quarta-feira, 10 de junho de 2009

MEU NOME É SEGREDO

Alguma vez você olhou na cara de um sujeito e pensou: “Ele tem cara de Melquisedequi”?. O nome pode ter sido qualquer outro, inclusive um mais “facin” de falar. O problema é quando conhecemos a criatura e nos damos conta de que seu nome não é aquele que pensamos, mas também não conseguimos assimilar outra alcunha para a pessoa. Tem gente que tem a cara do nome e tem nome que não tem a cara da gente.

Quem é Maria? Maria é a única pessoa do mundo – nesse momento - em quem confio entregar minhas roupas para lavar e passar, mas também é o nome da filha de minha amiga megachique que acabou de nascer. Aliás, convenhamos, Maria é um nome luxo. O negócio é que a gente inventou de achar que todas as pessoas humildes, que usam lenço na cabeça, têm cara de Maria, de dona-de-casa e, pior, passamos a ter preconceito com esse substantivo próprio. Se um dia eu puder mudar de nome, de novo, vou querer que me chamem de Maria. Talvez Maria Clara, porque só Maria acho não cabe em mim. O nome tem que ter o tamanho da pessoa.

Quando era pequena, tinha um vizinho que vivia lá em casa jogando baralho com meu pai. Eu achava ele muito bonito, grandão (não sei se eu que era muuuito pequena), uma barba tão cheia de fios bem pretos que nem parecia ter pele ali em baixo, fumava como uma chaminé e o nome dele era João. Pronto. Todo mundo que tem as características desse vizinho eu acho que tem cara de João. Ninguém me venha fazer acreditar que um homem magro, branquelinho, muito menos loirinho, daqueles com aparência de nerd pode se chamar João. Pra mim, esse aí só pode se chamar Rogério, ou Ricardo, que era o nome de uns gêmeos “sabetudo” que estudaram comigo na primeira série.

Acho que é por causa dessas associações, que minha mente sem ter o que pensar faz, que dificilmente associo os recém conhecidos aos nomes e suas respectivas fisionomias. É quase uma amnésia com os que acabaram de chegar. Para chamar alguém pelo nome certo – depois de cometer 527 gafes - preciso associar a pessoa a alguma situação na minha vida.

Estava numa festa e percebi que o conhecido de um amigo, do qual eu gostei da companhia quando conheci, estava ali. E agora? Como é o nome dele? A criatura acenou, eu respondi com um sorriso e um tchau. Ele veio em minha direção. Minha sobrancelha esquerda subiu de aflição, estimulando mais linhas de expressão. Se eu errasse o nome podia perder a oportunidade de “fazer um novo amigo”. Minha vontade era dizer: “Oi, eu sou a Ema” e enfiar a cara no primeiro buraco à vista. Como a festa não era numa fazenda, e não dava para cavar um, fui forçada a cumprimentá-lo. “E aí? Como você está?”, lancei minha primeira tentativa de a resposta trazer alguma situação lembrando seu nome. Nada. “Estou bem. E você?”, ele respondeu. “Xiiiiii... Ele também não gravou meu nome!”, me tranqüilizei e fomos levando o papo até que, graças a alguma entidade das nomenclaturas alheias, se aproximou um terceiro conhecido que o chamou pelo nome. Esse aí eu não posso revelar. Mas, pense num alívio!!!!! Ganhei a noite.

Hoje levei o cágado de meus sobrinhos para o trabalho. Não pense que gosto de andar com esses bichos defecando e urinando no tapete do meu carro (nunca imaginei que daquele casco pudesse sair tanta coisa). É que vamos gravar uma matéria sobre a teoria da evolução de Darwin. Depois posto o link. O engraçado é que o cágado é fêmea, mas minha irmã só descobriu isso depois que todo mundo já chamava a bichinha de “Bob”, pois acreditávamos que “Pink” (seu novo nome) era macho. O outro cágado que levei nem tinha nome. Graças a Deus, porque tive que explicar mil vezes porque Bob era Pink, mas que eu não conseguia chamá-la pelo nome certo por que minha irmã... etc. e tals.

Talvez eu tenha a explicação para essa confusão que faço. É que, quando eu nasci, todos da família me chamavam de Adriana. Quando completei um mês, que eu já devia sorrir quando chamavam “Adriiiiii” (bebê de um mês dá risada?), meu pai foi sozinho me registrar e daí vocês já perceberam o resultado, né? Voltou com o registro de Luciana para casa. Minha mãe ficou “P” da vida. Na família, todos têm o nome começando com a letra “A”. Gosto do meu nome, pois ele é um segredo que meu pai levou para o túmulo. Só que até hoje não descobri se foi uma Luciana que meu velhinho reencontrou no caminho do cartório e, para não esquecer, colocou o nome dela em mim. Traumatizei.

5 comentários:

Alexsandra Moreira disse...

joão me lembro bem...

Salva por um terceiro foi ótimo, mas sinceramente eu teria perguntado o nome numa boa e ainda faria piada...rsrsrsr

Acho que aconte com varias pessoas a troca do nome tb...

Ahhhh, não fale assim de Bob/Pink, Dilan e Erick me corrigem toda vez que troco.rsrsrsrsr

Estou no aguardo para ver Bob/Pink virando celebridade...hahahha

bj

Dri Viaro disse...

Nuosssa Lu,rsrsrs
vc ia ter meu nome, e foi chamada assim durante 1 mes, e depois seu pai se enganou?kkk
o que a gente faz com esses pais hein amiga?kkkkkk
mas o importante é que tb termina com Ana hehehe

bjsss otimo feriadao

Isadhora disse...

eu aaaaamo meu nome...
e Isadora sem H nao tem a menor graça!!!!!!!!!!!
tem que ser Isadhora!

Eu sou chique, benhê!!!

Clau disse...

Claúdia... com acento no u...
Nem aparece no meu blog... hunf...

Aninha Leme disse...

gente
surreal
kkkkkkkkkkkkk
adorei a origem do teu nome!!
o meu foi minha irmãzinha quem me deu rsrs
adorooooooooooooooooooooo
beijosssssssssssss