segunda-feira, 14 de setembro de 2009

IMAGINAÇÃO FÉRTIL

Fui intimada a postar um selo, mas gostei. O título me trouxe lembranças engraçadas, que me fizeram gargalhar muito e sentir imensa saudade de um tempo que não volta. Ainda bem que os tive um dia. Quem me indicou foi minha digníssima irmã Sandrinha que vocês insistem chamar de Alê. Dá no mesmo. As benditas regras são:
1 - Listar alguma coisa que, quando criança, achávamos que seria legal, mas que na realidade não era (ou não foi) tão legal assim.
2 - Repassar para pessoas de imaginação fértil.

Vou listar algumas coisas que achei que seriam legais. Mas eu só achei...

Quando eu era criança pequena – é que agora me acho criança grande – achava que poderia fazer experimentos científicos que iriam revolucionar a ciência moderna. Aqui no meu prédio tinha uma planta de folha impermeável, que quando a água batia escorria sem molhar. Eu achava aquela a planta mais diferente do mundo e tinha a convicção que se eu tirasse algum líquido dela e injetasse em outra poderia gerar um novo tipo de planta que me tornaria a criança mais inteligente do mundo. Motivada por uma amiga mais acéfala que eu, fizemos a experiência. Só descobri que caldo de planta fede pra k.r.l.o.

Eu já disse que sou normal. Mas um dia, eu e minhas amigas de infância – inclusive Sandra (entrego logo que não vou ser louca sozinha) – inventamos de construir uma cabana de papelão entre o nosso prédio e o vizinho. Nossos pais nos achavam um rebanho de retardadas, mas permitiam. Criança é criança, pô! Um dia levamos vela, óleo, uma lata de leite vazia e milho de pipoca. O que vocês acham nós tentamos fazer? Acender a vela para esquentar o óleo e fazer pipoca!!! Loucura, loucura, loucura. Pelo menos não pegou fogo e uns dois carocinhos estouraram. Quase saímos nos tapas para decidir quem seria a premiada que poderia comer a pipoca feita na cabaninha - o detalhe era que elas nadavam no óleo.

Quando chovia, tínhamos um trabalho do cão colocando lona para não derreter o papelão. Não adiantava muita coisa, pois a água escorria pelas paredes e nossa cabana virava uma espécie de piscina de lama. Faz uns dois anos que os filhos das minhas amigas de infância pediram à mãe para montar uma cabana para eles e meus sobrinhos (nossas gerações conseguiram reproduzir nossa amizade). Ri muito, pois a mãe deles montou uma barraca de camping em um lugar bem melhor que o da nossa casinha. É uma pena que eu tenha nadado com os ratos e eles não mataram nem uma baratinha para manter a cabana deles em ordem.

Não podia deixar de contar que a imaginação de Alê, uma vez, quase me aleijou de tanto apanhar. Minha mãe costurava e a máquina dela tinha uma cabine de madeira. Toda vez que meu pai queria dar uma coça na gente ele pegava uma tira da madeira e dava uma dúzia de bolos na mão de cada filho. Éramos 3 meninas e 1 menino. O que a irmã mais velha e inteligente faz? É óbvio! Escondeu “o pau da máquina”. O pai virado no cão fez o quê? Na hora da surra diária (todo dia alguém perturbava e todos apanhavam) painho pegou a colher de pau e deu na gente até o maldito do pau da máquina aparecer. Ô ódio!!!

Ahhh!!! Tem uma história que é a segunda melhor de todas! Como nossos pais não deixavam a gente ter nem um bichinho de estimação, sabe o que pegamos para “criar”? Um pneu!!! Não riam. É sério. Essa viagem aí eu nem sei como explicar, mas o borrachudo virou uma espécie de bichano e nós brigávamos para ficar um pouco com ele. No dia que nossa mãe obrigou a gente jogar “aquele lixo” fora choramos rios de lágrimas.

A melhor de todas, acreditem, era colecionar grilos. A gente ficava nos matos em torno do prédio se acotovelando para ver que conseguia pegar mais grilos. Os grandões nós até amarrávamos um cordãozinho para segurar como um cãozinho. Como, é óbvio, que os pais não deixavam a gente entrar em casa com eles, criávamos os monstrinhos em vidros de maionese até eles “morrerem de tristeza” e cederem lugar à próxima vítima.

Como eu tinha mania de querer ser cientista, um dia achei um grilão pretão e achei de abrir a bunda do bicho com uma seringa e enchê-la de graxa. Depois larguei o coitado no chão que nem conseguia pular de tanta graxa no fio-ó-fó.

Não fiz nada disso por maldade nem loucura, gente. Era apenas uma menina de apartamento cheia de imaginação nutrida por uma irmã mais velha com dons visivelmente assassinos – além da surra que me fez tomar (várias) ela quebrou meu queixo duas vezes. Hoje, juro, não tenho mais vontade de matar grilos... Grilos não tem graça... hehehehe...

Não tenho para quem repassar, pois todos os blogueiros que passam por aqui são os mesmos que passam no cantinho de Sandra. Mas quem teve a imaginação irrigada com estrume, assim como eu, sinta-se à vontade e me avise para eu ler.

17 comentários:

Alexsandra Moreira disse...

Não me lembrava de 1/3 dessas sandisses...rsrsrsrsrs

Sandrinha? Faz tempo que não ouço isso.

