estressada, contei o que estava acontecendo e eles me chamaram de lerda, disseram para eu parar de beber e, quando cheguei lá, tive que aturar eles me olharem com cara de “admita que você é lerda, vá”.
Não sei o que me deu mais ódio: a putaria organizada do estacionamento, a olhada do homem da moto ou a cara de idiota de meus amigos.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
É DIFÍCIL SER HONESTA
Se num dia comum eu esbravejaria com alguém que coloca coisa alheia em cima de minha mesa, nesses dias eu entro em erupção. O bom é que, no trabalho, ninguém mais me dá atenção nesses dias e tudo passa. O que fica depois dessa ebulição de progesterona é um silêncio envergonhado de 15 dias até a próxima TPM chegar e transbordar toda lava que há em mim.
Já fui pior. Creiam. Faz alguns meses que optei por descarregar parte dessa tensão em sessões semanais de terapia. Ajudou bastante e me fez aprender a calar em momentos oportunos, compreender a incomunicação alheia, sorrir mais... Mas ainda não resolveu.
Assim como tenho aversão a pessoas lentas, tenho horror, não acredito em pessoas boazinhas. Sabe a Rutinha da novela Mulheres de areia? Sim... Ela mesma. A irmã de Raquel. Não acredito que exista alguém assim e detesto todas as pessoas que tentam se passar pelo anjo bom da humanidade.
Acredito em pessoas boas, que querem fazer o bem, que têm a caridade nas atitudes, o amor no coração. Mas não acredito em bondade gratuita. Ninguém tem água correndo nas veias a ponto de outro lhe sacanear o tempo todo e você sorrir e dar o outro lado da face. Isso, para mim, pode ser sinal de inteligência emocional controladíssima ou insuficiência cerebral mesmo. Vamos aos exemplos práticos.
Durante a faculdade fiz muitos amigos, mas também fiz com que muitas pessoas passassem a me detestar. Estou cagando para elas. Sou assim. Provoco sensações, instigo sentimentos antagônicos. Me ama ou me odeia. Ou os dois.
Tive uma professora de Políticas da Comunicação que tem um gênio muito parecido com o meu e, no início, nos bicamos muito. Mas, com o passar do tempo, conseguimos conversar a mesma língua. Um dia larguei uma pérola na sala. “Eu não acredito no sucesso desses movimentos dos ‘sem-tudo’. Sou de família muito pobre e tive que ralar muito pra conseguir alguma coisa na vida. Essas pessoas lutam por coisas que, depois de conseguidas, vão se desfazer em troca de uma grana e continuar no movimento brigando para ganhar de novo. Vão morrer lutando’. Ela, óbvio, discordou de mim, explicou seus motivos e disse para o resto da turma que, em grande parte, protestou veemente à minha argumentação: “Sabe qual a diferença entre Luciana e vocês? Ela diz o que pensa e não é hipócrita para assumir um discurso politicamente correto só para ser bem vista...”.
Acho que foi a sinceridade da minha declaração que conquistou seu nobre coração, pois, a partir daí, desenvolvemos uma amizade grande, sentimento de admiração e respeito mútuo.
Falta sinceridade no coração das pessoas. Não falo de sair por aí ofendendo todos e dizendo verdades desnecessárias só para ser a porreta. Me refiro a uma honestidade com a vida, com o ser humano. Se eu detesto que mexam nos papéis da minha mesa de trabalho, porque vou sorrir e dizer “não tem nada não” quando algum filho da p#!@ bagunça tudo sem minha autorização? Para fazer a média de boa moça? Não. Essa aí não sou, não serei assim para agradar ninguém e detesto esse tipo de gente. É claro que não preciso matar a pessoa, mas é lógico que preciso lhe dizer que, por favor, quando quiser algo meu me peça emprestado e não bagunce a minha mesa. Mordi?
Mostrei um trecho deste post a um amigo. Sabe o que ele me disse? “Você precisa arrumar um namorado” – estou amenizando as palavras dele. Respondi: “Amigo... ‘brinquei’, nos últimos dias, uma quantidade de vezes o suficientemente eficaz para concluir que minha vida hormonal está operando normalmente. O que anda em baixa é o intelecto das pessoas capacitadas para ‘brincar’ direito. Os homens inteligentes não sabem 'brincar', os que 'bricam' muuito bem não prestam e quando prestam são burros”. Resposta: “Você está muito afiada hoje, amanhã a gente se fala, tá?”. Até.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
MEU DESCOMPASSO RELÓGIO
Apesar de os baianos carregarem o apelido de preguiçosos, eu queria conseguir dar vazão a essa preguiça “congênita” que me puxa para o primeiro encosto que avisto. Mas só de pensar em gente assim me dá nos nervos. A vontade que tenho, ao me deparar com alguma lesma disfarçada em forma humana, é puxar pelos braços, sacolejar, dar duas bifas na cara e empurrar ladeira a baixo. Ufa!!! Só de falar me sinto aliviada!!!
Trabalho de 10h a 12h por dia, faço aula de dança, curso de língua estrangeira e tenho algumas
sessões médicas semanais (inadiáveis). Vou ao cinema, pelo menos, duas vezes por semana, saio com os amigos, dou atenção a minha filha-sobrinha e ainda encontro tempo para brigar com meus irmãos!!! Nessa rotina, ainda vou incluir uma pós-graduação.Acho que sou viciada em usar o tempo da forma mais proveitosa possível, só que esse aproveitamento traz conseqüências não muito positivas.
Uma delas é que dirijo com pressa. Muita pressa. Tem horas que sinto vontade de andar com uma mega “pá” acoplada à frente do meu carrinho para levantar todos aqueles veículos, conduzidos por pessoas com síndrome irreversível da lerdeza, e jogá-los para muito, muito, longe – esse desejo é tão latente que estou encomendando um carro de corrida em formato de trator. Eu não consigo entender para que infernos uma pessoa compra um possante 2.0, tracionado, ainda coloca uma porra de um aerofólio e anda a 60km na pista de velocidade, onde o limite é 80. A tremedeira de raiva bate mais “de com força” porque esses seres acham que podem ficar desfilando na pista de velocidade e não dão passagem a quem quer adiantar.
Nessas horas eu queria que meu humilde 1.0 se transformasse no Megatron para eu sair gritando e pisando tudo quanto é gente lerda que eu encontrasse pela frente, lados, costas.
Acho essa pressa péssima, mas faz parte de mim. Como citou a Isa, “tenho síndrome de Gabriela”. Eu nasci assim, vou ser sempre assim...
A outro ponto ruim é que, na hora de dormir, tenho a sensação de que poderia aproveitar aquele momento para fazer outras coisas, como escrever no blog, por exemplo. Enquanto estou acordada o desejo de consumir o tempo manda em mim, me consome. Mas, depois que consigo abstrair o relógio e dormir, uma entidade poderosa toma conta dessa pessoa que vos escreve e não mais me governo. É um santo chamado “sono”. Quando estou de olhos fechados quem manda em mim é ele. Ao acordar, a primeira coisa que penso é derrubar todas as pautas que não sejam o trabalho e voltar para minha cama. É lógico que depois do banho essa sensação passa, a correria começa e minha corrida contra o tempo vira prioridade.
Eis aí o que me consome: correr contra o tempo. A sensação que fica, ao mensurar tudo isso, é que não estou usando o tic-tac dos minutos ao meu favor, pois é o tempo quem me consome, fazendo-me crer que o estou usando da melhor forma. E outra: cada pessoa tem seu tempo para fazer as coisas, o importante é cumprir as obrigações. Não dá para impor minha velocidade aos outros. Tenho essa consciência.
Mas se o mundo não vai andar na minha velocidade, porque não me deixam voar no limite que consigo? Estou matando o tempo para ele não me matar.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
DEBAIXO DOS CARACÓIS...
Nada melhor que alguém te encontrar e dizer: Nossa... Sua voz continua a mesma, mas seus cabelos... Quaaaanta diferença!!!
Agora me diga aí: como posso achar meus cabelitchos lindos assistindo às novelas Globais?
É impossível!!! Tenho pena das meninas que crescem assistindo Malhação e tomam o cabelo das atrizes por padrão a ser esticado. Basta observar como mudaram os fios de Camila Pitanga, Cristiane Torloni, Angélica, Daniela Mercury, dentre outras mil. Não sei que tipo de ácido poderoso a Globo dá para esse povo beber que os cabelos brotam lisinhos lisinhos do cabeção.
Eu moro na Bahia, velho, e 80% das pessoas aqui têm cabelos crespos e cacheados. Mas ninguém mais quer ter cachos! Ditadura das escovas!!! Inventaram mil nomes: progressiva, inteligente, ionizada, japonesa, etc. e tals. Mas não adianta!!! Pau que nasce torto nunca se endireita.
O povo daqui inventa de escovar o cabelo e ir pular atrás do trio. Quando o suor começa a derramar – lógico, não há Xuxa que não derreta atrás do Asa de Águia, em Praia do Forte, num calor de 30 graus – a raiz do arame dá aquela repuxada e mostra todas as farpas. Ôu, mái!!! Se perder o prendedor de cabelo vai ser um pega pra capá - confusão em baianês!
Não ia nem citar as moçoilas que deixam a cabeleira escovada por uma semana. No quinto dia os fios já estão tão tão tão engordurados, do sol e suor, que fica aquele aspecto de macarrão unidos venceremos. Se cair um fio todos caem juntos em solidariedade. O que era para ter ficado belo vira sinônimo de imundície.
Estou na fase de valorizar os meus fios compridos e encaracolados. O negócio é que só lavo cabelo no salão. Não sou rica, longe disso. É que não levo o menor jeito para hidratar com um creme Mega Master Blaster Plus Advanced e dar o brilho que meus tão humilhados cachinhos merecem. Passo por todo um processo para ele cachear.
Fico meia hora apertando, apertando, apertando ele com as mãos até ficar tudo formadinho. Formou? Daí tenho que esperar secar com o pescoço duro – tipo com torcicolo - pois se um cacho cair para a frente ferrou. Uma vez caído o “molho” não fica mais a mesma coisa.
Tenho uma amiga que me disse que já se trancou no carro com o ar condicionado ligado para o cabelo secar mais rápido!!! Não dá, né? Além da grana da cabeleireira, do creme plus ainda tem a gasolina! É mais barato raspar a cabeça e adotar um visual punk!
Para mim, cabelo molhado só de dia, não dá para sair na night com as madeixas molhadas – não o meu que é volumoso e não seca. Ah! E tem as meninas que jogam 1Kg de creme na cabeça e depois fica tudo escorrendo na roupa ou nas costas. É uma meleca!
Vocês já observaram que, até nas propagandas de produtos hair, os cachos não são naturais, são todos feitos de babyliss?
Porra, velho!
Minha sobrinha-filha tem os cachinhos mais lindos do mundo e um dia desses pediu à minha mãe para passar chapinha no cabelo para ir para a escola. Pense numa criança de 4 anos batendo pé para passar a maldita “pranchinha”? Parecia aquele menino que só queria fazer "cocô" na casa do Pedrinho! Achei aquilo o cúmulo do absurdo e dediquei um dia de conversa a fim de lhe convencer, para todo o sempre, que seus cabelos são lindos e que seus cachos são maravilhosos.
Se aprendermos a valorizar, e gostar, do que temos, desde pequenas, com certeza, nos aceitaremos e teremos uma auto-estima mais concreta.
Mas como ela pode acreditar nisso vivendo em uma cultura onde o padrão de beleza capilar exige cabelos lisos, ralos, louros e brilhantes? Não dá... Respeitem os meus cachinhos!!!
domingo, 20 de setembro de 2009
CONFUSÃO ASTRAL
Entendo a astrologia como um efeito borboleta em nossas vidas. Quando você nasce, uma série de coisas está em andamento e, tudo que está acontecendo naquele exato momento, vai influenciar sobre quem você é e vai ser. Não vejo isso como determinismo, mas como uma predisposição para você ser de um jeito. Mas tudo pode mudar.
Sou a ariana mais típica que você pode imaginar. Impaciente, mandona, vingativa, colérica, superprotetora, zelosa, extremamente possessiva, não tolera infidelidade nem a perdoa facilmente, boa companheira, sonhadora, romântica, volúvel. Prazer. Esta sou eu. Os detalhes dos quais me envergonho omiti, afinal quem manda aqui sou eu.
Meu ex-marido, para fazer jus ao signo, me arrumou até um par de chifres enormes – sem ressentimentos – daqueles que dão voltas e voltas e voltas. Não ache que sofro com isso. Pelo contrário, também temos signo lunar, que é mais ou menos a posição da lua quando nascemos, que influencia em quem seremos. Também tem meu ascendente, que é virgem, o que me possibilitou ter características boas o suficiente para deixá-lo vivo e com menos ódio no meu coração. Áries é fogo, virgem é terra. A fogueira pode ser feita em cima da terra, mas jogada em cima do fogo a terra o apaga. Graças a isso meu ex está sorrindo em algum lugar.
Ser de Áries, o primeiro signo do zodíaco, do elemento fogo, que tem a cabeça como o centro do corpo, foi um orgulho! Amo ser ariana. Eu tinha uma amiga leonina que, quando eu cedia a uma crise histérica, daquelas de pular feito uma louca e espumar só porque alguém havia me contrariado, ela ria e dizia: “Olha que ariana! Calma ariana!”. Teve um dia que fiquei toda sorridente, pois uma pessoa altamente linda me disse que os arianos eram os melhores amantes. Daí pensei: “É meu! É meu! É meu!”. A verdade astrológica veio em seguida. “Mas amam num dia e desprezam no outro”. Pôxa, não dava para lembrar disso depois?
Cresci achando que sabia quem eu era, até uma astróloga me informar que, na hora em que eu nasci, o sol já regia o signo de touro. Ou seja: eu sou, segundo ela, uma taurina. O importante é não deixar de ter chifres – tenho que rir da situação para não morrer de ódio, né?!
Fiquei arrasada! Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou? Hã? Quem é você? Eu te conheço? Crise existencial. O que importa onde estava o sol na hora em que nasci? E se tivesse chovendo? Mas, de fato, quem sou eu? Aquela que dizem que sou, aquela que me sinto ou a que me vejo? Queria que passassem uma borracha em mim e me reescrevessem de novo.
Passei dias e dias digerindo a situação, li muito sobre o assunto e relaxei. Eu sou essa que construí me misturando. Que sorri para chorar, odeia para amar, cai para levantar, sonha para viver, se contradiz para se afirmar, enxota para acariciar. Sou simples, não é?
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
HIPOCRISIA CIVILIZATÓRIA
É extremamente estranho como todos nascemos defecando, urinando, distribuindo flatos pela atmosfera. Isso é até um bom sinal quando chegamos ao mundo, pois significa que o bebê está bem e já pode ir descarregar as necessidades em casa. Ao crescer, essa noção de vida se inverte de tal forma, que todos perdemos o intestino à medida que tomamos conhecimento do que é o mundo esteticamente correto. Ninguém mija, nem caga nem peida. Tem gente aí do outro lado que deve estar me achando “umazinha” por falar publicamente sobre isso. Quem for flagrado portando – ou largando, o que é pior – alguma fisiologia por aí pode perder, para toda a eternidade, o ar de elegância, inteligência e sensualidade conquistado ao longo de uma vida.Essa aversão a “escatologias fisiológicas” está tão presente em nossa cultura que é sinônimo de imundície para quem os profere abertamente. A hipocrisia ridícula me dominava até hoje. Não mais.
