quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SOTEROPAULISTANA

Hoje, toda preguiça do mundo repousa em mim. Estou devagar, quase parando. Mas quero botar o cabeção pra divagar. Alguns físdumaséguas acreditam que a preguiça é algo inerente ao baiano. Otários. Meus amigos que adotaram a Bahia desistiram dessa idéia de que baiano é calmo, paciente e preguiçoso. Basta me conhecer para mudar de idéia.

Na espécie de Torre de Babel em que vivo, tem mineiros, paulistas, cariocas, pernambucanos e, é claro, baianos. Nosso sotaque malemolente carrega uma imagem de que andamos nos arrastando, de preguiçosos, de quem não está nem aí para a vida. Porra nenhuma! Se isso for verdade então eu tomei energético no lugar do leite materno.

Uma amiga arrisca dizer que eu sou a baiana mais paulista que já existiu. Discordo. Não imagino a vida sem a onipresença marítima.

Nos primeiros 5 dias que passei em Sampa quase surtei na Av. Paulista. Me chamaram para um happy hour. Gente! A cada 200 metros tem um cruzamento e uma maldita sinaleira. Toda hora o carro parava ao lado de um ônibus e eu era obrigada a fechar a janela para não morrer intoxicada. Para sorte do meu humor, pegamos o caminho errado umas duas vezes e tivemos que fazer o contorno lá na casa da porra e pegar todo congestionamento de novo. O bom é que para estacionar lá é mil vezes mais fácil que aqui. O hapy hour se transformou numa alugação com a baiana que chegou atrasada – pra variar!

Nos primeiros dias que passei na cidade, tive uma crise aguda de mau humor. Não conseguia ver o azul do céu, nada de lua, estrelas só nos sonhos, um frio dos infernos e a sensação de ter um fumante ao meu lado o tempo todo. Os amigos de meus amigos riam horrores da “baiana estressada”.

Ainda bem que passei mais 10 dias na cidade para mudar totalmente a imagem que fiz nos primeiros momentos. Quando descobri que poderia comprar vááááárias roupas e perfumes infinitamente mais baratos que aqui quase surtei. Sapatos? Trouxe 19 pares. Virei centopéia. Só para vocês terem noção, levei uma mala e voltei com 3. Minha amiga já tinha medo quando me via escalando o cartão de crédito. “Segura a Luciana”. No meio da viagem tive que aumentar meu limite.

Depois me levaram para conhecer alguns museus. Enlouqueci no Ipiranga, pois o museu é gigantemente maravilhoso e tinha umas crianças correndo. Minha vontade era torcer a orelha de cada uma delas e arrancar um pedaço da língua para não gritarem. O Museu da Língua Portuguesa é meu sonho de consumo de visitação semanal. Quando descobri que quem pode andar de metrô não precisa de carro fiquei feliz da vida. Em compensação, não dá para andar de taxi, pois fica muito caro. Lá, o perto ainda é longe.

Para me conquistar de vez, me levaram num barzinho onde uma banda árabe toca ao vivo e as mulheres podem dançar sem todos ficarem olhando. Não queria nunca mais sair dali. Amo dança do ventre e aqui praticamente inexistem barzinhos temáticos. Amei São Paulo de grátis e descobri que, se desse para ver o céu azul, eu moraria lá tranquilamente. Sem céu não dá!

A única coisa que me tirou do sério nos dias finais dessa viagem foi uma mulherzinha ridícula e fedida. Estávamos indo para não sei onde e um infeliz abriu a janela e cuspiu na rua. Que eca! Porco em qualquer lugar do mundo. A fedidinha teceu o seguinte comentário: “Nossa, meu, que baiano!”. Tadinha. Fiquei calada, mas alguém lembrou que ela estava no carro com mais duas baianas e não deveria falar aquilo. Ela se desculpou e explicou – e eu entendi, de coração - que era uma força do hábito, não uma ofensa pessoal, etc. Para piorar, acrescentou que, “no Rio, por exemplo, quando as pessoas querem ofender alguém basta chamar de Paraíba’. Sem ter noção do perigo, ela perguntou: “Você entende, né? Lá na Bahia vocês não chamam ninguém assim não?”. Com toda malemolência de meu sotaque, respondi: “Claro que entendo, amor. Não é culpa sua, é toda uma cultura. Mas, na minha terra, quando achamos que alguém fez alguma coisa errada, chamamos a pessoa de retardada mesmo. Agora, por exemplo, eu te chamaria de idiota e tapada”. Silêncio geral. “Mas não é nada pessoal, você entende, né?”

Acho que ela entendeu, pois mal me olhou o resto da tarde. Para criticar o erro de alguém é necessário “ofender” o outro? Amei São Paulo e estou voltando. Fui baiana o suficiente para não deixar que uma gordinha fedida virasse estereótipo de um lugar.

6 comentários:

Elisa no blog disse...

Oi,
Eu sou paulistana, estudei na Av. Paulista, nasci perto do Parque Ibirapuera. Mas pelo meu blog nem pareço paulistana, não acha? Fico contente que vc tenha achado coisas positivas em São Paulo. Coisas ruins existem em todos os lugares.
Amo São Paulo porque nasci e cresci lá.
Fico triste quando as pessoas dizem nunca fui e não gostei.

Chamamos sinaleira de farol.

Eu tb. tinha achado que o ritual dos cavalinhos era parecido com o de Iemanjá. Mas não escrevi porque não tinha muita certeza. A diferença está exatamente onde vc apontou. Vc é muito perspicaz. Os japoneses acreditam que as águas tem o poder purificador. O cavalinho é ofertado para levar consigo todos os males. Com isso viriam coisas boas como boa colheira, boa pesca e saúde para as pessoas.

beijos,
Elisa

Aninha Leme disse...

huahauahuahau
eu sempre me fo@# quando vou falar que alguém é tosco.
uma vez chamei um de mongol e percebi que na familia dele tinha caso de mongolismo. (aiii só me fodo! prontofalei)
depois, quando disse que não sabia responder a pergunta e disse que ia simular down. (na mesma esparrela)

Tenho mania de dizer: "não creio que tem neguinho que ainda acredita em papai noel"

enfim... é difícil. o melhor seria me amordaçar, acho mais seguro.

beijossssssssssssssssss

Desabafando disse...

que bom que gostou de são paulo! Olha, eu por morar perto de sp e trabalhar lá, me acostumei e não vejo mais tanta graça assim. Vejo mais defeitos que qualidade, te confesso! Acho que deve ser um lugar bom pra passear, pra conhecer coisas diferentes, reconheço que qualquer coisa que vc quiser fazer, vc encontra em sp, lugares diferentes e descolados...mas não para morar. Enfim, que bom que gostou...sp tem suas coisas boas tb!

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Não tem jeito, algumas coisas são assim mesmo. Nos cabe aceitar. Certos esteriótipos são difíceis de tirar.

Beijos

Isadhora disse...

kkkkkkkkk
amei a resposta à songa monga!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Tiago disse...

Bom lugar pra passear...

Tenho grandes amigos por lá, então fico "relax" até uns 7 dias...

Mais tempo do que isto e bate saudades do nosso mar, da nossa vida...

Da porra gordinha nem vou comentar...tô evitando falar muitos palavrões...rsrs

Beijos!!!

PS>: Porra não conta como palavrão...rsrsrs