Porra, a cabana era massa, no verão é claro. Era foda brincar com o peneu, parecíamos meninos com o cabo de vassoura e pneu pela rua... Todos os pais odiavam. aff criança tem arte né?

Elisa no blog disse...

Certamente vc era uma criança muito criativa. A Alê que vc cita é sua irmã? É a moça bonita que comentou logo acima?
Adorei as histórias. Certamente vc tem outras mais, não? Espero que vá contando aos poucos.

Em Salvador gosto muito do restaurante do Senac no Pelourinho. Vc conhece? Ou é lugar para turista? Gosto de lá porque tem muitos pratos da culinária baiana de uma vez só.
bj

Desabafando disse...

ahahahahaha......amiga, ri demais....caldo de planta?? rsrsrsrs.....a melhor foi tentar fazer pipoca com vela.....que imaginação e criatividade a de vcs...rsrsrsrs.. quanto a caçar grilos eu tb tentava mas nunca enchi nenhum de graxa não...rsrsrsrsrs......

Ah, aproveito pra agradecer muitíssimo por vc ter tido a paciência de ler meu post e colocar um comentário tão precioso, me senti compreendida, obrigada por compartilhar sua história comigo! Me senti menos sozinha...rsrsrs...muitas vezes me senti com o medo de ser ridicularizada qe vc descreveu no seu comentário....

Obrigada por passar lá....e se quiser entender um pouco mais daquela história, abri mais uma página da minha vida pra vcs!

Aninha Leme disse...

POWWWW KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
meu, vc podia trabalhar na goodyear ou em qualquer outra marca de pneu!!!!!!!!1
imagine!! na entrevista vc já ganhava a vaga!!!
"quando eu era pequena, não podíamos ter bichos de estimação, então pegamos um pneu e o tratávamos como um animal de estimação!"
que linduuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
isso é que é!!!

(tem selinho pra vc no meu blog!)

beijosssssssssssssss

Ademil Junior disse...

Tinha certeza que o "sem noção" da familia na infâcia tinha sido eu. Contudo, me parece que é genético e compulsório!!!

Caraio, não tinha noção de quanto você abstraía...

p.s "tomava chá de cogumelos, não?"

Luciana Guimarães disse...

gEnTe!!! eU dIsSe QuE sOu NoRmAl!

Mônica disse...

Rapaz...essa do pneu foi PHoda!rsrsrs
Eu fiz muuuuuita loucura quando criança....mas vou contar a menos comprometedora...rs!
Na época da febre do programa "Torta na Cara", ou era "Passa ou Repassa"???Aff...não me lembro...enfim, Eu e como sempre Carla, fizemos aqui no prédio, na nossa porta mesmo, uma imitação desse programa!
E o detalhe maior: as tortas eram feitas de uma gororoba com ovo e farinha de trigo, muito fedorenta!
Resultado, o prédio só fedia a ovo podre!Tivemos que lavar de cima a baixo!!!!!!E deve ter ficado o mal cheiro por uma semana!O povo do predio, aliás, as bruxas, como nós chamavamos as sindicas e aspirantes na época, viraram o cão!hahahahaha
Bem que elas mereciam mesmo! =D

Mônica disse...

Ah...falando sobre os dons cientificos...eu também tive essa fase.
Eu misturava tudo que eu via na minha frente e jogava nas plantas!Tadinhas...sempre morriam!
Uma vez misturei anil, agua sanitária(a famosa kiboa), sabão em pó, creme de pele, soda caustica...afff!Que perigo!!
Essa mistureba começou a transbordar do copo, com uma espuma fedorenta!hahahaha
Sem contar que eu adorava fazer desenhos no chão da cozinha com alcool, e depois botava fogo!Ainda saltava o fogo!hahahaha.
Gente, eu era louca!

Luciana Guimarães disse...

Depois dessa declaração garanto: EU SOU NORMAL!!!

Eduk disse...

Olá, obrigado pela visita em meu blog.
Na minha infancia eu fazia cada mistureba e comia cada coisa que só de imaginar me deixa às gargalhadas. Fui Feliz aprontando hehe. Bjos

Stella Tavares disse...

Deliciosas histórias as suas. Uma infância rica. Lindas e encantadoras cicatrizes de alma. Que ficarão para sempre pra te provar como a sua infância foi rica e feliz. Adorei!!!
Bjs

Déia disse...

kkkkkkkkkkkkkkk Quanta criatividade rsrsrs

Vim te conhecer e certamente voltarei

bj

Geovana disse...

eheheh... Louca! Eu não ia ser sua amiga na infância, imagina maltratar os pobres grilos...

Também tenho boas lembrança da infância, mas não tão claras assim.

Beijo.

Anônimo disse...

Na minha infancia, e que já se vai bem longe, entre outras proezas, criava um urubu, no quintal, junto com as galinhas ...rsrsrsrsrs

Anônimo disse...

Muito engraçadas e interessantes as passagens da infancia.

Blog da Fatima disse...

genteeeee...não sei qual a história mais engraçada!!!! Por amor...mas qta imaginação.....pobres pais!!!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Muito bommmmmmmmmm..precisava rir um pouco hoje!!!
Mas acho que a melhor foi a do pneu ser um bixo de estimação...Gente, é o ápice da loucura....kkkkk

bjs no ♥

Clau disse...

Adorei a idéia do pneu... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...