Sabe aquele gato? Moreno, alto, voz sussurrando ao pé de ouvido, músculos bem distribuídos em todos os graus, mãos fortes. Maior pegação, suor - suar pouco, pode, né? Sudorese já entra para a lista de escatologias – e, de repente, um PRRROOOOCCCCC. O moço nem abre o olho enquanto você arregala os seus dois e congela a imagem até decidir se cai na risada, tampa o nariz ou sai correndo. Foi um pum, um peido, um flato, que vem do latim flatus, e que é uma composição de gases altamente variável, expelida pelo ânus. Sim, o que conhecemos popularmente como “cu”. Na hora, leitores, o gato vira rato e eu evaporo.
Isso não aconteceu comigo. Garanto. O que mudou minha opinião conto nos parágrafos que seguem. Mas... Alguém faria diferente? Não se trata de um namorado de anos (se for recente vira ex rapidinho) nem de um marido. É um paquera recente com curriculum bem encaminhado no setor pessoal. Você contrataria esse serviço?
Eu tive uma amiga que foi casada uns 3 anos e o marido dela jurava que a esposa não tinha intestino. O caçador de puns me garantiu que quando ela saía do banho ele entrava correndo para ver se descobria algum gás nobre se dissipando pelo ambiente. Como ela conseguia fazer “isso” só na hora do banho? Ela não ligava para as flatulências, por cima e por baixo, dele, mas ficava vermelha só de ouvir falar nos gases próprios.
O que me aconteceu hoje foi o seguinte: estou eu na casa de uma pessoa que tem a família mais bem dotada de beleza da cidade. O irmão dessa pessoa é a coisa mais graciosa que existe. A lindeza estava tomando banho quando cheguei e já imaginei o corpinho esbelto passeando de toalha na minha frente no caminho do quarto. Antes de ouvir o “nhéééééc” da porta, senti o odor de um gás que parecia ter sido expelido dos confins da Terra, através de um vulcão em estado latente de erupção. Como uma coisinha tão linda pode carregar dentro de si uma granada daquele porte?
Mas daí me veio o questionamento: “O que tem de anormal nisso?”. As pessoas nascem, crescem e morrem. Tudo que entra sái. O cara tem um intestino que funciona bem, né? Pelo menos é saudável... É uma hipocrisia muito grande viver como minha amiga fingindo que não tem quase 9 metros de intestino transportando bosta dentro de si!
Nas aulas de antropologia, aprendi que, um dia, a sociedade passou por um processo civilizatório em que a nobreza distinguia-se da plebe pelos costumes. O hábito de comer de mão, odores do corpo, jeito de comer, de se comportar foi mudando a forma de ser visto por uma necessidade de o homem nobre ter atitude civilizada, que não lembrassem um animal, o que de fato ele era e continua sendo.
Temos tanto nojo dessas comprovações fisiologicamente humanas de vida que somos capazes de deixar de amar um homem que não faz a barba, não arranca os pêlos excedentes do nariz, não está devidamente “depilado”, etc. e tals. O mesmo pode ser dito das mulheres que, geralmente, são mais cobradas ainda que os rapazes no que diz respeito a “educação”.
Enfim... O tema do selo é sobre as palavras sinceras que interessam. Aí vão minhas palavras sinceras: um peido solto não mata, um arroto livre não prejudica o caráter de ninguém e as fezes vão para onde têm que ir. Pior é a hipocrisia que deixa preso dentro o que pode provocar infecção intestinal e colaborar para o apodrecimento de uma massa cinzenta já prejudica pela necessidade do esteticamente correto. Pronto, falei!
Mas, na moral, se puder evitar, vá peidar pra lá!!!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
IMAGINAÇÃO FÉRTIL
As benditas regras são:1 - Listar alguma coisa que, quando criança, achávamos que seria legal, mas que na realidade não era (ou não foi) tão legal assim.
2 - Repassar para pessoas de imaginação fértil.
Vou listar algumas coisas que achei que seriam legais. Mas eu só achei...
Quando eu era criança pequena – é que agora me acho criança grande – achava que poderia fazer experimentos científicos que iriam revolucionar a ciência moderna. Aqui no meu prédio tinha uma planta de folha impermeável, que quando a água batia escorria sem molhar. Eu achava aquela a planta mais diferente do mundo e tinha a convicção que se eu tirasse algum líquido dela e injetasse em outra poderia gerar um novo tipo de planta que me tornaria a criança mais inteligente do mundo. Motivada por uma amiga mais acéfala que eu, fizemos a experiência. Só descobri que caldo de planta fede pra k.r.l.o.
Eu já disse que sou normal. Mas um dia, eu e minhas amigas de infância – inclusive Sandra (entrego logo que não vou ser louca sozinha) – inventamos de construir uma cabana de papelão entre o nosso prédio e o vizinho. Nossos pais nos achavam um rebanho de retardadas, mas permitiam. Criança é criança, pô! Um dia levamos vela, óleo, uma lata de leite vazia e milho de pipoca. O que vocês acham nós tentamos fazer? Acender a vela para esquentar o óleo e fazer pipoca!!! Loucura, loucura, loucura. Pelo menos não pegou fogo e uns dois carocinhos estouraram. Quase saímos nos tapas para decidir quem seria a premiada que poderia comer a pipoca feita na cabaninha - o detalhe era que elas nadavam no óleo.
Quando chovia, tínhamos um trabalho do cão colocando lona para não derreter o papelão. Não adiantava muita coisa, pois a água escorria pelas paredes e nossa cabana virava uma espécie de piscina de lama. Faz uns dois anos que os filhos das minhas amigas de infância pediram à mãe para montar uma cabana para eles e meus sobrinhos (nossas gerações conseguiram reproduzir nossa amizade). Ri muito, pois a mãe deles montou uma barraca de camping em um lugar bem melhor que o da nossa casinha. É uma pena que eu tenha nadado com os ratos e eles não mataram nem uma baratinha para manter a cabana deles em ordem.
Não podia deixar de contar que a imaginação de Alê, uma vez, quase me aleijou de tanto apanhar. Minha mãe costurava e a máquina dela tinha uma cabine de madeira. Toda vez que meu pai queria dar uma coça na gente ele pegava uma tira da madeira e dava uma dúzia de bolos na mão de cada filho. Éramos 3 meninas e 1 menino. O que a irmã mais velha e inteligente faz? É óbvio! Escondeu “o pau da máquina”. O pai virado no cão fez o quê? Na hora da surra diária (todo dia alguém perturbava e todos apanhavam) painho pegou a colher de pau e deu na gente até o maldito do pau da máquina aparecer. Ô ódio!!!
Ahhh!!! Tem uma história que é a segunda melhor de todas! Como nossos pais não deixavam a gente ter nem um bichinho de estimação, sabe o que pegamos para “criar”? Um pneu!!! Não riam. É sério. Essa viagem aí eu nem sei como explicar, mas o borrachudo virou uma espécie de bichano e nós brigávamos para ficar um pouco com ele. No dia que nossa mãe obrigou a gente jogar “aquele lixo” fora choramos rios de lágrimas.
A melhor de todas, acreditem, era colecionar grilos. A gente ficava nos matos em torno do prédio se acotovelando para ver que conseguia pegar mais grilos. Os grandões nós até amarrávamos um cordãozinho para segurar como um cãozinho. Como, é óbvio, que os pais não deixavam a gente entrar em casa com eles, criávamos os monstrinhos em vidros de maionese até eles “morrerem de tristeza” e cederem lugar à próxima vítima.
Como eu tinha mania de querer ser cientista, um dia achei um grilão pretão e achei de abrir a bunda do bicho com uma seringa e enchê-la de graxa. Depois larguei o coitado no chão que nem conseguia pular de tanta graxa no fio-ó-fó.
Não fiz nada disso por maldade nem loucura, gente. Era apenas uma menina de apartamento cheia de imaginação nutrida por uma irmã mais velha com dons visivelmente assassinos – além da surra que me fez tomar (várias) ela quebrou meu queixo duas vezes. Hoje, juro, não tenho mais vontade de matar grilos... Grilos não tem graça... hehehehe...
Não tenho para quem repassar, pois todos os blogueiros que passam por aqui são os mesmos que passam no cantinho de Sandra. Mas quem teve a imaginação irrigada com estrume, assim como eu, sinta-se à vontade e me avise para eu ler.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
INTOLERÂNCIA À BURRICE
Mesmo não seguindo nenhuma prática, defendo todas elas. Não por acaso, uma pessoa especial começou a desfazer dos praticantes do candomblé em minha frente, o que me fez descer do salto, rodar a baiana e o resto vocês podem imaginar. Confusão total. O ser humano é evangélico e acredita que a religião afrobasileira é coisa do demo. Ela tem o direito de achar, cada um acha o que quer. Mas de onde vem essa autoridade para uma pessoa julgar sua crença superior a outra? Se cada um ganha autoridade à medida que pratica uma doutrina, então o mundo vai virar um inferno, pois todos vão tentar provar e impor sua prática aos outros. E quando alguém não aceitar? O pau come! Assim não dá!
É muito complicado falar sobre isso, mas temos um exemplo em casa. O que os europeus fizeram quando chegaram ao Brasil? Catequizaram os índios. E os negros? Foram proibidos de cultuar seus ancestrais. E se os árabes tivessem chegado antes ao Brasil? Seríamos todos muçulmanos e iríamos usar tanta roupa até desidratar nesse calor infernal.
O pior de tudo é que intolerância gera intolerância. Nunca pensei que pudesse discutir feio com alguém defendendo algo que nem me pertence. Mas no momento em que a discussão começou eu não queria impor nada, apenas que a pessoa percebesse que não poderia desfazer da religião alheia, já que aquilo magoaria alguém na mesma proproção em que ficaria magoado se alguém falasse o mesmo de sua crença. Mas o ar de superioridade do ser humano me tirou do sério. Fiquei com vergonha de minha atitude - calma, não bati em ninguém - mas ofendi bastante alguém que amo e jurei nunca discutir religião com ninguém, pricipalmente com as pessoas que não sabem relativizar. O que é bom para mim pode não ser para você e um texto nunca pode ser discutido fora do seu contexto.
Abaixo segue o fruto de algumas pesquisas, que resultaram em matérias para o programa que produzo e edito matérias.
Esse vídeo é sobre o Bembé de Santo Amaro, uma festa dos praticantes do candomblé para os orixás. Ela sempre acontece no dia 13 de maio como forma de agaredecer pela libertação dos escravos.
É um festejo muito bonito, só acho uma pena que o que era tradição religiosa está virando, cada vez mais, uma festa profana e o cunho religioso está ficando muito restrito ao espaço do terreiro.
O vídeo abaixo fiz para mostrar como é o casamento na umbanda, que, diga-se de passagem, é considerada a primeira religião verdadeiramente brasileira. Existem os que discordam, mas eu acredito que seja.
O vídeo abaixo não é bem religioso, mas mostra como a cultura indiana - incluindo a prática religiosa - se reproduz aqui na cidade.
O pessoal do programa já sabe que curto o tema religioso e sempre que temos cobertura de algo relacionado sou eu a escalada para fazer. Já mostramos a festa de Santa Bárbara (Iansã), de Nossa Senhora dos Navegantes (Iemanjá), de São Roque(Omolu), a famosa do Senhor do Bonfim (Oxalá). Enfim... É uma pena que nem todas estão no youtube e que também não possa fazer matéria sobre tudo. Fiz um documentário mostrando como vivem muçulmanos convertidos aqui em Salvador. Um dia mostro para vocês.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
MAS MÃE...
Depois de dois dias estudando “como filmar” uma cena de cinema, senti vontade de ir a uma sala ver algum besteirol. Quem poderia ser melhor companhia que a filha-sobrinha-adotiva-de-coração? Hoje foi a pré-estréia da animação da Disney-Pixar, "Up -Altas Aventuras”. Direto de um mega-congestionamento liguei para casa e avisei para a pequena não dormir, pois a sessão seria às 21hs.
Em casa, cansada, pensei em não ir, mas depois de ver um largo sorriso me esperando na porta desisti de desistir... Mas custava bem pouco tentar fazê-la renunciar ao passeio quase “madrugal”.
- Filha... Mamãe acha que no dia das crianças você vai ganhar roupas e sapatos. A bicicleta grande quem vai te dar é Papai Noel no natal. – Quem sabe ela não se chatearia e iria dormir zangada?
Dois segundos de silêncio se passaram até ela criar coragem de largar a pérola.
- Mas como ele vai trazer minha bicicleta sem quebrar?
- Como assim?
- Ele vai trazer a bicicleta inteira dentro do saco? Ele vai quebrar, mãe!
- Vai não, filha! O saco dele é bem grande e cabe a bicicleta inteira.
- Mas tem outro brinquedos, mãe. Minha bicicleta vai quebrar.
- Ele quebrou seu lap-top, quebrou?
- Então tá – sorriso tímido. Mas no dia das crianças eu quero uma bota. Agora “vumbora”, mãe?
As coisas são simples, né? Quem complica são os adultos... Sem sinal de desistência, tentei apelar para os olhinhos apertadinhos.
- Filha. Seu olho tá vermelhinho de sono. Você vai dormir no cinema. É melhor deixar´para outro dia.
- Não é sono não, mãe. É que eu estou com fome - desculpa esfarrapada para comer comida do meu prato.
Quem mandou prometer? Agora tem que cumprir!! Na metade do caminho ela já estava roncando. Ainda bem que não fui a única tia-mãe-louca que levou uma criança de 4 anos para a sessão das 21hs. Tinham mais uns 5 capetinhas correndo com ela ao redor da fila. Pensei:
- Quando minha baby crescer vai amar cinema. Quem sabe não pode ser uma cineasta?
Ao pisar na sala as pérolas começaram a desabrochar da concha.
- Mãe, tá muito escuro.
- É assim mesmo, filha. É para você ver o filme melhor.
- Mas não é filme, é desenho.
- Mas aí você vê melhor, olhe.
- Mas com luz também dá para ver.
- Chhhh! Já está começando.
Alguns segundos de boca fechada.
- Mãe? Tá muito alto esse cinema. Onde baixa o som?
- Não pode baixar filha. No cinema o som é alto mesmo.
- E quem liga essa televisão?
- Não é televisão, filha. É uma tela de projeção.
- É o quê????
Afff! Como explicar??? Era mais fácil descrever como nascem os bebês!
- Ta vendo ali em cima? – apontei para a sala de projeção – Tem um homem lá que liga o DVD para a gente ver o filme daqui.
- E o homem entrou por onde?
- Láááááá pelo outro lado.
Um olhar começou a buscar o que seria o outro lado.
- Essa televisão é muito grande e faz muito barulho.
- Agora o filme começou, olhe.
Atenção totalmente voltada para a telinha até um casal começar a gargalhar ao nosso lado.
- Manda esse homem calar a boca mãe!
- Olha o filme, filha. A casa está voando...
Muchochos seguidos de mais muchochos olhando de cara muito feia para o casal que estava gargalhando horrores.
- Mãe. Tô com frio.
Tirei meu casaco, enrolei nela como um cobertor e coloquei-a no colo para me esquentar também, caso contrário a ponta dos meus dedos já estariam em estado de putrefação. Um, dois, três, cinco minutos de silêncio. Fiquei preocupada. Alguma coisa estava errada.
