terça-feira, 1 de setembro de 2009

MAS MÃE...

Tenho compartilhado com vocês bons momentos em que extraio graça da desgraça – como presenciar alguém chupando a dentadura – então não posso deixar de contar os bons.

Depois de dois dias estudando “como filmar” uma cena de cinema, senti vontade de ir a uma sala ver algum besteirol. Quem poderia ser melhor companhia que a filha-sobrinha-adotiva-de-coração? Hoje foi a pré-estréia da animação da Disney-Pixar, "Up -Altas Aventuras”. Direto de um mega-congestionamento liguei para casa e avisei para a pequena não dormir, pois a sessão seria às 21hs.

Em casa, cansada, pensei em não ir, mas depois de ver um largo sorriso me esperando na porta desisti de desistir... Mas custava bem pouco tentar fazê-la renunciar ao passeio quase “madrugal”.

- Filha... Mamãe acha que no dia das crianças você vai ganhar roupas e sapatos. A bicicleta grande quem vai te dar é Papai Noel no natal. – Quem sabe ela não se chatearia e iria dormir zangada?

Dois segundos de silêncio se passaram até ela criar coragem de largar a pérola.

- Mas como ele vai trazer minha bicicleta sem quebrar?
- Como assim?
- Ele vai trazer a bicicleta inteira dentro do saco? Ele vai quebrar, mãe!
- Vai não, filha! O saco dele é bem grande e cabe a bicicleta inteira.
- Mas tem outro brinquedos, mãe. Minha bicicleta vai quebrar.
- Ele quebrou seu lap-top, quebrou?
- Então tá – sorriso tímido. Mas no dia das crianças eu quero uma bota. Agora “vumbora”, mãe?

As coisas são simples, né? Quem complica são os adultos... Sem sinal de desistência, tentei apelar para os olhinhos apertadinhos.

- Filha. Seu olho tá vermelhinho de sono. Você vai dormir no cinema. É melhor deixar´para outro dia.
- Não é sono não, mãe. É que eu estou com fome - desculpa esfarrapada para comer comida do meu prato.

Quem mandou prometer? Agora tem que cumprir!! Na metade do caminho ela já estava roncando. Ainda bem que não fui a única tia-mãe-louca que levou uma criança de 4 anos para a sessão das 21hs. Tinham mais uns 5 capetinhas correndo com ela ao redor da fila. Pensei:

- Quando minha baby crescer vai amar cinema. Quem sabe não pode ser uma cineasta?

Ao pisar na sala as pérolas começaram a desabrochar da concha.

- Mãe, tá muito escuro.
- É assim mesmo, filha. É para você ver o filme melhor.
- Mas não é filme, é desenho.
- Mas aí você vê melhor, olhe.
- Mas com luz também dá para ver.
- Chhhh! Já está começando.

Alguns segundos de boca fechada.

- Mãe? Tá muito alto esse cinema. Onde baixa o som?
- Não pode baixar filha. No cinema o som é alto mesmo.
- E quem liga essa televisão?
- Não é televisão, filha. É uma tela de projeção.
- É o quê????

Afff! Como explicar??? Era mais fácil descrever como nascem os bebês!

- Ta vendo ali em cima? – apontei para a sala de projeção – Tem um homem lá que liga o DVD para a gente ver o filme daqui.
- E o homem entrou por onde?
- Láááááá pelo outro lado.

Um olhar começou a buscar o que seria o outro lado.

- Essa televisão é muito grande e faz muito barulho.
- Agora o filme começou, olhe.

Atenção totalmente voltada para a telinha até um casal começar a gargalhar ao nosso lado.

- Manda esse homem calar a boca mãe!
- Olha o filme, filha. A casa está voando...

Muchochos seguidos de mais muchochos olhando de cara muito feia para o casal que estava gargalhando horrores.

- Mãe. Tô com frio.

Tirei meu casaco, enrolei nela como um cobertor e coloquei-a no colo para me esquentar também, caso contrário a ponta dos meus dedos já estariam em estado de putrefação. Um, dois, três, cinco minutos de silêncio. Fiquei preocupada. Alguma coisa estava errada.

- Filha?

Sem resposta. Já estava no quinto sono. Ela pode até não ser uma cinéfila, nem cineasta. Pode até odiar cinema. Não podemos criar uma projeção/expectativa para alguém que vai escolher que caminho seguir. Cada um trilha sua estrada. Somos como instrutores de auto-escola. Ensinamos a ligar o carro, mas quem vai dar a partida é o fututo motorista.

Dentre tantas possibilidades, tenho uma certeza. Minha baby já sabe questionar com inteligência, sem perder a ingenuidade da infância. Só não vou deixá-la aprender a chatice da mãe, o que é quase impossível. Esse, sim, é um caminho sem volta - rsrsrs.

P.S.: Vale conferir "Up -Altas Aventuras”. Caso levem algum pequeno, prefiram uma sessão mais cedo . Essa sexta estará nos cinemas. Boa diversão.

8 comentários:

Ronaldo disse...

Gostei da musica que me escreveu la no blog, brigado.

Pois é, as crianças são espertas demais, questionam coisas inimaginaveis.

VOu te adicionar no meu blogo como favoritos

bjs e bom mês de setembro

Stella Tavares disse...

Que delícia de texto! Fluiu leve como a inocência e inteligente curiosidade das crianças. Adorei! Obrigada pelo sempre carinho e um inesquecível setembro pra você.
Bjs.

Desabafando disse...

ahahahah...amei esse post amiga! Que fofa!! rsrsrs...só não entendi isso de tia-mãe! srsrsrs....

aproveitando pra responder....quantas perguntas vc fez lá no blog...rsrsrsrs...não imaginei que dava pra imaginar tanta coisa com meu post...rsrsrs.. e vc só acertou que fui a irmã que tentou consolar!
na verdade o que aconteceu foi que o carro de um amigo do meu irmão destruiu o muro da chácara dos meus pais! rsrsrs...

Ah, e que bom que vc se identifica com o que eu posto! Gosto muito do seu blog viu!

brechó trechic baratissimo disse...

oii entao ta sim, tem interece?
é so dizer q mando as fotos
beijocas

Ronaldo disse...

passei para desejar um excelente feriado pra voce

bjs

Jéssica L. Morais disse...

Amei seus post, principalmente o último....Bom , sou mãe de um peuqena de quase 3 anos que desde que começou a falar só faz me surpreender!!!
Bom fim de semana pra ti!
Bjus!

Mi Pankowski disse...

Coisas de filhas! hahahaha
A-do-rei

Geovana disse...

Amei a história... criança é sempre especial.

Valeu por ontem... o filme foi muuuito bom mesmo, rimos muito. Será que incomodamos alguma criancinha?

Bjo.