quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EU TE CONHEÇO?

Um dos raros momentos em que posso me dedicar às atualidades é enquanto dirijo. Quando não estou emputecida xingando algum lerdo no trânsito consigo prestar atenção nas notícias do rádio. Às vezes ligo o maldito e não ouço uma palavra do que está sendo dito. Me encontro em lugares que nem eu sei onde é. Uma matéria que me chamou bastante atenção esses dias foi sobre a perda de memória. É incrível como pessoas da minha geração estão muito suscetíveis a este mal.

Desenvolvi mania de organização com minhas coisas. Tudo fica tão milimetricamente no mesmo lugar que se eu mudar algo de posição posso nunca mais achar. Segundo o especialista lá da entrevista, temos 3 tipos de memória: a imediata , a intermediária e a remota.
A imediata é a que mais me faz perceber o quão estou disponível à demência – que é a frequente perda de memória [quem me chamar de demente leva uma bifa, não vou esquecer]. São coisas que estão acontecendo e o velcro do cabeção não gruda.
Tem dias em que estou agendando uma pauta e no meio de uma chamada esqueço para quem estou ligando. Me bate um desespero tão grande quando a voz do outro insiste no “alô” e eu não sei quem é. Desligo nas carreiras e me volto para a tela do computador a fiscalizar as atividades. “O que estou fazendo nessa porra?!?”. Quando reconheço a voz respiro aliviada.
Quem nunca perdeu-se no meio de uma conversa e perguntou ao ouvinte: “Eu estava falando sobre o quê mesmo?”. Me sinto assinando um atestado de loucura com o polegar. Faz uns 3 meses que comprei 1kg de açaí no caminho do trabalho e deixei no freezer da empresa. Só dei por falta quando passei pelo mesmo lugar e me perguntei quando tomei aquele açaí. “Não tomei”. Deixei o embrulho derretendo na minha mesa pra não esquecer por mais um mês.
A memória intermediária é aquela que nos remete às semanas e meses ainda considerados recentes. Aquele papo com amigos numa mesa de bar, uma viagem, uma situação no trabalho, compras feitas (enquanto estamos pagando a fatura do cartão lembra), festinhas em que fomos, os micos que pagamos. Essa é minha melhor memória – ufa! Tenho uma!

Lembra aquela atividade de criança que você e seus amigos costumavam brincar? Eu lasquei minhas canelas pulando elástico, enfiei o ferro de segurar a planta na tomada e levei o maior choque, me esborrachei no chão “pulando a mula” (a pessoa mais lerda da galera ficava em posição de mula e os outros pulavam gritando “mão na mula”). Às vezes encontro um colega do primário e lembro dele. Essa é a memória remota, que as pessoas costumam ir perdendo à medida em que vão assoprando mais velinhas.

Eu troco as senhas do cartão de crédito com o de débito e acaba bloqueando tudo, daí eu ligo e xingo a décima geração dos atendentes. Esqueço pequenas quantias nos bolsos e fico feliz da vida quando encontro – sempre acho que Deus fez sumir para aparecer na hora certa. Perco todas as canetas e fico bizoiando a mão de todo mundo para ver quem “achou”. Só lembro os números dos telefones se olhar para o teclado do aparelho.
Como inexistem medicamentos que segurem a memória no lugar, o indicado é evitar situações estressantes [hã? Vou morrer!], vida sedentária [engordei 4kg], passar noites em claro [adeus festinhas], estimular a memória através da leitura [escrevam mais para eu ter o que ler] e, óbvio, não queimar neurônios – se beber vai afogar os coitados.
O especialista da entrevista sugeriu ainda, ao indivíduo com tendência a demência – fez até rima -, guardar as coisas sempre no mesmo lugar, anotar compromissos e fazer uso da agenda. Ele frisou que, o "stress", a ansiedade e a depressão também podem ajudar a memória falhar. Enfim... Como pertenço a esse "grupo de risco", se algum dia eu parar de postar acreditem: esqueci a senha.

8 comentários:

Alexsandra Moreira disse...

Uai... E eu achando que vc é normal...
Então é por isso essa impárfia toda de tudo organizado d+, para não esquecer onde colocou os trecos...rsrsrsr

Eu tb já liguei e esqueci para quem... me identifiquei e perguntei: falo com quem?rsrsrsr ô atestado de loucura...

bj

OMAR HAIKAL disse...

HAHAHAHAHA
PENSO, COGITO, LOGO EXISTO!
GOSTEI DO SEU BLOG JÁ PELO NOME, ENTREI, LI PRA KCT... PUTZ, TU ESCREVE HEIN?! QUEM ME DERA ESSA PACIÊNCIA... INCRÍVEL, PELO JEITO VC NÃO TEM PACIÊNCIA PRA MUITA COISA, MAS ESCREVER PARECE UM DOS MOMENTOS QUE VC MAIS CURTE, PQ NOSSA... ESCREVE... HAHA
MAS DE VERDADE, ADOREI O POST...
ESTILO "OS NORMAIS" HAHA

Tiago disse...

Pelo visto vou te encontrar no Juliano Moreira...rsrs

Beijinhos e ótimo final de semana!!

Aninha Leme disse...

Oi, querida!
eu li tb uma matéria sobre isso na Super Interessante há alguns meses.
Eu tenho TDAH, déficit de atenção, sabe?
Eu me lembro de tudo da infância, tudo tudo. É impressionante. Já a memória imediata: nossa, que lixo!
Tô sempre me fubecando por causa dos esquecimentos. Esqueço o inesquecível, costumo dizer.

fora a perda do léxico, no meio de uma conversa e não vem nada à cabeça. Desespero total!
Apresentação para conferências? Nossa, além do déficit, ainda tem a timidez que muitas vezes me rasga no meio.
affff

beijossssss adorei o post

Desabafando disse...

ahahahahaha...eu tb tenho surtos de esquecimento dos tipos que vc narrou! Acho que isso é até normal...vivemos atualmente numa correria tão grande com trabalho, casa, demais atividades, estudos, cursos e tudo mais...tudo exigindo nossa atenção e nós sempre tentamos atender a tudo...que acho normal o cérebro dar uma parada e relaxada de vez em quando pra recuperar o fôlego pra continuar na atividade....rsrsrsrs...liga não, isso é normal!

Ah, e tenta não esquecer a senha...pq gosto muito dos seus posts!

O Profeta disse...

Não me queres dizer onde mora o teu sorriso
Ausente do incontido abraço
Ausente das palavras felizes
Envolto em nuvem escura no espaço

Não me queres dizer o rumo
Que leva ao teu terno coração
Não me queres abrir as portas
Da cor vibrante da paixão?



Bom fim de semana



Doce beijo

Isadhora disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
eu tb sou muuuuuuuuuuuuito assim!
e vou dizer: a minha piora é crescente e beeeemm visível!!!

Geovana disse...

Eu costumo dizer que tenho memória seletiva... esqueço o que não presta (tipo telefone de ex, trabalho na sexta...)... lembro de boas passagens da vida (encontro com amigos, festas...).
No geral chamo todos de vizinho, colega... finjo que lembbro de todos e deixo sempre um sorriso nos lábios. Só ligo se o número estiver no celular, pois já basta ter que saber o CPF, RG, Senha de Banco e Senha de email.

Bem, se vc é esquecida... bem-vinda ao grupo.