- Filha?
Sem resposta. Já estava no quinto sono. Ela pode até não ser uma cinéfila, nem cineasta. Pode até odiar cinema. Não podemos criar uma projeção/expectativa para alguém que vai escolher que caminho seguir. Cada um trilha sua estrada. Somos como instrutores de auto-escola. Ensinamos a ligar o carro, mas quem vai dar a partida é o fututo motorista.
Dentre tantas possibilidades, tenho uma certeza. Minha baby já sabe questionar com inteligência, sem perder a ingenuidade da infância. Só não vou deixá-la aprender a chatice da mãe, o que é quase impossível. Esse, sim, é um caminho sem volta - rsrsrs.
P.S.: Vale conferir "Up -Altas Aventuras”. Caso levem algum pequeno, prefiram uma sessão mais cedo . Essa sexta estará nos cinemas. Boa diversão.
domingo, 30 de agosto de 2009
O CINEASTA SAMAMBAIA
Mas vou resumir minha história, caso contrário contarei tuuudo que ouvi e, para isso, precisaria de mil posts.
Como estávamos o dia inteiro em aula, além dos intervalos de duas horas para almoço, sempre tinha um coffee breake para os cabeções respirarem e forrarem um pouquinho a pança. Dentre os participantes, percebi a presença de uma criatura que se inscreveu no curso para lanchar, a palestra era um momento extra do seu dia. Como eu não era muito fã do que foi servido, fiquei mais no suquinho, conversando com amigos e observando.
O cara era uma figura. Tinha um cabelo de samambaia real – o que por si só já chamava atenção – guardava lanche no bolso, bebia a metade do copo com a garrafa na mão para encher de novo antes de passar a vez para o próximo e, no meio da palestra, ouvíamos o tilintar de colheres dele limpando a mesa de novo. Além da vergonha alheia que senti, ele virou nosso motivo de graça...
Na verdade, só descobri a ação esfomeada do cineasta samambaia após o primeiro coffee break. Ele estava sentado ao meu lado e não tinha como não ouvi-lo chupando os dentes para engolir os restos alimentícios. Tenho asco ao barulhinho, mas tudo bem, a boca é do cara e ele faz o que quiser.
A história melhorou quando percebi que estava segurando algo, semelhante a um osso e mordendo. Pensei: “Porra, velho! Que cara fominha, guardou um mega salgado para comer durante a aula”. Antes fosse. Pasmem. O cara tava lambendo a dentadura!!! Quase caí mole no chão de tanto nojo. Pense na cena bonita!
Fiquei horrorizada!!! Uma coisa é a pessoa comer muito e deixar o bom senso de lado na hora de se servir em grupo. Até aí vai, ninguém sabe qual é a situação da vida dele. Mas daí a samambaia me obrigar a vê-lo limpar a dentadura é demais! Quase ofereci minha escova de dentes de presente. E é óbvio que depois eu ia jogar fora, né????
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
ASSASSINA DO TEMPO
Não sei vocês, mas eu, quando chega no domingo à noite – momento esse em que, impacientemente, vos escrevo – me bate aquela ansiedade de executar tudo que deveria ter feito e, na verdade, não consigo adiantar muita coisa além de dormir com um humor de cão de quinta que foi exorcizado por Edir Macedo – ser um cão que é expulso por Edir Macedo deve ser mais frustrante ainda.
Recebi uma maldita notificação por ter atravessado o semáforo no sinal vermelho. É mentira!!! Aquele aparelho só podia estar bêbado por excesso de consumo de energia!!! O sinal estava amarelo e eu indo resolver os burocráticos processos funerários de uma tia. Com certeza, eu não estava no meu estado normal, que já é um dos meus argumentos de defesa. Tem um mês que estou com os malditos modelos de revisão e nunca consigo formatar meu pedido. Resultado: tenho apenas até esta sexta-feira para fazer o pedido e ir lá dar entrada, ou, então, desembolsar uma quantia razoavelmente suficiente para que eu ganhe potência de declarar a Terceira Grande Guerra Mundial.
Minha querida irmã, gentilmente, fez minha DIRPF. Mas, para variar, meu digníssimo CPF está com problemas na receita e pipocou o medo de minha bilhardária restituição ficar retida para uso desse governo, que eu odeio, por tempo eterno.
Para ficar a par da situação fiscal, sem ter que ir enfrentar a burocracia demoníaca da Receita, preciso do número das minhas restituições dos últimos 50 anos – vou a um centro espírita saber o que fiz nos 20 anos antes de nascer – para gerar um código de acesso. Achei o arquivo da entrega, mas quem disse que encontro o infeliz número do recibo? Minha irmã querida me mandou a declaração no e-mail, mas quem diabos disse que eu tenho o desgraçado do programa da declaração? Arrisquei abrir aqui, mas o formato gerado é de bloco de notas e fiquei meia hora copiando todos os números de 10 dígitos e colando para ver se engabelava o site Receita. Para alegria de todos e felicidade geral da nação, a Intenet paleozóica que dividimos para mil computadores caiu e eu resolvi escrever antes de pegar o computador, socar na parede e pular em cima do resto.
Ufa!!! Desabafei um pouco e, pelo menos, salvei meu computador!!!
Parece que tem um cão homossexual – nada contra - atentando este ser humano com varinha de condão. A Internet voltou, mas terei que esperar até amanhã para conseguir o número infeliz e adiantar o lado. E você deve se perguntar: “Já que a Internet está fora, porque você não vai preparar logo a defesa?”. Também me pergunto isso, mas a resposta eu ainda não achei. Prometo que assim que eu terminar com minha maníaca verborragia incessantemente desesperada e terapêutica, nesse post, vou fazer isso. Mas, aí, acabei de lembrar que terça-feira, cedinho, tenho prova de inglês e, pra variar, não estudei nada!
E agora? Estudo para a prova ou preparo a defesa? Não me pergunte o que fiz o final de semana inteiro porque a raiva de minha inutilidade aumenta e eu vou ter que começar a escrever tudo de novo. É domingo à noite – agora já madrugada da segunda – e, à medida que os minutos passam, me sinto mais impotente diante do tempo.
Preciso de férias. Mas, antes disso, tenho que resolver minha bilhardária restituição, dar entrada na minha defesa, estudar para a prova, arrumar meu quarto, reciclar roupas... Gente, preciso matar o tempo para ele não me matar!
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
EU TE CONHEÇO?
Um dos raros momentos em que posso me dedicar às atualidades é enquanto dirijo. Quando não estou emputecida xingando algum lerdo no trânsito consigo prestar atenção nas notícias do rádio. Às vezes ligo o maldito e não ouço uma palavra do que está sendo dito. Me encontro em lugares que nem eu sei onde é. Uma matéria que me chamou bastante atenção esses dias foi sobre a perda de memória. É incrível como pessoas da minha geração estão muito suscetíveis a este mal.Lembra aquela atividade de criança que você e seus amigos costumavam brincar? Eu lasquei minhas canelas pulando elástico, enfiei o ferro de segurar a planta na tomada e levei o maior choque, me esborrachei no chão “pulando a mula” (a pessoa mais lerda da galera ficava em posição de mula e os outros pulavam gritando “mão na mula”). Às vezes encontro um colega do primário e lembro dele. Essa é a memória remota, que as pessoas costumam ir perdendo à medida em que vão assoprando mais velinhas.
Eu troco as senhas do cartão de crédito com o de débito e acaba bloqueando tudo, daí eu ligo e xingo a décima geração dos atendentes. Esqueço pequenas quantias nos bolsos e fico feliz da vida quando encontro – sempre acho que Deus fez sumir para aparecer na hora certa. Perco todas as canetas e fico bizoiando a mão de todo mundo para ver quem “achou”. Só lembro os números dos telefones se olhar para o teclado do aparelho.segunda-feira, 17 de agosto de 2009
MÃOS NO BOLSO!!!
Essa pessoa que vos fala até que tenta limpar o ranço de ser humano mais mal humorado da Terra. Gostaria muito de acordar sorridente, saudando a vida, dando bom dia ao mundo [bom dia flores, bom dia moscas, bom dia poluição, bom dia barulho de escola infantil perto de casa, bom dia???]. Tento, mas ainda não é possível. Nos primeiros 15 minutos seria capaz de socar um Tiranossauro Rex que ousasse falar comigo. Depois passa, ou melhor, ameniza.Agora, imagine: como pode ir bem o dia de alguém que leva o carro para uma revisão na concessionária logo cedo?
A idiota da atendente maquiada igual uma drag queen me apresentou ao mecânico responsável pelo meu serviço como “Ninja”. Entreguei a chave e fui para a sala de espera fazer as 500 páginas de exercício de inglês que estão atrasadas. Minutos depois ele vem ver se eu autorizo “o alinhamento e balanceamento, pois é indicado fazer a não sei cada quantos mil quilômetros rodados”. Soou um NÃO tão bem resolvido que ele deixou-me a sós com meus “titles and names”.
Em seguida o mecânico ninja retorna [iiiiiiiiiáááááááá]. Penso: “Que ótimo. Vou embora!”. Nada. Dessa vez ele trouxe um filtro para esfregar em meu nariz. “É o filtro ‘anti-poli’ do ar que precisa ser trocado a cada não sei quantos mil quilômetros”. Estava metade branco, metade cinza. Indaguei logo quanto custava. “R$ 80,00”. Não. Ainda tem uma partezinha branca que pode sujar. “Estou bem com minha rinite”. “Mas senhora...”. NÃO. “Obrigada”.
Liguei correndo para um amigo que nunca tinha ouvido falar do tal filtro “anti-poli”. Já
lembrando que preciso escolher, urgente, com qual seguro vou fechar – o que se subentende mais GRANA – o mau humor voltou “de com força”. A caminho do trabalho xinguei uns 10 caminhoneiros, uns 20 taxistas e uns 30 coroas que dirigem agarrados ao volante.
Assim que abri a Internet, corri para orçar o maldito filtro “anti-poli” que, na verdade, é um FILTRO ANTI-POLÉN. Pelo que entendi, este apetrecho evita que a poeira, monóxido de carbono, insetos e partículas entrem e bloqueiem a passagem do ar. Vou trocá-lo, mas não mediante esse assalto legalizado. Pasmem. Encontrei o mesmo filtro, igualzinho, por R$ 19,00 na Internet. E tem mais! Pelo que li, o meu ainda está “limpo”. Será que o dono da concessionária não tem medo de um dia acordar rico?
Fiquei muito indignada! Vai mudar alguma coisa? Provavelmente não. Mas tive que descarregar meu humor potencialmente nitroglicerinado em alguém. Sobrou para a atendente da outra concessionária, a que fiz a revisão de carroceria na semana passada.
Paguei R$ 33 para eles me avisarem que não tem nenhum ponto de ferrugem no meu possante. R$ 8,00 mais caro que na concessionária ladrona que fui hoje. Já que é para ser roubada que seja um valor menor, né? A atendente me ligou, por azar, na hora da revisão para pedir uma nota do serviço. “Qual serviço? O de me roubarem direito?”. Conjuguei todos os verbos, em todos os tempos e modos, com a coitada até ela entender que o serviço deles de “olhar a carroceria” é o mais caro da cidade. Olhar por olhar eu passo o olho e aviso a eles que está tudo OK! O carro é meu mesmo...
Agora me diga, com toda sinceridade do mundo, como é que uma pessoa muda o estereótipo de mal humorada depois de ser legalmente roubada numa manhã de segunda-feira?
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
LENÇOS UMEDECIDOS JÁ!
Não entendo bulhufas de veículos. Se faz um tic-tic qualquer fico logo neurótica e quero levar para ver o que é. Óbvio que a concessionária me adora, pois se não existissem pessoas como eu eles não enriqueceriam. Só faltam gritar “mãos ao alto!’.
Um dia, minha nave espacial aterrissou em um buraco maior que as crateras da lua e uma tal chapa de proteção do motor amassou. Parecia que tinha uma bateria de escola de samba me acompanhando e, desesperada que sou, achava que a placa poderia enganchar em alguma coisa e o carro capotar na descida de uma ladeira – não ria! Paguei R$ 16 para desamassar. Só descobri que era uma grande besteira porque meu amigo teve o mesmo problema e, na mesma concessionária, o mecânico levantou o carro, consertou na hora e nem cobrou. “Foi besteira brother!”. Como assim??? Eu devo ter cara de idiota mesmo!!! Porque mulher tem que pagar e homem não? É algum acordo entre seres do mesmo gênero? Genericamente ladrões...
Aproveito quando dou carona a algum ser bem dotado de testosterona para explorar. Peço logo para calibrar o pneu, coisa que só acontece a cada dois meses. A primeira vez que me arrisquei sozinha, deixei a tampa dos pitos caírem no chão e passei meia hora de bunda para o ar procurando as miseráveis. Teve um frentista que ficou com pena de mim [ou cansou de olhar minhas nádegas] e foi lá terminar o serviço – de botar ar no pneu! Depois desse episódio resolvi dar R$ 1 a alguém no posto para fazer isso.
Ontem me retei e encarei o desafio. Apertei os 30 de calibragem [que não sei o que significa], abri o pito e soquei a mangueirinha lá. No primeiro pneu o barulhinho me assustou e fiquei com medo da borracha explodir em minha cara. Se não estourou com quem estava lá antes porque vai estourar comigo?
Ainda bem que deu tudo certo e não precisei da ajuda de ninguém, mas... Não contive em passar na caixinha de sugestões e anotar bem grande: DEIXEM LENÇOS UMEDECIDOS PARA LIMPAR AS MÃOS DAS CLIENTES DEPOIS DA CALIBRAGEM. A mangueira é podre de suja e meus dedinhos magrelos ficaram pretos. Ninguém merece, né? Fui dirigindo o resto do caminho sem tocar direito no volante. Não guardo uma flanela no carro e tenho horror àquele cheirinho que elas incrustam no estofado.
Acho que a primeira vez que vou acionar o seguro vai ser quando tiver que trocar pneu. Não achem que sou perua. Quem me conhece sabe que não faço esse tipo. Sempre fui moleque macho em excesso, mas tem certas coisas que não dá para fazer.
Cansada de andar de buzão, coloquei no cabeção que tinha que ter um carro. Também odiava depender das pessoas para voltar para casa depois das festas. Conseguido meu “besourinho”, tenho outro sonho de consumo. Gosto de dirigir e o congestionamento me deixa menos louca que certos condutores. Alguns ficam segurando o trânsito como lesmas, mas falo sobre isso outro dia. Acho que preciso adquirir um acessório útil, que vai evitar estresse no trânsito. Moreno alto, bonito e sensual para ser motorista. O salário? A gente negocia...
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
SOTEROPAULISTANA
Na espécie de Torre de Babel em que vivo, tem mineiros, paulistas, cariocas, pernambucanos e, é claro, baianos. Nosso sotaque malemolente carrega uma imagem de que andamos nos arrastando, de preguiçosos, de quem não está nem aí para a vida. Porra nenhuma! Se isso for verdade então eu tomei energético no lugar do leite materno.
Uma amiga arrisca dizer que eu sou a baiana mais paulista que já existiu. Discordo. Não imagino a vida sem a onipresença marítima.
