segunda-feira, 11 de maio de 2009

THUNDERCATS DO ASFALTO

Cheguei a duvidar que tivesse capacidade de aprender a dirigir. Só de pensar em um carro me fechando em um congestionamento na ladeira da Federação (bairro mais alto de Salvador) eu tinha calafrios. Acreditava que fosse fechar os olhos com as mãos, como faço quando vejo filmes de terror. Tirei a carteira em 3 meses – iam ser 2 e meio, mas uma pessoa mais anta que eu derrubou o protótipo de carro atrás de mim e eu fiz tudo errado. Na segunda vez, suei mais que cuscuz, mas passei. Êêêita orgulho!!! Aposentei o RG e passei a apresentar a CNH. No início, era uma forma indireta de mostrar a todos que eu era habilitada, mas... Na verdade, só andava de buzão e nem tinha perspectiva de poder comprar um carro. Toda vez que saía com meus amigos não bebia só para voltar dirigindo, porque, sem álcool no juízo, eles não me davam o volante e, quando o faziam, eu não podia mudar de faixa, ultrapassar nenhuma lesma, passar de 60Km, olhar para o lado e tinha que frear assim que visse o sinal vermelho. Mesmo assim, tinha prazer em dirigir. No fundo, acho que queria ganhar prática, confiança, experiência de rua, que, só o dia a dia permite. Era medrosa, mas ousada. Com todo senso crítico, me acho uma boa motorista, mas, hoje, ambiciono o teletransporte. Será a perfeição. No stress. Quando comprei meu carro, descobri o primeiro arranhão ainda na concessionária, mas a vontade de entrar no meu possante, com cheirinho de novo, era tanta que eu nem me importei. Um arranhão bobo... Infelizmente, confirmei isso quando outros começaram a aparecer. Apesar de ser ultra, hiper, megadesastrada, desde que tirei a carteira não cometi nenhuma infração de trânsito, não bati e nunca encostei no carro de ninguém. Mas, o primeiro arranhão não se esquece. Você vê o carro a 10m de distância e só consegue enxergar o maldito arranhão de 1cm embaixo do retrovisor. Na minha cabeça, ele atravessava o carro. Pura ilusão de neurótica. Fui colocar placa e, na entrada do DETRAN, creiam, um caminhão (isso mesmo, um CAMINHÃO!!!) quase passou por cima de mim. Pelo menos foi essa sensação que tive quando ouvi o barulho daquela caçamba enorme encostando ao meu fundo. Saí do carro parecendo uma louca: “M-e-u c-a-r-r-o n-o-v-o P-O-R-R-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A-A!!!!!!!!”. Quando vi o arranhão, fiquei puta da vida. Esse, sim, tinha uns 30cm. Um engraçado passou gritando: “Já batizou, foi?”. Só dei o dedo como resposta. Enfim, o caminhoneiro disse que entrei na frente dele e eu disse que ele queria me atropelar e ficou por isso mesmo. Já sabe como é... Mulher dirigindo carro sem placa não tem credibilidade – e olhe que ninguém sabia que minha carteira ainda era permissão. Entrei para colocar a placa e agradeci a Deus por não ter sido algo pior. O arranhão da concessionária começou a ficar pequeno. Aos poucos, fui entendendo que o veículo é um bem material – de grande valor – mas, não dá para ter apego, pois ele vai acabar se rodar ou se ficar parado. Só para vocês terem ideia de como sou cuidadosa, ainda tenho bonecas, em bom estado, de quando eu era bebê. Ou seja, as bonequinhas também estão balzaquianas. No início, desapegar desses arranhões foi difícil. Mas estou conseguindo. O segundo grande risco aconteceu por excesso de prudência. Fui ao teatro e, para não estacionar na rua, deixei num local pago, porém, com um manobrista que tratou de esculpir uma mancha branca nele. Dessa vez arrancou até a tinta (foi escultura mesmo!). Estou processando a rede de estacionamento, pois - creiam - eles alegam que o arranhão não foi lá e que eu devia ter preenchido uma ficha de check list do veículo. Alguma vez alguém te ofereceu essa ficha quando você estacionou? A mim, não... Hoje de manhã, para começar o dia e a semana bem, ao sair do prédio vi uma obra de arte amarela no meu para-choque dianteiro. Ô ódio!!!! Graças a Deus ele não durou 5 min. Mesmo tendo carteira há pouco tempo e com mínima experiência de trânsito, aprendi que não posso manobrar além de onde enxergo. Mas, devido à visão além do alcance de muitos condutores thundercats, meu carrinho parece mais um alvo de dardos. Dia desses, uma vaca louca abriu a porta com tanta força e... Mais um arranhão!!! O que eu posso fazer? Matar? Morrer? Me estressar? Nada. Meu único trauma, juro, é não estar “destruindo” meu bem. É saber que os outros o estão fazendo por mim. Com essa chuva que caiu em Salvador, tem uns 20 dias que não consigo lavar o carro. Ou seja, não vejo os arranhões. TPM vai ser quando a sujeira sair e eu perceber minha pintura metálica virando porta de banheiro público.

Um comentário:

Alexsandra Moreira disse...

Eu me lembro do dia do caminhão, vc chegou aqui no trabalho e o povo teve medo.kkkkkkkkkk

Mas eu te disse: hj ele deve ser uma obra de arte com tanto arranhão. Põe lá no MAM junto com as obras de Caribé.rsrsrsr

Quanto ao processo, se for pouca coisa, melhor desistir. Só o desgaste, tempo e custo que vc terá vai sair elas por elas...

bjs