Nos primeiros 5 dias que passei em Sampa quase surtei na Av. Paulista. Me chamaram para um happy hour. Gente! A cada 200 metros tem um cruzamento e uma maldita sinaleira. Toda hora o carro parava ao lado de um ônibus e eu era obrigada a fechar a janela para não morrer intoxicada. Para sorte do meu humor, pegamos o caminho errado umas duas vezes e tivemos que fazer o contorno lá na casa da porra e pegar todo congestionamento de novo. O bom é que para estacionar lá é mil vezes mais fácil que aqui. O hapy hour se transformou numa alugação com a baiana que chegou atrasada – pra variar!
Nos primeiros dias que passei na cidade, tive uma crise aguda de mau humor. Não conseguia ver o azul do céu, nada de lua, estrelas só nos sonhos, um frio dos infernos e a sensação de ter um fumante ao meu lado o tempo todo. Os amigos de meus amigos riam horrores da “baiana estressada”.
Ainda bem que passei mais 10 dias na cidade para mudar totalmente a imagem que fiz nos primeiros momentos. Quando descobri que poderia comprar vááááárias roupas e perfumes infinitamente mais baratos que aqui quase surtei. Sapatos? Trouxe 19 pares. Virei centopéia. Só para vocês terem noção, levei uma mala e voltei com 3. Minha amiga já tinha medo quando me via escalando o cartão de crédito. “Segura a Luciana”. No meio da viagem tive que aumentar meu limite.
Depois me levaram para conhecer alguns museus. Enlouqueci no Ipiranga, pois o museu é gigantemente maravilhoso e tinha umas crianças correndo. Minha vontade era torcer a orelha de cada uma delas e arrancar um pedaço da língua para não gritarem. O Museu da Língua Portuguesa é meu sonho de consumo de visitação semanal. Quando descobri que quem pode andar de metrô não precisa de carro fiquei feliz da vida. Em compensação, não dá para andar de taxi, pois fica muito caro. Lá, o perto ainda é longe.
Para me conquistar de vez, me levaram num barzinho onde uma banda árabe toca ao vivo e as mulheres podem dançar sem todos ficarem olhando. Não queria nunca mais sair dali. Amo dança do ventre e aqui praticamente inexistem barzinhos temáticos. Amei São Paulo de grátis e descobri que, se desse para ver o céu azul, eu moraria lá tranquilamente. Sem céu não dá!
A única coisa que me tirou do sério nos dias finais dessa viagem foi uma mulherzinha ridícula e fedida. Estávamos indo para não sei onde e um infeliz abriu a janela e cuspiu na rua. Que eca! Porco em qualquer lugar do mundo. A fedidinha teceu o seguinte comentário: “Nossa, meu, que baiano!”. Tadinha. Fiquei calada, mas alguém lembrou que ela estava no carro com mais duas baianas e não deveria falar aquilo. Ela se desculpou e explicou – e eu entendi, de coração - que era uma força do hábito, não uma ofensa pessoal, etc. Para piorar, acrescentou que, “no Rio, por exemplo, quando as pessoas querem ofender alguém basta chamar de Paraíba’. Sem ter noção do perigo, ela perguntou: “Você entende, né? Lá na Bahia vocês não chamam ninguém assim não?”. Com toda malemolência de meu sotaque, respondi: “Claro que entendo, amor. Não é culpa sua, é toda uma cultura. Mas, na minha terra, quando achamos que alguém fez alguma coisa errada, chamamos a pessoa de retardada mesmo. Agora, por exemplo, eu te chamaria de idiota e tapada”. Silêncio geral. “Mas não é nada pessoal, você entende, né?”
Acho que ela entendeu, pois mal me olhou o resto da tarde. Para criticar o erro de alguém é necessário “ofender” o outro? Amei São Paulo e estou voltando. Fui baiana o suficiente para não deixar que uma gordinha fedida virasse estereótipo de um lugar.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
INVASÃO ALIENÍGENA INTRA-TERRESTRE
Amiguinha acordou coçando os zóio e foi até a área de serviços. Se esguelou de tanto gritar quando percebeu o intruso mais ousado de todos os tempos. Seu Barata – letra maiúscula, sim, pois aqui ele é personagem – estava a bebericar água com as anteninhas balançando ao vento na lavanderia alheia. Coitado, não tinha noção do perigo. Ou seria uma afronta?Pelo tamanho da barata, e do desfecho do ocorrido, que ela me contou, presumi que só podia se tratar de um baratão pai de família a carregar água para matar a sede da famigerada baratada. Prossigo.
É óbvio que ela puxou a arma mais tradicional para exterminar o invasor, que, ao perceber o perigo, saiu correndo e se escondeu com as antenas entre as pernas cabeludas. Entrou por uma pequena fresta entre o piso e lavanderia. Nem a Velox achava sinal daquela antena. “Ah, é? Peraí sua dirgraçada!”, pensou a futura infeliz amiguinha. Pegou um daqueles sprays mata-tudo e mandou ver na área. Ô ideinha infeliz.
Não passou nem cinco minutos e um exército de baratas invadiu não só a área de serviço, mas a cozinha, o banheiro, os quartos e a sala de amiguinha. O chão e as paredes ficaram pretas, marrons. As maiores ameaçavam subir nas pernas, as médias se espalhavam para confundir e inibir uma possível ação de represália e as pequenas corriam no salve-se quem puder.
Boa estrategista, amiga convocou – leia-se BERROU – seu pelotão composto de dois soldados encuecados [os bichinhos tinham acabado de acordar], mas munidos da arma mais poderosa contra este tipo de invasor: chinelos havaianas – quero minha ponta do merchan! Na verdade, eles estavam duplamente munidos. Armados nos pés, para pisar, estraçalhar as marditas, e nas mãos para a luta corporal.
Amiguinha instalou-se aos gritos no sofá e o mérito do combate foi dos amiguinhos, que estavam se sentindo um tanque de fuzilamento de insetos. Pisa, bate, corre, pula, bate de novo que a dirgraçada tá se arrastando, na parede não que mancha, não deixa entrar no guarda-roupa, não deixa ela fugir. Teve uma que até ensaiou levantar a asa para voar – pense na pretensão de uma barata metida a passarinho!!! Tadinhos!!! Ainda bem que eu não estava lá.
Agora vislumbrem o campo de batalha ao final do combate. Corpos espalhados por toda casa e o cheiro de sangue no ar – é só para vocês ficarem com menos nojo, pois barata não tem sangue. Os soldados recolheram-se ao lavabo, para colocarem a farda de gala e a amiguinha encarregou-se de limpar a área.
Litros de água sanitária e mais spray no QG inimigo - corajosa, viu?. Não haviam mais invasores intra-terrestres dispostos a lutar, mas eram muitos corpos espalados. Luvas e pano de chão serviram de rabecão. Campo limpo, só faltava arrastar os móveis e conferir se havia algum sobrevivente esperando o golpe de misericórdia. Mas se algo está ruim, com certeza, pode piorar.
Amiguinha arrastou o fogão, lugar onde reside um quelônio cagão. Pensou na merda? Pois é. No pé do
fogão tinha uma granada que foi acionada e deixou um rastro não menos cheiroso que o sangue dos combatentes recém destruídos.Não achem que minha amiguinha é porquinha. A casa dela é super limpinha, mas a coitada mora no térreo e as baratas alienígenas turbinadas intra-terrestres cavaram um túnel até sua lavanderia para beber água. Pode? Minha sugestão, amiguinha, é que você pare de fornecer suprimento ao inimigo, dessa forma, elas vão procurar outra fonte. Sugestão: se mude para o Saara.
domingo, 9 de agosto de 2009
Sr. e Sra. Balofos
O dono do mega hotel não deu a menor bola para a gente e disse que infelizmente não iríamos ficar lá. Já sentiu vontade de matar alguém? Não me arrependo disso. Ele chegou a dizer que sabia que gente "como nós" estava acostumada a ficar em qualquer lugar e que entederíamos a situação. Apelidamos essa figura ímpar de Sr. Balofo e sua esposa, que nem nos olhou, de Sra. Balofinha. Decidimos que iríamos embora no dia seguinte assim que acordássemos. Depois descobriram, ou se deram conta, que nós éramos a equipe de tal programa, de tal emissora. Achamos quarto somente em uma pousada e fomos dormir.
Eles devem ter se arrependido muito, pois reuniram uma procissão com 9 pessoas, incluindo o prefeito e Sra. Balofinha, e foram pedir desculpas quase à meia-noite. Como o apelido játinha pegado, o casal balofudo foi nosso alvo de piadas o fim de semana inteiro. Ah! O melhor é que alugaram uma mega casa para a gente, mas o ruim é que eu só tinha Internet quando ia no hotel de Sr. Balofo. Daí já viu, né? Gargalhadas mil e o homem lá com cara de besta sem saber porque.
Apesar de cemitérios serem lugares pesados, com ar de tristeza e sofrimento, esse aí não é. Também, repousar ao lado do paraíso é r e p o u s a r. Logo depois do cemitério pegamos uma estradinha que estava bloqueada e tivemos que volar e pegar um desvio para chegar em Guiné. Gravamos umas entrevistas lá e voltamos correndo - foi correndo mesmo - para não ter que pegar a estrada de barro, mão única, à noite e apenas com luz do farol.
Cheguei em casa hoje e estamos fazendo uam festinha dos "sem pai". Amanhã trago mais novis.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Cidade de pedras
Mas como nem tudo são flores, pegamos uma estrada de chão bem punk entre a cidade de Itaberaba e Andaraí. Tentamos fugir dos caminhões e acabamos vendo poeira virar nevoeiro.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
TORNEI-ME UM CORREIO

Vamos ao primeiro selo: “As 5 coisas”. Como no deseinho tem escrito as 5 coisas, podem ser quaisquer 5 coisas que eu queira falar. Lá vai...
1 – Você não tem o que fazer além de estar aqui espiando?
2 – Tem horas que quero cometer um homicídio com esse blog, só para não me sentir obrigada a escrever quando tenho uma semana sem postar.
3 – Tenho vontade de dar uma surra em todos os guardadores de carro que não ajudam em nada e ainda se sentem donos da rua.
4 – Minha cunhada prenha está ao meu lado achando que está dançando uma dança indiana, mas está parecendo filme de terror trash (ela não me lê hehehehe).
5 – Acho Casseta e Planeta o dinheiro mais mal gasto da vida de uma televisão.
Mudei completamente as regras do selo e quem quiser pode pegar e falar 5 coisas que queira, mas me avisa para eu ler. rsrsrsrsrs
Tem outro selo que ganhei num momento oportuno e vou explicar.

Esse foi presente do Aninha Leme - não sei criar hiperlink [eu sou lerda] - então tenho que seguir as regras [nem todas tá? Sofro de desobediência aguda]. Olha as indicações da moça que não gosta de receber opiniões sem pedir, não gosta de cantadas baratas, detesta o cara da padaria que se sente especial para ela e que vem passear na Bahia em breve.
REGRAS
1º Exibir a imagem do selo (já fiz)
2º Postar o nome do blog que te indicou (obedeci)
3º Indicar 10 blogs e avisá-los (morro de preguiça, mas vou para o céu)
4º Publicar as regras (leiam!)
5º E ver se os indicados estão seguindo tudo direitinho (quem pegar avisa rs)
Agora explico. Amanhã, quinta-feira, dia 06/08, vou para a Chapada Diamantina gravar uma série de matérias. Já marquei várias entrevistas que serão muito legais. Vou visitar Igatu, uma cidade com ruínas cinematográficas, o cemitério bizantino de Mucugê, o visual no caminho da Vila de Guiné, uma manifestação cultural que se intitula os "cãos" que vieram atazanar e, é claroooo, tomar banho de cachoeira, além de purificar a alma. O legal é que no hotel tem conexão sem fio e vou poder postar todos os dias as atualizações de minha viagem, com direito a foto e tudo. Por isso vale a pena ficar de olho nesse blog. Até amanhã à noite.
domingo, 2 de agosto de 2009
COMUNICAÇÃO EFICAZ
Bem... Ódio à parte, assim que não li meu nome na listinha dos escolhidos para serem inteligentes [tenho jeito?], corri e me matriculei num curso de inglês. Se não voltar a estudar, now, vou pirar de verdade. Inglês, dança árabe, trabalho, família e amigos. Acho que dá para o cabeção parar de se sentir inútil. Já aprendi tanta coisa nessa primeira semana de aula! Esquiuse-me, plis! Não expliquei que na época indicada para aprender outro idioma só tinha grana para o inglês ou faculdade. Sorry a vontade, prioridade é prioridade. Agora posso me dar ao luxo de aprender essa língua super sexy. Sim. Acho a pronuncia do inglês megasexy.
Êi, bí, cí, dí, í, éf, djí, êitch ái, djêi, kêi, él, êm, ên, ôu, pí, quíu, ar, éss, ti, iú, vi, dâbliu, écs, uái, zí. Embora soubesse o alfabeto in english, não lembrava mais a pronúncia, nem a musiquinha que meu irmão odeia de tanto me ouvir cantar ao banho [tadinho, ele já está cantarolando por osmose]. Voltemos à parte sexy. O que me chamou mais atenção foi a pronúncia do él, êm, ên.
O nosso “éle” vira a letra mais sensual de falar. Comece articular igual ao português e termine sem o último “e”, com a pontinha da língua tocando o céu da boca. Experimente, pode te trazer boas recordações... O “eme" é difícil explicar. Mas é mais ou menos assim: you abre a boca como se fosse falar o “eme”, mas pára no “em” e toca suavemente os lábios, como se fosse pegar algo com a boca. Na aula, fiquei vermelha ao fazer tal analogia. O “ene” é bem semelhante, mas a ponta da língua termina a pronúncia entre os dentes. Eu achei super séquisse [olha eu anta em ação!].
Em português, sempre achei o “x” a letra mais sensual de articular. “XIS” para a foto! Biquinho e sorriso na sequência. Pra quê mais? No bendito inglês, ele perdeu a graça. Vira um “équis”. O nosso “dê” exige que seja pronunciado como o nordestino do interior fala. É “dí” com a ponta da língua e pronto. Se falar “de”, eles podem entender o “djí”, que já é o nosso “gê". Aff!!! Me sinto uma equina [tá explicado por que não me aceitaram no mestrado, síndrome de jumenta] sendo alfabetizada de novo. E literalmente é. Tenho que aprender outro idioma do ziro.
Sei que cada lugar do mundo tem um sotaque e jeito diferente de pronúncia [não precisa você me lembrar isso, oquêi?], mas tenho que fazer o que professora manda, no? Ou então nem na prova oral vou passar, daí fico crazy de verdade.
Achei muito curiosa a pronúncia do “th”. Vira algo semelhante a um “efe” com a língua [olha a bendita língua erótica entrando em ação!]. Meu medo é de cuspir todo mundo falando “athletic”. Inclusive, acho o francês mais sensual ainda, com todos aqueles biquinhos de me beije, me bitoque, me rebeije. Tem gente que não acha, mas amo assistir Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain e ouvir Carla Bruni só para ver as boquinhas. Quem duvida pode conferir.
Não vou tentar o espanhol, pois já estudei um tempo e me viro bem. O italiano é bom, mas poder dizer vaffanculo já me basta. Prefiro dedicar meus desejos ao alemão ou russo e cuspir o mundo, pois ô povinho de fala difícil!!! Não era mais fácil todo mundo falar uma língua só? Se bem que, em aspectos humanóides, uma língua não precisa de pronúncias para se fazer entendida...
domingo, 26 de julho de 2009
CURTINDO UM SÁBADO À NOITE
Quando a baba (es)corria solta acordei para tirar a lente de contato. Com todos dormindo, tentei desligar a TV. Só fiz a menção de pegar o controle, pois minha cunha acordou com os olhos do além garantindo que estava assistindo o filme. Ok. Beleza então. Fui para o quarto e fechei a porta. Deitada, no processo de concentração para pegar no sono, me senti em pleno campo de batalha – com uma armadura pesada da porra. Ouvia até as espadas dos atores coadjuvantes. O filme parecia que só tinha trilha sonora de tensão com um grave estourando meu ouvido e mandando meu sono para a putaquepariu. A TV estava alta pra caralhooooooo.
Levantei e quando eu cheguei na sala o filme estava rodando, acreditem, há pelo menos 30 minutos, o menu. Quando ensaiei desligar a TV os zóião do além acordou novamente garantindo que estava vendo o filme de novo. Ok. Então vou diminuir o volume pois não estou conseguindo dormir. Dito isto, voltei para minha caminha diliçosa para aproveitar meu soninho de sábado a noite. Porra nenhuma. Quando o cão tá ocupado ele manda os capetas.
Bastou eu deitar a cabeça no travesseiro para ouvir o caminhão de lixo na entrada da rua. Porque infernos o caminhão de lixo tem que vir justamente uma hora da manhã? Num silêncio tão grande até o peido de uma muriçoca incomoda. Gente, eu moro na ladeira e o fidumaégua do motorista ficou fazendo meia embreagem em frente ao meu prédio até catarem tudoooo! E ainda deixou a merda dele morrer duas vezes! Porra, velho, eu estava com sono e agora estou megamalhumorada!!!
O boteco da esquina fechou e todos os bêbados passaram conversando na frente do prédio. Moro no final da rua e um carro, com um som de trio elétrico, resolveu vir até aqui fazer não sei que porra. Para não voltar de ré ele teve que manobrar, em frente à janela de quem? Gente, a descarga dessa lata velha estava solta e a rua tem carro estacionado dos dois lados. Eu não sei o que me irritou mais, se foi o barulho de motor de carro velho, o trio fora de época (e horário) ou a manobra que não acabava nunca.
Nessa altura da madrugada - as coisas estão acontecendo em tempo real - eu já me estressei o suficiente para mandar o sono para a casa da porra. Olha, baiano fala “porra” demais, não se assustem comigo. Só nesse post já foram umas 5 porrinhas, mas isso não é palavrão feio aqui em Salvador. É como um advérbio de exclamação e você concorda que, diante da situação, eu tenho o direito de exclamar porra pra porra, né?
Moro próximo do aeroporto e, às 2h25 da manhã, o motor de um teco-teco de quinta ganha potência do Airbus A 380, um colosso com capacidade para 800 pessoas, sobrevoando minha cabeça a cada 15 minutos. Como minha casa é rota certa de aviões comerciais, eles passam a cada 15 minutos, cro-no-me-tra-da-men-te.
Olha povo, antes eu tivesse ido curtir minha night, pois agora estou sem sono, sentada na cama, escrevendo enquanto o filhodaputa do segurança está apitando aqui na rua. Pensei que ele só devesse apitar quando acontecesse algo. "Piiiiiiiiiiii, me acudam que eu não tenho arma". Mas nãããããão, ele assopra essa merda para todo mundo acordar e saber que está tudo bem.
Ok. Eu já estou acordada mesmo, então deixa pra lá.
Só que agora também é a hora que algumas pessoas estão chegando das baladinhas então tem abre e fecha portão (nhééééééééc, pooowwwww), conversas de bêbado (vamos tomar mais uma? eu lavo os pratos...), o rádio do taxista (creiam que estou ouvindo), o freio de mão de quem pára (tratratratratatratra), poodle latindo na casa do vizinho (auauauauuuuuuuu) quando o povo sobe as escadas de salto alto (toc-toc-toc-toc-toc), mais carro manobrando (esse sei que é mais novo porque a descarga fez menos barulho), a vizinha de cima parece que caiu da cama (buuummmm), gente que passa na rua discutindo a conta do bar (eu falei que ele tava duro e não ia pagar, eu avisei...). Sonoplastia e tudo...
Eu juro, por todas as porras que falei aqui (afff... agora foi uma moto, passando na outra rua, com aquela descarga que acorda até o capeta), que quando eu sair à noite vou fazer tanto barulho quanto for possível – mentira, não consigo ser assim (burra!). Será que minha audição aguçou por conta da evolução de uma gripe para tuberculose? Eu esperava constatação melhor em um sábado à noite...
sexta-feira, 24 de julho de 2009
FRED X JASON
Presenteada com uma pele mais oleosa que panela de moqueca e neurótica que sou, tenho empenhado meus todos meus esforços em acabar com isso. A dermatologista me indicou um tratamento a base de tretinoína a 0,5%, um ácido fortinho. Agora, por exemplo, deveria estar dormindo, mas quando penso no ritual vou demorando, enrolando...
O primeiro passo é prender a juba para não grudar no creme. É para derreter a cara e não o cabelo. A segunda etapa é lavar o rosto com aquele sabonete ultra-limpante que deixa a pele esticada igual a de Ana Maria Braga. Em seguida tenho que esperar secar total, pois se eu passar a toalha de qualquer jeito minha cara vai junto. Depois ainda tenho que deixar a pele respirar um pouco, afinal, ela vai ter o que merece por ser tão retada. E, por fim, posso espalhar, com delicadeza, o gel siliconado [se passar forte pode irritar a cara e piora tudo]. Acabou? Nada, dou um tempo para secar direitinho e depois [ufa!] posso deitar.
Para estragar um dos únicos prazeres gratuitos que tenho, dormir, ainda fico com medo do creme sair todo no travesseiro ou de minha cabeleira dar um grito de liberdade e acabo dormindo com o pescoço meio duro. Amostra grátis do tratamento? Sim, uma torcicolo a cada semana.
Acabei de prender o cabelo. Agora esperem um minuto que vou lavar o rosto... 1...2..3..4..5...10.987.765. Tenham paciência leitores! Lavar a fuça não é como esfregar calça jeans. Se eu pudesse passar o escovão bem que facilitaria, né? Mas não, tem que limpar as mãos para aproveitar melhor a espuma do sabonete caríssimo. Espumou? Agora massageia a face por um minuto e trinta segundos [conselho de Alê] para limpar os poros direitinho.
Agora que voltei pro computer vou secando devagazinho. Enquanto isso você vai me aturando por aqui. Me faz essa companhia, por favor, pois ainda falta um bocado de etapas. De dia, para não lavar o rosto mil vezes, estou usando uns lencinhos que chupam o azeite de dendê além de um bloqueador solar. Mas peraí que agora a cara respirou e chegou a hora mais delicada: espalhar o gel sem deixar nem um tiquinho cair no canto do nariz, da boca nem nos zóio, se não, em vez de limpar a pele, eu ganho um bocado de creca na cara. Volto já... [Sugestão: vcs podem ficar cantando boi da cara preta para meu sono ir chegando :) ...]
Uuuuuuiiiiiiiieeeeeee! Gente. Começa pinicando a cara, a pinica
ção vira um ardor leve, que se transforma numa coceirinha chata à qual eu tento resistir. Não pode coçar, né? Se eu ceder a essa deliciosa tentação vou virar Fred Krueguer de tanta ferida e ainda vou ter que usar a máscara de Jason Voorhees, do filme “Sexta-feira 13”. Definitivamente, o bom senso me obriga a amarrar as mãos.Agora, que já fiz tudo que a médica mandou, o sono foi pro espaço. Isso é justo? Não adianta contar carneirinhos, olhar para o teto, ouvir música, nada. Só me resta ficar alugando vocês aqui até a vista cansar e meu lado urso polar hibernar. Boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta, ou será da cara de frigideira? Música macabra. Troca. Nana nenê, que a cuca vai pegar... Afff! Pára. Desse jeito vou ter é pesadelo. Como o olho começou a arder de sono, posso colocar um filme para ensaiar um sonho bom... Me manda uma sugestão? Tô esperando, creia.
Z
ZZ
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ZZZZZZ
ZZZZZZZ
ZZZZZZZZ
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P.S.: Pode ir que agora eu já estou no nível da baba...
terça-feira, 21 de julho de 2009
LAXANTE GRIPAL
Dói as costas, as pernas, o pescoço, os braços e as articulações dos dedos, por isso demorei de postar. Ainda tem a maldita corise, a febre, a moleza além da natural baiana, os espirros, a tosse que arranca pedaços vultosos dos meus pulmões e o maldito preconceito contra a gripe suína. Pois é. As pessoas que foram contaminadas com o H1N1 têm razão em reclamar de preconceito. Agora entendo o quanto é verdade. Não precisa fechar a página, pois esse vírus não se pega pela Internet, e eu não contraí a gripe dos 3 porquinhos, mas tenta fazer acreditar nisso os velhinhos que me viram na fila do banco botando os bofes pra fora de tanto tossir! Além de bizarro, foi hilário.Todas as pessoas que conheço, que viajaram para o exterior, juram de pés juntos, e sem tossir, que lá fora não está esse estardalhaço todo em torno dessa variação da gripe. Não sei. Por enquanto, no Brasil, a dengue, a meningite e o trânsito me preocupam mais. Mas vamos às minhas malditas tosses.
Na segunda à tarde, fui pagar a taxa de inscrição no mestrado. Prefiro ir ao banco no horário perto de encerrar, pois os caixas agilizam tudo para irem embora logo. Eram 4 guichês. Um quebrou, um fechou, outro ficou atendendo normal e o outro preferencial – leia-se, gestantes e idosos.
Minha tosse é, e sempre foi, daquelas que começam fracas, vão
emendando uma na outra até culminar numa tossona putaquepariu que parece que vou vomitar. Se não beber água fico nessa aí até voar um pedaço do pulmão na cara de algum zoiudo. Que ecaaaaa!!! Nesta tarde, tinham bem uns 15 idosos na fila de atendimento.Nas primeiras vezes, eu tossia e respirava fundo, tentando controlar a situação, mas o cara da frente ficava me olhando por cima dos óculos de enxergar longe. Eu tossia e ele olhava de novo. Por mais que eu tenha sido educada e colocado a mão na boca, ele me olhou de cima a baixo umas 10 vezes, pelo menos. Aquilo começou a me incomodar e fui tentando segurar [respira, respira, respira, respiraaaaa porraaaaaaa], mas aí chegou uma hora que o cof cof cof saiu involuntário, foi piorando, piorando e quando comecei a botar os respirantes pra fora os velhinhos começaram a se afastar. Daí é que comecei a entender que todos estavam com medo de minha gripe.
Eu já tinha uns 50 minutos na fila quando meu celular tocou. Me deu uma vontade mais que louca de simular uma conversa dizendo que tinha acabado de desembarcar da Argentina, etc. e tals. Pagava pra ver se todos não iam dar uma carreira e eu seria atendida num minuto. Se todo mundo viu que eu estava passando mal de tanto tossir, e esboçavam uma cara de pânico, porque infernos ninguém pediu para eu ser atendida logo ou me ofereceu um copo com água? Tossi, tossi, tossi e deixei todos os velhinhos com a pulga, de porco, atrás da orelha. “Será que eu peguei a gripe daquela moça?”. Na primeira tosse eles vão ao hospital, se já não foram.
Assim que entreguei a documentação na faculdade fui ao médico. Esperei mais 2 horas para ser atendida. Que ódio. Você acha que a tosse passou? Nada... Mas dessa vez as pessoas que estavam do meu lado nem deram uma disfarçada. Se mandaram mesmo. Pelo menos ganhei lugar para colocar a bolsa. Vocês acreditam que tinha gente em pé, mas não sentava do meu lado? Minha tosse deve estar muito feia mesmo...
Hoje tomei vergonha na cara e comprei umas vitaminas e pastilhas para tosse. Até às 16h eu
tinha chupado 20 para enrolar a tosse, mas minhas amigas me alertaram que essas balinhas são péssimas para o estômago. Já devo estar de úlcera... Minha barriga já está doendo de tanto tossir, mas nada é mais traumatizante que as pessoas se afastarem de você com tanto medo. Sempre que o clima muda um pouco fico gripada e dessa vez não foi diferente. Agora, quando for tossir, só de sacanagem, vou imitar um porquinho tossindo: coinc, coinc, coinc. Pesquisando figuras para ilustrar aqui ainda achei uma piadinha que pode ser a solução para os meus problemas:
O farmacêutico entra na sua farmácia e nota um homem petrificado, com os olhos esbugalhados, mão na boca, encostado em uma das paredes. Ele pergunta para o auxiliar:
- Que significa isto. Quem é a pessoa que está encostado naquela parede?
- Ah! É um cliente. Ele queria comprar remédio para tosse. Como está caro e ele não tem dinheiro, vendi para ele um laxante.
- Ficou maluco! Desde quando laxante é bom para tosse?!
- É excelente. Veja o medo que ele tem de tossir!
terça-feira, 14 de julho de 2009
BEBÊ A VISTA!
Hoje confirmamos que vou ser titia de novo. É a quarta vez, sendo 2 meninos e 2 meninas. Como uma outra menina adotei como filha nem contabilizo aí. Minha cunha está com 4 semanas. Meu irmão já está fazendo bolão com o sexo – eu mereço! Lembrei de quando minha irmã mais velha estava grávida. Foram meses de pânico para mim. Sempre fui apaixonada por crianças. Acho até que tenho cara de demente, pois todas que me olham interagem, sorriem, me dão a mão. Eu amo, desde que possa devolver assim que começarem a berrar – tem coisa mais estridente que choro de criança? Quando soube que a primogênita estava grávida pulei de alegria. “Vai ter um bebê aqui em casaaaaaa”. Como sempre fui uma pessoa calma e pacífica, eu e a chatinha estávamos brigadas (nem fui no casamento dela) e não troquei uma palavra com a futura mamãe durante os 9 meses que sofri de coceira na mão. Era uma tormenta chegar em casa, vê-la com o barrigão e não poder apertar. É uma delícia apalpar barriga de grávida e tentar adivinhar que parte do bebê é aquela (eu não sou má).
Um belíssimo dia, cheguei em casa e painho me deu a notícia: “O bebê nasceu!”. Pronto. Minha gastrite atacou, passei a noite sem dormir e fiquei mais histérica que nunca. O motivo era perceptível: eu não ia poder carregar o baby. Como não tinha quem ir buscar a criança na maternidade, ele me arrastou. Cara de pau total. Quando entrei no quarto nem olhei pra cara dela, voei em cima da criança parecendo uma louca e ninguém conseguia arrancar ele de mim. Nazaré Tedesco encarnou.
Ele era horrível (toda criança recém nascida tem cara de joelho). Grandão, magrão, pescoção e morto de fome. Chupava até meu nariz quando eu ia cheirá-lo. Alê não teve leite, então demos logo daqueles de lata. O guri tomava uma megamaster mamadeira a cada duas horas e fazia cáca – leia-se cocô - nos intervalos. Era uma fábrica de pumpum. Nesse meio tempo eu e ela já éramos melhor amigas de novo e tudo que ia fazer precisava de minha ajuda. Até na hora da mamada noturna era eu quem levantava. Aliás, o nenê dormia no meu quarto – eu me apossei dele totalmente hahaha.Quando Dílan – esse é nome do meu baby lindo que já tem 12 anos – completou 3 meses, o pai resolveu levar para a outra parte da família do interior conhecer. É lógico que a tia intrometida e tirada a mãezona colou, pra sorte da criança. Neurótica que sou, dei uma mamada na saída de casa, levei outra pronta e mais uma garrafa térmica com água quente. Resultado: saímos de casa umas 19h, pegamos a estrada errada, entramos na contra-mão na frente de uma carreta e faltou gasolina no meio do nada. Se não fosse a tia neurastênica aqui a criança teria morrido de fome.
Quando o segundo sobrinho nasceu eu morava longe e só via o guri de tempos em tempos. Ele era fein fein. Parecia o E.T. de Varginha. Quando tinha uns 2 anos eu voltei a morar com meus pais, mas não me conformava de a criança só falar ham-hum-hamham- humhum. A gente entendia tudo, mas ele só se comunicava assim. Faltava eu pra desenrolar aquela língua. Comecei a levar ele para a minha casa e ficar ensaiando um diálogo, mas ele era diferente. Nasceu com cara de terrorista. Hoje, aos 10 anos, não mudou. O sorriso dele é lindo, mas já denuncia um terremoto.

Um dia, peguei no sono e ele ficou brincando na sala, bem frente ao sofá. Quando acordei, Erick – o sobrinho endiabrado – tinha retirado todas as louças e colocado no chão para se esconder dentro da estante. Meu terror tão grande e ele com os dentinhos cerrados, olhinhos apertados, dando uma risada de capetinha – hihihihihihihihihi. Uma vez o salva vidas do clube teve que chamar a atenção de minha irmã, pois ele chegava na parte mais funda da piscina e gritava: “Madeiraaaaaaa”, e, em sequência, pulava. Ele não tinha nem 5 anos!
As duas sobrinhas moram longe e eu pouco tenho contato, mas guardo lembrança de como são choronas. Eu era assim também. E agora fico pensando que vou passar por tudo de novo. Criança chorando de noite, fraldas descartáveis por todos os lados, coloca pra arrotar, tem que esperar o umbigo cair, todo mundo em cima, etc e tals. É mais um para eu levar no shopping, dar presente de aniversário, natal, ovo de páscoa, dia das crianças. Céus!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
NOSSA SRA. DO BALACOBACO
Não vou nem gastar minhas palavras com esse vídeo, pois as imagens não precisam de complemento.
Semana passada fui ao show de Ivete aqui em Salvador. Tenho pavor a multidão, mas como ela cantar na terrinha é uma raridade, e eu ganhei as entradas do camarote, resolvi levar os amigos. Para garantir a diversão, convidei um mineiro que acabou de vir morar na cidade. A primeira festa é sempre uma grande surpresa. As micaretas pelo Brasil a fora são boas demais, só rola gente bonita, mas é que as festas de axé em Salvador têm algo que não tem em nenhum outro lugar do mundo: o calor humano e a pouca roupa das mulheres baianas. A temperatura da cidade é inversamente proporcional à quantidade de roupa das mulheres. É quase uma lei da física.
Quando cheguei na festa o mineiro estava pra lá de Bagdá. Ele já misturava o “oxente” baiano com o “nooooosssaaaaa” dos mineiros. Saía um “Noooooxente”. Ele nem conseguia falar nada, só acompanhava as moçoilas com os olhos. Primeiro que o rapaz nem acreditou que eu estava dando a entrada do camarote a ele. Tadinho. E depois de umas doses ele encarnou São Jorge e enfrentou uns dragões. Eu quase fui segurar o moço, pois os veteranos não podem permitir tais atrocidades aos calouros. Mas ele tava com cara de quem tava gostando tanto que eu fiz vista grossa. “Uma vez não morre não...”, hehehehehe.
Sempe fui rock and roll até a alma. Mas, depois que comecei a trabalhar em televisão, tomei umas doses cavalares de injeção de tolerância e passei a admirar, e me divertir, com o que os baianos fazem de melhor: festas. Nunca gostei muito de pagode, mas nesse dia liberei geral (leia-se, dancei dentro dos limites da normalidade). O importante é ser feliz. Meu trauma é que quando o povo começa a quebrar (dançar pagode) parece que estão tendo uma crise de epilepsia ou que entraram em algum transe religioso.
Não sei como eles agüentam mexer o quadril por tanto tempo. A base de tudo é o remelexo das ancas. Depois de uma hora dançando Psirico (aquele da música Toda Boa...) eu parecia que tinha sido atropelada por um trator. Fui sentar mancando, com uma dor filadamãe na bacia, mas gostei. Me diverti muito com meus amigos.
Hoje a história era completamente diferente. Eram umas 60 mil pessoas de camisas coloridas. As blusas tinham todo tipo de customização que vocês possam imaginar, desde as bem produzidas até as mais bregas. Foi o metro quadrado mais feio de todos os tempos. Se Bin Laden descobrisse que o povo daqui dança daquele jeito ele ia nomear os baianos como os inimigos número um de Alah. Gentem!!! Não acho que a dança do pagode é baixaria. O problema está em como as pessoas o fazem.
Começa uma esfregação geral de tal ordem, que todos parecem dançar num único frenesi. Os passos da dança começam a reproduzir os movimentos do ato sexual e os rapazes acham que podem apalpar tantas nádegas quanto for possível.
Para mostrar, de fato, como foi o evento, tive que ir gravar uma entrevista com populares e me arrisquei na pista, e sem seguranças. Ô arrependimento! A pessoa estuda 4 anos, se esforça para se manter no mestrado, tem o diploma jogado no lixo e ainda vai tomar dedada em uma festa de camisa colorida. Pelamor do balacobaco!!!!
Ainda não tenho vídeo da festa de hoje, mas em breve postarei alguma coisa. Esse vídeo aí em baixo é do DVD de uma banda chamada Parangolé. O som, para quem gosta, é bom, mas, repito, o problema está em como as pessoas encaram o que é diversão. O vocalista dessa banda é uma fofura de pessoa e merece todo meu apreço.
O gostoso é até em baixo?
E o Tchuco? É gostoso?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
ATUALIZAÇÃO DE SOFTWARE JÁ!
De início pensei que era impossível dar um toque de humor às 10 regras que Deus entregou esculpidas em uma pedra a Moisés [vocês lembravam disso? Eu não]. Mas, como manda o ofício, fui pesquisar os dizeres divinos para dar o primeiro passo. São eles:
1 - Não terás outros deuses diante de mim. [Quem nasceu em terras politeístas está com um grande problema, pois já veio ao mundo com o pé no inferno. Se negar os Deuses de seus povos também vai ser castigado. O que fazer nessa situação?]
2 - Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. [Todos os seguidores dos santos católicos e orixás vão pro inferno. Em resumo: a Bahia está ferrada.]
3 - Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. [Alguma vez você falou: “Deus lhe pague”? Está com um sério problema...]
4 - Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. [Todo o mundo capitalista vai para o inferno.]
5 - Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra. [Isso conta a partir de quantos anos?]
6 - Não matarás. [O quê? Formiga, barata e arrancar flor do pé conta?]
7 - Não adulterarás. [Xiiiiiiii... F... Não jeito, manda abrir outro inferno.]
8 - Não furtarás. [Conta quem chupou doce das Lojas Americanas? Qual será o lugar para banqueiro e político?]
9 - Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. [Alguém NUNCA mentiu? Nunca disse: “Estou pronta em 5 minutos”, mesmo sabendo que ia levar meia hora? A mentira mais clássica dos vendedores: “Essa roupa está linda em você!". Perdeu...]
10 - Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. [Não pode nem olhar para o ator casado da novela? E se sonhar com ele? Afffff!!! Meu ingresso tá garantido!]
Gente. Parece brincadeira, mas tenho duas coisas sérias para administrar. A primeira, e mais urgente, é pensar num roteiro que misture dramaturgia e realidade sem ser agressivo a nenhuma crença (estou aceitando sugestões, mas gravo na quinta). Isso é primordial. Jamais levaria ao ar qualquer coisa que pudesse ofender uma pessoa, quanto mais uma crença. Acredito em Deus, Moisés, Abraão, Cristo, Maomé. Respeito tudo e, inclusive, meus projetos de mestrado envolvem religião. Quando a matéria estiver pronta vou postar aqui para vocês verem.
Mas... O que me preocupa nesse momento é: vai sobrar vaga no céu!!! Quando eu era criança tinha horror da idéia de que poderia ir para o inferno. Mas, analisando friamente essas regras, tem como não ir? Vão ter que criar áreas extras lá em baixo. Quem cometeu o pecado número X vai para tal lugar, quem não respeitou o mandamento Y e Z segue para a ala tal...
Será que é lícito alegar para o meu chefe que não posso trabalhar sábado para não ir pro inferno? Vivo numa sociedade que segue a Sagrada Bíblia, então tenho mais é que tentar me adequar às regras! Ai minha Santa Bárbara, será que ainda tenho jeito? Santa? E quem disse que podemos ter santos? Pega a senha... Ai meu Deus, como pode o Reinaldo Gianecchini ser tão lindo? Ops!!!! Violei dois mandamentos de uma vez só. Falei um nome em vão e cobicei o marido da outra. [Ele é solteiro agora, mas na época que o Brasil inteiro queria tirar uma lasquinha o homem era casadíssimo]. Será que temos jeito? Não rola uma atualização de software?
P.S.: Ainda não publiquei os selinhos nem me atualizei na leitura de blogs. Farei isso amanhã, tá? Bjins e bom dia!
sábado, 20 de junho de 2009
PAUSA PARA OS SANTOS JUNINOS
Mininus e mininais!A partir desse sábado, dia 20/06, até a próxima quinta-feira, dia 25/06, estarei completamente off line desse nosso mundo blogueiro. É por um motivo justo, arretado e de força maior. CURTIR O SÃO JOÃO NO INTERIOR DA BAHIAAAA!!! Olha que isso aqui tá muito bão!!!!
Terminei de arrumar as malas agora, às 1h44, e pego a estrada [360 km até Jequié] às 4h30. Fora o congestionamento [estou levando papel higiênico hehehehehehehe], espero chegar bem.
Não tive tempo de responder aos posts diuréticos, mas, na quinta à noite, respondo tudinho, vou fuçar os blogs alheios e volto com muuuiiiitaaassss hitórias [que somente uma viagem de 12 amigos pode render].
Anarriê!!!!!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
ORGASMO DIURÉTICO

Na hora do lanche, tomei refrigerante e voltei à senzala. Depois de quebrar algumas pedras [estou indignada com Gilmar Mendes, onde já se viu extinguir diploma de jornalista? Vou mostrar a ele onde vou enfiar o meu] desliguei o computador para enfrentar o trânsito e ir embora.
Quando liguei o carro, o pipi lembrou que queria passear. “Dá pra segurar”. Tomei uma das piores decisões de minha vida. São 20 km da TV até minha casa, mas pareceram uns 100 km. No início, a vontade é até gostosinha, aquela sensação que todos conhecemos... Mas o trânsito não colaborou.
Em média, passo por uns 20 semáforos. Hoje, todos fechados. Chegou um momento em que a vontade gostosa começou a virar sofrimento. Eu sentia cada carocinho do asfalto furando minha bexiga. Parecia que os pneus estavam arrastando direto lá... “Vou agüentar”, decidi com firmeza e aumentei o vozeirão de Amy Winehouse para distrair. Enquanto ela cantava “Ai ai ai, ai ai ai, abraçando o grande homem macaco”, eu fui cantando só a parte dos gemidos e o ai ai ai foi virando ui, oi, ai, hummm, ai ai, oi ui, ui ai...
Pense no gemido quando eu passava em um buraco!!! Nunca tinha percebido a força da Lei de Murphy. Ela é peso pesado. TODOS os carros passavam na minha frente, me ultrapassavam, não me deixavam seguir e a dor foi ficando tão forte que, quando dei por mim, estava me envergando, como uma interrogação.
Finalmente avistei a avenida que dá acesso à minha casa. São, exatamente, 9 quebra-molas até meu vaso sanitário. Só que, nessa altura do campeonato, eu já estava quase deitada em cima do joelho. Os carros na minha frente iam passando d – e – v – a – g – a – r – z – i – n –h – o por cada lombada. As lágrimas começaram a cair e um líquido foi chamando o outro e eu tentando conter a torneirinha de baixo. “Ô Jesus, Maomé, Abraão, Buda, Krishna, me ajuda, oi, oi, oi, oi...”.
Última lombada. Não agüentei chegar no meu prédio. Parei na casa de minha mãe, 200 m antes da minha, e entrei igual um foguete. Gente!!! Aquilo não foi uma mijada. Juro. Foi uma multigozada [xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, ouviu?]. Minha filhinha perguntou: “Ta sentindo o quê, mainha?”. Não dava para explicar a sensação de um orgasmo de uréia a uma criança. De olhos virando, esperei a última gotinha sair para explicar ao baby que mamãe tava “se mijando”.
Passei uns 10 minutos sentada no sofá até a sensação ofegante melhorar. Nunca mais espero um minuto para ir ao banheiro. Quando for dirigir, então, vou forçar todos os algarismos cardinais, ordinais, romanos, etc. saírem de um corpo que não lhe pertencem mais. Salvei meu estofado, mas aprendi que se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
MUITO COMPLICADOS E NEM TÃO PERFEITINHOS
Hoje fui ao cinema assistir o filme “A mulher invisível” pela terceira vez. Nada de “piratex”. Não sou completamente contra, mas o filme merece ser visto nas telonas. Selton Mello está esplêndido no papel de Pedro. Caras e bocas m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s. Todas as 3 vezes gargalhei muito e, a cada sessão, percebo mais “erros de continuidade” no longa e muito, mas muuuuuuuito, mais motivos para ir rever na primeira oportunidade. Longe de ser o melhor filme que já vi, mas foi o que mais me fez rir nas últimas idas ao Multiplex.“A mulher invisível” mostra o momento da vida de Pedro em que surge a esquizofrenia, uma doença mental caracterizada por sintomas como alucinações, delírio e perda de contato com a realidade, levando-o a ser demitido e acreditar na existência de uma mulher do jeitinho que ele sempre sonhou. No filme, Cláudio Torres trata o tema com o humor necessário à trama. Não vou contar nada além do necessário, pois vocês vão ter que amassar suas nadegazinhas (ou “onas”) por 105 minutos na poltrona e conferir se vale o seu tempo.
É engraçado como depositamos a culpa dos problemas afetivos que temos na outra pessoa, sendo que, muitas vezes, o “X” da questão está dentro de cada um, não no próximo. Quantas, e quantos, de nós nos envolvemos com um príncipe encantado, ou princesa, que vai, a cada dia, se transformando num sapo, ou uma gia? A verdade é que ele, ou ela, nunca pertenceu à realeza, nossa cegueira branca é que não nos deixava perceber o anfíbio em questão.
Em busca de uma mulher ideal, Pedro “criou” Amanda, personagem de Luana Piovani. Amanda não era invisível. Ela, só, não existia. A mulher invisível, mesmo, para mim, era aquela que amava Pedro, Vitória, personagem de Maria Manoella, e que passou despercebida por ele durante muitos e muitos anos. Porque é tão difícil aceitarmos que a felicidade pode estar tão próxima e ser simples? Idealizamos tanto que esquecemos como realizar mais. Basta olhar para o lado ou estender a mão.
É lógico que existem pessoas que têm vidas e objetivos incompatíveis. Essa é UMA questão. Outra é passarmos a vida inteira sozinhos em busca de alguém que corresponda exatamente às nossas expectativas. Isso pode acontecer amanhã ou nunca. Cuidado. Podemos virar um Pedro a mais, com a diferença que, na vida real, existe uma grande probabilidade de jamais encontrar esta pessoa e passarmos o resto dos tempos se lamentando e colocando a culpa da nossa infelicidade nos outros. No final das contas, acho que Carlos é o cara do filme.
Se ele, ou ela, é gordinho, e daí? Quem disse que todas as pessoas têm que ser saradas? Tudo bem que músculos são perfeitos, etc. e tals, mas, e se a companhia dessa pessoa te agrada, que importa que ele não é tãããããão alto? Se o mais importante é ser feliz, porque não aproveitamos o que cada um tem de melhor? É claro que isso não quer dizer fechar os olhos para todos os defeitos, mas sim aprender a conviver com eles ou, se isso for tão insuportável, partir para outra. No entanto, se isso acontece com muita freqüência, avalie com calma, pois o problema pode não estar nos outros, mas em você.
Conclusão: se você não é lindo como o Carlos (Vladimir Brichta), nem romântico como
Pedro (Selton Mello), porque eu tenho que ser certinha como a Vitória (Maria Manoella), linda e gostosa como a Amanda (Luana Piovani)?
domingo, 14 de junho de 2009
É GUERRA?
Ai, ai... Dias dos namorados. Quem patenteou / decretou / divulgou essa data como o dia em que todos os casais devem sair às ruas e demonstrar seu amor? Não basta se amar escondido, em casa? Tem que esfregar na cara dos outros que ama? Não estou nervosa, nem chateada, muito menos revoltada. Juro, sem cruzar os dedos. Pesquisei e descobri um bocado de histórias sobre a origem do 12 de junho, mas estou com preguiça de resumir - se quiser saber também é só clicar o dedão googliano e pesquisar. Se vira. O negócio é o seguinte: fiz terapia durante um mês para aceitar que esse dia era apenas mais um em que os comerciantes precisam aquecer o mercado. É isso, não é? Errado. É o dia em que os solteiros se sentem mais solteiros.
Na noite anterior a essa data recebi uma visita que jogou fora um mês de terapia. A pessoa me perguntou o que eu iria fazer no dia seguinte. Respondi que nada, que aquela sexta-feira seria como outra qualquer... Etc. e tals. O ser humano discordou de mim e disse que era um dia comum, mas que ele representava alguma coisa para as pessoas que se gostavam. Enfim, dormi com aquilo na cabeça, acreditando na verdade que minha terapeuta me ajudou a aceitar.
Dia 12/06. Acordei - hã? O mundo não acabou???. – Era, de fato, uma sexta como as outras. Só para vocês terem idéia de como eu estava me planejando bem para o valentine’s day, aluguei váááários filmes porque queria, realmente, ficar só naquela noite, foi uma opção, mas... Uma amiga irmã me liga de Sampa fazendo o seguinte pedido: “Preciso que você compre o presente do meu maridão e entregue para ele”. Tremi na base. Não era qualquer amiga. É “A” amiga que acabou de reatar relacionamento e precisou viajar. Tinha como negar?
Banho hidratado, vestido longo, escova nos cabelos, unhas vermelhas, make belíssimo para... Comprar o presente do maridão da amiga. Gente! Foi surreal brigar na fila de impressão das fotos com duas meninas que queriam imprimir mil momentos. “Calma, amor, hoje é dia de relaxar!”, ouvi. Quando a impressão saiu peguei-a correndo para ninguém ver que eu não estava na foto. Deu vontade de usar uma metralhadora de 100 tiros por segundo (existe?) e acabar logo com aquele dia. Visualizou a cena do meu dedo no gatilho, gritando como Rambo, disparando para todos os lados no meio do shopping? Esquece.
Entrei em uma loja, pedi ajuda à vendedora e foi um pouco – pouco uma porra foi muuuito - constrangedor explicar que estava comprando presente para o marido de uma amiga minha que estava fora e eu não podia deixar de fazer esse favor... E eu não sabia exatamente o que comprar...
Acreditem, tinha até casal em que os guris pareciam nem ter 15 anos. Nessa idade eu nem sabia beijar!!! Onde está a mãe dessas meninas?... Sentiu que meu humor foi mudando de sereno para assassino? Comprei um presente lindo para o Fê e corri pro carro. Ufa! Pensei: “Em casa tudo vai ficar bem de novo. Despachei meu irmão e minha cunhada (dei de presente ingressos para um show) e vou ficar só vendo meus filmes”. Passei, apenas, uma hora com o carro parado sem conseguir sair do estacionamento do shopping. Todos os motores ao meu redor roncavam por corações apaixonados. Ô ódio!!!! Por todos os lados via beijos, kisses e bacios, e em todas as línguas possíveis. Cada olhada no retrovisor via um chupão diferente.
Apesar do trauma, prefiro acreditar que é um dia como outro qualquer, mas, de fato, ele representa alguma coisa para os enamorados. Ainda bem que os casais declaram guerra aos solteiros só um dia por ano. Imagina se todo mundo resolve recorrer ao amor incondicional 365 dias? Tinham mil festas de solteiros rolando, mas eu decidi que não queria sair naquele dia. Queria ficar só, pensar algumas coisas, rever outras. Acabou que não revi nada, não assisti nem um filme, não briguei comigo nem com ninguém e não respondi à recorrente pergunta do msn: “Você está em casa HOJE?”. A mãe vai bem? Boa noite.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
MEU NOME É SEGREDO
Quem é Maria? Maria é a única pessoa do mundo – nesse momento - em quem confio entregar minhas roupas para lavar e passar, mas também é o nome da filha de minha amiga megachique que acabou de nascer. Aliás, convenhamos, Maria é um nome luxo. O negócio é que a gente inventou de achar que todas as pessoas humildes, que usam lenço na cabeça, têm cara de Maria, de dona-de-casa e, pior, passamos a ter preconceito com esse substantivo próprio. Se um dia eu puder mudar de nome, de novo, vou querer que me chamem de Maria. Talvez Maria Clara, porque só Maria acho não cabe em mim. O nome tem que ter o tamanho da pessoa.
Quando era pequena, tinha um vizinho que vivia lá em casa jogando baralho com meu pai. Eu achava ele muito bonito, grandão (não sei se eu que era muuuito pequena), uma barba tão cheia de fios bem pretos que nem parecia ter pele ali em baixo, fumava como uma chaminé e o nome dele era João. Pronto. Todo mundo que tem as características desse vizinho eu acho que tem cara de João. Ninguém me venha fazer acreditar que um homem magro, branquelinho, muito menos loirinho, daqueles com aparência de nerd pode se chamar João. Pra mim, esse aí só pode se chamar Rogério, ou Ricardo, que era o nome de uns gêmeos “sabetudo” que estudaram comigo na primeira série.
Acho que é por causa dessas associações, que minha mente sem ter o que pensar faz, que dificilmente associo os recém conhecidos aos nomes e suas respectivas fisionomias. É quase uma amnésia com os que acabaram de chegar. Para chamar alguém pelo nome certo – depois de cometer 527 gafes - preciso associar a pessoa a alguma situação na minha vida.
Estava numa festa e percebi que o conhecido de um amigo, do qual eu gostei da companhia quando conheci, estava ali. E agora? Como é o nome dele? A criatura acenou, eu respondi com um sorriso e um tchau. Ele veio em minha direção. Minha sobrancelha esquerda subiu de aflição, estimulando mais linhas de expressão. Se eu errasse o nome podia perder a oportunidade de “fazer um novo amigo”. Minha vontade era dizer: “Oi, eu sou a Ema” e enfiar a cara no primeiro buraco à vista. Como a festa não era numa fazenda, e não dava para cavar um, fui forçada a cumprimentá-lo. “E aí? Como você está?”, lancei minha primeira tentativa de a resposta trazer alguma situação lembrando seu nome. Nada. “Estou bem. E você?”, ele respondeu. “Xiiiiii... Ele também não gravou meu nome!”, me tranqüilizei e fomos levando o papo até que, graças a alguma entidade das nomenclaturas alheias, se aproximou um terceiro conhecido que o chamou pelo nome. Esse aí eu não posso revelar. Mas, pense num alívio!!!!! Ganhei a noite.
Hoje levei o cágado de meus sobrinhos para o trabalho. Não pense que gosto de andar com esses bichos defecando e urinando no tapete do meu carro (nunca imaginei que daquele casco pudesse sair tanta coisa). É que vamos gravar uma matéria sobre a teoria da evolução de Darwin. Depois posto o link. O engraçado é que o cágado é fêmea, mas minha irmã só descobriu isso depois que todo mundo já chamava a bichinha de “Bob”, pois acreditávamos que “Pink” (seu novo nome) era macho. O outro cágado que levei nem tinha nome. Graças a Deus, porque tive que explicar mil vezes porque Bob era Pink, mas que eu não conseguia chamá-la pelo nome certo por que minha irmã... etc. e tals.
Talvez eu tenha a explicação para essa confusão que faço. É que, quando eu nasci, todos da família me chamavam de Adriana. Quando completei um mês, que eu já devia sorrir quando chamavam “Adriiiiii” (bebê de um mês dá risada?), meu pai foi sozinho me registrar e daí vocês já perceberam o resultado, né? Voltou com o registro de Luciana para casa. Minha mãe ficou “P” da vida. Na família, todos têm o nome começando com a letra “A”. Gosto do meu nome, pois ele é um segredo que meu pai levou para o túmulo. Só que até hoje não descobri se foi uma Luciana que meu velhinho reencontrou no caminho do cartório e, para não esquecer, colocou o nome dela em mim. Traumatizei.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
EU SOU FOFAAAAAA

domingo, 7 de junho de 2009
DÁDIVAS DO ACASO
Nunca tinha pensado sobre a importância de reconhecermos nossas dádivas até que, um belo dia, alguém muito especial largou uma pérola: “Poxa! Todo mundo tem um dom. Tem gente que saber escrever, dançar, desenhar... Eu não sei fazer nada! Será que eu tenho algum um dom?”. De início, rimos muito da sua confessa falta de habilidade generalizada, mas, ampliando os horizontes, será que cada um tem UM dom mesmo?
Faz muito tempo que queria aprender dança árabe. Procurei uma professora e comecei as aulas. Quanto mais meu corpo não obedecia quando eu mandava ele se movimentar eu ia encarando aquilo como um desafio. Fiquei neurótica. Comprei vídeo-aula e ficava em frente ao espelho treinando até que, um dia, meu irmão chegou em casa e me flagrou ensaiando. Ele riu horrores de mim. No início eu fiquei com muuuuuita vergonha. Quantas vezes riram de nossos sonhos e nós os abandonamos por uma certeza de derrota que não era certa? Não desisti de aprender e já sei fazer muita coisa.
Vocês já pensaram na cena de um jequitibá rei vestido de bailarina em cima de um palco? Não dá... O jequitibá não ficaria bem de ponta de pé, mas ele tem grande valor econômico comprovado, produção de madeira valiosa e é indicado para programas de regeneração artificial. Por isso, acho que devemos levar em consideração nosso dom na hora de escolher nossos caminhos, de decidir em que porta vamos entrar, mas não devemos esquecer que temos vontades – e também não podemos deslembrar que de um grande desejo pode aflorar um belíssimo dom. Minha aptidão maior é escrever, mas sei fazer outras coisas e... Quem disse que não posso aprender a dançar? Posso escrever dançando. Quem disse que, nesse momento, meus dedos não bailam ao teclado? É apenas uma atitude de vencer a vergonha e deixar seus sonhos mais inconfessáveis mostrarem que eles podem se tornar realidade.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
BELA FEIÚRA




Também não podemos deixar de levar em consideração a pressão que os meios de comunicação, e todo um sistema capitalista, exercem sobre nosso frágil aparelho psicológico manipulável. Porque, quase invariavelmente, as mulheres que achamos mais bonitas são as de maior poder aquisitivo? Ficar bela é caro. Caríssimo. Alguém precisa vender a beleza e "eles" necessitam de pessoas ávidas por comprar. Recebi um e-mail com fotos montagens de como seriam algumas famosas, caso não tivessem grana. O que reafirma minhas teorias de que BELEZA=DINHEIRO e que não existe mulher feia, mas sim mal produzida.
P.S.: Não sei a autoria dessas montagens. Apenas recebi e postei.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
O MELHOR DIA AZARADO DA MINHA VIDA
Primeiro ato: acordei atrasada porque não sabia onde tinha deixado o celular no dia anterior (meu fone é meu despertador). Mesmo quando ouvi a hora no rádio, sorri e me desejei um bom dia. “Mais tarde eu tento ligar no meu número para ver se alguma alma caridosa me devolve aquele aparelho de quinta”, confortei-me. Quando abri a porta para sair de casa, cadê minha chave? Bobagem... Minha cunhada levou junto com a dela... Que mal há em bater na porta do vizinho, às 8 da manhã, para ele abrir o portão do prédio? Sorria. O dia está apenas começando.
No trabalho, liguei umas cem mil vezes para o bar que tinha ido na noite anterior até uma voz do outro lado atender. A alma que encontrou meu celular “encosto de porta” não era caridosa. Não houve registro no livro de achados e perdidos. Eu nem gostava daquele modelo mesmo e os contatos eu devo conseguir recuperar nos próximos anos. No stress. Final do dia, a caminho de casa, convenci uma amiga a ir ver um filme no cinema. Quando vi um espaço vazio no estacionamento fiquei até com medo de ser uma área com goteira ou risco de desabamento. Sei lá... Implicância minha, né? O dia tinha tudo para terminar bem.
No guichê, pedi a próxima sessão do filme “Killshot” – tinha certeza que ver a cara esticada de Mickey Rourke ia me fazer sentir melhor ao olhar o espelho. A atendente prontamente destacou e me entregou os ingressos. Despretensiosamente, olhei o ticket para conferir a sessão. Faltavam 20 min. para... “Donkey xote”?????. Sorri um sorriso amarelo (me f...!), voltei e expliquei que ela tinha entendido o nome do filme errado. A coitada me olhou com cara de raiva, pois tinha que esperar o gerente descer para digitar uma senha etc. Resolvi ir lanchar para não perder o horário do filme. Qual o lanche mais rápido? Mc Donald’s!!!
Posso não ter tido sorte ao longo do dia, brinque com tudo, xingue minha mãe, mas não “bula” com minha comida não, na moral!!!! Estava em uma fila que deu problema no pedido da pessoa da frente. Passei para o caixa ao lado e o que aconteceu? Não precisa falar. Quando, enfim, fui atendida, fiz meu pedido: “Promoção do Big Mac, com kuat zero SEM GELO”. O que vem para mim? Coca-cola normal COM GELO! Refiz o pedido. A batata frita veio pela metade. Pedi outra. Quando o refrigerante chegou estava COM GELO. Implorei o certo DE NOVO e, entre mortos de feridos, chegou tudo ok.
Comi soltando fogo pelas ventas!!! Comi não, engoli. Já era a hora do filme e eu ainda tinha que ir buscar o ingresso no caixa. O gerente chegou, não viu a cliente (eu) e não liberou a troca do ticket. Ainda bem que minha amiga explodiu antes de mim. Se eu começasse a falar alto nessa altura do campeonato... O pior é que sempre fico com uma sensação de culpa depois, mas, dessa vez, me contive. Fiquei orgulhosa de mim.
No escurinho do cinema, haja trailer. Dublado de “O Exterminador do futuro” (odeio filme dublado, pior ainda trailer), “A mulher invisível”, “Duplicity'”, “Minhas adoráveis ex-namoradas”, e mais uns 2 ou 3. Quando o filme começou vi uma imagem que parecia familiar... Era “Wolverine”. “Será que entrei na sala errada?”, imaginei. Todo mundo pensou igual a mim e fomos, simultaneamente, reclamar. Estávamos na sala certa e o problema foi na projeção. Pensa que pude analisar logo as cirurgias de Mickey Rourke? Nada... Fui obrigada a ver todos os trailers de novo antes do longa interminável começar.
Apesar de o dia não ter sido dos melhores, joguei o jogo do contente, contei até 10, ri de meu momento infeliz, dei 3 pulinhos e fiz tudo para não deixar a paciência sair correndo. Resisti. Acho que venci minha TPM. Ou será que me rendi a ela? Enfim... A caminho de casa, tive todo cuidado no trânsito, afinal, rir da própria desgraça poderia começar a perder a graça. Nesta noite de sexta-feira, com chuva intensa - em que irei trabalhar no sábado bem cedo - com medo do teto desabar, me pergunto o que mais pode acontecer. Antes de descobrir a resposta, achei mais prudente fechar o computador e dormir.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
FÊMEA BRUTALIDADE
Há coisa melhor que fazer xixi em pé? Nada de sentar em vaso respingado, basta mirar num canto, levantar o rosto, assoviar, dar uma esticadinha no bichano e... Ô alívio!!! Nem vem com essa história de não ter onde lavar a mão, pois isso é coisa de mulher. E o que me diz de coçar o saco? Concordo que é muito feio - e provoca asco - ver, mas, observando a cara de satisfação que eles fazem, duvido que seja ruim. Sentar de pernas abertas sem ter vergonha de alguém estar te olhando não tem preço. Manter um diálogo saudável com uma pessoa do sexo oposto sem ela encarar seus peitos, e achar normal, deve ser confortante. Não se importar com pintar as unhas, fazer sobrancelhas, depilar as pernas, axilas, buço, decote, passar chapinha no cabelo, retocar maquiagem, acordar mais cedo e ir correndo ao banheiro se arrumar para fingir que acordou igual a atriz da Globo. Ufa! Ainda bem que não me lembro de todas as desvantagens, pois, se essa lista crescer mais, vou morrer logo para ver se volto menino. Ahhhh!!! Já ia me esquecendo da melhor parte: não ser taxado de inútil por se recusar a fazer serviços domésticos.
Ser homem deve ser muuuuuuito bom. O que me irrita é a suposta superioridade masculina que impera intrínseca em nossa sociedade. É como se essa verdade fosse tão absoluta que ninguém ousasse contestar. Nem quero entrar no mérito dos séculos que foram perdidos cuidando apenas do lar. Em poucos anos de emancipação feminina, já estamos bem colocadas em setores que antes nos eram proibidos. Daí vem minha revolta, pois os benditos, nem de longe, são superiores. Na verdade, sinto que ser eles supera, em vantagens, ser elas. Se existisse uma balança em que pudéssemos pesar...
Quando, nós mulheres, ganhamos os primeiros brinquedos estes reproduzem como a sociedade espera que nós sejamos. Nos dão miniaturas (cada vez maiores para garantir melhores resultados) de utensílios domésticos, bonecas (que agora tomam mingau e defecam), maquiagem (que depois vão ficando mais caras), sapatos altos (que ajudam a provocar varizes) e nos adestram para sermos dóceis, limpinhas, delicadas e difíceis. Os meninos (esses, sim, aprendem a se divertir), em contrapartida, são estimulados a, quando cair, levantar e continuar correndo, não chegar em casa apanhado, beijar a coleguinha da escola quando ela estiver distraída, quebrar e consertar o carrinho novo e, nunca, por hipótese alguma, usar qualquer coisa rosa. A eles a liberdade. A nós a castração total.
O que fazemos com nossas crianças? Eu tenho uma menininha e nunca tive coragem de dar um carrinho de presente, mas o fogãozinho não fui eu quem dei... O que fazer para sair dessas amarras? Parece que está estabelecido que mulher tem que ser de um jeito – caso contrário não serve pra casar e, neste caso, não prestará para nada aos olhos da maioria – e homem de um determinado modo – senão vira gay e vai ser deserdado. Admiro tanto o desapego masculino em relação a algumas coisas que quase todos os meus amigos são rapazes. Poucas moças conseguem desfrutar de meus sinceros sentimentos.
Apesar de toda admiração pelo universo dos brutos, cá entre nós, ser mulher tem um gostinho especial que só sendo para saber. Basta aproveitar... Qual rapariga não gosta de fazer um docinho quando está morrendo de vontade? Qual mocinha nunca fez um drama com um machucado que nem estava doendo? Ter TPM é muito, ultra, hiper, megamaster ruim, mas, ser mãe é divino. A verdade é que acho que as melhores mulheres que conheço tem uma postura masculina – longe de conotações sexuais. Elas conseguem reunir qualidades de uma feminilidade exuberante e abraçar as coisas boas da masculinidade para se impor e vencer na vida. Grandes homens também precisam da sensibilidade feminina. E olhe que este não é um discurso feminista, tampouco machista, apenas equilibrista.
terça-feira, 19 de maio de 2009
UM DIA DE MIM
UM DIA DE MIM
Posso virar-me ao avesso e ainda te sentir aqui de dentro
Quero esgueirar-me pelo muro e ver-te passar correndo
Vou olhar-te escondido sempre que estiver distraído
Sinto teu cheiro suado toda vez que respiro intenso
Ando com o sono virado por não estar ao meu lado
Abraço quem não existe
Beijo meu pesadelo
Durmo como um anjo
Acordo delirando
Você está aqui
Onde só eu posso sentir
Um dia ainda descubro porque te escondi de mim...
domingo, 17 de maio de 2009
HOLOFOTE PARA A DOR
sexta-feira, 15 de maio de 2009
TEMPESTADE NASAL
segunda-feira, 11 de maio de 2009
THUNDERCATS DO ASFALTO
Cheguei a duvidar que tivesse capacidade de aprender a dirigir. Só de pensar em um carro me fechando em um congestionamento na ladeira da Federação (bairro mais alto de Salvador) eu tinha calafrios. Acreditava que fosse fechar os olhos com as mãos, como faço quando vejo filmes de terror. Tirei a carteira em 3 meses – iam ser 2 e meio, mas uma pessoa mais anta que eu derrubou o protótipo de carro atrás de mim e eu fiz tudo errado. Na segunda vez, suei mais que cuscuz, mas passei. Êêêita orgulho!!! Aposentei o RG e passei a apresentar a CNH. No início, era uma forma indireta de mostrar a todos que eu era habilitada, mas... Na verdade, só andava de buzão e nem tinha perspectiva de poder comprar um carro. Toda vez que saía com meus amigos não bebia só para voltar dirigindo, porque, sem álcool no juízo, eles não me davam o volante e, quando o faziam, eu não podia mudar de faixa, ultrapassar nenhuma lesma, passar de 60Km, olhar para o lado e tinha que frear assim que visse o sinal vermelho. Mesmo assim, tinha prazer em dirigir. No fundo, acho que queria ganhar prática, confiança, experiência de rua, que, só o dia a dia permite. Era medrosa, mas ousada. Com todo senso crítico, me acho uma boa motorista, mas, hoje, ambiciono o teletransporte. Será a perfeição. No stress. Quando comprei meu carro, descobri o primeiro arranhão ainda na concessionária, mas a vontade de entrar no meu possante, com cheirinho de novo, era tanta que eu nem me importei. Um arranhão bobo... Infelizmente, confirmei isso quando outros começaram a aparecer. Apesar de ser ultra, hiper, megadesastrada, desde que tirei a carteira não cometi nenhuma infração de trânsito, não bati e nunca encostei no carro de ninguém. Mas, o primeiro arranhão não se esquece. Você vê o carro a 10m de distância e só consegue enxergar o maldito arranhão de 1cm embaixo do retrovisor. Na minha cabeça, ele atravessava o carro. Pura ilusão de neurótica. Fui colocar placa e, na entrada do DETRAN, creiam, um caminhão (isso mesmo, um CAMINHÃO!!!) quase passou por cima de mim. Pelo menos foi essa sensação que tive quando ouvi o barulho daquela caçamba enorme encostando ao meu fundo. Saí do carro parecendo uma louca: “M-e-u c-a-r-r-o n-o-v-o P-O-R-R-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A!!!!!!!!”. Quando vi o arranhão, fiquei puta da vida. Esse, sim, tinha uns 30cm. Um engraçado passou gritando: “Já batizou, foi?”. Só dei o dedo como resposta. Enfim, o caminhoneiro disse que entrei na frente dele e eu disse que ele queria me atropelar e ficou por isso mesmo. Já sabe como é... Mulher dirigindo carro sem placa não tem credibilidade – e olhe que ninguém sabia que minha carteira ainda era permissão. Entrei para colocar a placa e agradeci a Deus por não ter sido algo pior. O arranhão da concessionária começou a ficar pequeno. Aos poucos, fui entendendo que o veículo é um bem material – de grande valor – mas, não dá para ter apego, pois ele vai acabar se rodar ou se ficar parado. Só para vocês terem ideia de como sou cuidadosa, ainda tenho bonecas, em bom estado, de quando eu era bebê. Ou seja, as bonequinhas também estão balzaquianas. No início, desapegar desses arranhões foi difícil. Mas estou conseguindo. O segundo grande risco aconteceu por excesso de prudência. Fui ao teatro e, para não estacionar na rua, deixei num local pago, porém, com um manobrista que tratou de esculpir uma mancha branca nele. Dessa vez arrancou até a tinta (foi escultura mesmo!). Estou processando a rede de estacionamento, pois - creiam - eles alegam que o arranhão não foi lá e que eu devia ter preenchido uma ficha de check list do veículo. Alguma vez alguém te ofereceu essa ficha quando você estacionou? A mim, não... Hoje de manhã, para começar o dia e a semana bem, ao sair do prédio vi uma obra de arte amarela no meu para-choque dianteiro. Ô ódio!!!! Graças a Deus ele não durou 5 min. Mesmo tendo carteira há pouco tempo e com mínima experiência de trânsito, aprendi que não posso manobrar além de onde enxergo. Mas, devido à visão além do alcance de muitos condutores thundercats, meu carrinho parece mais um alvo de dardos. Dia desses, uma vaca louca abriu a porta com tanta força e... Mais um arranhão!!! O que eu posso fazer? Matar? Morrer? Me estressar? Nada. Meu único trauma, juro, é não estar “destruindo” meu bem. É saber que os outros o estão fazendo por mim. Com essa chuva que caiu em Salvador, tem uns 20 dias que não consigo lavar o carro. Ou seja, não vejo os arranhões. TPM vai ser quando a sujeira sair e eu perceber minha pintura metálica virando porta de banheiro público.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
COROA, CARA?
quinta-feira, 7 de maio de 2009
DEMÊNCIA DE DOER
terça-feira, 5 de maio de 2009
CONTABILIZANDO MONOSSÍLABOS
Apesar de passar o dia inteiro falando no trabalho – acho até que já tenho calo nas cordas vocais –, quando chego em casa ainda tenho necessidade de falar. Se não conversar, enlouqueço! Quando não tem ninguém em casa, entro no MSN só para tornar verbo o que não diz respeito ao meio profissional, divagar, gastar minha cota de palavras do dia. Li num livro que uma mulher pode falar até 20 mil palavras por dia, enquanto um homem consegue, com muito sacrifício, falar umas 7 mil. Como se não bastasse falar mais, fazemos isso duas vezes mais rápido. Vivo isso no meu dia a dia e descobri a importância desse conhecimento para um bom relacionamento com os produtores da testosterona. Único homem da família, meu irmão chega em casa cansado justamente por ser obrigado a falar em serviço. Ele precisa se comunicar. Minha cunhada passa o dia vendendo carros e fala tanto, ou mais, que eu. Em época de crise, vender carro 0Km exige uma certa persuasão e, por conseqüência, muita conversa. Depois de chegar com uma cara de surdo-mudo, de tanto ouvir a esposa tagarelar no caminho e não retribuir nem com um reles monossílabo, o diálogo da noite ao abrir a porta:
- Cunhaaaaa! Você não tem noção da cliente chata que eu atendi hoje... etc. etc. etc. – começa ela.
- Rapaz, você viu que o Governo da Bahia vai abrir os documentos da ditadura militar no estado? – pergunto, sem resposta, ao meu irmão.
- Cunha, por que a mãe de Maya (da novela “Caminho das Índias”) levou o bebê dela? – indagou, já vendo novela enquanto prepara um lanche.
- Aff!!! Amanhã tenho que produzir uma matéria sobre o bairro dos Barris, etc. etc. etc. – lembrei, durante o comercial.
Nesse meio tempo, eu e ela já falamos do carro batido da vizinha, do vestido novo que comprei... Enfim, nos empenhamos em gastar nossa cota não utilizada. Meu irmão, ao contrário de nós, precisa apenas do barulho do click do mouse. Ele não responde a nossas interpelações nem com um leve aceno de cabeça. Ignora nossa presença. É homem. Só consigo ser assim quando estou no auge de minha TPM, mas aí o mal é infinitamente pior, pois acumulo uma quantidade elevada de palavras para usar nos dias posteriores e ninguém suporta ficar ao meu lado. Até meu consciente pede aos neurônios, por favor, para darem um tempo. O que acontece em minha casa é reflexo de muitos lares, homens calados e mulheres tagarelas. Fui casada, confesso. Experiência que não indico nem ao pior dos inimigos. Agora, sou capaz de compreender boa parte das brigas que perdi. Em vez de minha cunhada, meu ex era quem morava conosco. Dois homens e uma mulher dividindo o mesmo teto. Eu chegava em casa e nem as paredes me ouviam, isso quando não tinha uma tropa de peludos, fedendo a suor e muita cerveja, que me ignorava até eu começar a gritar e expulsá-los. Aviso às meninas: quando os homens se reúnem, parecem entrar numa aposta de quem é mais nojento, detonando flatulências tão explosivas quanto fétidas; arrotam, um tentando fazê-lo mais alto do que o outro; zoam, um da performance sexual do outro colega e, quando lembram, falam de mulheres, geralmente das que nunca vão conseguir ter. Palavra de quem ouve o papo deles há anos. Sim... Quando não eram os ogros reunidos, era algum filme com explosões, pouco diálogo e muito sangue. Eu consigo ver um filme e conversar tranquilamente, sem deixar nenhuma das duas atividades a desejar. Se duvidar, ainda escrevo um post ao mesmo tempo. Os rapazes – sem ofensas, é apenas uma constatação – têm dificuldades em fazer várias coisas ao mesmo tempo. No livro que li, explica que esse comportamento é fruto da evolução deles, de falar pouco e se concentrar para não afastar a caça. Meu irmão acabou de acordar. Se eu não conversar logo sobre as contas da casa e aproveitar sua cota de palavras no início, vou me ferrar. É melhor eu procurar uma calculadora, daquelas que conte palavras.

